terça-feira, 25 de novembro de 2008

Blindness




Pôs
, diria uma pessoa que conheço em jeito de anuência mas que tem a lingua dobrada demais para pronunciar pois.

O realizador está de facto de parabéns ; crê-se que a imagem geral contida na obra de José Saramago está presente e razoavelmente retratada. Há o elemento de choque que o próprio livro contém, mas com o cuidado de ser subtilmente camuflado para não chocar os mais sensiveis ( pelo menos, tenta-se ... ), há a presença da força da personagem principal, há uma história fora do comum.

Não há grandes interpretações por parte dos que interpretam papéis secundários, não há grande rigor a contar a história ( a bem da verdade, existe isto em filmes adaptados de livros ? ).

O filme é bom, atenção. Só não está ao nível do autor da obra que lhe deu origem.
A beleza da linguagem de Saramago aprecia-se directamente nas linhas escritas por sua mão, a autenticidade do texto vivencia-se através da leitura, a crueza do discurso e a brutalidade da descrição sentem-se, não como algo que surja do nada para provocar, mas como uma peça no grande puzzle de toda a história e de toda a mensagem nela contida. E por isso é dificil trazer Saramago para a tela.

As imagens, essas, poderão valer por mil palavras. As dos comuns mortais.

Não as de Saramago.

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