quarta-feira, 24 de abril de 2019



Sabes que subiste um ou dois degraus no escadote da vida quando a tua antiga entidade patronal te liga a perguntar coisas jurídicas. Logo ele, que tinha a mania que sabia tudo...

Ca lindo.

terça-feira, 23 de abril de 2019

About Last Night


Meanwhile in Érgástulo - Parte Vigésima Primeira

Na senda do queixume infra, poderá pensar-se que sou, ao fim e ao cabo, uma ingrata da quinta casa e uma preguiçosa sem vergonha.

Isto porque sua excelência o patronato acabou, afinal, por nos dar a tarde de quinta-feira santa.


Não sem antes, como está bom de ver e daí o presente queixume, nos lixar o esquema, bem lixadinho.

Foi o povão todo almoçar, a arrastar-se e de trombas por sermos as únicas avestruzes a trabalhar naquela tarde.
Foi tudo para o café arrastar-se mais um bocado porque a vontade de trabalhar não existia e nada foi feito para a fazer regressar.

Estávamos tristemente a regressar quando nos salta o velho patrão ao caminho.

'Que estão a fazer aqui?', pergunta aquela andorinha idosa. Estamos a vender perus, Sr. Dr., como está bom de ver. 'Nós vamos fechar à tarde, ninguém vos avisou, ninguém vos disse nada?', questiona com algum espanto.

Não, estupor de velho, quem é que haveria de nos avisar que temos a tarde livre senão o próprio chefe dos macacos, não me dizes? E depois ainda põe aquela cara de fronha enrugada, como quem não tem nada a ver com o assunto.

E assim se perde, à vontade, hora e meia de mini-férias.


Ser velho é muito triste, é só o que tenho a dizer.



Foi aqui que vim parar.

A Crise É Real

Pensar em comer dá-me arrepios no fígado.

É normal?

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Boa Páscoa!



Bona Mater deseja a todos uma mega Páscoa, cheia de iguarias e crises de fígado subsequentes!

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Meanwhile in Ergástulo - Parte Vigésima

Ao velho patrão deu-lhe uma ventania na carapuça e resolveu presentear o proletariado com um dia de folga, à escolha entre a segunda-feira de Páscoa e a sexta-feira seguinte, que calha entre um feriado e o fim de semana. Sem desarmonias quanto à escolha, feita entre colegas, está tudo a esfregar as mãozinhas de contentamento. Afinal, houve um progresso significativo do ano passado para este: no ano anterior, foi-nos dada a tarde de quinta-feira santa, com má vontade e trombas até ao chão. Este ano, desfrutamos de um dia INTEIRO à nossa escolha para borregarmos alegremente!


Óptimo.

Excelente.

Maravilhoso.

Fantástico.

Para lá de estupendo. 


Não que me esteja a queixar, nem nada que se pareça (estou, pois).
Quem de dera que todos os anos se lembrasse de ser generoso como está agora a ser.
Porém, há que ser pragmático.

Nada está a funcionar hoje.

Nada.

Absolutamente nada.

Nem instituições públicas ou privadas.

Ninguém trabalha nesta cidade.

Neste edifício, somos os únicos que cá estamos.


Custa muito mais ter esta espelunca a funcionar, com os gastos de água e energia, do que fechar as portas - para todos - um mísero dia.

É que, embora o pessoal seja exímio na arte de disfarçar e fingir que tem imenso trabalho, todos sabemos que não há grande coisa para fazer - basta ver a facilidade e a descontração com que toda a gente se encosta aos umbrais das portas das salas uns dos outros, a conversar sobre a falta de gasolina e os folares da Páscoa.
Portanto, estamos a consumir recursos a fingir que trabalhamos, o que não deixa de ser cómico, é evidente, mas também é só parvo.



Moral da história: O QUE É QUE ESTAMOS TODOS AQUI A FAZER, CARALH*?



Foi aqui que vim parar. 

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Tão Isto




A Páscoa não começa sem que se enfarde o primeiro ovo de chocolate.
Portanto, só começa agora.

Bom Demais Para Não Partilhar

terça-feira, 9 de abril de 2019

Meanwhile In Ergástulo - Parte Décima Nona

Neste sítio do demo, há, nada mais, nada menos, que 4 casas-de-banho, duas a cada ponta do escritório.
Obviamente, o proletariado, para despachar a coisa e  não perder meio ano com as calças na mão e cu sentado na pia, serve-se da latrina que estiver mais próxima do seu gabinete.

A não ser que vá cagar, porque, nesse caso, vão à casa-de-banho mais longe, para não se darem à morte.

Digo eu, depois de longa observação, já que claramente parece que não tenho o que fazer.



Foi aqui que vim parar.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Esta semana, tive a (in)felicidade de encontrar a minha antiga entidade patronal num qualquer tribunal desta ilustre comarca da metrópole.

Vinha com a sua nova prole, uma pobre miúda, verdinha até na pele, que foi apresentada como a minha estagiária. Sem qualquer laivo de personalidade própria, como está bom de ver.

Depois dos cumprimentos da praxe, vira-se para a moça e, referindo-se à minha pessoa, diz-lhe: "Está a ver aqueles processos todos mal feitos que estão para lá no escritório? Foi esta senhora que os fez."


Devia ter-lhe, nessa altura dito, que o tempo dele de lançar bocas ordinárias e de me espezinhar já tinha acabado, que era por causa daquela conduta miserável que toda a gente que trabalhava com ele o tinha deixado, que por causa da maldade intrínseca e da falta de calor humano tinha uma sociedade que destruiu e que agora estava fadado a trabalhar sozinho, como um reles advogado de vão de escada, coisa que criticou durante anos e alto e bom som.



Mas, feita estúpida, não fiz nada disso.
Limitei-me a rir e a simular pressa, que tinha mais que fazer.

Mas arrependi-me de não ter dito nada.
Porque agora ando a remoer estas merdas e nunca mais tenho sossego interno.



Merda para mim.

Ai Sim?

Um destes dias, feita ursa, deixei o telemóvel em casa, com a pressa de sair e chegar a horas aos sítios, coisa muito comum nos seres humanos assalariados.

Como o mundo foi evoluindo, nada se faz se não se tiver um telemóvel à mão.
E não, não se trata somente de não saber o que se faz com as mãos quando se está parado, é mesmo uma necessidade básica. Por exemplo, já não se pode usar confortavelmente o homebanking de certas instituições bancárias porque o sucesso de uma transacção depende da inserção de um código enviado, através de sms, para o dito telemóvel.


Isto tudo para dizer que precisei de pagar umas contas e não consegui usar o homebanking porque deixei a porra do telefone em casa.

Então tive que usar a porra de um multibanco.

E fazer a triste figura que passo a vida a maldizer, de uma autêntica idosa a pagar 20 contas na máquina e a deixar atrás de si uma fila interminável de pessoas que bufam e desesperam.


No fim, a pagar uma conta qualquer, saiu-me, disparada pela boca fora, qual velha sem filtro, um eloquentíssimo "que gatunagem esta". Só para depois me arrepender de o ter dito em voz alta, já que estava atrás de mim uma senhora que, ouvindo a estupidez, se começa a rir sozinha.

E assim acaba a minha dignidade e moral para falar dos velhos, dado que cada vez mais, sou um deles.



Não há salvação para mim.

E você?