segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Um pequeno recado à campanha do CDS e da sua candidata à presidência da Câmara Municipal de Lisboa: ainda bem que têm noção dos problemas da cidade. É muito positivo tendo em conta o objectivo final e o cargo para o qual se concorre. 
De facto, o trânsito intenso é um problema gigante desta cidade e, ainda para mais, sem fim à vista, pois que a cidade, apesar de de dimensão razoável, torna-se pequena face ao número de animais que nela circulam todos os dias e que entopem todas as vias possíveis e imaginárias.

Portanto, acho muito bem que chamem a atenção para o facto de termos uma selva em vez de tráfego e acho muito bem que ganhem pontos junto dos vossos eleitores com este tipo de iniciativas.

Mas também acho que só mesmo os vossos eleitores é que estão para vos aturar.


Porque fazerem parar o trânsito com uma mini-manifestação/campanha eleitoral contra o trânsito parado, desculpem lá, mas é só estúpido e raia a falta de chá. Resolvem o problema como exactamente, se o estão a alimentar?!



Apetece-me Grandemente Ser Porca #62

A cara do moço que, esta manhã e no meio de uma rua cheia de gente, me estendia um panfleto da candidatura do CDS à Câmara Municipal de Lisboa quando lhe disse não, nem pensar foi absolutamente impagável.

Talvez tenha sido um bocado bruta, pronto.
Mas achei que era melhor e mais sincero do que aceitar o papel e depois andar dois passos, amarrotá-lo e fazer com ele tiro ao alvo aos pombos, que isso também não se faz.

Foi assim, e mai' nada.

Coisas Que Vejo Por Aí #45

Estou francamente desiludida.
Costumava depositar a minha inteira confiança nestes pincéis da Real Techniques.

Até agora, que me deixaram com uma amostra parecida com um passevite em dias de TPM, com uma cratera aberta no meio como se fosse uma entrada directa para o inferno.

Tenho montes deles e, até agora, nunca me tinham deixado ficar mal. Sempre achei que a relação qualidade-preço era fantástica e que faziam excelentemente o trabalho que lhes competia.
Até agora.

Comprei este pincel há relativamente pouco tempo e vou ter de o deitar fora porque já não se aproveita nada.
Nada.
Mas é que mesmo nada.
Esperava isto de um pincel pobretanas ou de marca duvidosa (agora que penso nisso, tenho há anos uns pincéis que comprei na H&M que estão para as curvas...), mas não de um Real Techniques.

É um dia muito triste.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Nada a Fazer XXIV

Toda a gente tem um guilty pleasure que tem algum prurido em confessar.

Isso é facto assente.

Qualquer coisa que gostem de fazer mas que parece parvo ou estúpido ou foleiro e por isso faz-se na mesma, mas às escondidas de toda a gente para que ninguém fique a saber quão parvo, foleiro ou estúpido se é.


Um bom exemplo de guilty pleasure é a Taylor Swift.
Há uma idade até à qual não faz mal ouvir Taylor Swift, é clean, é levezinho, não exige muito do cérebro. Isto até uma certa idade; pessoa alguma com mais de 17 anos gosta de admitir que ouve Taylor Swift, que é mega-fã e que compra todos os álbuns e que certamente iria ao concerto, se a moça passasse por cá. Não sucede. Porque Taylor Swift tem um público alvo (pitas, obviamente) e as músicas reflectem os dramas da idade da parvoíce melhor que ninguém. Mas a partir de uma certa idade já há algum pejo em dizer que se ouve uma senhora que só sabe escrever sobre gajos que são uns ursos sem moral nem coração e que a deixam para ir espalhar o seu charme para outras paragens sem deixarem número de contacto.

Outro bom exemplo são os danoninhos; ah e tal são para os putos, mas vejo muita velha a levar os danoninhos para casa escondidos nos sacos das verduras, que o colesterol e os diabetes enganam-se melhor se forem introduzidos alimentos verdes na dieta juntamente com iogurtes cheios de gordura.


Toda a gente tem guilty pleasures. Uns mais embaraçosos que outros, uns mais parvos que outros. Não significa que moldem a personalidade da pessoa, mas também não diz propriamente bem dela.



O meu guilty pleasure é o Dwayne Johnson.


Pode parecer uma coisa simples, mas demorei muito tempo - anos - até conseguir dizer isto sem ter vontade de me atirar de uma ponte, tamanho o embaraço.
Sempre será melhor que roubar, prostitui-me ou andar por aí a apanhar beatas do chão para as fumar, claro. E sempre será melhor que ouvir missa, comprar um aileron para o carro ou fazer uma tatuagem no fundo das costas, obviamente. E isto com todo o respeito (a bem da verdade, sem respeito nenhum, mas não se podem ferir susceptibilidades gratuitamente) por quem faz estas coisas todas.

Mas eu sou uma pessoa que tem a mania que tem critérios elevadíssimos, com a mania que tem ideias elevadíssimas e esta coisa de gostar do mesmo que a ralé faz cair os parentes  na lama, como diz a minha ilustre mãe.

Durante anos, achei um piadão descomunal ao homem, mas fui sempre negando até à exaustão. Vi sempre pelo rabo dum olho todos os filmes que passam na televisão em que entra o moço, exceptuando os velocidades furiosas desta vida que isso não consigo, peço desculpa. Volta não volta, até dava um saltinho pelas redes sociais do gajo, só para ver o que se passava por ali. Mas nunca admitia isto em voz alta, sob pena de parecer filha da freguesia de onde sou natural e isso, mais uma vez, faria cair a minha dignidade numa imunda pocilça.

E é preciso explicar que nem eu própria sei de onde vem este fascínio...

Odeio carecas (tema excelente para outro post), não sou grande apreciadora da beleza africana, detesto gente com mais músculo nos braços que a largura da minha cintura. No entanto, todos estes factores em Mr. Johnson culminam numa mistura estranha e, porém, agradável à minha vista. Não percebo, a sério que não me percebo a mim própria. E, tendo em conta os espécimes aos quais habitualmente acho piada, é deveras estranho. Não há cá guedelhas porcas, nem barbas de 15 anos, nem falta de banho. Não há dentes tortos nem pronúncias britânicas deliciosas, não há nada disso.
E no entanto entortam-se-me os olhos de cada vez que olho para o gajo.

