É só ridículo. E triste também, já agora.
São coisas da vida. Contingências. Que não se percebem, todavia inevitavelmente estão lá.
É ridículo.
Triste.
Patético.
Porque é que um simples jantar de amigos tem de dar azo a comentários.
Porque é que quem escolheu voluntariamente sair pelo seu próprio pé tem necessariamente de comentar tal facto. Ou através de outros, não se sabe. Porque é que um jantar tem de ser comentado seja por quem for, é essa a questão essencial.
Porquê?
Faz diferença?
Faz comichão?
Faz ciúmes? Não creio, então se somos todos um bando de não-sei-quê, sei muito bem o quê, mas não interessa, tenciona-se baixar o nível mais abaixo, não vale a pena começar já aqui, não seria ciúme, seria exactamente o quê?
Idiotice?
Sentimento de exclusão de alguma coisa?
E quem foi que se excluiu?
Ah, espera lá, foram os maus, pois, porque não há erros da outra parte, que é vítima e mais não sei o quê.
CHEGA, CARALHO, BASTA!
O que é que interessa que os outros se juntem? Acaso ainda cá consta? Não, pois não, foi embora porque os outros é que são maus e lhe bateram, foi embora porque é impossível haver quem reconheça o erro e peça desculpa, e mais não sei quantas coisas que vieram depois, que só puseram mais lenha na fogueira, sabe deus o que virá. O que interessa que os outros se juntem, que jantem, se comam, que se matem, que se prostituam? O que é que isso pode ter de interessante para quem já cá não está, e já cá não está, tem de ser dito, por iniciativa própria?
Nada, pois não? Faz sentido que seja de outra maneira?Não, pois não?
O que é que pode ser assim tão interessante no ajuntamento de outros? Ah espera lá, foi feito num local público, pois sim... Porque deve ser a primeira vez que se faz convites naquele sítio específico, pois, nunca antes feito, pois... Uau...
Ah, esperem lá, já sei!!!!!!!
O uso da expressão "deixem de fingir de mortos"!! Acertou-se, não?
Pois sim, toda a gente saberá que agora morte, cadáver, tumba, sepultura, cemitério e outros termos relacionados têm que ser, naturalmente, usados para referir alguns cidadãos, ou apenas um. Pois sim, tudo a ver.
Cambada.
Sim, cambada.
Se for preciso, não lhe passa um boi em frente dos olhos quando há indirectas às quais se podia responder, mas quando o aviso nada tem a ver, pumba!, 'bora lá mas é mandar aqui uma farpazinha para saberes que eu percebi a piadinha, que era para mim, que eu bem sei, que eu sei tudo e tudo vejo, não penses que fazes de mim parva, era um ataque, pois.
B A R D A M E R D A, sim?
Ridículo.
Triste.
Patético.
Como é que uma coisa tão simples dá azo a comentários de quem não tem nada a ver. Nem mais que fazer, pergunta-se.
E responde-se.
Dois motivos:
a) há uma farpa cravada no olho de alguém, mais ou menos há um ano e pouco. Seria de esperar quem tem a dita farpa no olho, fizesse alguma coisa para a tirar, mas parece que não. É uma coisa desagradável, que deve ser incomodativa e doer, digo eu, não sei. E essa farpa, ironicamente ou não, veio exactamente de uma ocasião de cemitério, de morte, de tumba. Que uns não compareceram. E a partir daí, começa a farpa a entrar no olhito, pois então. E começa também uma campanha devastadora para purgar a terra das pessoas que lá não estiveram. Tudo começa com isto, e com quem de direito a ser incapaz de confrontar terceiros por causa disto. Pura e simplesmente.
b) toda a gente sabe que a vida depois da faculdade leva cada um para seu lado, é natural, já não nos podemos ver todos os dias, já não podemos conviver tanto como antes, é certo e sabido. Porém, essas coisas levam anos, talvez meses, vá, a serem feitas, demora um bocado para deixar de ver quem connosco conviveu. Então, e o que se pode fazer para que o processo de desagregação seja mais rápido? Faz-se qualquer coisa que ajude a que nos peguemos todos ao estalo por dá cá aquela palha, junta-se mais uns pózinhos de mexeriquices et voilá!, temos o prato pronto. Admitindo que não só por causa da alinea anterior, porque há mais pessoas que não têm farpas nos olhos envolvidas, e tudo, porque isto ser só culpa de um não tem piada nenhuma, o processo da purga tem algures início lá para o fim do curso. E há pessoas que não se querem ver mais umas às outras. Pura e simplesmente.
E resulta nisto.
Assim se faz uma bela coisa daquilo a que antes chamávamos amizade.
Assim se faz uma bela merda daquilo que antes era uma boa coisa.
Por causa de serem estúpidas, mimadas e ressabiadas, temos para o almoço o prato anteriormente citado.
Por causa destas coisinhas, alguma coisa se perdeu e não há volta a dar. Coisa essa que, de vez em quando ainda gosta de agir como se para tal tivesse legitimidade, o que resulta, inevitavelmente, em figura triste para quem assim age.
É pena.
Ridículo.
Triste.
Patético.
Contingências da vida.
Dos Incidentes, Pareceres e Vicissitudes várias. Porque "Quando a ralé se põe a pensar, está tudo perdido", lá dizia Voltaire...
domingo, 1 de agosto de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Da Futilidade III
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Da Teoria do Perfume
O perfume não engana ninguém, um cabrão topa-se à distância.
Não se pode descrever, é uma sensação, um prenúncio, um travo no perfume de uma pessoa denuncia automaticamente o conteúdo do cérebro.
Não se pode descrever, é uma sensação, um prenúncio, um travo no perfume de uma pessoa denuncia automaticamente o conteúdo do cérebro.
Trauma ou estupidez, bola de cristal, sorte ou adivinhação, não se saberá, sabe-se que um nariz apurado salva a vida de muita gente, não há como enganar, o almíscar é um elemento que entra na maioria dos perfumes, quando é demais, é porque o perfume pertence a uma gama comprada por gente pouco séria.
Mesmo assim, e porque ainda se acredita no sistema, e o in dubio pro reo é um princípio tão bonito, não nos podemos pôr a julgar os outros por dá cá aquela palha, aliás, julgar o quê, não há pretensões a ser deus, ainda menos magistrado, cada um amanha-se como quer, que tem o próximo a ver com o assunto a não ser por pura vontade malévola de crucificar?
Como tal, dá-se uma abébia, um benefício de dúvida, não custa nada, se nos fossemos guiar pelas primeiras impressões nos outros, não tarda nada vivíamos todos em ilhas desertas.
Porém, uma pessoa que há muitos anos vira frangos, que é como quem diz, há anos que observa atentamente os comportamentos sociais de determinadas estirpes de pessoas, sabe reconhecer um risco quando o vê, sabe e não há volta a dar, há pessoas que já vêm com um pirilampo vermelho gigantesco por cima da cabeça, o arauto das más notícias, o famoso red alert, red alert! Portanto, o que se vê é mais que certo, a primeira impressão nunca falhará muito, apenas se decide fechar os olhos uns segundos para dar a hipótese de estarmos enganados, uma cortesia para que os outros não pensem que somos anti-sociais e seres malcriados.
Todavia, queridos amigos, as pulgas são animais fantásticos, capazes de não deixar dormir uma criatura quando lhes dá para chatear, e quando se põem atrás da orelha, é um vê se te avias de mordedelas para ver se a criatura não adormece, nem pode, tem mais é que estar atento, vem aí um cabrão.
Não que haja a veleidade de ser como um Presidente da República, antes Primeiro-Ministro, que tudo sabe, nunca se engana e raramente tem dúvidas, mas lá está, a queimadura do forno frangueiro já alastra, não há como fugir à verdade, o perfume é o identificador nº1 dos porcos que fazem a vida das mulheres uma miséria, todos os avisos vermelhos têm de ser accionados quando chega ao nariz o cheiro demasiado agradável, a cheirar a açúcar com mel, mais uns pozinhos de flores e madeiras, bolas, que é complicado descrever um cheiro, não há maneira de o fazer, de todo, há que ter mas é cautela, não vá cheirar a esturro, que é para não dizer a merda, depois.
Moral da história: fora com o in dubio pro reo no que concerne perfumes masculinos, pôr tudo no mesmo saco e fugir a sete pés.
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Posição Doutrinária
terça-feira, 27 de julho de 2010
Que Desgosto...
Tem uma pessoa um ídolo e fazem-lhe uma coisa destas.
Tem-se as mais altas expectativas e tudo fazem para que sejam goradas.
É um ultrage e uma pouca vergonha!
Poderia só ser o caso de adoração intelectual, que para isso até há mais do que capacidade do dito ídolo, mas não, nem é só isso, que os olhos também comem, e comiam uma grande coisa, mas insistem em tudo escangalhar.
Já não se pode ter um deus pessoal que arranjam logo maneira de arrancar ilusões e destruir fantasias do mais perfeito de todos os seres.
Ora bolas, não se faz!
Tem-se um homem na mais alta das considerações, no mais alto dos pedestais, e o estupor arranja logo maneira de cair do altar abaixo e partir-se em bocadinhos, qual jarra de cristal. Não se faz.
Porque resulta nisto:

Tuomas Holopainen, o Desgraçado
Tem-se as mais altas expectativas e tudo fazem para que sejam goradas.
É um ultrage e uma pouca vergonha!
Poderia só ser o caso de adoração intelectual, que para isso até há mais do que capacidade do dito ídolo, mas não, nem é só isso, que os olhos também comem, e comiam uma grande coisa, mas insistem em tudo escangalhar.
Já não se pode ter um deus pessoal que arranjam logo maneira de arrancar ilusões e destruir fantasias do mais perfeito de todos os seres.
Ora bolas, não se faz!
Tem-se um homem na mais alta das considerações, no mais alto dos pedestais, e o estupor arranja logo maneira de cair do altar abaixo e partir-se em bocadinhos, qual jarra de cristal. Não se faz.
Porque resulta nisto:

Tuomas Holopainen, o Desgraçado
Meus Filhos
É em dias como este, leia-se calor dos infernos, que se percebe, finalmente, porque é que a Reforma Agrária não funcionou, porque têm os alentejanos fama de não gostar de trabalhar e porque é que África é um continente em vias de desenvolvimento.
Como é que se trabalha com um calor destes?!
Como é que se trabalha com um calor destes?!
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Dare Me
Oh, não, não penses que me esqueci de ti.
Que não ponha aquele ar tão contente de criancinha que vai roubar uma bolacha quando ninguém está a olhar, não vale a pena pôr cara de conspurcada inocente, esse eterno vilipêndio no olhar, de quem sofre e carrega as amarguras do mundo nos pobres ombros, esse semblante de mártir, esse ar de Cristo na cruz.
Esquece, porque eu não me esqueci, ainda há-de vir longe o dia em que me esqueça, que isto das mentes rancorosas têm sempre o seu quê de idiotice, quem sou eu para negar a minha própria estupidez, não se pode lutar contra aquilo que é natural, enfim, cada maluco, passo a repetição, sua ideia, não vale a pena, está no sangue, terá que ser.
Mania de regressar dos mortos, com que então. Muito bem, crê-se que sim, há que manter uma mente aberta, tudo será possível até prova em contrário, o que, na prática, quer dizer que tudo o que os outros resolvam inventar, temos que aturar e suportar, pois então, que é isto senão o viver social, comam e calem, que a seguir vem mais. Ou seja, tudo o que se quiser dizer e fazer, está-se à vontade, é tudo do povo, os outros é que são os maus, não é, então faz-se o escarcéu que mais aprouver e os restantes que se fodam, quem vem trás que feche a porta, lá diz a minha avó, e melhor para sabedoria popular não há, os velhos sabem tudo, e o que não sabem, inventam que a idade colmata o resto.
