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quinta-feira, 1 de abril de 2021

Quem Me Dera Que Fosse Mentira

 Há muitos e variados problemas que o patronato tem com os seus assalariados.

Um deles deriva do tempo de descanso que essas almas teimam em ter. Principalmente quando deriva do proprio patronato habitualmente dar tempo extra de descanso, e aqui estou unicamente a referir-se à quinta-feira santa, dia em que, nesta casa, nunca se trabalhou da parte da tarde, dia em que inclusivamente foi dado por inteiro em anos anteriores, dia em que tradicionalmente anda tudo à balda.

Como este ano não se falou no assunto, mas as pessoas precisam de governar as suas vidas e de saber, com um pouco mais que uma hora de antecedência que têm dias ou tardes livres, até porque, que merda, as escolas teimam em fechar a partir das 14h e os miúdos não podem ficar à sua sorte por aí, houve necessidade, por isso, de perguntar.

O escândalo.

O horror.

A tragédia.

O desplante desta ralé.

Proletários de merda. Ainda por cima, pobres.

Como se atrevem a mendigar?


E assim fica um ambiente estranho e pesado, com muitos olhares assassinos à mistura, com comunicados em surdina às mais altas patentes, para prevenir um motim dos subalternos e mantê-los na ordem, que esta gente só aprende com um chicote na mão.

No fim, a culpa ainda é toda nossa, que somos uns preguiçosos que não queremos trabalhar. Temos que suportar as bocas ordinárias e as reprimendas, porque nos atrevemos a exigir regalias. Ainda temos que ouvir que não temos contratos de trabalho, somos prestadores de serviços e direitos são coisas que não nos assistem. Ainda temos que suportar policiamento extra, do trabalho e da assiduidade, porque os corredores são agora patrulhados por um velho de merda, a quem só falta ter uma chibata na mão para aplicar corretivos nos escravos.

Não há melhoras.

Nenhumas. 

sexta-feira, 26 de março de 2021

Meanwhile In Érgástulo - Parte Vigésima Quarta

Breve pausa para se tomar conhecimento que tenho um patronato que considera que os Médicos pela Verdade foram vítimas do sistema ditatorial em que vivemos, que pune as pessoas por delito de opinião, já que essas pobres criaturas apenas de limitaram a discordar dos especialistas que fazem as regras pelas quais ultimamente, por força das circunstâncias, temos que nos reger.

Breve pausa silenciosa para se interiorizar o supra exposto.



Breve pausa para contemplar o facto de ter sido a este lugar que a minha pessoa veio parar. 

terça-feira, 9 de julho de 2019

Meanwhile in Ergástulo - Parte Vigésima Segunda

Neste antro do senhor onde exerço a digna profissão de patrocínio forense de capitalistas e outros pobres de espírito que tais, existe, como em muitos estabelecimentos da estirpe, a regra oficiosa que à sexta-feira o traje pode ser mais descontraído, desconsiderando, apenas por um dia, a vestimenta fato-e-gravata e outros formalismos parecidos.

Ora, toda a santa sexta é vê-los com os bracinhos de fora das camisas, com calças de ganga, com blazers coloridos, com sapatos de atacadores.
Toda a gente respeita muitíssimo este costume e apenas o quebram quando sucede terem diligências judiciais ou reuniões com clientes novos porque, com os antigos, está-se tudo positivamente a cagar e vão como estão e mai nada.

Perguntando o moço estagiário ao seu ilustre patrono se poderia também aderir a esta onda descontraída que às sextas-feiras bate nas cabeças destas nabiças, foi-lhe respondido, categórica e terminantemente, que não, não senhor, não podia. Que essa regra só se aplicava aos advogados.  Que ele tinha de manter a postura. Que poderia aparecer aqui um cliente de repente e sem aviso e que ele não poderia estar descomposto. E que, portanto, tirasse daí o sentido, que só os crescidos é que podem brincar.


Escusado será dizer que achei isto a cúmulo da pouca vergonha.

Quer dizer, todas as sextas-feiras desta vida sou obrigada a levar com o mau gosto desta gente, que não sabe fazer combinações de absolutamente peça de roupa NENHUMA que não seja uma camisa às riscas com uma gravata às pintas, que veste SEMPRE as mesmas calças de ganga, que não sabe que um blazer cor de cagalhão NÃO FICA BEM COM NADA, mas não posso levar com um puto vestido sem gravata porque, deus nos livre, parece mal.