Coisa mais estranha.
E ligeiramente embaraçosa.

Lá está, guilty pleasure...

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Leituras ... Qualquer Coisa Serve


Este foi particularmente penoso de acabar.
Não só porque entretanto chegaram as férias e, contrariamente ao que me é costume, não li uma única linha que não fosse dos rótulos das garrafas de cerveja ou os avisos tenebrosos nos maços de cigarros, mas também porque a própria obra não é, nem de perto nem de longe, das mais chamativas que alguma vez li.

A temática é muito interessante e está cheio de pormenores ricos, acontecimentos reais e é salpicado por laivos de comicidade geniais.
No entanto, a personagem principal é amiúde aborrecida, demasiado cheia de si e dono de uma arrogância que chega para o leitor desejar que fosse atropelado por uma manada de gnus.

O facto de o autor usar linguagem rebuscada e muitas vezes fora do contexto e da época relatada, juntamente com a tendência de usar 7 ou 8 parágrafos para descrever por outras palavras o que já escreveu logo na primeira linha é desesperante e dá vontade de atirar com o livro pela janela até ir parar ao Nilo.

Podia ser melhor, vá.

Coisas Que Vejo por Aí # 44

Hoje, ia a minha pessoa descansadinha a andar pela rua, em direcção ao Ergástulo, quando se me salta ao caminho um senhor com cara de totó, muito contente, cheio de alegria e vitalidade e me oferece um Bollycao de caramelo que, parece, é a última invenção dos senhores que fazem Bollycaos.

Aceitei, claro, contrariamente a todos os ensinamentos da minha Avó e da minha Mãe, que estavam sempre a ter a certeza que eu não aceitava nada de ninguém, basicamente porque sou pobre e gosto de borla mas, e principalmente, porque tenho alma (e corpo) de gorda e tudo o que vier parar ao pé de mim, morre por deglutição.

Porém, que nem tudo são rosas, e se fosse não haveria post, o raio do Bollycao não tinha cromo.
Como assim, não tinha cromo?

Não tinha cromo, estou a dizer!

Há quanto tempo é que não há cromos no Bollycao? Desde quando se instalou este flagelo? Como ousam estragar as ilusões de infância de uma pessoa que passou muitas horas da sua vida a coleccionar cromos do Bollycao?

Estive quase para voltar para trás e pedir um com cromo, mas já estava uma grande fila de gente a pedir bolos ao homem como se não comessem desde a última Páscoa, maneiras que vim embora verdadeiramente desiludida, ainda a pensar se devia mandar com o Bollycao à cabeça do homem ou comê-lo de uma assentada.

Ganhou a segunda hipótese.

Não sei como vou conseguir aguentar mais de um ano até à próxima e última temporada...

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Coisas que Vejo por Aí #43

Desde que houve uma alma caridosa e ligeiramente alentejana que me deu a dica, tenho andado a rondar a Primark como uma louca (mais do que habitual, leia-se) à espera de ver a famigerada colecção das mais variadas coisas subordinadas à temática Harry Potter.

A bem da verdade, não me interessava metade da cangalhada apresentada, apesar de reconhecer que se tratam de coisas giras; o que me interessava eram essencialmente as canecas que pudessem existir na colecção.
Mais especificamente uma com três pezinhos minúsculos, uma bordinha de caldeirão, toda preta.

Assim que bati os olhos nela, quis logo tê-la, mais que não fosse porque era amorosa.


Maneiras que andei, e andei e tornei a andar às voltas por aquele armazém enorme à procura da dita caneca, que não estava em lado nenhum. Já estava quase a desistir quando a vi, escondida no meio de uns pijamas foleiros. Obviamente que a trouxe, lavada em lágrimas e extremamente emocionada com o achado.

Também não será tanto assim. Mas gostei imenso dela e conto, a breve trecho, ir buscar mais uma ou duas para poder ter uma chávena paneleira no escritório.

Não é tão linda??


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Meanwhile in Ergástulo - Parte Sexta

Nesta casa, ninguém vê nada, ninguém quer saber de nada, ninguém está preocupado com coisa nenhuma, nem sem os trabalhadores têm todas as condições que necessitam para trabalhar.
Mas durante o fim-de-semana põem-lhes teclados novos nos computadores, já que os velhos têm teclas que não funcionam e outras com vida própria. E isto sem receberem nenhuma dica nem queixinhas nem nada do género.

O que quer dizer que vieram para aqui espiolhar e acharam que não o poderiam fazer convenientemente com um teclado que não funciona.


De outra forma, como poderiam eles bisbilhotar as minha merdas e perceber que não ando a traficar informações nem clientes às escondidas?

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Lenine

Há um ano atrás fiquei sem o amigo mais querido que alguma vez tive.

Passado um ano, estou igualmente vazia, igualmente triste, igualmente sentida.
Continuo sem perceber o que se passou; num momento, estava tudo bem. No seguinte, estava a despedir-me dele.

Resta-me o conforto das memórias, esperando que tenha sido boa o suficiente para lhe ter proporcionado uma vida confortável e feliz.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

I'm Done

Ser pobre também é viver no espírito miúdinho e hipócrita de não poder ir mais além porque sabemos que, no fundo, não merecemos.

Aquela aura de coitadinhez medrosa que é intrínseca a quem não conhece mais do que a vidinha honrada pega-se às nossas peles e entranham-se nas nossas mentes de forma a que não consigamos viver as nossas vidas sem que haja uma nuvem invisível permanentemente sobre as nossas cabeças, que nos obriga a mantê-las bem baixinhas para não haver estragos nem aventuras.