Regressar dos mortos não é lá muito boa ideia. Digo eu, vá, que não sei nada de nada, e hoje estou com um feitio desgraçado, não digo coisa com coisa, que nunca disse, mas enfim, e nem sequer é dizer, é escrever, já nem dá para usar figuras de estilo que vêm logo chatear com a exactidão linguística.
Chateia, o regressar dos que partiram, dizia, porque já se tinha habituado a viver pacificamente sem presenças incómodas, sem pestilências, sem outras coisas que tais e de repente, já cá está o cadáver a melgar, que merda esta, afinal enterram-se os defuntos por uma questão de higiene e depois é isto, quero mas é o meu dinheiro de volta.
Então, então, pensavas que me esquecia de ti? Isso é que era bom.
Não só não me esqueci, como sou obrigada a lembrar-me, porque os mortos afinal não morrem, os cabrões, continuam a vaguear por aí, uma maçada, por isso não há esquecimento nem perdão, como se diz lá para os lados de Baleizão, voltou e mais valia que tivesse ficado na tumba, ah pois é, que isto das voltas linguísticas são tramadas, quando menos se espera, voltam para nos morder o cu, é o que há.
Não me esqueci, pois não. Não podia ser tudo fácil, pois não? Nem se podia contar com tal facto, com os outros talvez, para quem já deu para esse peditório é que já nem por isso.
Não me esqueci, não.
Um bocado tarde para isso.
sábado, 24 de julho de 2010
Cumbersas
- Nem sei o que aquela C. vê naquele R., o gajo é um banana!
- Deve ter outros atributos.
- E depois? É um banana!
- Sim, mas terá outras qualidades, outras coisas que não conheces.
- Porra, é um banana!
- Bem, pelo menos deve enfiar a banana...
- Pois...
- Deve ter outros atributos.
- E depois? É um banana!
- Sim, mas terá outras qualidades, outras coisas que não conheces.
- Porra, é um banana!
- Bem, pelo menos deve enfiar a banana...
- Pois...
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Próxima Semana
Avizinha-se uma semana solitária com todos os pintaínhos fora da capoeira.
Só lá fica o galo chefe.
Adivinhem lá para quem sobrará...
Só lá fica o galo chefe.
Adivinhem lá para quem sobrará...
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Coisas felinas
Sabe-se que se tem um gato do demónio quando se vai dar com ele com o focinho enfiado num pacote aberto de Doritos.
Leituras II

História interessante e bem imaginada, nada de muito original, é certo, mas mesmo assim, vale a pena a nota de criatividade.
A escrita é que, infelizmente, deixa muito a desejar; linguajar infantil com pretensões a grande literatura, perdendo-se pontos interessantes para o andamento do conto com capricho de mostrar dotes que não existem. Mostra como que uma espécie de arrogância, como se escrever palavras simples fosse mau demais para a autora, que só se contenta se escrever vocábulos elaborados, acabando por misturá-los com linguagem de costureira. Resulta num desastre, pois então.
Assim se estraga uma boa história.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Super Bock Super Rock - Rescaldo
Por todos os quilos de pó que foram comidos, mais as horas que foram passadas em pé, mais as pessoas, esses seres que infelizmente insistem em existir em todo o lado, que são tão estupidazinhas, benza-as deus, de cada vez que há ajuntamentos, por tudo isto valeu a pena.
A qualidade musical foi tanta que nem há palavras para descrever.
Grande fim-de-semana de festival.
Sábado, dia 17 de Julho:

Julian Casablancas
(excelente cantor, um bocado estouvado, mas extremamente competente)

Hot Chip
(grande surpresa, não dava nada por eles e puseram toda a gente a dançar)

A qualidade musical foi tanta que nem há palavras para descrever.
Grande fim-de-semana de festival.
Sábado, dia 17 de Julho:
Julian Casablancas
(excelente cantor, um bocado estouvado, mas extremamente competente)
Hot Chip
(grande surpresa, não dava nada por eles e puseram toda a gente a dançar)
(confessando que estava por demais céptica em relação a estes senhores, que me pareciam apenas uma bandinha com um cd popularucho mas sem grande consistência, toma lá uma espectáculo brutal!)
Domingo, 18 de Julho:
(tocam benzinho)
(er... kind of...)
E finalmente, o grande, o magnífico, o extraordinário, o lendário PRINCE!!!
E finalmente, o grande, o magnífico, o extraordinário, o lendário PRINCE!!!
A voz, apesar da idade, continua do melhor, a performance do melhor, esbanjava simpatia e carisma. Um ídolo, uma lenda da música.
Foi dos melhores concertos a que já assisti.
Não percebi lá muito bem o que é que aquela Ana Moura foi lá fazer, mas há coisas que nem vale a pena comentar.
Prince é gigante e está tudo dito.
Harry Potter e os Talismãs da Morte
Parece que, afinal, os filmes de Harry Potter não foram vaticinados ao esquecimento.
A primeira parte dos Talismãs da Morte sai em Novembro e a segunda em Julho de 2011.
Só pensar que dividem a última parte da história em duas já dá arrepios.
Aliás, nem sei porque aguardo ansiosamente a estreia dos filmes desta saga se depois passo o filme inteiro a maldizer a minha sorte e o dinheiro que gastei no bilhete, tamanha é a aldrabice que se vê.
Enfim.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Teoria das Compras

Desenganem-se aqueles que pensam, baseados nas premissas empíricas, que a existência é, em si, uma ironia pegada.
Às vezes sim, outras nem tanto, mas no que toca a compras, e isto é mais para o público feminino, não que os homens não façam compras, que fazem, mas pelo menos não são estúpidos que vivam para as fazer, o que se há-de fazer, os géneros serão sempre separados por estas questões menores, nem sempre a ironia, dizia, é aquela que funciona.
Rezam os mais altos ditames da filosofia de bancada, essas bíblias do viver, que quando não há dinheiro, todas as coisas são lindas, tudo parece maravilhoso, tudo se quer comprar; quando o vil metal abunda, já não se encontra nada, tudo desapareceu, oh que triste que estou.
A questão aqui é tão somente a ironia, essa figura pouco lavada, que insiste em aparecer em todo o lado a estragar a vidinha a uns e a outros.
Pois sim.
Experimente-se, então, entrar num estabelecimento comercial de interesse relativo quando anteriormente nada havia para achar graça, com o relevante pormenor da carteira recheada para ver como a ironia vai logo à viola e se sai de uma loja sem nada de especial com os bracinhos carregados com coisas apenas relativamente giras e tal, deixando lá uma fatia relativa do salário.
Ironia relativa, portanto.
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Posição Doutrinária
Cúmulo de Qualquer Coisa
O que é que pode acontecer de tão extraordinário num simples dia de trabalho, igual a tantos outros, nem melhor, nem aparentemente pior?
Ter que entrar pela janela, ajudada por um escadote que já teve tempos áureos, sim, mas já não agora, com uns saltos de sabe-se lá quantos cêntimentros, alçar a perna e ficar presa no caixilho, ou melhor, deixar lá uma parte da nádega esquerda, que nestas coisas, os caixilhos são uns gatunos, se fica lá alguma coisa presa, ficam com ela, que a vida está difícil e temos que nos arranjar como podemos, que é que querem, c'est la vie, e tudo isto porquê, porque alguém se lembrou que hoje era um óptimo dia para mandar abaixo uma parede, e não é uma parede qualquer, é a parede traseira do edifício.Porra.
Mais engraçado é ver pessoas de bem, pessoas jurídicas de sucesso, a ficar com as partes baixas presas no dito caixilho, enfim, sobre os caixilhos já tudo foi dito, quem manda só haver uma escada que permita o acesso a toda a casa, é o que há, e ficar a vê-los ficar azuis e querer mandar uma caralhada e não poderem porque a postura nunca se perde, bardamerda mais à mania das obras e dos arranjinhos nas paredes, vem um gajo trabalhar descansadinho e é logo isto.
Graças a deus que não saí homem do frasco, senão havia de ser pior.
Sobrevive-se, entretanto.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Mortis Causa
Caminhavam lado a lado, encolhidos nos casacos, subindo a rua que terminava lá longe. Não parecia, mas eram similares, filhos dos mesmos laços, unidos, mais que não fosse, pela figura pequenina e vestida de preto, mimada pelos anos, que vinha atrás, conjugando o fôlego com os passos, que os anos só mimam as pessoas no palavreado literário, quando pesam nos ombros a figura de estilo deixa de ter piada. Duas gerações separadas pelos passos. Os herdeiros. De fortuna alguma, da tristeza no olhar, do tempo que passou, do caminhar pesado, de si.
Passando os pesados portões, quase de olhos fechados sabiam o caminho até à casa que procuravam, apenas os mantendo abertos pelo trilho sinuoso debaixo dos pés, que pedia que nele não tropessassem, não fosse estar aberto algum buraco, daqueles de sete palmos, sítio perigoso para se cair, este.
Chegaram. A casa é baixinha, preta, de inscrições nas paredes e outros dizeres. Memorial.
Não se ouve nada, a não ser o vento que passeia por ali, despentando flores, sacudindo a água das poças, arrepiando uma ou outra cabeça escondida no intervalo de outras casinhas que por lá se amontoam. Silêncio e nada.
Olham uns para os outros. A velha figura nada diz, o vazio come-lhe as palavras. Os outros, os que são parecidos, olham também.
E num gesto repentino, um deles pega na vassoura velha, enquanto o outro vai buscar um balde com água. E sem nada acordarem, lavam e esfregam e limpam a casinha. E a velha continua a olhar, sem nada dizer, o que é que pode haver para dizer, limpar é gesto de vivência, os vivos limpam à sua volta para poderem viver, os mortos limpam-nos os vivos, que já nada mais há a fazer, ao menos sempre os vivos mantêm a ilusão de que sobra um último gesto, são coisas da vida, e da morte, porque não, tratar os que já não existem como se fosse seres deste mundo, é assim que se mantém viva a memória, ou o que seja, ao menos que não se passe a eternidade numa casinha feita de teias de aranha e outras sujidades.
Nenhum deles acordou o que que que fosse, e mesmo assim, sincronizados como bailarinos, não deixando passar poeira alguma, limpando todos os poros do mármore.
Nenhum deles acordou nada, mas olham um para o outro e têm a mais longa conversa de sempre sem mexerem os lábios.
Passando os pesados portões, quase de olhos fechados sabiam o caminho até à casa que procuravam, apenas os mantendo abertos pelo trilho sinuoso debaixo dos pés, que pedia que nele não tropessassem, não fosse estar aberto algum buraco, daqueles de sete palmos, sítio perigoso para se cair, este.
Chegaram. A casa é baixinha, preta, de inscrições nas paredes e outros dizeres. Memorial.
Não se ouve nada, a não ser o vento que passeia por ali, despentando flores, sacudindo a água das poças, arrepiando uma ou outra cabeça escondida no intervalo de outras casinhas que por lá se amontoam. Silêncio e nada.
Olham uns para os outros. A velha figura nada diz, o vazio come-lhe as palavras. Os outros, os que são parecidos, olham também.
E num gesto repentino, um deles pega na vassoura velha, enquanto o outro vai buscar um balde com água. E sem nada acordarem, lavam e esfregam e limpam a casinha. E a velha continua a olhar, sem nada dizer, o que é que pode haver para dizer, limpar é gesto de vivência, os vivos limpam à sua volta para poderem viver, os mortos limpam-nos os vivos, que já nada mais há a fazer, ao menos sempre os vivos mantêm a ilusão de que sobra um último gesto, são coisas da vida, e da morte, porque não, tratar os que já não existem como se fosse seres deste mundo, é assim que se mantém viva a memória, ou o que seja, ao menos que não se passe a eternidade numa casinha feita de teias de aranha e outras sujidades.
Nenhum deles acordou o que que que fosse, e mesmo assim, sincronizados como bailarinos, não deixando passar poeira alguma, limpando todos os poros do mármore.
