Mostrar mensagens com a etiqueta Teorias do Homicídio Qualificado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Teorias do Homicídio Qualificado. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Hoje É Um Dia Que Promete

Perdi os meus cigarros, sabe-se lá onde e de que forma. Já não bastava gastar dinheiro em coisas que matam, agora também há que gastar dinheiro duas vezes, o que é óptimo.

Rasguei as calças, como dizia a minha avó, no entre-pernas. Alcei uma perna para enrolar a bainha e eis que se ouve um mini-rugido e surgem duas bocas abertas nas coxas. O que é sinónimo da pouca qualidade do tecido, não tem nada que ver com gordura localizada, como está bom de ver.

Pensando que tinha trazido um bom almoço, às quatro da tarde estou esganada de fome.

Os meus colegas andam numa competição para quem me mata do coração primeiro, com os seus passinhos de gato, chegando de mansinho e pregando-me ao chão, tamanho os sustos que tenho apanhado com estes borregos a aproximarem-se sem aviso prévio.

O meu cabelo anda tão esquisito, tão estúpido e tão merdas, voando por todos os lados, que me dói a raiz das mudanças constantes de direcção, que é a dor mais estúpida de sempre.




E só são agora quatro e meia; nem imagino o que vem por aí.

Fod*-Te, Desocupada Dum Raio



Lido Numa Qualquer Rede Social:



"Sinto-me indignada. Hoje a tarde andei cerca de 2h a procura de uma pastelaria mais a minha família para podermos lanchar e estava tudo bastante cheio... Mas até ai tudo bem... Boa sorte para os estabelecimentos... Mas o que me indignou foi ver que havia lá gente que vai para as pastelarias quer seja com os computadores ou fazer sopa de letras,ler o jornal da semana passada, ou apenas mecher no telemóvel e assim ocupar uma mesa de 4 pessoas toda a tarde.... Essa gente não tem família para visitar?? Não tem nada pra fazer em casa?? E antes que comecem a criticar, sim eu presenciei que muitos deles apenas tomaram um café e ali ficaram ocupando espaço e fazendo com que crianças e idosos tivessem de lanchar em pé... Mais respeito gente... Se não tem movimento tudo bem, agora qual a necessidade de estar em um estabelecimento todo dia a ocupar lugar?? É que isso acaba por prejudicar o estabelecimento porque as pessoas vêem que não tem lugar e vão embora... Pensem bem nisso..."





Portanto, já não se pode passar a tarde a borregar num qualquer café que vem logo o exército da estupidez pôr de fora as suas garras.


Já descorri longamente sobre o que penso das pessoas que se dedicam a comentar publicações na internet.

Já sei o que a casa gasta e quando tenho o azar de ler, ainda que de fugida, alguma coisa que estas ilustres mentes escrevem, não consigo deixar de me espantar.



Quem é que perde tempo com coisas destas?

Quem é que se indigna com o que não tem indignação?

Quem é que é assim tão miúdinho?



Era tão mais fácil ceder à tentação de utilizar apenas vernáculo neste texto... Mas será melhor não, que isso já eu faço todos os dias e depois torna-se demasiado repetitivo.


É mais deixar no ar as mesmas questões que esta criatura deixou: se a senhora tivesse família para visitar, certamente não tinha tempo de estar a chatear com o facto das pessoas andarem na vida delas, em cafés e esplanadas, a fazerem o que bens lhe apetece.

Poderia perguntar-se à senhora se também ela não tem nada para fazer em casa.

Ou, ainda, perguntar-lhe se não tem comida em casa e se terá efetiva necessidade de andar a gastar dinheiro em lanches na rua. Porque se é para nos estarmos a meter na vida dos outros como se fossemos donos do pedaço, aos menos que o façamos com profundidade. Coisas pela rama é que não.



Não, isso é demasiado estúpido e apenas enuncia a gigantesca perda de tempo que é discutir ou fazer ver a realidade a quem, coitado, não tem dois neurónios pensantes.


Não vale a pena gastar latim a explicar o civismo a quem não o aprendeu na escola ou em casa na tenra infância.

Não vale a pena debater com quem se acha dono de tudo e não sabe viver em comunidade.

Não vale a pena dizer o que quer que seja a gente que perde tempo a comentar idiotices sobre os comportamentos normais das outras pessoas.

Já agora, também não vale a pena perder dois míseros minutos com quem, até para expressar boçalidades, não o sabe fazer sem dar 50 erros ortográficos a cada 40 palavras.



Portanto, voltem ao título, por favor.



quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Merda Mais a Isto

Já por diversas vezes manifestei a minha posição doutrinária quanto à existência de Joanas nas proximidades da minha pessoa.

Pelo que não pode surpreender ninguém que odeie gente com este nome, que tendem a ter uma cara correspondente ao nojo de nome que têm e, concomitantemente, uma personalidade de merda a acompanhar aquele "puta nome".

Ora bem, tendo isto presente, o que é que haveria de me acontecer?
Ter uma nova colega chamada Joana. Obviamente e como não podia deixar de ser.