E isto é-nos incutido desde pequenos. Não faças isso que é perigoso, não faças planos porque não sabes se é certo, não te rias de manhã que à noite estás a chorar, muito riso pouco siso, não se ri muito que é sinal de ventania, não dês um passo maior que a perna, isso não é para ti, sonhas muito alto, quando maior é a subida maior é a queda.
Podia continuar aqui o dia todo com aquelas frases lapidares das mães e das avós que, educadas assim, não conhecem outra realidade e insistem em transmitir estes valores judaico-cristãos aos filhos e netos, não sabendo que os estão a condenar a uma vida de infortúnio porque, no fim de tudo, no fim do dia, ou é pecado porque ofende a modéstia que um qualquer deus quer para nós ou não merecemos porque é bom demais e as coisas boas nunca acontecem a mais ninguém a não ser aos outros.

A filosofia da nova era encontrou formas de contornar esta realidade e faz proliferar outros chavões igualmente bacocos como não, não, o sonho é que é, quem sonha sempre alcança, quem luta sempre consegue, luta, batalha e conseguirás, não desistir, não deitar a toalha ao chão, procurar alternativas, lutar e persistir, insistir e todo um chorrilho de vazio contente e que vende milhares de livros de auto-ajuda para quem só está bem a olhar para o que não existe.

No entanto, a educação que nos foi dada é a base de tudo o que acabamos por ser.

Por isso, por mais frases feitas que se leiam e postem nas redes sociais, acabamos por nos conformar com o que de mau nos sucede e aceitamos, de cabeça baixa, porque somos pobres, principal e essencialmente de espírito, mas somos muito honradinhos, lavadinhos e humildes, e isso é que conta.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

I'm Fine


Outra Vez Isto




 Não está mal, não está mal...

About Last Night


Acalmai as vossas passarinhas exaltadas.

Não haveis lido Os Maias?
Não haveis lido Tieta do Agreste? (este sim, o romance entre tia e sobrinho)

Não sabeis que nem sempre os laços de sangue são impeditivo de umas boas e grandes cambalhotas?

Quer dizer, tudo contentinho e mais não-sei-quê por causa do Jon & Daenarys durante sete temporadas e agora é só mostrar nojinho?

Tende paciência!


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Maneiras que uma pessoa volta e está ligeiramente frio, ligeiramente enublado, ligeiramente cheio de gente por todo o lado que tudo o que é cabrão já voltou de férias e anda na rua a encher tudo e a atropelar toda a gente e dá com o escritório mais vazio que aqui o pessoal aproveitou as férias para dar o grito do Ipiranga e nunca mais cá pôr os pés.

E é isto, basicamente.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Como nem tudo no Égastulo é mau, lá me deram uns dias para descansar.

Maneiras que vou levar o queixume para outros sítios e, daqui a nada, já estarei de volta, que o tempo bom nunca dura porra nenhuma.
 


 Nem vou tecer comentários acerca do aspecto e da indumentária dos músicos, que as imagens falam por si.

Cá está, no entanto, um cover bastante decente.


Isto é aquilo que costumo apelidar de música betinha, mas não deixa de ser um cover interessante.
O terror não tem fim. 

E, desta vez, é mesmo aqui ao lado.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Meanwhile in Érgastulo - Parte Quinta

 - Ora, ela diz que se chama Cátia, mas toda a gente sabe que o verdadeiro nome dela é Cátilene. - diz ele com um ar de desprezo e nojo pelos pobres que têm que inventar um nome que não têm para parecerem mais interessantes.

Nada a ver com ele, cruzes credo!, que não usa um apelido a fingir que é o seu nome próprio e não esconde de toda a gente que na verdade se chama Zé Manel.







Foi aqui que vim parar.
Parece que houve um mini-terramoto hoje, às 7h44 da matina, que se sentiu em Lisboa e arredores.

A minha pessoa não sentiu absolutamente nada. Se calhar até senti, mas tomei o tremor por um dos peidos do meu herdeiro e não pensei mais na coisa.

Talvez a Margem Sul não conte como arredores de Lisboa.
É, Loures é que é...
Blue Monday sempre exerceu sobre mim um fascínio descomunal. Foi a melhor invenção dos New Order e não me canso nunca desta melodia.

Há uns valentes anos, quando saiu o cover dos Orgy, lembro-me de ficar agarrada ao rádio, à espera que dissessem o nome da banda depois da música passar.
Sou capaz de passar um dia inteiro - como aliás jhá aconteceu - a ouvir a música em repeat. Não sei explicar o que é que a música tem, sei que se me entranha pelo ouvido até ao fundo do cérebro, fazer-se o quê...

Por isso, é com grande alegria que constato que por essa web fora proliferam covers, de todos os estilos possíveis, desta música maravilhosa.

Creio que vou pespegar aqui, futuramente, o melhor que o Youtube tem para oferecer.

Comecemos por esta, que é uma lufada de ar fresco:


segunda-feira, 14 de agosto de 2017



Em dias de profundo tédio e monótono aborrecimento, dou por mim a ver estes 50 segundos maravilhosos e o dia fica logo outro.

Somehow, I Knew It...

Spoiler Alert! (clicar para ver com mais propriedade esta pérola do episódio de hoje)

90% é um exagero descomunal, mas não deixa de ter um fundo de verdade, sim.

Ele Há Coisas...

... que não percebo. Nem quero perceber, a bem da verdade.


Qual é a necessidade das pessoas atenderem o telefone com a boca cheia?
Ou estarem a falar enquanto comem?
Acharão sexy o barulho da mastigação?
Creem decente que se fale e nada se perceba?

Cada vez que me deparo com um fenómeno destes lembro-me sempre daquela andorinha que fazia parte do meu patronato anterior, que adorava vir para o pé dos outros enquanto comia fruta.