Nenhum deles acordou nada, mas olham um para o outro e têm a mais longa conversa de sempre sem mexerem os lábios.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Las Vagas
Estou completamente viciada nesta música. E nesta banda.
Há anos que a oiço e de vez em quando entra-se-me pelos ouvidos dentro e não sai mais.
E o video é original, ahn!?
Dos Ogres nas Ruas
Oh deus das mentes perturbadas, rogai por nós, que coisas as há que não deixam dormir um ser de cérebro estraçalhado pela estupidez.
Faz-lhe confusão como podem ocorrer tantos acontecimentos mal paridos e mal enjorcados, que querem, hoje é o dia das palavras a atirar para o esquisito, acontecimentos esses que de tão banais deixam um rasto de sentimento de estupidez no encéfalo onde paira.
Porque raio levam as pessoas os carrinhos de bebé para o meio das multidões?
Porque será que gostam tanto de causar atrapalhação quando está muita gente no mesmo sítio?
Porque será que necessitam de levar os filhos para todo o lado, até, e principalmente, para eventos que em que eles nem deviam comparecer?
Porque gostam tanto de chatear os outros? De incomodar?
E porque pensarão elas que as gentes com carrinhos de bebé têm prioridade sobre as pessoas que não têm rodas nos pés?
As crianças mesmo pequenas, ainda é como o outro, os pequenos inimputáveis ainda não caminham, têm necessária e impretrivelmente os paizinhos de os levar para todos os sítios, não vão os putos perder casamento se não forem para junto da amálgama de gente maior que houver lá na terra.
Mas o que mais espanta é que existam pais que ainda metem nos carrinhos infantes do tamanho de ogres, que têm tão boas e tão lindas perninhas para caminhar e ainda se refastelam no sofázinho andante, à espera que os empurrem rua fora, com um ar de superioridade monstrinha nas pequenas caras.
Ora bolas, não há vergonha?
Mas o que mais espanta é que existam pais que ainda metem nos carrinhos infantes do tamanho de ogres, que têm tão boas e tão lindas perninhas para caminhar e ainda se refastelam no sofázinho andante, à espera que os empurrem rua fora, com um ar de superioridade monstrinha nas pequenas caras.
Ora bolas, não há vergonha?
terça-feira, 13 de julho de 2010
Leituras

A grande habilidade de Dan Brown é prender o leitor mesmo quando a história não interessa a ninguém. Sabe deixar em suspense, levar o leitor à loucura em busca da próxima página, deixá-lo de água na boca por mais. Mesmo quando não tem nada para contar.
É o caso em Fortaleza Digital.
A história é só moderadamente interessante; porém o que mais fere nem é tal facto, é uma impressão de lamechice pegada que resolveu enfiar no meio daquelas linhas, à espera que ninguém notasse. Fraquinho, nem parece Dan Brown.
E a ideia de que Espanha é um país do terceiro mundo é de bradar aos céus, por amor da santa! É impossível retirar de certos americanos a ideia peregrina e mentirosa que eles são o único país evoluído do mundo...
Também adorei ( note-se a ironia ) de haver um português supostamente de gema, nascido e criado em Lisboa, tal como é escrito, cujo apelido é Hulohot. Muita tuga, não?
segunda-feira, 12 de julho de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Linguística
Acaba de se perceber que, no que ao Direito diz respeito, as palavras têm mesmo se ser reveladoras dos factos.
Uma pessoa que passe uns 5 anos numa instituição ensinadora de leis saberá que a educação e a distinção de um ser neste mercado é meio caminho andado, ou não fosse este um mundo cheio de peneirices e salamaleques, em que anda meio mundo a ver se lixa a outra metade, mas sempre com uma extrema educação, nunca se perde a postura em tempo algum.
Qual não será a surpresa de deparar com expressões de verdadeiro naturalismo linguístico, num texto decisório de uma causa. Aqui, já ninguém se acanha de escrever umas caralhadas e uns filhos da puta para que seja sempre favorecida a verdade dos factos.
Viva a naturalidade, vivam as asneiras! Nos acórdãos!
Pergunta-se, então, porque raio é que, fora da verdade dos factos e da sua descoberta, somos todos uns cretinos cheios de vento e vaidade...?
Estranho...
Uma pessoa que passe uns 5 anos numa instituição ensinadora de leis saberá que a educação e a distinção de um ser neste mercado é meio caminho andado, ou não fosse este um mundo cheio de peneirices e salamaleques, em que anda meio mundo a ver se lixa a outra metade, mas sempre com uma extrema educação, nunca se perde a postura em tempo algum.
Qual não será a surpresa de deparar com expressões de verdadeiro naturalismo linguístico, num texto decisório de uma causa. Aqui, já ninguém se acanha de escrever umas caralhadas e uns filhos da puta para que seja sempre favorecida a verdade dos factos.
Viva a naturalidade, vivam as asneiras! Nos acórdãos!
Pergunta-se, então, porque raio é que, fora da verdade dos factos e da sua descoberta, somos todos uns cretinos cheios de vento e vaidade...?
Estranho...
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Isto é o Fim!
Já não se pode estar atrasado.
Não se pode, mesmo.
Porque quando tal acontece, é mais que certo e sabido que há sempre alguma coisa que surge e que atrasa ainda mais o atrasado, isso toda a gente sabe, é a lei da ironia, lei da vida, quando precisas não tens, quando queres não há, quanto mais depressa mais devagar, lá dizia o outro.
O que não se sabe é que quando se vai a abrir pela estrada fora porque já se devia estar no local de labuta há cinco minutos, há uma data de mânfios que manda parar à entrada duma rotunda, mas que merda é esta, polícia logo de manhã, mas que maçada, estou bem arranjada, agora nunca mais daqui saio, quando se repara que afinal não se trata de polícia nenhuma, afinal são os bombeiros, ora porra que deve ter havido acidente, é desta que chego uma hora atrasada, devem estar a cortar a estrada, e agora como é que passo, e afins.
Eis senão quando o senhor bombeiro que manda parar atira logo um grande sorriso e diz "bom dia, menina" com um ar tão dengoso que quase se podia ver o mel a escorrer-lhe do canto da boca.
Este gajo quer dinheiro, só pode.
Bom dia, menina, não quer ajudar a Corporação a comprar uma ambulância? Só uma ajudinha, não custa nada.
Tau! Sorte grande. Dinheiro. What else?
Ai que estou tão atrasada, tenho mesmo que ir, não pode ficar para outra altura, desculpe lá, sim?
Oh não faça isso, é só uma contribuição. E vá de estender à frente um cupão de contribuição no valor de 100€.
Não há vergonha. Crê-se mesmo que foram balbuciadas estas palavras.
Não? Então e um cupãozinho de 20€? Não?
Só podem estar a gozar.
1€ chega?
Ah...É qualquer coisa...
Pois, então fica lá com a qualquer coisa, se te aprouver enfia-a no rêgo do ass e deixa-me ir trabalhar, pode ser?
Bolas...!
terça-feira, 6 de julho de 2010
Descoberta
Se um ser precisar muito do serviço público e o serviço público não estiver pelos ajustes e não quiser fornecer, pegar no telefone e chatear toda a gente até o trabalho aparecer feito é das melhores coisas a fazer.
Porque, meus filhos, resulta mesmo!
Porque, meus filhos, resulta mesmo!
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Comentário Jurídico da Latrina
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Da Futilidade II
Contando os dias para a Expedição do Ano à Primark.
Senhor, ajudai tua serva quebrada que não pode ter uns trocos na carteira que só pensa em comprar futilidades.
Senhor, ajudai tua serva quebrada que não pode ter uns trocos na carteira que só pensa em comprar futilidades.
Do Arrastamento
O existir é um longo arrastar.
Desde cedo, as pessoas arrastam-se para todo o lado, para a escola, para o trabalho, para casa, toda a gente se vai arrastando para qualquer lado.
Pequeninos, arrastamo-nos pela escola, esperando chegar ao fim do dia para poder ir brincar em paz. E o tempo da brincadeira passa a correr.
Graúdos, novamente arrastando o rabo por um outra escola, esperando chegar a casa e fazer nenhum.
Ligeiramente crescidos, arrastamo-nos por mais uma escola, esperando um tempo de pausa para fumar um cigarro.
Depois de tanatas escolas, a faculdade, em que se espera por um pouco mais que um cigarro ou um tempo de lazer; espera-se sobreviver.
Já no trabalho, espera-se pelo fim-de-semana, tão miserável que dois dias passam num sopro, e quando se dá por ela já se está a trabalhar outra vez.
O existir é um longo arrastar. De casa para o trabalho e pelo caminho inverso.
Pelo meio, nada.
Encontram-se velhos conhecidos nas redes sociais da moda, pessoas que cruzam o caminho connosco durante uns anos, poucos, há tanto tempo que nem se lembra bem quando foi. Fizeram a vida como lhes deu mais jeito, como toda a gente. Arrastam-se pela vida fora, como toda a gente.
E pelo meio, nada.
Desde cedo, as pessoas arrastam-se para todo o lado, para a escola, para o trabalho, para casa, toda a gente se vai arrastando para qualquer lado.
Pequeninos, arrastamo-nos pela escola, esperando chegar ao fim do dia para poder ir brincar em paz. E o tempo da brincadeira passa a correr.
Graúdos, novamente arrastando o rabo por um outra escola, esperando chegar a casa e fazer nenhum.
Ligeiramente crescidos, arrastamo-nos por mais uma escola, esperando um tempo de pausa para fumar um cigarro.
Depois de tanatas escolas, a faculdade, em que se espera por um pouco mais que um cigarro ou um tempo de lazer; espera-se sobreviver.
Já no trabalho, espera-se pelo fim-de-semana, tão miserável que dois dias passam num sopro, e quando se dá por ela já se está a trabalhar outra vez.
O existir é um longo arrastar. De casa para o trabalho e pelo caminho inverso.
Pelo meio, nada.
Encontram-se velhos conhecidos nas redes sociais da moda, pessoas que cruzam o caminho connosco durante uns anos, poucos, há tanto tempo que nem se lembra bem quando foi. Fizeram a vida como lhes deu mais jeito, como toda a gente. Arrastam-se pela vida fora, como toda a gente.
E pelo meio, nada.
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Lado Contrário do Espelho
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Maria Clementina
E esta é a grande verdade desta música:
"Como se apanha um coração sem dar o nosso por caução...?"
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Meu Deus, Que Tenho Um Amante
As mentes que não se ocupam com actividades frequentes tendem a imaginar que o fazem. Mais interessante ainda, imaginam actividades na esfera dos outros. E o mais pálido e pequeno pormenor dá logo pano para mangas para uma história mirabolante, cheia de coloridos cerebrais de gente que não tem mais nada para ocupar o tempo e então mete-se na vida dos outros.
E o que quer isto dizer?
1) Quer dizer que não se pode trazer para o local de trabalho uma reles plantinha, para ver se se imprime alguma cor e vida para além da Judicatura que aqui se faz, que é tanta e tão boa, que é logo luz verde para toda a gente a vir apalpar e choramingar para cima dela, que linda que é, ai que fica tão bem.
Ok, amem lá o raio da flor, aproveitem e chorem mesmo para cima do vaso que a água está cara e sempre se poupam uns trocos.
2) Quer dizer que não se pode entrar casa dentro com a reles plantinha que toda a gente pergunta se hoje é dia de fazer anos. Mas só se podem trazer plantinhas para aqui quando se faz anos, nos outros dias trazer plantas é crime ou sacrilégio, é? Bolas, se assim é, já estou mas é lixada, que no que toca a plantas, aquelas que me ofertam por ocasião do aniversário é para ir janela fora.
3) Quer dizer que não se pode trazer uma reles plantinha para dar um dar de sua graça ao aposento e trazer um toque de personalidade do ocupante, que há logo um gajo qualquer a rondar, um mouro na costa, um ser qualquer a querer conquistar a moça donzela e portanto oferece plantinhas.