Todas as benditas sextas-feiras sou forçada a ter que levar pelos olhos dentro com os pelinhos do peito destes gajos porque têm as camisas abertas até ao umbigo e a ter de suportar os pelinhos dos bracinhos a apanhar sol, mesmo que não vejam sol desde 1974, mas, cruzes credo!, não posso ver o miúdo nos mesmos propósitos porque é preciso ter postura.

Todas as sextas-feiras sou coagida a passar por esta gente, que se trata entre si como se fossem duques de qualquer coisa e vivessem na corte do Rei Sol, vestida como se estivessem em casa a coçar a micose e a tirar as cuecas do rêgo, mas o miúdo não pode porque cenas.

Vale a pena dizer mais alguma coisa?






Foi aqui que vim parar.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Meanwhile in Érgástulo - Parte Vigésima Primeira

Na senda do queixume infra, poderá pensar-se que sou, ao fim e ao cabo, uma ingrata da quinta casa e uma preguiçosa sem vergonha.

Isto porque sua excelência o patronato acabou, afinal, por nos dar a tarde de quinta-feira santa.


Não sem antes, como está bom de ver e daí o presente queixume, nos lixar o esquema, bem lixadinho.

Foi o povão todo almoçar, a arrastar-se e de trombas por sermos as únicas avestruzes a trabalhar naquela tarde.
Foi tudo para o café arrastar-se mais um bocado porque a vontade de trabalhar não existia e nada foi feito para a fazer regressar.

Estávamos tristemente a regressar quando nos salta o velho patrão ao caminho.

'Que estão a fazer aqui?', pergunta aquela andorinha idosa. Estamos a vender perus, Sr. Dr., como está bom de ver. 'Nós vamos fechar à tarde, ninguém vos avisou, ninguém vos disse nada?', questiona com algum espanto.

Não, estupor de velho, quem é que haveria de nos avisar que temos a tarde livre senão o próprio chefe dos macacos, não me dizes? E depois ainda põe aquela cara de fronha enrugada, como quem não tem nada a ver com o assunto.

E assim se perde, à vontade, hora e meia de mini-férias.


Ser velho é muito triste, é só o que tenho a dizer.



Foi aqui que vim parar.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Meanwhile In Ergástulo - Parte Décima Nona

Neste sítio do demo, há, nada mais, nada menos, que 4 casas-de-banho, duas a cada ponta do escritório.
Obviamente, o proletariado, para despachar a coisa e  não perder meio ano com as calças na mão e cu sentado na pia, serve-se da latrina que estiver mais próxima do seu gabinete.

A não ser que vá cagar, porque, nesse caso, vão à casa-de-banho mais longe, para não se darem à morte.

Digo eu, depois de longa observação, já que claramente parece que não tenho o que fazer.



Foi aqui que vim parar.

segunda-feira, 4 de março de 2019

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Hoje É Um Dia Que Promete

Perdi os meus cigarros, sabe-se lá onde e de que forma. Já não bastava gastar dinheiro em coisas que matam, agora também há que gastar dinheiro duas vezes, o que é óptimo.

Rasguei as calças, como dizia a minha avó, no entre-pernas. Alcei uma perna para enrolar a bainha e eis que se ouve um mini-rugido e surgem duas bocas abertas nas coxas. O que é sinónimo da pouca qualidade do tecido, não tem nada que ver com gordura localizada, como está bom de ver.

Pensando que tinha trazido um bom almoço, às quatro da tarde estou esganada de fome.

Os meus colegas andam numa competição para quem me mata do coração primeiro, com os seus passinhos de gato, chegando de mansinho e pregando-me ao chão, tamanho os sustos que tenho apanhado com estes borregos a aproximarem-se sem aviso prévio.

O meu cabelo anda tão esquisito, tão estúpido e tão merdas, voando por todos os lados, que me dói a raiz das mudanças constantes de direcção, que é a dor mais estúpida de sempre.




E só são agora quatro e meia; nem imagino o que vem por aí.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Meanwhile in Ergástulo - Parte Décima Sétima

O patronato nesta casa anda louco, como é possível concluir do estudo superficial de episódios recentes.