Nada a dizer, fosse ela uma pessoa normal e com normas de socialização e educação interiorizadas. Mas não era.
Aquela mulher só sabia comer fruta a chupar a dita e a fazer um cagaçal de meia noite, sugando muito bem sugadinho qualquer pontinha de humidade que pudesse haver naquele pedaço de natureza. Lembro-me particularmente das pêras, que gostava delas madurinhas e cheias de sumo, para depois parecer um aspirador avariado a tentar puxar para o saco um quilo de pedras. Não raras vezes a apanhei nestes preparos a falar com clientes, não só pelo telefone, mas frente a frente, a mostrar a toda a gente como se comia no Paleolítico.


Pensava eu, na minha inocência, que era só ela que não tinha maneiras, que era bruta e provinciana e que só fazia aquilo porque, coitada, apesar do imenso mar de dinheiro que possuía, era bruta como as casas e, no fundo, uma matarruana de meter dó.

Pois que parece que não.
Afinal, em todo o lado há pessoínhas destas, porcas até à 15ª geração, que não sabem comer e gostam de vir ensebar o ar que os outros respiram com nódoas de pêssego e migalhas de pão.

Foda-se, que é demais...
Não é raro em vésperas de feriados, ainda para mais nos feriados que convidam a pontes, as cidades estarem desertas.
Hoje saí de casa e não vi uma única pessoa até chegar à estação.
O comboio ia tão vazio que até pude ocupar o lugar do lado com os meus pertences.
Isto não é, como disse, raro acontecer, principalmente nas cidades e terrinhas mais pequenas.

Mas isto também acontece em Lisboa, fenómeno para o qual não estava preparada. Lisboa deserta parece um cenário de catástrofe nuclear. Mesmo nos dias anteriores, Agosto no seu melhor, está muito menos gente, mas ainda assim, há movimento.

Hoje não.

Hoje não se ouvem carros, não se ouve buzinar nem se ouvem taxistas muito afoitos a chamar nomes aos transeuntes que gostam de passar para o outro lado da estrada à maluca. Não se ouve ninguém.
Neste edifício, tão cheio de vida, não se encontra vivalma.

Vim, pois, trabalhar para uma terra de zombies, o que me leva a maldizer a minha sorte por ser a única ursa que tem e vir trabalhar.


quinta-feira, 10 de agosto de 2017



Nem sei porque fui eu lembrar-me de semelhante melodia.
Não faz muito o meu estilo (a bem da verdade, não faz nada o meu estilo) mas não soa mal.
Mesmo nada mal.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Coisas Que Vejo Por Aí # 42


Este amigo esteve comigo anos a fio, não sei bem quantos, mas se tivesse de apostar, diria mais de 5.

Tive muita pena de o acabar porque era um produto maravilhoso. Leve, brilhante q.b. e versátil, porque tendo pouca pigmentação permitia a sua aplicação como sombra, o que era deveras porreiro em dias de pressa.

Não sendo nada caro, torna-se uma verdadeira pechincha pelo tempo que durou.




Muito, muito bom.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Mantra

Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.

Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.

Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.

Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.

Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.

Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.

Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Meanwhile in Ergástulo - Parte Quarta

Faz-me muita confusão que as andorinhas desta casa jurídica andem constantemente de semi-férias.

E o que é isto de semi-férias?
Nada mais simples do que ir de férias semana sim, semana não.


Juro que não percebo, a sério que não.
Qual é o gozo de passar dois meses em que não se descansa convenientemente e também não se trabalha por aí além?
Dizem que assim parece que as férias são maiores. Não percebo como. Cada vez que se vai de férias tem-se logo a sentença marcada de trabalho para a semana seguinte. Quem é que consegue desligar do stress neste esquema?

Qualquer dia também estarei inserida neste fim-de-mundo-em-cuecas mas até lá, passa-me completamente ao lado.

Na Senda da Senda

Quando leio ou escrevo a expressão "na senda de", lembro-me sempre da minha ilustríssima anterior entidade patronal, que odiava que escrevesse nas peças esta locução.

Dizia sempre onde é que você viu que isto se escreve ou quem é lhe disse que isto se usa ou, ainda, porque é que está a usar esta linguagem de polícia, achando que me ofendia profundamente ao comparar-me a um agente da autoridade. Mal sabendo, claro, que a polícia não usa esta expressão (para esses funciona o nomeadamente e o efectivamente, o derivado de e o das mesmas, expressões que ele próprio se fartava de usar) e que na senda de até se pode ler amiúde na jurisprudência e noutras literaturas jurídicas.

E isto vindo de uma pessoa que, a escrever peças processuais, dava erros gramaticais de meia noite e que se achava, simultaneamente, um poço da eloquência escrita e falada. Ainda tenho guardadas algumas pérolas dessa sabedoria ancestral e, qualquer dia, não tendo o que fazer, pespego com elas aqui.

Portanto, na senda do post anterior, que é, ele próprio, na senda de um outro post mais antigo, lembro-me disto e arrependo-me de todas as oportunidades que tive para o mandar abertamente para o caralho e não aproveitei.

#souestúpidaegosto

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ainda na Senda do Post Anterior


Imagino sempre esta gente d'A Guerra dos Tronos a ir ao registo fazer o cartão de cidadão e a ficar meio ano a dizer o próprio nome.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

As Ideias que Surgem quando se toma Banho



Jon Snow não é filho de Ned Stark.
Agora já é oficial para quem vê a série.
Para quem também leu os livros, apesar de não ser explícito, nem se falar nunca abertamente do assunto, pormenores davam a entender essa realidade. Mais que não seja porque Ned Stark era um homem seríssimo, que nunca esconderia da sua amada mulher o nome da mãe do filho, caso fosse efectivamente ele o pai. Não revelando o seu nome, dava a entender que guardava um segredo que não era seu.


Jon Snow é filho de Lyanna Stark, irmã de Ned Stark, e Rhaegar Targaryen, um dos filhos do Rei Louco, e irmão de Daenerys Targeryen.
Ned Stark perfilhou Jon Snow em promessa que fez à sua irmã, no leito de morte desta, para proteger o miúdo de Robert Baratheon que andava a matar a eito tudo o que era Targaryen.