Claro, meus filhos, claro.
Tivesse eu um amante e logo a primeira bola a sair do saco era andar a publicitar os meus actos ilícitos e mostrar as prendas que ele me daria, e ainda vocês não viram nada, se gostam daquela erva daninha, imaginem quando virem o Mercedes que tenho estacionado à porta de casa, ou o meu Rolex ou os 37 Louboutins que tenho no meu armário, só à conta do outro, só espero é que o oficial não descubra senão também tenho de confessar que tenho 50 mil no banco que me foram ofertados, ai que isto não era para dizer.
E irem trabalhar, não?
E o que quer isto dizer?
1) Quer dizer que não se pode trazer para o local de trabalho uma reles plantinha, para ver se se imprime alguma cor e vida para além da Judicatura que aqui se faz, que é tanta e tão boa, que é logo luz verde para toda a gente a vir apalpar e choramingar para cima dela, que linda que é, ai que fica tão bem.
Ok, amem lá o raio da flor, aproveitem e chorem mesmo para cima do vaso que a água está cara e sempre se poupam uns trocos.
2) Quer dizer que não se pode entrar casa dentro com a reles plantinha que toda a gente pergunta se hoje é dia de fazer anos. Mas só se podem trazer plantinhas para aqui quando se faz anos, nos outros dias trazer plantas é crime ou sacrilégio, é? Bolas, se assim é, já estou mas é lixada, que no que toca a plantas, aquelas que me ofertam por ocasião do aniversário é para ir janela fora.
3) Quer dizer que não se pode trazer uma reles plantinha para dar um dar de sua graça ao aposento e trazer um toque de personalidade do ocupante, que há logo um gajo qualquer a rondar, um mouro na costa, um ser qualquer a querer conquistar a moça donzela e portanto oferece plantinhas.
Claro, meus filhos, claro.
Tivesse eu um amante e logo a primeira bola a sair do saco era andar a publicitar os meus actos ilícitos e mostrar as prendas que ele me daria, e ainda vocês não viram nada, se gostam daquela erva daninha, imaginem quando virem o Mercedes que tenho estacionado à porta de casa, ou o meu Rolex ou os 37 Louboutins que tenho no meu armário, só à conta do outro, só espero é que o oficial não descubra senão também tenho de confessar que tenho 50 mil no banco que me foram ofertados, ai que isto não era para dizer.
E irem trabalhar, não?
Ora Bem...
De fora do Mundial por uma estratégia brilhante do Mr. Queiroz.
Muito bem.
Talvez seja altura de perceber que há mais jogadores na equipa do que o suposto melhor do mundo que afinal não faz nada e que jogar sempre à defesa é jogar para nada.
Muito bem.
Talvez seja altura de perceber que há mais jogadores na equipa do que o suposto melhor do mundo que afinal não faz nada e que jogar sempre à defesa é jogar para nada.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Micro-Clima
Um ser sai de casa, todo contente que hoje pode ir de bracinhos ao léu que o sol brilha que não é brincadeira nenhuma, quando nem se anda uns reles 7km e é logo isto:
É o que dá viver em sítios esquisitos.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Thank God For The Net
Coisa boa, mesmo boa é a informatização dos processos nos tribunais.Ai que bom que está apenas à distância de um clique a certidão que já cá devia estar há três anos. Ai que bom que consigo ver se o processo está no arquivo só a olhar para o meu pequeno ecrãzinho. Ai que bom que daqui vejo e ouço tudo o que se passou no processo, até se o funcionário que devia estar a trabalhar está a falar com os colegas sobre problemas do foro íntimo, desculpe lá o mau jeito, minha senhora, mas os telefones têm um poder de alcance que você nem imagina, se bem que eu dispensava saber o que se passa na sua casa, mas deixe lá, até sou uma rapariga discreta, não digo nada a ninguém, desde que o seu colega se despache a voltar a pôr o auscutador no ouvido, de maneira a que eu só oiça a ele, e não a si, que a senhora há-de ter mais que fazer e eu também.
Coisa boa, mesmo boa.
Também é bom telefonar-se para um tribunal quando ainda faltam 5 minutos para a hora de almoço, e senhora do outro lado, com uma grande calma, dizer que não pode ajudar que está na sua hora de almoço e já tem o computador desligado.
Mas esqueçamos este pormenor, que não se pode, também, pedir demais.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Filhos? Não, Obrigado!
Se as pessoas são o mal do mundo, as crianças, que serão adultas muito em breve, são a raiz do mal. Porque logo pequenas, tal como indicado pela sua natureza, são do pior que pode haver em termos de maltratar o próximo, abusar da confiança, distorcer factos em seu favor, fazer pouco dos outros.
Mas, esperem lá, isto não é exactamente o que as pessoas completas, por assim dizer, fazem? Não é isto que se espera das pessoas crescidas, que saibam vingar, que saibam pisar os outros, que passem por cima de tudo e de todos para poder satisfazer a sua curiosidadezinha mórbida e desprovida de sentido?
Pois sim.
As crianças, nascidas assim ou assim criadas pelos progenitores, são aquilo que se vê: um poço da podridão adulta, das desvirtudes do crescer, da ganância e da maldade, sem laivos da inocência que passam a vida a apregoar que têm, onde, não se sabe, duvida-se que exista, essa história da virgindade de alma não se sabe se não será um grande barrete, uma forma literária e romântica de dizer que se esticaram as pernas e agora já não se gosta de andar de bicicleta e subir às árvores, agora é mais cromos do Mundial ou gajas a passar na rua, que já não sou puto nenhum.
As crianças são o princípio do fim; quando se põe no mundo uma coisinha fofa, dá-se tudo o que eles têm direito até que cresçam um bocadinho pequeno e se tornem monstrinhos egoístas e malvados, mas que aos olhos dos paizinhos serão sempre os meus rebentos preferidos, coitadinhos, são tão giros, tão queridos, deixá-los fazer asneiras, só tenho aqueles, coitadinhos.
Coitadinhos, dir-se-ia, dos outros que têm que aturar as criancinhas dos outros, que são tão porcas de espírito como os pais o são, que já carregam nas entranhas a apatia e a estupidez intrínsecas. Já se têm ouvido opiniões sobre as criancinhas em todos os cantos do mundo; tantos outros advogaram pela causa de não queremos criancinhas junto de nós que estragam tudo e ainda deixam celulite no rabo. É preciso ir para além do mundano: as crianças serão o reflexo de quem as construiu, mas mesmo que os escultores não sejam assim tão maus, há sempre a possibilidade de quem vai crescer seja podre, como todos os homens, porque esta é a natureza do homem, ser podre e transportar para as gerações futuras a podridão interior.
Que não haja ilusões, quem sai aos seus não degenera, seremos sempre assim, o cancro do viver em sociedade a correr nas veias de todos nós.
Sic.
Mas, esperem lá, isto não é exactamente o que as pessoas completas, por assim dizer, fazem? Não é isto que se espera das pessoas crescidas, que saibam vingar, que saibam pisar os outros, que passem por cima de tudo e de todos para poder satisfazer a sua curiosidadezinha mórbida e desprovida de sentido?
Pois sim.
As crianças, nascidas assim ou assim criadas pelos progenitores, são aquilo que se vê: um poço da podridão adulta, das desvirtudes do crescer, da ganância e da maldade, sem laivos da inocência que passam a vida a apregoar que têm, onde, não se sabe, duvida-se que exista, essa história da virgindade de alma não se sabe se não será um grande barrete, uma forma literária e romântica de dizer que se esticaram as pernas e agora já não se gosta de andar de bicicleta e subir às árvores, agora é mais cromos do Mundial ou gajas a passar na rua, que já não sou puto nenhum.
As crianças são o princípio do fim; quando se põe no mundo uma coisinha fofa, dá-se tudo o que eles têm direito até que cresçam um bocadinho pequeno e se tornem monstrinhos egoístas e malvados, mas que aos olhos dos paizinhos serão sempre os meus rebentos preferidos, coitadinhos, são tão giros, tão queridos, deixá-los fazer asneiras, só tenho aqueles, coitadinhos.
Coitadinhos, dir-se-ia, dos outros que têm que aturar as criancinhas dos outros, que são tão porcas de espírito como os pais o são, que já carregam nas entranhas a apatia e a estupidez intrínsecas. Já se têm ouvido opiniões sobre as criancinhas em todos os cantos do mundo; tantos outros advogaram pela causa de não queremos criancinhas junto de nós que estragam tudo e ainda deixam celulite no rabo. É preciso ir para além do mundano: as crianças serão o reflexo de quem as construiu, mas mesmo que os escultores não sejam assim tão maus, há sempre a possibilidade de quem vai crescer seja podre, como todos os homens, porque esta é a natureza do homem, ser podre e transportar para as gerações futuras a podridão interior.
Que não haja ilusões, quem sai aos seus não degenera, seremos sempre assim, o cancro do viver em sociedade a correr nas veias de todos nós.
Sic.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Portugal - 7 Coreia do Norte - 0
Muito bem, sim senhor!
Desta vez, até me vou abster de comentar a merdice de Seleccionador.
Vamos lá ver se com o Brasil nos saímos tão bem...
7 sequinhos, até dá gosto!
Desta vez, até me vou abster de comentar a merdice de Seleccionador.
Vamos lá ver se com o Brasil nos saímos tão bem...
7 sequinhos, até dá gosto!
Ela É Demais Para Mim
sábado, 19 de junho de 2010
Era Uma Vez José Saramago
O choque continua cá, a alma continua a chorar.
Desapareceu o maior escritor dos últimos tempos, o maior pensador literário que a literatura alguma vez teve, o homem que se exprimia tão complexamente que o texto se tornava estranhamente fácil e de uma beleza original.
Não vale a pena falar no legado que deixa, na imensa obra futura, nos livros que gerações adiante lerão, estudarão e aprenderão a amar as páginas de tamanha genialidade como a dele.
Não vale a pena falar na figura que os governantes de outrora não souberam respeitar, que as mentes pequenas e débeis não souberam compreender; isso, outros o farão.
Este foi o escritor que mais tocou a alma, que mais soube mostrar, que deu um impulso à leitura, que abriu tantas portas de compreensão sobre tantos assuntos, sobre tantos aspectos da vida que mereciam uma visão mais atenta.
Este foi o escritor que mostrou que as palavras se podem organizar de uma maneira que mostra ainda mais a beleza da língua, que a levam mais longe, que fala à consciência de cada um que lê.
Este foi o escritor que sabia sempre ordenar as palavras mais simples de forma a tornar o discurso tocante, tocante na alma.
Uma pessoa que escreveu desta maneira não mais será esquecida, uma pessoa que deixou uma obra como esta será recordado eternamente enquanto a língua portuguesa existir, como tantos outros que o precederam.
José Saramago, que um dia assinou dois livros a uma miúda na Feira do Livro, um ano antes de receber o prémio Nobel, nunca imaginou que, anos depois, essa miúda visse nele um herói literário, uma mente muito à frente no seu tempo, um homem inteligente como nenhum outro; nunca imaginou, certamente, que tantos dos seus livros causassem um abalo tão profundo no pensamento, nem nunca imaginou quantas vezes se reviu nas histórias que soube contar, nos pensamentos que foram imprimidos com tanta sabedoria.
Perdi o meu herói.
Perdi a minha alma literária.
Que não será esquecido, nem verdadeiramente perdido, porque viverá para sempre através daqueles que dele se recordam, daqueles que mantêm viva a memória. Mas que hoje fiquei mais pobre, ficámos todos muito mais pobres, disso não haja dúvida.
Esta é das raríssimas ocasiões que lamento profundamente não ter crenças religiosas por ser, talvez, a única forma de, um dia mais tarde, o voltar a ver.

1922-2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
E Agora?
