quinta-feira, 10 de abril de 2008

Ensaio sobre a Loucura

Há gente doida. Há mesmo. Mas isso também não é novidade para ninguém. O problema está em destrinçar e delimitar o que é a doidice, a loucura. Porque a fronteira entre a normalidade e o que é insano é muito ténue.

Quem determina o que é o normal?
Quem garante que a tudo o que se assiste os outros fazerem é normal?
Quem garante que, no silêncio de quatro paredes, não somos todos loucos?
Quem sabe se o que é socialmente aceite, no meio da carneirada, não é loucura?
Só porque todos acham que coisas há que não devem ser postas ao léu, finge-se que não existem. E não será isso também loucura?

Há gente doida. Sempre os houve, não é novidade. Foram sempre excluídos, ostracisados, marginalizados. Sem crédito ou direitos, simplesmente afastados para não causar disturbios, para não incomodar, para não serem vistos, para ninguém ter vergonha deles. Coisa estúpida a fazer, se se for a ver bem.
Mas, e aqueles que passam precariamente no teste da insanidade? O que lhes acontece? São como os outros, são normais. Como ninguém sabe ao certo o que é ser normal, fica tudo na mesma. E esses, os que sobram do misto de loucura e normalidade, os que escapam a uma vida de ostracismo e crueldade são bem vindos à normalidade hipócrita? Resta saber se são eles que estão certos ou os padronizados que estão errados. Ninguém sabe.

Há gente doida ; mas doidos há-os em todo o sítio, e não é facil distingui-los no meio do nevoieiro da existência. São os que vagueiam por ai, a fazer a vida negra à sanidade mental dos outros.
Há gente doida, há mesmo. Mas isso também nao é novidade nenhuma para ninguém.
AS

1 comentário:

Anónimo disse...

tive de comentar este porque me lembrei de um livro... Loucura, de Mário de Sá Carneiro. é leve, lê-se numa noite, e dá que pensar :)... pelo menos a mim deu!

beijinhos, keep on

Jorge Batista