Tendo isto como assente, agora que já é oficial e já se pode dizer, Jon Snow tem uma pretensão ao trono acima de Daenerys: é filho de Rhaegar, que era o filho mais velho do Rei Louco, enquanto que Daenerys é a filha mais nova deste e, portanto, tia do Snow. Reparem como isto, de repente, parece a descrição de um romance da Casa dos Segredos...

Adiante.



Daenerys não só não é a última dos Targaryen como a sua 'linhagem', por assim dizer, pretere à do sobrinho.

Jon Snow é, portanto, um Targaryen, tal como é um Stark (e não um bastardo), e o verdadeiro herdeiro do Trono de Ferro.

Jon Snow é Rei. Muito mais que ser o Rei no Norte, é Rei de Westeros.



Ora, havia uma senhora, habitualmente vestida de vermelho, que há umas temporadas atrás adorava um belo churrasco de monarquia, de seu nome Melisandre.
Estava plenamente convicta que queimar na fogueira gente com sangue real , ou retirar-lhes o sangue à bruta ou qualquer outra coisa que significasse aleijar um bocado, dava-lhe o poder para ver e saber coisas do futuro, uma cortesia do seu Deus do Fogo. Também tinha a mania que era sapientíssima e que guardava conhecimentos que os meros mortais não alcançavam.


Já que era tão iluminada, agora foi-se um bocado abaixo, coitada, tinha a obrigação de saber a verdadeira origem de Jon Snow.
Não é segredo para ninguém que ela gostava muito dele e, se pudesse, tinha tirado umas casquinhas ao nortenho, mas nunca mais do que isso. A bem da verdade, ele também nunca lhe deu confiança, provavelmente pressentindo o perigo que emanava daquela mulher.

Não obstante, ela, como feiticeira e clarividente, teria a obrigação de saber que aquele não era um reles bastardo, não era apenas o Comandante da Patrulha da Noite, não era apenas mais um membro dos guardiões da Muralha.

Teria obrigação de saber que aquele era o herdeiro legitimo do Trono de Ferro. E, na posse dessa informação, teria tentado deitá-lo numa chapa e fazer dele um churrasquinho à moda do norte para conseguir ver o futuro, poder que o seu Deus lhe conferiu.

E esta senhora, que me recorde, nem nos livros nem na série, tentou fazer tal coisa. Mais, nunca deu a entender que sabia mais acerca de Jon Snow do que as aparências mostravam.

O que me leva a concluir que era não é assim tão feiticeira quanto isso e andou a embarretar toda a gente. Sim, é verdade que ela via potencial em Jon Snow mas nunca mais do que isso. Nunca demonstrou saber mais sobre a família do rapaz do que os restantes.

E, como na Guerra dos Tronos, nunca nada é linear, passou-me pela cabeça que isto pudesse ser relevante. Só não sei concretizar exactamente em quê.


E era só isto.

Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve


Não está mal, não é maçador, não leva ninguém ao engano. Mas gostei mais do primeiro.
Não obstante, estou em estado de ansiedade para ler o próximo.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Aniversário


Parecendo que não já lá vão 10 anos desde que esta espelunca abriu portas.

10 anos.10 ANOS, CARAÇAS!!!

Onde se meteu o tempo?!

Olhando para os textos de então, concluo duas coisas: tinha a mania de escrever em código, mas código insusceptível de ser decifrado, tanto ou tão pouco que agora, mesmo que faça um esforço, não faço a mais pálida ideia a que raio me estava a referir e tinha claramente muito tempo em mãos para gastar a escrever parvoíces.

Continuo a gastar tempo a escrever essas parvoíces, é certo.
Mas tornei-me mais descarada ao longo do tempo.

Tempos houve em que passava a vida a escrever aqui parvoíces, dias os houve em que escrevi mais que dez posts seguidos. Noutros dias, como nos últimos tempos, meses se passaram que só viram publicados um ou dois posts. Associo esses tempos de parca produção literária, se é que se pode chamar literatura ao lixo que aqui deposito, aos tempos mais felizes da minha existência: quanto mais feliz, menos tenho que me queixar, ergo, menos idiotices para escrever.

No entanto, o Bona Mater Familias nunca foi apenas um depósito de queixumes, foi também uma espécie de diário, uma catarse, um escape aos problemas e uma forma de desabafo constante, que me ajudou, de alguma forma, a solucionar muitos problemas e inquietações. Pensar nunca fez mal a ninguém, e por pensar nas coisas, nasceram textos que, por sua vez, foram a própria análise dos problemas que lhe eram subjacentes.

Começou a quatro mãos, ficou reduzido a duas. Os tempos da colaboração já lá vão, mas os textos que não meus ficam para sempre nos anais da internet, a recordar ao autor momentos de maior ou menor inspiração. E essas recordações são muito boas.

Em dez anos, muita coisa aconteceu. Assim, no repente que foram estes dez anos, acabei o curso,  comecei o estágio, juntei trapinhos, agreguei-me à Ordem, casei e tive um rebento. Claro que quem está desprevenido pensa que só me acontecem tragédias, tamanha a tendência para o queixume, mas não foi sempre assim. Também sofri perdas, grandes e dolorosas. Principalmente nessas ocasiões, este espaço foi um alívio e um autêntico ombro amigo. Mais um gigantesco lenço de assoar, a bem da verdade. Mas gosto, pelo menos, de pensar que, simultaneamente com as memórias que me acompanham, esses textos deixam um bocadinho dessas pessoas no mundo.

10 anos.
Um década.
Olhando para trás, parecem-me dez dias.


Não obstante escrever essencialmente para mim, sei que há desse lado, vá, seis pessoas que de vezem quando ainda deitam os olhos às palhaçadas que escrevo, e isso, tendo em conta a falta de interesse destes conteúdos, só pode ser motivo de grande e profundo agradecimento.

Na esperança de que esta autêntica palhaçada se prolongue, pelo menos, por mais dez anos, resta olhar para a frente, sempre a pensar em mais queixumes para escrever, não esquecendo o passado, com tantas coisas boas e tão grandiosas queixinhas.