Hoje, aquele que manda mais chamou-me para me entregar um processo que queria que tratasse.
Um processo cheio de merda, para falar bem e depressa, com mais pontas soltas que cabelos meus ao vento, com documentos desirmanados e porcaria tanta que dava para encher uma fossa séptica.

No entanto, o sentido de humor daquela múmia que habitualmente nem existe, estava em alta.

Com um sorriso desmesurado, passou-se a pasta para a mão, dizendo:

 - Toma, desembrulha!, enquanto mandava para o ar a sua gargalhada característica.






Foi aqui que vim parar.

Meanwhile in Esgástulo - Parte Décima Sexta

Aqui há dias, estava todo o povão desta casa a almoçar na sala da copa quando entra a segunda figura do patronato.

 - O que é que estão a comer, que cheira tão bem?, grita para o ar com ar de louco demasiado bem disposto, como se tivesse acabado de empoar o nariz.

E vá de enfiar - e isto é literal, não é exagero - o nariz em cada um dos pratos, tecendo todo o tipo de comentários agradáveis sobre as iguarias em cima da mesa.

Antes de ir embora, completamente estouvado pelo próprio entusiasmo, remata: Essa comida que vocês trazem, é toda confeccionada domesticamente, não é? (Não, filho, todos os dias vamos buscar comida à fábrica, a confecção é puramente industrial.)


Voltámos, portanto, ao tempo das girafas em lingerie, ficando todos aturdidos com a bizarria que acabámos de assistir.






Foi aqui que vim parar.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Já Disse Que Odeio Janeiro?

Parece que o Natal foi há décadas, que a Passagem de Ano nem existiu e ainda vamos a meio deste mês de merda, que não tem fim, não tem cor nem propósito.


O que é que acontece em Janeiro? Normalmente só miséria e inverno.
O que é que se passa em Janeiro? Habitualmente nada que possa ter relevo.
Quando é que Janeiro acaba? Por este andar, lá para Maio.



Porra, que é demais.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Meanwhile in Ergástulo - Parte Décima Quinta - Vol. 2

Chegados a dia 21 de Dezembro, somos, sim, a única empresa/agremiação de gentes assalariadas neste prédio, nesta zona, nesta cidade, neste distrito, neste país, que não teve celebração colectiva de Natal.
Já se sabia, não causa surpresa, mas não é por isso que tem de ser aceite de bom grado.








Foi aqui que vim parar, a este cesto de fuínhas.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Meanwhile in Ergástulo - Parte Décima Quinta

Este ano, tal como no anterior, o Natal corporativo deverá ser celebrado só depois da quadra propriamente dita.
Já não devia constituir qualquer surpresa, mas, mesmo assim, é chatinho, vá.
No ano passado, celebrámos o Natal a 27 de Dezembro. Porém, no dia 13 já tínhamos o convite feito e já sabíamos o que nos aguardava.

Este ano, está de gesso. Nada nesta casa indica que se aproxima a melhor época do ano.
Nem uma única luzinha, nem uma árvore de Natal no tamanho de um apara-lápis, nem uma coroa na porta, nem gente contente, nem uma oferenda de Bolo-Rei.

Nada.
Nadinha.
Raspas e vento.


Tudo porque o patrão odeia o Natal, portanto estamos todos proibidos de mencionar a temática e de andar por aí pelos cantos a pedinchar almocinhos e coisas doces.
Por outro lado, para a semana só se trabalha dois míseros dias, oferta do patronato.



Não se pode ter tudo, não é verdade?


terça-feira, 27 de novembro de 2018

Meanwhile in Ergástulo - Parte Décima Quarta


Quando os meninos se portam mal, são castigados em conformidade.
Da primeira vez que o patrãozinho deu pela ficha da chaleira enfiada na tomada, inventou um exercício de simulação de incêndio e fez-nos descer 6 lanços de escadas a pé. Tudo para tomarmos consciência que podia haver um incêndio por causa da mania de deixar as fichas nas tomadas.
Como não foi ouvido, tomou esta medida muito madura e extremamente eficaz.