Isto arruinou o dia ( não foi dito que estampar o carro logo de manhã era presságio de má sorte até o dia terminar?).
Como vai ser a partir de agora?
Já não posso esperar o próximo livro, porque o Poeta morreu.
Já não posso sonhar que um dia vou conhecê-lo, porque Ele foi à minha frente.
Já não posso imaginar a conversa que teríamos, porque foi para lado nenhum.
E agora?
Como vai ser a partir de agora?
Já não posso esperar o próximo livro, porque o Poeta morreu.
Já não posso sonhar que um dia vou conhecê-lo, porque Ele foi à minha frente.
Já não posso imaginar a conversa que teríamos, porque foi para lado nenhum.
E agora?
Começar Bem
Quando se começa o dia a esborrachar a frente do carro contra um muro, estúpida de merda que ainda estás a dormir, não vês o que andas a fazer, já se sabe que o resto do dia andará pela mesma onda, portanto também não se pode esperar grande coisa.
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Lado Contrário do Espelho
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Pausa Para Almoço
Estava eu, sugadita, sentada no café do costume, a ler um livro duvidoso e a fumar 37 cigarros de um assentada quando entram aquelas duas aves raras e se sentam, não se está mesmo a ver, mesmo na mesa ao lado, que espaço é coisa que escasseia num café vazio, e não havia outra alternativa, vamos mas é chatear a gaja que ali está, também não tem ar de quem esteja a fazer grande coisa, por isso olhe desculpe lá se temos rabos muito grandes a obrigamos a encolher-se para nos podermos sentar, enfim, a sina costumeira de quem passa a hora de almoço em cafés perto de liceus.
Andam sempre os dois, tão fofos que eles são, o gordo sinistro, com uma crista de galo pintalgada na ponta e umas 30 mil correntes em volta das calças, e o puto giro que em tempos achava que devia ser filho da dona do estabelecimento,mas afinal parece que não, os dois tão parvos quanto a idade permite, benza-os deus, que tolice é o que não falta à juventude, que eu já sou velha e aos velhos são permitido comentários sobre a decadência das novas gerações.
Eis senão quando o gordo com a mania que é punk abre a sua bocarra de dentes podres e deixa sair o maior e mais poderoso arroto que alguma vez ouvi, ouvi eu e quem estava a 10 km de distância, não me admirava nada se se tivesse ouvido tal fenómeno lá para os lados da Vila Velha, tendo quase a certeza que as fundações do Palácio da Pena tremeram e nunca mais serão as mesmas depois de semelhante abalo sísmico. Não contente com a façanha, volta a repetir, nem sei como não saíram dali fagulhas, qual fogo de copas, ou um vento incendiário qualquer, desta vez com a plena noção e certeza que foi o Palácio de Queluz que sofreu as consequências nefastas do trânsito estomacal daquela besta.
Olho em volta, para tentar perceber se fui apenas eu que senti tamanho abalo e disparo sonoro, não fosse o som das vuvuzelas macacas do jogo que passa na televisão ter afectado permanentemente a minha audição, quando percebo que ninguém sequer pestanejou, nem sequer virou a cabeça para perceber quem havia arrotado com tamanho escarcéu, e constato, com alguma tristeza, diga-se, que estavam presentes velhotes em número considerável que perderam uma bela oportunidade de dizer, como só eles sabem, esta geração está perdida.
Logo a seguir, atrás do balcão, alguém se lembra de partir um copo, ou um prato, ou vários, não interessa, alguma coisa de vidro foi dar um beijo ao chão e não aguentou o impacto. Foi o rebuliço, toda a gente se sobressalta, viram-se todos para ver, alguns até se levantam para ver melhor, comentando o acontecimento, qual ovni que tivesse aterrado numa mesa do centro da sala.
Mais alguém repara no surrealismo?
Factos Revisitados
Não se sabe se será da azia ou de não ter mais que fazer, ou ainda de ter dormido mal e porcamente, mas há qualquer coisa nas pessoas que exerce um fascínio estrondoso.
Nomeadamente, a estupidez que irradia os seus cérebros, quais raios de sol incandescentes.
E outras coisas, como o ressabiamento, mas não tendo bem a certeza que tal palavra exista, fica como pessoas-que-não-têm-mais-nada-com-que-ocupar-o-tempo-e-teimam-em-ficar-apegados-às-coisas-que-já-se-passaram-há-pelo-menos-quinhentos-anos.
E com isto não se quer mencionar rancores e ódios antigos, que isso todos têm, de uma forma ou de outra.
Coisas parvas que têm barbas de velho, que serviram de pretexto para cortar com relações igualmente idosas. Apenas pretextos, nada mais, que agora renascem e ficam a pairar, como se os factos que lhes deram origem fossem frescos como o leite do dia. Factos que, se fossem analisados, nem teriam força para cancelamento do que quer que seja. Não passam de desculpas, de pretextos, de bodes expiatórios, qualquer coisa que serve de mote a que se fique mortalmente ofendido por coisa nenhuma.
Assim é, às vezes acontece, uma coisinha de nada despoleta uma tempestade e um vendaval tamanhos que é muito difícil reparar os estragos. Mesmo que não se perceba, aceita-se, tudo tem um fim, porque não um assim?
O problema surge quando os motivos voltam a renascer, assombrando quem alegadamente os cometeu, sim porque toda a gente sabe que isto dos motivos e factos que levam a não sei quê são uma espécie de fantasminhas que vêm chatear os vivos quando já ninguém se lembra deles ou quando não conseguem descansar em paz, renascem milagrosamente e caminham por aí, importunando uns e outros, como se fosse uma alegre parada.
E quem não tem nada a ver com o assunto, mas que indirectamente até está implicado, já não sei como é que funciona aquela coisa do autor mediato em Penal, à laia das máfias e tal, mas deve ser assim uma coisa parecida, e subitamente, lá vamos nós outra vez arranjar caldinhos a torto e a direito, e a falar no diz-que-disse, e a encontrar conhecidos na rua e desatar a falar mal, tanto e de tal forma que, quando se tenta vislumbrar um fio condutor, este não existe porque já está entranhado nos meandros do Polvo, esse vasto animal em que se tornam as pessoas quando se reúnem.
Fingindo que se tratavam de pessoas minimamente razoáveis, a solução era um encontro de razões, em que tudo se poria em pratos limpos, uma lavagem de roupa suja, vá, uma sujidade entranhada há anos, que se recusará a sair, mas enfim, sempre se dirá que em nome da concórdia tudo se fará, e que se nada for feito correr-se-á o risco de o Polvo estender os seus tentáculos muito além da maldade habitual, ou seja, um pretexto qualquer, a juntar aos outros, para que haja a não resolução das questões pendentes.
A gaita toda, que é mesmo assim, que é para não dizer merda, se bem que não se entenda bem porque raio se terá de usar um eufemismo se a vontade e a verdade é dizer merda, enfim, diga-se merda que também não é por isso que o gato vai ao bofe, a merda toda é que esta base instrutória tem muitos quesitos, todos eles complexos, todos eles de difícil prova e resposta. Remontam os factos a datas longínquas e não há ninguém vivo para os recordar, envolvem sentimentos e podres de terceiros, envolvem verdades que não se querem ditas, envolvem orgulhos feridos e feitios dificeis que não se sabem por no seu devido lugar. E isto é extramamente complicado para ser resolvido.
Quer dizer, resolver até se resolve, mas mais numa cena de porrada à Van Dame do que numa normal conversa de crescidos.
Porque ninguém é crescido, mesmo que tentem fingir o contrário.
Nomeadamente, a estupidez que irradia os seus cérebros, quais raios de sol incandescentes.
E outras coisas, como o ressabiamento, mas não tendo bem a certeza que tal palavra exista, fica como pessoas-que-não-têm-mais-nada-com-que-ocupar-o-tempo-e-teimam-em-ficar-apegados-às-coisas-que-já-se-passaram-há-pelo-menos-quinhentos-anos.
E com isto não se quer mencionar rancores e ódios antigos, que isso todos têm, de uma forma ou de outra.
Coisas parvas que têm barbas de velho, que serviram de pretexto para cortar com relações igualmente idosas. Apenas pretextos, nada mais, que agora renascem e ficam a pairar, como se os factos que lhes deram origem fossem frescos como o leite do dia. Factos que, se fossem analisados, nem teriam força para cancelamento do que quer que seja. Não passam de desculpas, de pretextos, de bodes expiatórios, qualquer coisa que serve de mote a que se fique mortalmente ofendido por coisa nenhuma.
Assim é, às vezes acontece, uma coisinha de nada despoleta uma tempestade e um vendaval tamanhos que é muito difícil reparar os estragos. Mesmo que não se perceba, aceita-se, tudo tem um fim, porque não um assim?
O problema surge quando os motivos voltam a renascer, assombrando quem alegadamente os cometeu, sim porque toda a gente sabe que isto dos motivos e factos que levam a não sei quê são uma espécie de fantasminhas que vêm chatear os vivos quando já ninguém se lembra deles ou quando não conseguem descansar em paz, renascem milagrosamente e caminham por aí, importunando uns e outros, como se fosse uma alegre parada.
E quem não tem nada a ver com o assunto, mas que indirectamente até está implicado, já não sei como é que funciona aquela coisa do autor mediato em Penal, à laia das máfias e tal, mas deve ser assim uma coisa parecida, e subitamente, lá vamos nós outra vez arranjar caldinhos a torto e a direito, e a falar no diz-que-disse, e a encontrar conhecidos na rua e desatar a falar mal, tanto e de tal forma que, quando se tenta vislumbrar um fio condutor, este não existe porque já está entranhado nos meandros do Polvo, esse vasto animal em que se tornam as pessoas quando se reúnem.
Fingindo que se tratavam de pessoas minimamente razoáveis, a solução era um encontro de razões, em que tudo se poria em pratos limpos, uma lavagem de roupa suja, vá, uma sujidade entranhada há anos, que se recusará a sair, mas enfim, sempre se dirá que em nome da concórdia tudo se fará, e que se nada for feito correr-se-á o risco de o Polvo estender os seus tentáculos muito além da maldade habitual, ou seja, um pretexto qualquer, a juntar aos outros, para que haja a não resolução das questões pendentes.
A gaita toda, que é mesmo assim, que é para não dizer merda, se bem que não se entenda bem porque raio se terá de usar um eufemismo se a vontade e a verdade é dizer merda, enfim, diga-se merda que também não é por isso que o gato vai ao bofe, a merda toda é que esta base instrutória tem muitos quesitos, todos eles complexos, todos eles de difícil prova e resposta. Remontam os factos a datas longínquas e não há ninguém vivo para os recordar, envolvem sentimentos e podres de terceiros, envolvem verdades que não se querem ditas, envolvem orgulhos feridos e feitios dificeis que não se sabem por no seu devido lugar. E isto é extramamente complicado para ser resolvido.
Quer dizer, resolver até se resolve, mas mais numa cena de porrada à Van Dame do que numa normal conversa de crescidos.
Porque ninguém é crescido, mesmo que tentem fingir o contrário.
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
Incidente Processual
Já não se pode estar descansado nem na casa de banho.
Porque quando se está, efectivamente, feliz da vida e descontraído, há alguém, cheio de pressas que tenta abrir a porta, e ainda lhe manda um ou dois coices, enquanto berra Mas 'tá alguém aí?
Não, esperteza, veio cá mijar o fantasma do presépio e trancou-se cá dentro, não se está mesmo a ver?
E mesmo depois de esclarecido de que não havia nenhuma alma penada dentro da dita salinha, deixa sair um Ah!, como se fosse um fenómeno do Entroncamento estar alguém na casa de banho quando o Espalha-Brasas teve vontade de lá ir.
Imagine-se agora que quem lá foi não tinha tido a presença de espírito e a extrema clarividência mental de trancar a porta...