A cara que tem coitadinha, deve tê-la enfiado numa batedeira industrial porque nada daquilo parece obra da natureza.
A personalidade condiz com o nome, como não?! Ainda dizem que não tenho razão...

Maneiras que tenho vindo trabalhar cheia de vontade de cometer homicídio.



A quem mais poderia isto suceder?

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Not Impressed

Sabem aqueles colegas, bem, será mais aquelas colegas, advogadas, bem entendido, que falam como se estivessem na praça, sempre uma oitava acima do timbre socialmente aceitável, que parecem que os seus clientes são sempre as maiores vítimas de todos os horrores jamais perpetrados pelos arguidos, que partem do pressuposto que os advogados desses arguidos são uns criminosos iguais aos clientes que os escolheram, que têm discurso de TV Mais em fusão com CMTV, que isto dos subsídios é o que dá cabo deste país, isso e os emigrantes que vêm para cá receber o RSI, estão a ver o estilo, que só falta porem a mãozinha na cintura enquanto discursam, que são sempre as maiores das suas aldeias, com as quais é impossível chegar a acordo porque não há pinga de razoabilidade naquelas cabeças, que acham que têm uma inteligência acima da média mas que não sabem distinguir suspensão e interrupção do prazo, nem prescrição de caducidade, que têm sempre todas as doenças do mundo e mais algumas mas nunca são tão desgraçadas como os seus clientes, pobres vítimas que sofreram muito e a quem foi feito muito mal, que têm um ar de saloias novas ricas que nem a roupinha da Ferrache consegue disfarçar, sabem esta estirpe de gente que dá mau nome à Classe e que dá vergonha alheia?

Ontem, cruzei-me com uma procuradora assim.
Sem tirar nem pôr.




E é tão triste.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Meanwhile In Ergástulo - Parte Décima Primeira

Aparece-me um miúdo, com os seus 11/12 anos, à porta da minha sala e diz:

 - Olá, sou o neto do meu avô.


Uma salva de palmas para o gene da estupidez, que claramente corre no sangue desta gente e não salta geração nenhuma.

Foi aqui que vim parar.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Merda a Rodos

Acordei com uma disposição de terrorista.
O único pensamento que me dá algum alento é fantasiar que ponho uma bomba num sítio cheio de gente, mas em vez de rolamentos de ferro ou aço, a bomba estaria cheia de merda.

Não sei como se faz uma coisa dessas.
A ideia seria parecida com um balão de água, mas em vez de água, teria merda, merda a rodos. E o balão teria que ter capacidade para, no mínimo, armazenar uns 50 litros de produto. Depois haveria um dispositivo mecânico ou eléctrico que fazia rebentar o balão e as pessoas ficariam não mortas nem despedaçadas, que isso não tem jeito nenhum, mas cobertas de merda até ao ossos.

Era isso que me apetecia fazer hoje.

Alguém me poderia ensinar a fazer uma coisa destas?

terça-feira, 5 de junho de 2018

Detesto andar de táxi, muito porque odeio taxistas.
Acho que são, modo geral, uns animais a conduzir, que acham que as regras de trânsito não se aplicam às suas pessoas e que levam o couro e o cabelo por uma viagem de carro.

Mas também, é preciso dizê-lo com a maior das honestidades, e quem me conhece já o sabe, odeio conversa de merda.
Odeio.
Mesmo.
Fervorosamente.

Pensar que tenho que ir a um lado qualquer e aguentar conversa que não acrescenta nada, que não serve para nada e basicamente só serve para consumir oxigénio é coisa para me deixar mal disposta um dia inteiro. Coisas como  festas da terra, ou ir cortar o cabelo, andar de táxi ou estar na paragem do autocarro com uma velha tagarela, ou seja, todas situações que oferecem uma panóplia de conversas de merda que não me interessam ter, são suficientes para não fazer estas coisas. Tipo, tenho aqui umas certidões que preciso de ir buscar à conservatória, mas como tenho de ir de autocarro e o autocarro está cheio de velhas, não tenho ido. Não vou às festas da terra porque 1) não gosto de procissões, 2) as putas das velhas vêm sempre perguntar se não estou mais forte. Só corto o cabelo duas vezes por ano, para não ter que levar com a conversa de merda das cabeleireiras, que ora tagarelam alegremente sobre a vida dos outros ou se põem a descrever o que acontece às suas pachachas depois de terem filhos. Não ando de táxi porque não tenho paciência para conversa de gente que cheia a estofos de pele de vaca.


Ora, ontem precisei de andar de táxi. Não só porque estava meio mundo no metro por causa da greve e, por causa disso, atrasei-me, mas principalmente porque ainda tinha que andar a pé dois quilómetros à chuva. Ora, não demoro uma hora a arranjar-me de manhã para chegar ao pé das pessoas a cheirar a sovaco e com o cabelo a parecer um vendaval em movimento, portanto lá fui.

E tanta conversa de merda que ouvi, senhores. Tanta e com tanta qualidade. Devia ter gravado.