Foi aqui que vim parar.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Das Bizarrias da Profissão

Tenho para mim que coisas inéditas ou simplesmente parvas que se passam na Judicatura só se passam comigo.
É apenas uma sensação que tenho, vá, mais que não seja porque não oiço ninguém comentar que lhes sucedem factos tão estranhos no seu dia-a-dia profissional como os que às vezes sucedem à minha pessoa.

Por exemplo, na segunda-feira passada, uma qualquer secretaria de Tribunal de uma terra macaca que não vale a pena mencionar qual é, mas que fica ali para a linha chique e que em tempos já foi governada por um senhor condenado por práticas pouco lavadas no que a impostos diz respeito, contactou com a minha pessoa, inquirindo-me, directa e desavergonhadamente, se o julgamento, agendado para dali a dois dias e no qual represento o autor, sempre se iria realizar e se não quereriam já as partes chegar a acordo.

Absolutamente abismada com a questão que me estava a ser colocada, ainda balbuciei umas coisas incoerentes, tipo babuína que no fundo sou, mas arranjei forma de perguntar por que motivo estava o Tribunal a fazer esta pergunta dois dias antes do julgamento.

É que normalmente, e o meu público que é quase todo ele profissional forense não me deixará mentir, os funcionários só rondam as partes como se fossem abelhas de volta do pote do mel à procura de um acordo quando já se fez a chamada e estamos a, vá, dez minutos de entrar para a sala.

É verdade que alguns funcionários são mais chatos que outros, também é verdade que alguns juízes são mais insistentes que outros na busca do acordo.


Mas este desplante todo não é costumeiro.

Maneiras que a resposta que obtive à minha ingénua pergunta "porque é que me está a telefonar com perguntas de merda se podemos resolver isto daqui a 48 horas?" foi: "porque a sra. dra. Juiz quer que a gente pergunte".

Face a isto, não tive coragem para mandar ninguém bardamerda, como me estava grandemente a apetecer.

Ou melhor, o que deveria ter dito era que esperasse pelo dia da diligência, calona da gaita, que logo se via se havia acordo ou não.
Bem sabemos que fazer julgamentos é cansativo, há que os preparar, ler as peças, estudar, tirar notas, fazer o trabalhinho de casa, no fundo. Já para não falar das deslocações, dos Tribunais no fim do mundo, dos cafés de merda que gravitam em volta destes edifícios, que encontrar um café decente nas imediações dos Tribunais é uma tarefa difícil, mais a conversa de merda dos clientes, a conversa de merda dos colegas, a conversa de merda de toda a gente, os tempos mortos, as intermináveis esperas. Para quem, depois, ainda tem que fazer a sentença, estudar de novo, rever o que foi dito, fundamentar a sentença ainda é pior, porque o trabalho continua muito depois de ter acabado o julgamento.
Não obstante, acho que, por menos por ora, não se apontam armas às cabeças de ninguém para seguirem a carreira da magistratura e, em primeira e última análise, só segue essa vida quem quer, portanto... vá, temos pena.


Mal comparando, esta chamada supersónica é como se fosse a um qualquer supermercado e ainda antes de ter feito as compras já estar numa caixa a pagar.

Onde é que já se viu esta pouca vergonha?





quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Merda Mais a Isto

Já por diversas vezes manifestei a minha posição doutrinária quanto à existência de Joanas nas proximidades da minha pessoa.

Pelo que não pode surpreender ninguém que odeie gente com este nome, que tendem a ter uma cara correspondente ao nojo de nome que têm e, concomitantemente, uma personalidade de merda a acompanhar aquele "puta nome".

Ora bem, tendo isto presente, o que é que haveria de me acontecer?
Ter uma nova colega chamada Joana. Obviamente e como não podia deixar de ser.


A cara que tem coitadinha, deve tê-la enfiado numa batedeira industrial porque nada daquilo parece obra da natureza.
A personalidade condiz com o nome, como não?! Ainda dizem que não tenho razão...

Maneiras que tenho vindo trabalhar cheia de vontade de cometer homicídio.



A quem mais poderia isto suceder?

Traumas

Anda toda a gente tão preocupada com os putos a serem obrigados a beijar os avós (e ainda mais preocupados em difamar a criatura que se atreveu a manifestar a sua opinião num país livre e democrático, mas enfim) e ninguém fala de um flagelo muito maior.