Entrava Espalha-Brasas, o Homem das Pressas e Auxiliar do Aflitos por ali dentro, havia de ser o bom e o bonito, até o diabo se ria, e um ser de calças na mão e sabe-se lá mais o quê de fora.
Já não há sossego.
Porque quando se está, efectivamente, feliz da vida e descontraído, há alguém, cheio de pressas que tenta abrir a porta, e ainda lhe manda um ou dois coices, enquanto berra Mas 'tá alguém aí?
Não, esperteza, veio cá mijar o fantasma do presépio e trancou-se cá dentro, não se está mesmo a ver?
E mesmo depois de esclarecido de que não havia nenhuma alma penada dentro da dita salinha, deixa sair um Ah!, como se fosse um fenómeno do Entroncamento estar alguém na casa de banho quando o Espalha-Brasas teve vontade de lá ir.
Imagine-se agora que quem lá foi não tinha tido a presença de espírito e a extrema clarividência mental de trancar a porta...
Entrava Espalha-Brasas, o Homem das Pressas e Auxiliar do Aflitos por ali dentro, havia de ser o bom e o bonito, até o diabo se ria, e um ser de calças na mão e sabe-se lá mais o quê de fora.
Já não há sossego.
Teoria I
O queixume é o desporto de qualquer humano que se preze. Não há ninguém que não goste de se queixar, aqui e ali, das coisas más que acontecem, daquilo que os outros fazem, da conjuntura que é terrível e pouco propícia a acontecimentos benéficos. O que já não se ouve tanto é queixarem-se da própria falta de vontade, escolhas erradas, falta de tacto e tantas outras coisas que levam a que as pessoas se espalhem ao comprido por iniciativa delas.
E, aliado ao queixume, há a grande vantagem que vem da posse de cérebro, que é a possibilidade de formular teorias acerca das causas que levam às desgraças. Teoria da desgraça queixosa. Ou teoria da queixice desafortunada. Ou uma coisa assim parecida.
Por exemplo, uma pessoa solteira, mais tarde ou mais cedo, há-se sempre queixar-se que não há cônjuge porque os homens/mulheres de jeito ou têm par ou são gay. E isto sem qualquer sombra de crítica ou julgamento velado, ou o que quer que seja de maldizer, acerca das pessoas solteiras, que terão o estado civil que muito bem entenderem, ou discriminação pela orientação sexual de quem quer que seja; discute-se uma teoria, e não os meandros verbais que são usados para a exprimir, que tantas vezes levam a mal entendidos, sim porque pessoas as há que gostam de ler o que é escrito de maneira a só encontrarem algum laivo de critica manhosa ou difamação, sem juntarem os neurónios para sentirem o cerne do texto. Só para depois não se vir cá dizer que se disse mal. Que não disse, faz parte da explicação da teoria. Continuemos.
A conclusão de que não há gente disponível para a feitura do amor é que essas gentes que deviam estar a aquecer os pés das gentes queixosas é logo e imediatamente a de que já está tudo ocupado ou porque, afinal, as gentes têm outros gostos.
Assim será. À primeira vista, pelo menos.
Obviamente que está tudo ocupado! Algumas pessoas ainda têm aquele defeito, não sei que lhes dá, mas que gostam de companhia, pronto, gostam de ter pessoas a quem dar beijinhos e abraços e fazer poucas vergonhas, isto assim não dá com nada, pá, e tendem a ficar com elas por tempo indeterminado, como os contratos de trabalho, raio de mania.
E outras pessoas gostam de outras coisas, o que é que se pode fazer, isto agora é tudo uma cambada, toda a gente faz o que quer e o que lhe apetece, uma rebaldaria.
E há também aqueles que estão disponíveis e não são gay, mas que têm demasiados defeitos, ora são gordos, magrinhos, bexigosos, sebosos, com óculos, com dentes tortos, com pernas escanzeladas, com mazelas cerebrais, um defeito qualquer terão, ou não estariam sozinhas.
Pois sim, grande moral para falar.
É que dá tanto trabalho andar à procura, bolas...
O que dava jeito é que um príncipe encantado, montado num cavalo branco, surgisse à porta de casa, disponível como uma cabine telefónica vaga, disposto a tudo o mais alguma coisa pelo amor do queixoso.
O pior é que esses príncipes que aparecem de livre e espontânea vontade normalmente são uns gandins do pior, o cavalo é mais um burro ou uma mula velha, e as disposições, de espírito ou de estado civil, não são assim tão lineares.
Andar na rua, apontar o dedo a um senhor de feições engraçadas e ele milagre!, até está na mesma onda, era bom, era de sonho, mas sem ter trabalho, sem fussar, encontra-se?
A ser assim, a teoria até é verdadeira. Porque aliado ao queixume, a inércia que é a madre de todos os vícios, também fomenta teorias mirabolantes.
E, aliado ao queixume, há a grande vantagem que vem da posse de cérebro, que é a possibilidade de formular teorias acerca das causas que levam às desgraças. Teoria da desgraça queixosa. Ou teoria da queixice desafortunada. Ou uma coisa assim parecida.
Por exemplo, uma pessoa solteira, mais tarde ou mais cedo, há-se sempre queixar-se que não há cônjuge porque os homens/mulheres de jeito ou têm par ou são gay. E isto sem qualquer sombra de crítica ou julgamento velado, ou o que quer que seja de maldizer, acerca das pessoas solteiras, que terão o estado civil que muito bem entenderem, ou discriminação pela orientação sexual de quem quer que seja; discute-se uma teoria, e não os meandros verbais que são usados para a exprimir, que tantas vezes levam a mal entendidos, sim porque pessoas as há que gostam de ler o que é escrito de maneira a só encontrarem algum laivo de critica manhosa ou difamação, sem juntarem os neurónios para sentirem o cerne do texto. Só para depois não se vir cá dizer que se disse mal. Que não disse, faz parte da explicação da teoria. Continuemos.
A conclusão de que não há gente disponível para a feitura do amor é que essas gentes que deviam estar a aquecer os pés das gentes queixosas é logo e imediatamente a de que já está tudo ocupado ou porque, afinal, as gentes têm outros gostos.
Assim será. À primeira vista, pelo menos.
Obviamente que está tudo ocupado! Algumas pessoas ainda têm aquele defeito, não sei que lhes dá, mas que gostam de companhia, pronto, gostam de ter pessoas a quem dar beijinhos e abraços e fazer poucas vergonhas, isto assim não dá com nada, pá, e tendem a ficar com elas por tempo indeterminado, como os contratos de trabalho, raio de mania.
E outras pessoas gostam de outras coisas, o que é que se pode fazer, isto agora é tudo uma cambada, toda a gente faz o que quer e o que lhe apetece, uma rebaldaria.
E há também aqueles que estão disponíveis e não são gay, mas que têm demasiados defeitos, ora são gordos, magrinhos, bexigosos, sebosos, com óculos, com dentes tortos, com pernas escanzeladas, com mazelas cerebrais, um defeito qualquer terão, ou não estariam sozinhas.
Pois sim, grande moral para falar.
É que dá tanto trabalho andar à procura, bolas...
O que dava jeito é que um príncipe encantado, montado num cavalo branco, surgisse à porta de casa, disponível como uma cabine telefónica vaga, disposto a tudo o mais alguma coisa pelo amor do queixoso.
O pior é que esses príncipes que aparecem de livre e espontânea vontade normalmente são uns gandins do pior, o cavalo é mais um burro ou uma mula velha, e as disposições, de espírito ou de estado civil, não são assim tão lineares.
Andar na rua, apontar o dedo a um senhor de feições engraçadas e ele milagre!, até está na mesma onda, era bom, era de sonho, mas sem ter trabalho, sem fussar, encontra-se?
A ser assim, a teoria até é verdadeira. Porque aliado ao queixume, a inércia que é a madre de todos os vícios, também fomenta teorias mirabolantes.
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Posição Doutrinária
terça-feira, 15 de junho de 2010
Vuvuzela II
Pergunto eu, que nada percebo de futebol, se os jogadores ouvirão alguma coisa enquanto decorre o jogo...
Como é que se conseguem ouvir entre si?
Como é que ouvem o treinador?
Ninguém pensou nisto quando se estabeleceu a organização do Campeonato?
Como é que ninguém se livra daquelas cornetas ridículas?
Como é que se conseguem ouvir entre si?
Como é que ouvem o treinador?
Ninguém pensou nisto quando se estabeleceu a organização do Campeonato?
Como é que ninguém se livra daquelas cornetas ridículas?
O Lobisomem
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Dobrou a Esquina, Deixou de a Ver
Um dia, viu-a na rua. Tinha no olhar o peso do mundo e o fardo do desassossego nos ombros. Caminhava de cabeça baixa, olhando as pedras da calçada, como se lhe pudessem dar uma qualquer resposta para as perguntas que nem sabia formular. Ia pela rua, arrastando o passo para um sítio qualquer, sem um rumo que não fosse dar ao inevitável abismo.
Oh, sabia reconhecer os sinais. Sabia de onde vinha, para onde ia; só não sabia como sair dali. Mas sabia reconhecer os sintomas. Até bem demais.
Quis falar-lhe. Correr atrás dela, para a abraçar, para lhe dizer que tudo passaria, para lhe contar as mentiras costumeiras das pessoas que nada sabem mas que tudo pensam saber. Quis ir ter com ela, puxar-lhe por um braço, ver-lhe as lágrimas, ver-lhe o negro da alma. Quis dizer-lhe coisas que a tirassem do vazio, que a puxassem de volta à realidade.
Mas não o fez.
Quis ir ter com ela, quis ouvi-la, perceber o que havia lá dentro. Quis agredi-la, quis aconchegá-la.
Mas deixou-a ir.
E ia dizer-lhe o quê?
Que sabia o que era, como era e o que se seguia? Grande consolo.
Que aquela era uma oportunidade única para criar defesas e aprender? Porque é que me estás a dizer uma coisa dessas??
Que nunca mais iria recuperar das feridas, mas que elas podiam servir de memorial para não mais repetir? Quem é que tu pensas que és?
Que um dia havia de acordar do pesadelo e perceber que aquilo a tinha moldado? Ora, porque não vais ver se chove?
Não, não lhe podia dizer nada. Não lhe podia dizer que viriam mais homens que lhe fariam o mesmo; não lhe podia dizer que não podia ter tanta esperança e expectativa nas pessoas porque mais tarde ou mais cedo, toda a gente a ia magoar; não podia dizer-lhe que este era um caminho que teria que fazer sozinha, para fora do abismo, para fora do desespero, para fora da escuridão, e ninguém a não ser ela a poderia ajudar, tinha que ser feito, e tinha que ser ela; não lhe podia dizer que depois desta, outras viriam, inevitáveis como o fim, e que ela teria de estar preparada quando chegasse a altura.
Não, não lhe podia dizer. Seria como uma declaração de inimizade. Seria visto como um ataque, como um pisar de dedos a quem está suspenso apenas pelas mãos à beira do precipício. Seria visto como um repetir de coisas que provavelmente ela já saberia, e isso é coisa que não se faz.Os amigos passam a mão pelo pêlo uns dos outros, balbuciando mentiras doces, à espera que passe, esperando sempre que nada corresse mal. Não, não lhe podia dizer nada.
E dizer o quê, palavras negras?, verdades destrutivas?, verbos desprovidos de sentido? Para quê falar se o que está para ser dito é o que mais se teme, é o que mais dói, é o que mais destrói? Para quê, se o que está para ser dito ainda faria mais estragos que coisas boas? Para quê, ir pôr mais uma acha na fogueira, se, sozinha, ela já se queimava?
E quem diz que tem que ser assim? Quem diz que terá de ser, inevitável e cegamente, assim? Quem diz que tem de ser um caminho feito de desconfiança, e traição, e dor, e insónia, e angústia? Quem diz que não há, afinal, bondade na humanidade, e que no fim, todos acabam por fazer qualquer coisa de bom que permita o perdão e a felicidade?
