segunda-feira, 31 de maio de 2021

Entretanto, o Festival da Eurovisão

 Já estava cá a fazer falta, não era?

Apesar de todos os componentes de Eurovisão estarem presentes (música pop fácil, triunvirato mamas-cu-pernas em quase todas as canções e azeite q.b.), até foi dos anos em que a música teve mais qualidade. Consegui reunir numa lista de Spotify 11 músicas muito jeitosas e audíveis sem embaraço por pertencerem a este tipo de certame (again, linguagem de feira de gado a ganhar terreno), o que, tendo em conta a temática, é dizer bastante.

Não me apela por aí além a música vencedora. Talvez seja por estar farta de ouvir bandas do género desde há décadas, ou de ter aturado milhentas vezes aquelas atitudes de bad boy em vocalistas armados em parvinhos (como é claramente o caso deste; que veio a ser aquela simulação de snifanço?!) ou de ter ouvido aquele chavão de rock n'roll neves dies em todos os álbuns e concertos alguma vez dados por bandas que se acham a última Coca-Cola do deserto. Não traz nada de novo, mas podia ser pior, é verdade. 

A minha preferida era esta, apesar de não ter qualquer tipo de ilusões quanto a poder vencer:


A Ucrânia estava poderosíssima aqui (seguida de perto pela Lituânia, pela Bélgica e pela Rússia):


Nós estivemos muitíssimo bem e tivemos direito a uma votação do público miserável que foi tremendamente injusta. Cheios de graça e de talento.


No entanto, acho que deveria verdadeiramente ter ganho esta:

Não porque a música fosse por aí além de boa (é pavorosa), mas o rapaz é fofo que só ele e merecia mais atenção.




Para o ano, em Itália, então. 

E Ainda Não Acabou

Sempre tive em mim a firme convicção que o mês de janeiro, fosse de que ano fosse, era sempre o mês mais difícil, mais comprido e mais horrível de todos. Era sempre neste mês que aconteciam as piores coisas, ou que faltava sempre alguma coisa, ou que só havia chuva e vento, ou em que não se via progresso em nada, ou em que simplesmente era o mês em que a esperança se deitava para morrer.

Havia sempre alguma coisa no mês de janeiro que apelava ao lado pior, não só meu, mas de toda a gente, que fazia com que fossem 31 dias para esquecer, que contavam como se fossem 350. O mês de janeiro deste ano de 2021 foi talvez, o piorzinho de que há memória em termos gerais.

No entanto, o mês de maio, suplantou-o sobremaneira.

Foi um mês de merda. De merda. De muita merda.

Merda sobretudo para mim. Que fui, em todo o meu esplendor, uma merda. 

Nada correu bem, nada fiz de bom. Limitei-me a saltar de porcaria em porcaria, tentando não morrer de ataque cardíaco ou de ansiedade aguda, à espera do próximo pântano onde me enfiar. E, caraças, havia sempre mais um pântano.

Há muito tempo que não deixava que a estupidez me governasse de maneira tão autoritária. Não houve espaço para a calma e tranquilidade que decisões importantes pedem. Não houve inteligência para antever os percalços que poderiam existir. Não houve aceitação e paz para lidar com as consequências.

Ao invés, só houve estupidez, amadorismo, incompetência, precipitação e intempérie. O que só veio provar que sou tudo isto e mais um par de botas.

Se posso dizer que, ao menos, aprendi alguma coisa com isto? Quem me dera. E se à partida, a resposta é positiva, este mês veio mostrar-me que é só uma questão de tempo até voltar a suceder tudo outra vez e a aprendizagem deixar de existir.

Deve ser por isso que tenho a bela sensação que o mês de Junho será outro igual a maio: a mesma merda.