E contra isto, as habituais batatas.



segunda-feira, 31 de julho de 2017

Facebook Chalenge

Nada a Fazer XXIII



Para além da mestria e da perfeição do filme, ainda há o casting extremamente bem conseguido, especialmente no que aos Toms Hardys desta vida diz respeito.

Cinema Nº ... Coiso


Este é dos melhores filmes que já vi.
Tudo é novo, diferente, original. A sonoridade, a fotografia, a cor, a visão, o tempo.
Soberbo.
Nolan superou-se. Em tudo.
Spielberg já tem um sucessor para filmes de guerra.


Vou Morrer Sozinha e sem Amigos

Tenho dois amigos que muito prezo lá para os lados de Évora.

Acompanho-os desde os tempos de faculdade, assisti a casamento, nascimento de rebento, baptizado de rebento, ajuntamentos amiúde. Óptimas pessoas, gente afável e simpática ate à 15ª geração.

E, dado que não sou pessoa de arranjar muitos amigos, aborrecem-me as pessoas, fazer o quê?, convém preservar os que tenho e cuidar deles porque certamente não arranjarei mais amigos.


O único problema daquela gente sou eu.
Porque me têm como amiga e dos aniversários daqueles desgraçados nunca me lembro.
Nunca.
Nunca.
Not even once.

Por exemplo, assim que comprei a agenda jurídica fui logo lá escrever as datas, até alarmes no telemóvel pus. Tudo na vã tentativa de parecer menos ursa e lembrar-me efectivamente do aniversário das pessoas que me dizem alguma coisa. Do aniversário dele, ainda fui a tempo. Dela, que foi naquele dia fatídico em que passei um dia inteiro no spa da Conservatória, arranjar sarna para me coçar e a ver as pessoas a andarem à bulha, o tempo que passei a olhar para o telemóvel podia perfeitamente ter ido à agenda ver que dia era.
Estúpida, não fui. E agora faço figura de otária perante quem nunca se esquece do meu aniversário.

Passo aqui a vida a queixar-me da vida e daquilo que os outros me fazem, quando afinal mais vali queixar-me do quão estúpida sou.







Posto isto, E., desculpa.
Feliz aniversário.
Passei 6 horas da minha vida na Conservatória dos Registos Centrais. E tinha senha prioritária. Aliás, a maior parte das pessoas com senhas normais despacharam-se mais rapidamente que eu. Isto porque só havia um único funcionário a atender todos os profissionais forenses, cada um deles a demorar cerca de uma hora a resolver os seus assuntos. Isto, obviamente, não se admite e espero que, das duas, uma: ou resolvem isto rapidamente ou pode ser que rebente lá uma porra de uma bomba cheia de merda dentro.

Maneiras que passei muito tempo à espera, a ler, a fumar, ao telemóvel, a suspirar alto, a dar pontapés na cadeira da frente, a resmungar, a dizer palavrões e a observar as pessoas. Até assisti a uma discussão entre vários utentes e o segurança e depois entre os vários utentes e a chefe de serviço daquela espelunca.

Foi deveras divertido.
Dei por mim a desejar que andassem todos ao estalo só para a minha espera se tornar mais interessante. Agora que penso nisso, acho que desde os tempos de escola que não vejo ninguém a andar à porrada e sendo o ser humano de merda que sou, desejo muitas vezes que as altercações de chacha que todos os dias vejo por aí descambem rapidamente em cenas de pancadaria, só para me poder rir.



Não presto.

A Caroucha que em mim Habita

Estou afónica.
Estado geral da garganta que não significa outra coisa que não seja tenho a voz agarrada ao cu. Coisa que, de há uns anos para cá, me tem acontecido diversas vezes e não sei muito bem porquê.

Portanto, falar comigo transformou-se numa actividade deveras lúdica, para quem me ouve, é certo, porque pareço uma gaja do bairro a mandar vir com a polícia que lhe levou o marido preso.

Vou, pois, continuar a usar o mantra anterior, acrescentando-lhe um "#", que é para ficar à moda:

#merdaparamim

Queixume Pós Gestacional # 16

Há, pelo menos, 9 meses que não ia ao cinema.
9 meses.
9 MESES.
Pelo menos.

Ora isto é, de facto, um fenómeno no qual é preciso atentar. E o fenómeno não será outro senão o do fim da boa vida dos paizinhos quando chegam os rebentos.

Merda para mim, portanto.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Meanwhile in Egástulo - Parte Terceira

Continuo sem perceber o que é que aquele gajo passa os dias a fazer...

#NãoSejasInácio

Na Conservatória do Registo Civil, diz uma avestruz para a outra, claramente referendo-se à minha pessoa:

 - Aquela senhora chegou depois e já foi atendida. Tem senha prioritária? Mas porquê? Não lhe estou a ver nenhuma deficiência...

Resposta dada: suspirar alto, dizer ai, ai..., revirar os olhos, maldizer a sorte e a falta de conhecimento das alminhas que por este mundo caminham.

Resposta que deveria ter sido dada:

 - Pois é, escanchada do caralho, passei à frente mas não foi por ser coxa, passei à frente porque estou a trabalhar, não estou de férias, como é claramente o seu caso, nem venho acompanhar o maridinho jeitoso, 20 anos mais novo, na recolha de documentos para processo de nacionalidade, como é também, notoriamente, o seu caso. Aliás, acho que a senhora vai, em breve, precisar de um advogado... Pegue lá o meu cartão.


Estava mesmo a abrir a boca para dizer tudo isto a grande velocidade, mas depois ocorreu-me uma série de razões para não o fazer: era má educação, vou ali muitas vezes, as pessoas já me vão conhecendo, parecia mal, não sou nenhuma peixeira, já tenho idade para ter juízo.

Mas a principal razão foi ter-me lembrado de uma pessoa da minha rede de conhecimentos que tem a mania de dizer estas coisas, qual virgem ofendida enfiada num poço de virtudes, e da qual toda a gente começa lentamente a fugir por causa de episódios destes.