Quem diz que essa não era só a interpretação que foi dada e esculpida por uma existência que em nada se assemelha à vivência dos outros?
Quem lhe diria que estava certa e os amigos das mentiras doces estariam errados? Quem garante que assim seja?
E continuou, parada no passeio, a vê-la afastar-se, ombros curvados, uma nuvem invisível por cima da cabeça. E não lhe disse nada, deixou-a ir.
E pensou, ao retomar o seu caminho, se fez o que estava certo ou apenas o que deveria ser feito. Pensou se, afinal, não valeria a pena ter corrido atras dela, só para dizer, olha, estou aqui, já passei pelo mesmo, dar-te-ei a mão enquanto caminhares no escuro, depois disso também, nada posso fazer, mas estarei de mãos dadas contigo até que queiras voltar desse reino distorcido.
Mas deixou-a ir. Deixou-a ir, sabendo que tinha duas mãos, e que pelo menos uma delas poderia ter segurado a dela.
E teve vontade de chorar com ela, e de lhe limpar as lágrimas, de lhe bater e de lhe gritar, de simplesmente nada dizer. Só estar ali.
Até podia ser que ela chegasse a um conclusão diferente da sua, que conseguisse ainda ter esperança, que conseguisse ainda acreditar, depois da tempestade, que existiria sempre bonança. Até podia ser...
Mas não. Deixou-a ir.
Deixou-a ir, perder-se na escuridão, quem sabe se para algum dia voltar.
Deixou-a ir, sem lhe garantir que há volta, só que como pessoa diferente, quem sabe.
Deixou-a, sem lhe poder dar a mão.
Dobrou a esquina, deixou de a ver.
domingo, 13 de junho de 2010
Vuvuzela
Anda um c*r*lho rua acima, rua abaixo com uma vuvuzela nos beiços, a fazer uma barulheira infernal.
De quem foi a infeliz ideia de inventar aquela coisinha estúpida?!
De quem foi a infeliz ideia de inventar aquela coisinha estúpida?!
Santo António
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Session
Não é, de todo, das minhas bandas preferidas; ouvia-se mais há uns anos, em que tudo o que era puto muita-mau-e-com-a-mania-que-é-estiloso era fã de Linkin Park.
Mas esta música é boa, muito boa mesmo.
Deve ser porque não há vozes manhosas a chatear.
Perdoe-se, novamente, a fraca qualidade do video, mas o YouCoisoTube andas pelas ruas da amargura.
Tipicidade
Já perdi a conta aos nomes que ele me chama, sem nunca acertar no verdadeiro.
Ele é Ana, Alexandra, Renata, Sara, Adriana, Liliana, tudo e mais alguma coisa, mas o verdadeiro é que nunca sai à primeira.
Às vezes, grita lá do outro lado da sala "Ò..." e depois faz-se um silêncio sepulcral; o que se quase ouve é o cérebro do homem a trabalhar furiosamente a tentar-se lembrar do nome pelo qual quer chamar. Até me surpreende que ele não diga simplesmente: "Estagiária, venha cá!".Era muito mais fácil e limpo, sem chatices ou momentos embaraçosos.
O único momento em que parece lembrar-se da minha nomenclatura é quando chega o tempo de me dar na cabeça; aí quase nunca falha. Mas mesmo assim, nem sempre se lembra da personalidade jurídica inerente à minha pessoa, e sai simplesmente: "Ó Dra., venha cá!".
Já pensei em escrever uma lista com todos os nomes ou expressões que ele associa à minha pessoa e só ir ao pé dele quando for chamada pelos nomes que lá constam.
Assim à laia de princípio da tipicidade.
Não deixava de ser engraçado...
Ele é Ana, Alexandra, Renata, Sara, Adriana, Liliana, tudo e mais alguma coisa, mas o verdadeiro é que nunca sai à primeira.
Às vezes, grita lá do outro lado da sala "Ò..." e depois faz-se um silêncio sepulcral; o que se quase ouve é o cérebro do homem a trabalhar furiosamente a tentar-se lembrar do nome pelo qual quer chamar. Até me surpreende que ele não diga simplesmente: "Estagiária, venha cá!".Era muito mais fácil e limpo, sem chatices ou momentos embaraçosos.
O único momento em que parece lembrar-se da minha nomenclatura é quando chega o tempo de me dar na cabeça; aí quase nunca falha. Mas mesmo assim, nem sempre se lembra da personalidade jurídica inerente à minha pessoa, e sai simplesmente: "Ó Dra., venha cá!".
Já pensei em escrever uma lista com todos os nomes ou expressões que ele associa à minha pessoa e só ir ao pé dele quando for chamada pelos nomes que lá constam.
Assim à laia de princípio da tipicidade.
Não deixava de ser engraçado...
The Hurt Locker
quinta-feira, 10 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Do Patrão Fora
Silêncio tão grande que fere os ouvidos.
Não há ninguém com quem trocar uma queixinha, bem ao estilo lusitano, ai que preguiça que tenho, ai que não me apetece trabalhar.
Ninguém.
Dou por mim a pensar que se pegasse nos meus pertences e saísse pela janela ninguém ia dar conta. E não davam mesmo, porque a ideia é brilhante.
O mal do português em geral é que, assim que vislumbra uma aberta, um feriado, nem que seja uma ou duas horas sem ter que mexer uma palha, não faz mais nada a não ser esperar pelo tempo de descanso.
E eu sou tão portuguesa...
Não há ninguém com quem trocar uma queixinha, bem ao estilo lusitano, ai que preguiça que tenho, ai que não me apetece trabalhar.
Ninguém.
Dou por mim a pensar que se pegasse nos meus pertences e saísse pela janela ninguém ia dar conta. E não davam mesmo, porque a ideia é brilhante.
O mal do português em geral é que, assim que vislumbra uma aberta, um feriado, nem que seja uma ou duas horas sem ter que mexer uma palha, não faz mais nada a não ser esperar pelo tempo de descanso.
E eu sou tão portuguesa...
Li Isto e Gostei Moderadamente, Vá

Não que me surpreenda nada as andanças judiciais darem tanta asneira que venham a ser espelhadas num livro, mas isto até está engraçadinho.
Um monte de histórias mirabolantes, coisas que parecem inventadas e não tiradas da realidade.
Há uns tempos atrás, ainda me indignaria, me insurgiria contra a infâmia que é ter um Estado de Direito cuja justiça não funciona, que deixa à mercê da arbitrariedade e da inércia a vida dos cidadãos, que a justiça e o acesso à mesma é um direito fundamental, protegido pela Constituição, não pode ser, isto assim não é país nenhum, é uma selva, onde é que isto já se viu, meu deus que desgraça, que pouca vergonha, e o povo, pah?
Pois sim.
Hoje já não me faz tanta espécie. Não é questão de ser insensível ou indiferente, é que esta é a realidade; fora as coisas que não se sabem mas que acontecem na mesma.
Isto é a vida, o pão nosso de cada dia, a espuma dos dias, de um qualquer profissional do foro.
Quem admitir o contrário, engana-se a si mesmo.
Ah e tal, mas isto tem que ser mudado, isto assim não pode ser.
Exacto.
Então vai lá tu mudar os interesses instalados e a falta de vontade do tuga em trabalhar, que eu vou ali e já volto.
A existência é ...
Sei lá o que é.
Uma coisa qualquer que obriga a respirar e andar pela terra em busca de ocupação. E por ocupação não se leia missão, felicidade ou qualquer outra forma de completar o ser. Ocupação que dê retribuição com a qual se compra comida.
Quem anda por aí a falar em buscar a felicidade é porque é capitalista e não precisa de trabalhar para comer.
É isto a existência: trabalho duro, desde o berço até à cova, e pelo meio, nada.
Sic.
Sei lá o que é.
Uma coisa qualquer que obriga a respirar e andar pela terra em busca de ocupação. E por ocupação não se leia missão, felicidade ou qualquer outra forma de completar o ser. Ocupação que dê retribuição com a qual se compra comida.
Quem anda por aí a falar em buscar a felicidade é porque é capitalista e não precisa de trabalhar para comer.
É isto a existência: trabalho duro, desde o berço até à cova, e pelo meio, nada.
Sic.
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Lado Contrário do Espelho
terça-feira, 8 de junho de 2010
Espuma dos Dias
Há dias, costuma dizer-se, em que mais vale não sair da cama, porque tudo vai inevitavelmente correr de mal a pior.
Por estas bandas, tem-se a teoria de que, quando se começa logo de manhã a conduzir mal, nem vale a pena pegar num carro durante qualquer momento subsequente, porque, de certeza, inevitavelmente, vai dar asneira da grossa.
Hoje descobri que não consigo conduzir de saltos altos. Não é como se não suspeitasse ou algo do género; quando os sapatos são largos de mais, tinha que levar umas chanatas quaisquer para conseguir guiar em condições.
Possuía, no entanto, umas tamancas que estavam razoavelmente apertadinhas, confortáveis de modo a usar três pedais de forma mais ou menos segura.
Qual quê!
Juntam-se vários factores perigosos e tudo acontece rapidamente.
Sapatos que até ali foram amigos fiéis prendem a merda do salto no tapete e fazem falhar o momento mágico do ponto de embraiagem; calçada molhada da merda da chuva que teima em cair às portas do verão; pneus chiam como ratos a serem pisados e toca de derrapar; falha outra vez do pedal, desta vez do travão, que ficou preso no tapete, no salto, claro;carro resolve armar-se em esperto e resolve dar uma fugidinha de traseira; tudo isto temperado com uma barulheira de motor como se estivesse a guiar um monta-cargas; inclinação do piso:10%.
Obviamente, tudo de mãos dadas com a estupidez e a falta de jeito inata para a coisa.
Pára tudo a olhar. Não têm o que fazer, cambada de putas?
Ah, e isto ainda é mais giro quando acontece duas vezes.
Moral da história: daqui para a frente, andar sempre de tamancas que permitam conduzir, como as velhas e aquelas tias de Cascais que não podem lascar o verniz das unhas dos pés.
Andar sempre com uns sapatos que permitam não falhar o pedal mais importante.
Ter tino e presença de espírito suficientes para saber ir de autocarro quando, logo de manhã, se deixa ir o carro abaixo porque...
adivinhem lá...
O salto prendeu no tapete, exactamente
Por estas bandas, tem-se a teoria de que, quando se começa logo de manhã a conduzir mal, nem vale a pena pegar num carro durante qualquer momento subsequente, porque, de certeza, inevitavelmente, vai dar asneira da grossa.
Hoje descobri que não consigo conduzir de saltos altos. Não é como se não suspeitasse ou algo do género; quando os sapatos são largos de mais, tinha que levar umas chanatas quaisquer para conseguir guiar em condições.
Possuía, no entanto, umas tamancas que estavam razoavelmente apertadinhas, confortáveis de modo a usar três pedais de forma mais ou menos segura.
Qual quê!
Juntam-se vários factores perigosos e tudo acontece rapidamente.
Sapatos que até ali foram amigos fiéis prendem a merda do salto no tapete e fazem falhar o momento mágico do ponto de embraiagem; calçada molhada da merda da chuva que teima em cair às portas do verão; pneus chiam como ratos a serem pisados e toca de derrapar; falha outra vez do pedal, desta vez do travão, que ficou preso no tapete, no salto, claro;carro resolve armar-se em esperto e resolve dar uma fugidinha de traseira; tudo isto temperado com uma barulheira de motor como se estivesse a guiar um monta-cargas; inclinação do piso:10%.
Obviamente, tudo de mãos dadas com a estupidez e a falta de jeito inata para a coisa.
Pára tudo a olhar. Não têm o que fazer, cambada de putas?
Ah, e isto ainda é mais giro quando acontece duas vezes.
Moral da história: daqui para a frente, andar sempre de tamancas que permitam conduzir, como as velhas e aquelas tias de Cascais que não podem lascar o verniz das unhas dos pés.