Que é, nem mais, nem menos, a obrigação de dar beijinhos, não aos avós, que isso é básico, diria eu, mas àquelas velhas a cheirar a velório, com bigodes que picam e salivas ácidas, velhas essas que não conhecemos de lado nenhum, mas que são primas da enteada da tia-avó do merceeiro ou o raio que as parta, mas que temos obrigatoriamente de cumprimentar senão somos malcriadões e apanhamos quando chegamos a casa caso não depositemos dois ósculos naquelas fronhas encarcilhadas.

Nisso ninguém fala, porra.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Meanwhile in Ergástulo - Parte Décima Segunda

Não contentes com o facto não haver ninguém para passar a vida na rua a fazer coisas que os outros não querem fazer, arranjou-se uma estagiária para o estaminé.

Estagiária é como quem diz, uma moça que, desgraçada, está a tentar acabar o curso na faculdade e vem para aqui fazer uma perninha.

Perninha é como quem diz ajuda das grandes, que esta gente é toda barriguda (como se diz na minha terra) e não quer andar a gastar solas dos sapatos na rua a saltar de conservatória em conservatória, de serviço de finanças em serviço de finanças, de SEF em SEF ou de uma coisa qualquer quando lá pode ir a criadagem.

Desta vez, criadagem não é como quem diz, é mesmo literal, porque eu bem oiço a pobre criatura a destruir quilos de papel na sala ao lado da minha.
Ou então, não a vejo de todo e já sei que está na rua em serviço.

Portanto, foi para isto que se contratou uma estagiária, para destruir papel e andar à chapa do sol a correr de um lado para o outro a pedir mais papel nas repartições competentes.


A velha que em mim habita tem vontade de dizer, olha que coisa, também tu nos primeiros anos não fazias mais nada senão andar na rua a fazer os recados dos outros.
Ao que responde a jovem que também cá mora, e que felicidade é ver que as coisas não melhoram nem evoluem nada ao fim de quase 10 anos.

E entristece-me deveras ver a gaiata (sim, quem nasce em 1995 não tem direito a outra qualificação) a ser escravizada, enquanto nós assistimos, como os carrascos dela.



Foi aqui que vim parar.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Não será segredo para ninguém que sou uma pessoa implicante, difícil, queixosa e portadora de um delicado mau feitio.
É também sabido que tenho ódios de estimação, que cultivo com um prazer que pouco faço por esconder.
Portanto, não poderá constituir surpresa para ninguém que quando uma pobre pessoa do meu espectro de conhecimentos cai na teia da minha infantil implicância, nunca mais de lá sai.
Posto isto, apraz dizer que implico profundamente com uma colega de trabalho.
Todos os defeitos que se lembrem que uma pessoa possa ter, garanto, aquela criatura tem.
Maneiras que, estando farta dela, das merdas dela e das merdas que ela me faz até à ponta dos cabelos, resolvi começar a apontar não só as porcarias que ela se lembra de fazer, mas também os favores que me fica a dever, de todas as vezes que tenho que a safar de asneiras que aquela cabeça se lembrou de inventar.
Tenho, portanto, uma lista de favores apontada, qual capo da máfia a recolher o dízimo da protecção.




Não presto.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Meanwhile in Ergástulo - Parte Décima Segunda

Chega um raiozinho de sol e é ver os velhos desta vida a vestir camisas de manga curta, a deixar ver os seus bracinhos esquisitos, cheios de rugas e pregas, de peles descaídas e manchas de fígado, com um ou dois pêlos desirmanados a acenar em todas as direcções. Balançam-se por aí todos contentes, a achar que estão a fazer uma bela figura.

É certo que venho de um sítio onde o patronato, chegado o verão, gostava de se bambolear pela casa fora de calções e chanatas, mas isso era num sítio onde, assumida e descaradamente, as pessoas não tinham nível apesar de se acharem a cúpula da sociedade, maneiras que isto não devia causar-me espanto.

Mas causa algum, vá.



terça-feira, 26 de junho de 2018

Gasta uma pessoa uma fortuna em cestos decorativos para colocar estrategicamente na sua sala maravilhosa e vêm os putos desta vida enfiar-se dentro deles e tratá-los como se fossem carrinhos de choque.