Noutras palavras, nunca a frase promovida pela BTV até à exaustão fez tanto sentido...

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Do Estado de Estarrecimento

Apercebi-me mesmo agora que tenho andado a chamar Camelo a um funcionário de Agente de Execução que, afinal, se chama Camilo.

Já percebo o constante mau humor do homem comigo.






Foda-se...

terça-feira, 25 de julho de 2017



E já que se anda numa onda de Linkin Park, esta é a minha preferida.

Queixume Pós Gestacional #15

Estou plenamente convicta que as crianças já deviam nascer com dentes.

Claro que isso implicaria que, ainda na barriga das mães, as mordessem como se não houvesse amanhã.
E claro que isso implicaria também que a amamentação se tornasse impossível: estão a ver uma coisinha de não sei quantos quilos, que não sabe a força que tem, a dar dentadinhas nas mamas enquanto suga o leite?


Mas, ao menos, poupava o sofrimento dos petizes meses mais tarde.

E dava um jeitaço tremendo aos pais, que poderiam dormir mais do que três horas em cada noite, enquanto não estavam a embalar os rebentos com dores na boca.
Fenómeno interessante: quando estão ao colo, não lhes dói nada; assim que são pousados na cama, é vê-los a sofrer horrores com as gengivas em chamas.





Depois não venham cá dizer que as manhas são coisas dos adultos, e não dos bebés.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Fiquei chocada com o falecimento de Chester Bennigton, confesso.

Linkin Park não era propriamente a minha banda favorita, nem nunca foi, mas fizeram parte da minha adolescência e são um marco incontornável dentro do género. Numa altura em que a cabeça não dá para mais, as letras a roçar a auto-comiseração, a injustiça dos marginais e a incompreensão por parte dos pares faziam todo o sentido.


A partida de um artista deixa sempre o mundo, e a música em particular, mais pobres, ainda para mais nas circunstâncias trágicas.

Calou-se uma boa voz, que marcou uma geração inteira e que, não obstante, será sempre recordado e cuja obra perdurará.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ai Sim?

Constato que sou uma saloia acabada de chegar da província quando fico positiva e verdadeiramente estupefacta com o facto dos autocarros, que na minha terra se chamam carreiras, em Lisboa passarem com uma periodicidade aproximada de 10 minutos.

Isto é, para mim, absolutamente espantoso.

Nunca naquela terra do demónio um autocarro passa com menos de meia hora de espera.
Nunca.
Mas mesmo nunca.
Acreditem porque sou um ser que passou muitas horas da sua vida à espera do autocarro para detrás do sol posto.

Portanto, vir parar à metrópole, andar de autocarro na metrópole e chegar em menos de um fósforo a qualquer local na metrópole é sinónimo de espanto.



E você?

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Apetece-me Grandemente Ser Porca #61

A porca que me mim habita não deixa de sentir um piquinho de felicidade quando nestes dias de verão, em que meio mundo está de férias, a curtir a praia e o sol, começa a chover como se não houvesse amanhã.

Claro que ninguém tem culpa que a minha pessoa não tenha férias, mas não deixo de achar que é extremamente bem feito e profundamente democrático.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Confesso que tenho algumas saudades dos tempos que passei na Comarca da Mitra Land.

Apesar de não querer voltar nem perder muito tempo a pensar naquela abécula obesa, que parece que ficou muito tristonha com a minha partida, vamos todos dizer ooooooohhhhhh que pena, fosses antes para o caralho, e de ter todas as saudades do mundo das pessoas que lá deixei, ainda penso, mais do que devia, é preciso acrescentar, nos tempos bons que tive. Isto antes de ser acometida com as memórias de todas as barbaridades que aquele filho de uma vaca me disse durante todos estes anos, maneiras que depois passa-me logo.

Ai Sim?

É muito triste ser-se estúpido.
Mais triste ainda é ser-se estúpido e andar-se permanentemente a dormir em pé. porque ir à porra da cozinha beber uma porra de um café dá muito trabalho e ainda faz cair os parentes na lama, segundo se ouve dizer.

Por isso é que se passa uma manhã inteira a ligar para um Agente de Execução que, filhadaputa, deve estar de férias, todo esticado na praia e não atende... Pois, não atende porque o número para o qual se está a ligar não é mais que o NIF do desgraçado e não o número de telefone.

A partir de agora, o mote diário passa a ser: beber café antes de começar a trabalhar. Sem falta. Haja o que houver.


E você?

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Está Mesmo Quase!!

Meanwhile in Ergástulo - Parte Segunda

Tenho um patronato tão ilustre, tão ilustre, mas tão absolutamente ilustre que, para se armar em frente ao proletariado, começa a falar espanhol ao telefone como se fosse um conde de um sítio qualquer. Todo recostado na cadeira, perna cruzada, ah e tal sou tão bom que meto nojo. E um bocadinho de dó, vá.

Coisinha idiota e ridícula.
É muito triste andar-se na rua a falar como um cobridor num filme pornográfico, mas enfim.


Por enquanto, ainda só tenho vontade de rir.

Queixume Pós Gestacional # 14

A porra de ter filhos é que os putos ficam doentes, cheios de febre, cheios de pintas, meio tristes, rabugentos, chatos e sem vontade de dormir e os pais não dormem de preocupação.
Quando já se está a ver que não passa, agarra-se em tudo e corre-se para o médico, já a pensar que o menino nunca mais vai voltar a ser o que era antes, já a pensar na tragédia, já a pensar em tudo e mais um par de botas.


Para depois as andorinhas dos filhos chegarem ao pé do médico aos pulos e pinotes, sempre a rir, a fazer gracinhas para toda a gente, com um vigor que parece que acabaram de acordar, só para deixar os pais mal vistos.
Que figurinha triste, deuses...

Raça do puto...



Gosto imenso desta versão pelos Postmodern Jukebox e, maravilha das maravilhas, é perfeitamente adequada às envolvências.