Andar sempre com uns sapatos que permitam não falhar o pedal mais importante.
Ter tino e presença de espírito suficientes para saber ir de autocarro quando, logo de manhã, se deixa ir o carro abaixo porque...
adivinhem lá...
O salto prendeu no tapete, exactamente
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Posição Doutrinária
Das Pequenas Coisas
Com uma tendência subtil para a tragédia, havia pavor de voltar ao local da labuta por o protector dos desfavorecidos jurídicos ter ido de férias, e agora seria o temível Sabichão da Horta a ter a tutela da inimputável.
Com todas as desvantagens que isso traria, incluindo passar por asna a toda a hora. Principalmente, passar por asna a toda a hora.
Vem ele, e com umas míseras palavras, deita por terra a minha teoria de patronos enfurecidos e estagiárias a voarem pela janela , sem hipótese de sobrevivência.
Lembra-te do H.F.
Obrigado por me lembrares.
Devo-te a minha sanidade.
Com todas as desvantagens que isso traria, incluindo passar por asna a toda a hora. Principalmente, passar por asna a toda a hora.
Vem ele, e com umas míseras palavras, deita por terra a minha teoria de patronos enfurecidos e estagiárias a voarem pela janela , sem hipótese de sobrevivência.
Lembra-te do H.F.
Obrigado por me lembrares.
Devo-te a minha sanidade.
O Sexo e a Cidade 2

Não se pode pedir grande coisa destes filmes, já se sabe, mas mesmo assim, vale a pena fazer um comentário.
A história é ao estilo da série; dilemas e dramas femininos, mais a roupa e os sapatos e as paisagens estonteantes, etc.
Resume-se a, então vá, se no primeiro filme fizeste fita para casar comigo e até quiseste fugir no dia do casamento, agora eu vou de férias para Abu Dhabi, encontro o meu ex, e tomaaa!! prego-lhe um beijo! Que te parece, estamos quites, não?
Basicamente, é isto.
E depois há as cenas de chorar a rir, principalmente em tudo o que meta a Samantha ao barulho.
Levezinho.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Teoria da Novela
Ver novelas, para além de um passatempo para quem não tem mais nada que fazer, é deveras interessante.
Pode o enredo ser uma história mórbida, de gente execrável, cheio de bandidos e corruptos, ou então com tragédias e desgraças afins que, no fim, mesmo, mesmo no episódio final, arranja-se sempre maneira de pôr toda a gente a casar e a ter bebés.
Não interessa qual o início da história, não interessa se a novela em questão queria dar um aspecto diferente ao que se tem feito; no final, estão todos os personagens condenados a serem felizes para sempre.
O pior é que o felizes para sempre daqueles que escrevem novelas implica necessária e fatidicamente o casar e ter bebés.
O casar ou ficar junto ainda é como o outro, mas porque raio é que a isso vem logo acoplado os rebentos de cabelinho de rato?
Já não pode uma pessoa sentar-se no sofá, a pensar que é desta que se vê uma boa desgraça em que tudo morre no fim, e os que não morrem, vão todos presos ou acabam paralíticos, que se leva automaticamente com o final típico das mentes judaico-cristãs.
Bolas, não se faz!
Pode o enredo ser uma história mórbida, de gente execrável, cheio de bandidos e corruptos, ou então com tragédias e desgraças afins que, no fim, mesmo, mesmo no episódio final, arranja-se sempre maneira de pôr toda a gente a casar e a ter bebés.
Não interessa qual o início da história, não interessa se a novela em questão queria dar um aspecto diferente ao que se tem feito; no final, estão todos os personagens condenados a serem felizes para sempre.
O pior é que o felizes para sempre daqueles que escrevem novelas implica necessária e fatidicamente o casar e ter bebés.
O casar ou ficar junto ainda é como o outro, mas porque raio é que a isso vem logo acoplado os rebentos de cabelinho de rato?
Já não pode uma pessoa sentar-se no sofá, a pensar que é desta que se vê uma boa desgraça em que tudo morre no fim, e os que não morrem, vão todos presos ou acabam paralíticos, que se leva automaticamente com o final típico das mentes judaico-cristãs.
Bolas, não se faz!
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Posição Doutrinária
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Do Regresso do Filho Pródigo à Casa da Mater
Pensando Melhor...
Summer Wine
Encontrei isto já nem sei bem como.
Sei que este gajo tem a mania que é o Johnny Depp, com aquele ar de rebelde meio ébrio e a fingir que se está a cagar e tal.
Mas é giro, por isso perdoa-se.
A música nem está muito mal; só não se sabe é porque é que a moça foi lá parar... Ela não era actriz? Agora também canta? Enfim...
Perdoai as legendas esquisitas no video, mas houve alguém que achou por bem desactivar a incorporação do original no YouCoisoTube, e agora não há nada para ninguém.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Da Falta de Peso
Isto é ridículo.
Quer dizer, empurrar os feriados para os fins-de-semana, até nem está mal visto; fica-se com uns valentes amontoados de mini-férias de 3 dias que serão, com toda a certeza, muito bem vindos e muito bem aproveitados. Até pode ser que, de facto, sejam um apelo e um incentivo à produtividade, e que dessa forma, até poupemos mais do que 1% do PIB.
Resta apenas esperar que o português comum não veja a coisa como boa!, uma semana só de quatro dias, baza mas é engonhar o trabalho todo porque já só me apetece é pensar no que vou fazer com três dias inteiros por minha conta. Não sei porquê, mas acho que isto não passou pela cabeça de quem teve esta ideia...
Mas enfim, já há anos que nisto se fala; só falta mesmo a típica frase do lá fora também se faz, deviamos fazer também.Digo eu que se os lá de fora se atirassem a um poço, os de cá de dentro faziam o mesmo...
Porém, que sentido faz extinguir feriados como IMPLANTAÇãO DA REPÚBLICA ou Restauração da Independência, quando se deixam feriados como Assunção de Nossa Senhora ou Imaculada Conceição?
Desculpem lá, mas alguém anda a fumar daquilo que dá para rir e depois vem parir estas ideias peregrinas!
Então num Estado Republicano vão extinguir o feriado da Implantação? Não podem estar bons da cabeça! É assim que mostram o respeito pelo país que têm, pelos valores que nos foram incutidos, pelos princípios que baseiam a Constituição?
Extinguem feriados históricos, sem sequer tocar nos religiosos - não temos que voltar a falar na Laicidade do Estado, pois não, meus amigos?! - e ainda criam um feriado do Dia da Família?
O que é que Dia da Família quer dizer exactamente?
Comemora-se o quê, a base da sociedade, é?
Ah, estou a ver... É muito mau ter que ir trabalhar ao dia 26 de Dezembro quando se andou dois ou três dias a enfardar peru e a sentar o rabo à lareira, não é? Compreendo.
Ora, ora, não têm vergonha?
Bem se sabe que é preciso, de uma forma ou de outra, combater a falta de vontade do português em trabalhar, para aumentar a produtividade, para ver se se leva este país mais para a frente, mas a ter ideias destas, desculpem lá, mas dediquem-se à pesca.
Quer dizer, empurrar os feriados para os fins-de-semana, até nem está mal visto; fica-se com uns valentes amontoados de mini-férias de 3 dias que serão, com toda a certeza, muito bem vindos e muito bem aproveitados. Até pode ser que, de facto, sejam um apelo e um incentivo à produtividade, e que dessa forma, até poupemos mais do que 1% do PIB.
Resta apenas esperar que o português comum não veja a coisa como boa!, uma semana só de quatro dias, baza mas é engonhar o trabalho todo porque já só me apetece é pensar no que vou fazer com três dias inteiros por minha conta. Não sei porquê, mas acho que isto não passou pela cabeça de quem teve esta ideia...
Mas enfim, já há anos que nisto se fala; só falta mesmo a típica frase do lá fora também se faz, deviamos fazer também.Digo eu que se os lá de fora se atirassem a um poço, os de cá de dentro faziam o mesmo...
Porém, que sentido faz extinguir feriados como IMPLANTAÇãO DA REPÚBLICA ou Restauração da Independência, quando se deixam feriados como Assunção de Nossa Senhora ou Imaculada Conceição?
Desculpem lá, mas alguém anda a fumar daquilo que dá para rir e depois vem parir estas ideias peregrinas!
Então num Estado Republicano vão extinguir o feriado da Implantação? Não podem estar bons da cabeça! É assim que mostram o respeito pelo país que têm, pelos valores que nos foram incutidos, pelos princípios que baseiam a Constituição?
Extinguem feriados históricos, sem sequer tocar nos religiosos - não temos que voltar a falar na Laicidade do Estado, pois não, meus amigos?! - e ainda criam um feriado do Dia da Família?
O que é que Dia da Família quer dizer exactamente?
Comemora-se o quê, a base da sociedade, é?
Ah, estou a ver... É muito mau ter que ir trabalhar ao dia 26 de Dezembro quando se andou dois ou três dias a enfardar peru e a sentar o rabo à lareira, não é? Compreendo.
Ora, ora, não têm vergonha?
Bem se sabe que é preciso, de uma forma ou de outra, combater a falta de vontade do português em trabalhar, para aumentar a produtividade, para ver se se leva este país mais para a frente, mas a ter ideias destas, desculpem lá, mas dediquem-se à pesca.
Festival Eurovisão da Canção 2010
Com tanta emoção por causa do RIR, quase que me ia esquecendo do festival da Canção.
Sobre a música portuguesa, nem vale a pena tecer qualquer tipo de comentário.
A vencedora deste ano, com uma vitória esmagadora.
Por mim, teria ganho esta:
Ou a Grécia, mas parece que é muito azeiteiro...
Sobre a música portuguesa, nem vale a pena tecer qualquer tipo de comentário.
A vencedora deste ano, com uma vitória esmagadora.
Por mim, teria ganho esta:
Ou a Grécia, mas parece que é muito azeiteiro...
terça-feira, 1 de junho de 2010
Do Habitual
Incrível como as gentes estúpidas que na terra caminham nunca arranjam maneira de cair num buraco e morrer.
Nem precisavam de cair no dito buraco, bastava morrerem. Ou irem para longe, bem longe.
Pior que esta estupidez ambulante é a estupidez dos outros que aturam semelhantes façanhas.
Aturam, deixam passar, zangam-se mas depois ficam todos amigos outra vez, fingem que não ouvem, fecham os olhos, aparam os golpes e toda a espécie de expressão ou palavra que defina levar com o que não se gosta na tromba e calar.
Talvez a culpa não seja tanto dos que se recusam a morrer, mas dos outros, dos que aturam, e por isso é que a humanidade caminha por onde se vê.
As coisas que se pensam quando não há mais nada que fazer...
Nem precisavam de cair no dito buraco, bastava morrerem. Ou irem para longe, bem longe.
Pior que esta estupidez ambulante é a estupidez dos outros que aturam semelhantes façanhas.
Aturam, deixam passar, zangam-se mas depois ficam todos amigos outra vez, fingem que não ouvem, fecham os olhos, aparam os golpes e toda a espécie de expressão ou palavra que defina levar com o que não se gosta na tromba e calar.
Talvez a culpa não seja tanto dos que se recusam a morrer, mas dos outros, dos que aturam, e por isso é que a humanidade caminha por onde se vê.
As coisas que se pensam quando não há mais nada que fazer...
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Posição Doutrinária
Pergunta do Dia
Porque pagam as pessoas 58€ para assistirem a concertos variados se, uma vez lá, só estão bem aos coices, vulgo moche, em vez de curtirem a música? (e não venham para cá dizer que moche é curtir!)
Porque são, obviamente, inimputáveis.
Se não são, colocam-se voluntariamente nesse estado.
Porque são, obviamente, inimputáveis.
Se não são, colocam-se voluntariamente nesse estado.
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Quesitos da Base Instrutória
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