Vai uma pessoa descansadinha, na sua vidinha, a falar para dentro com os seus botões, quando vê um banco de metal, daqueles grandes onde se conseguem sentar diversos cus sem incomodarem ninguém.

A pessoa vê o banco e pensa, é mesmo aqui que me vou sentar a fumar um cigarro. Ainda por cima sem ninguém à volta, sem ninguém lá sentado, é mesmo isto.

E assim fez. Senta-se numa ponta do banco e acende aquela coisa que um dia a vai matar.
Está assim, a pensar na morte da bezerra, quando começam a aparecer outras pessoas e também se sentam no banco.
Sentam-se longe, como está bom de ver, mas mesmo assim a pessoa fumante continua sem incomodar ninguém, visto que o fumo expelido é direccionado para outras paragens.

No entanto, e apesar de entre a pessoa e os outros haver um fosso, como se ninguém se quisesse aproximar e apanhar a peçonha fumegante, começa a ouvir-se uns espasmos, umas tosses estranhas, um constante abanar de mãos, como que para afastar o fumo que não está a ir naquela direcção. Tanto que a pessoa se sente compelida a levantar-se a ir fumar para outro lado.




Quer dizer, EU é que cheguei primeiro, EU é que estou sentada numa ponta do banco, feita leprosa, para não incomodar ninguém, as avestruzes de merda chegam depois e ainda se queixam, quais virgens ofendidas, e EU é que me levanto e me vou embora.


Não me venham falar em democracia nos próximos tempos.

Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve


Começou bem e acabou ainda melhor. Scarrow sabe prender o leitor às suas palavras.
Fico deveras contente por constatar que escreve tão bem sobre Napoleão e Wellington como sobre Cato e Macro. Confesso que depois do último que li dele fiquei um pouco decepcionada, achei que escrever sobre temas fora do universo Romano talvez não fosse bem a praia de Scarrow.
Enganei-me redondamente. E ainda bem.

Muito bom!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Sou, assumidamente, má, porca e mal intencionada, mas adoro, ADORO quando a antiga entidade patronal me liga, o que tem acontecido frequentemente, é preciso dizer-lo sem medos, a perguntar coisas dos processos que eu tomava conta.

É impressionante a quantidade de vezes que aquele homem me liga a perguntar porras que rapidamente descobriria se se desse ao trabalho de abrir as pastas. Ou os códigos, já agora.

Podia ficar contente de saber que, no fim das contas, lhe faço muita falta (fico um bocadinho, vá...), mas fico ainda mais triste - a palavra correcta aqui é fodida - quando percebo que aquela avestruz de merda não sabe nem quer saber dos processos que tem e que o dinheiro que ganhava com eles era todo para ele. Para mim, que os trabalhava e os conhecia, só sobravam as migalhas.


Afinal, devo ter muito pouco com que me entreter nesta nova vida se ainda arranjo tempo para pensar nestas merdas e como isto, afinal, ainda me afecta.




Não sou boa da cabeça.

Não É Por Falta de Vontade

Tenho andado um bocado atarantada com a nova vida, essa é a verdade.

Se antes podia chegar tarde mas tinha que, necessária e obrigatoriamente, sair tarde, agora chego cedo e saio igualmente cedo (pelo menos por enquanto), mas no entretanto não há tempo para grandes pausas.

Pausas nenhumas, a bem da verdade.

Aqui, não se pára para comer um lanchinho a meio da manhã ou tão pouco a meio da tarde. No outro lado, era um regabofe nesse aspecto, se quisermos ser abonadores da verdade, havendo, claro!, o reverso da medalha: ficar a trabalhar pela noite dentro e ouvir bocas do patronato sobre a quantidade de comida que consumíamos (que nem sequer era do escritório, era nossa) e em como esse facto influenciava as contas da água por causa das vezes que íamos, a seguir, à casa de banho. Bolas, ao escrever isto é que me apercebo das enormidades que ouvi ao longo destes anos todos... Enfim, adiante.

Não se vai para a sala uns dos outros alapar o cu e conversar. Quer dizer, até se vai, mas é de fugida porque há sempre alguém a passar e a ouvir a conversa, ainda para mais, e porque o chão é todo alcatifado, não se ouvem os passos, maneiras que estar a falar mal do patrão ou a conspirar para tomar esta porra de assalto e estar quem manda mesmo atrás é o pão nosso de cada dia. No outro lado, também, agora que me lembro disso... A única vantagem era que o chão era de madeira e quando se ouviam passos era ver-nos a fugir como as baratas da chuva.

Não há cá pausas para cigarros, a não ser que se queira levar com trombas do patrão o resto da semana. Esta, confesso, foi uma facada no meu coração. Muito bom para a minha saúde, claro, mas muito mau para o meu vício. Não há janelas abertas porque simplesmente não se abrem as janelas no centro de Lisboa, como fizeram questão de me dizer logo no primeiro dia, por causa dos pombos, que gostam de entrar pelas casas dentro e espalhar a sua peçonha onde tocam. Num escritório tão grande, em que há mais do que uma sala vazia, ninguém se lembrou de fazer de uma delas uma bela sala de chuto, só para fumadores. A bem da verdade, só para mim, que sou a única que fuma. Já percebi porque é que não há sala de fumo, tudo bem.

Maneiras que o pessoal aqui trabalha ininterruptamente, sem levantar a cabeça, sem se desviar do objectivo e sem se distrair com coisa alguma. O que é bom. Acho que nunca fui tão produtiva. (quer dizer, agora não estou a produzir, mas é só porque estamos sem sistema informático)


Nem tudo é mau, portanto.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Da Inveja Boa

Alguém, algum dia, quando não tiver nada que fazer, poderá explicar-me o fenómeno da sexta-feira: não está ninguém na rua.

Ninguém.
Ninguém na estrada.
Ninguém no metro.
Ninguém no comboio.
Ninguém no estacionamento.
Ninguém.

Onde andam as pessoas à sexta-feira?
Não vão trabalhar?

É que se não vão, digam-me lá para onde é que se manda CV para trabalhar numa empresa dessas, que eu também quero.