 - A menina sabe onde é que está?
 - Aaaaaaa... na rotunda do Relógio?
 - Não, não.
 - Não? 
 - Não. A menina está dentro do táxi.

Coisas como esta, estão a ver?

 - A menina sabe qual é o maior toldo do mundo?
 - Aaaaaa, não, não sei.
 - É o vestido da mulher.
 - Ah.
 - Sabe porquê?
 - Não, mas acho que o senhor me vai dizer.
 - Pois vou. Porque é o único que esconde uma leitaria, uma padaria e uma fábrica de fazer meninos.

Nesta altura, tive um avc e não me recordo bem do que se passou a seguir.

 - Então e a menina vai para onde?
 - Vou para o Hospital X.
 - Ah, está a sentir-se mal?
 - Não.
 - Vai ao médico?
 - Não.
 - Vai à pediatria?
 - Não.
 - Vai àquele médico dos bebés?
 - Não.
 - Ah... então vai trabalhar?
 - Sim.
 - Ah, vai a uma reunião com médicos, é isso? Olhe que eles atrasam-se sempre, não vale a pena ir com pressa. Também é médica, a menina?
 - Não, sou advogada.
 - AH!

Passou o resto do trajecto à procura no telemóvel de uma fotografia de um advogado que era amigo dele e que o tinha safado de uma série de coisas ao longo da vida, tanto que os últimos 900 metros do percurso foram feitos com recurso a subidas de passeios e derrube de pinos na estrada, nas barbas da polícia.

É disto que me calha.
Conversa de merda a rodos.
Conversa sem conteúdo nenhum, na qual sou obrigada a participar sem querer e sem ter coragem para atirar um calhau à cabeça do falador.

Mas porquê eu, senhores?!

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Prioridades

Aqui há dias, expressão usada por muitas avós deste país, estava eu numa qualquer fila de um qualquer supermercado, à espera de vez, quando surge uma senhora, carregada com compras, um carrinho de bebé e um puto com os seus 4 anos pela mão. Dirige-se a senhora ao operador de caixa e diz que pretende exercer o direito à prioridade. Perante o olhar incrédulo e francamente carrancudo da maior parte das pessoas da fila, lá põe a senhora as suas compras no tapete rolante. Após pagar, pega nos seus inúmeros pertences e desanda dali.

Atrás da senhora e imediatamente à minha frente, está um animal muito indignado.
Bufa por todos os lados, põe as mãos em todos os bolsos que possui, revira muito os olhos, enquanto pragueja baixinho.
Quando está a pagar as suas compras e muito depois da tal senhora ter ido embora, dirige-se ao empregado da caixa e, a alto e bom som, para toda a gente ouvir os seus rasgos de bestialidade, pergunta-lhe se acaso tivesse ele um carrinho de bebé também poderia passar à frente de toda a gente. Como se o empregado não tivesse percebido o alcance da sua mui astuta pergunta, a cavalgadura volta a repeti-la, desta feita num volume mais elevado, porque toda a gente sabe que se se falar muito alto nestas circunstâncias tem-se automaticamente razão, acrescentando é que há muita gente que acha que isto é tudo direitos, mas o que diz o boneco ali (referindo-se à placa que anuncia o atendimento prioritário) diz que são crianças ao colo, senão é tudo fácil e passamos todos à frente de toda a gente, isso assim é uma alegria.
E ainda se põe a olhar para mim, como quem diz, a menina não acha, como se fosse impossível que ninguém o apoiasse, aquele poço de sabedoria e razão.


Não, animal do caralho, a menina não acha.
O que a menina acha é que tu devias levar com uma melancia na cabeça até gritares por misericórdia ao invés de estares a dizer alarvidades e de estares indignado pelo facto das pessoas exercerem os direitos que, de facto, têm.
A menina acha que tu não tens vergonha nessa fronha de pacóvio por achares que uma pessoa com 5 quilos de compras, um carrinho de bebé com um petiz lá dentro e outro miúdo pequeno pela mão não tem de passar à tua frente, que estás bom de saúde e, a julgar pelo corpanzil bem nutrido, não tens de trabalhar 8 horas por dia e chegar ao fim do dia com energia para dizer asneiras.


É que, sabe, caro senhor com QI de 78, a menina acha que o Estado gasta demasiado dinheiro em educação para pessoas que de facto não a merecem nem a sabem aproveitar. Anos a fio na escola não lhe ensinaram que há pessoas com situações especiais que não podem ser tratadas como os demais porque é injusto, porque essas pessoas merecem um tratamento diferente porque não têm, momentaneamente ou de forma definitiva, as mesmas capacidades que os outros e, só por isso, merecem um acompanhamento especial, sob pena de termos uma sociedade autista e pessoas com carência largadas em sarjetas.
Aliás, quando o Estado estava a gastar dinheiro a dar-lhe aulas de físico-química, ciências da natureza ou história, que, no seu caso, foi um desperdício, devia era ter investido em aulas de formação cívica, em que lhe ensinavam a fazer o IRS, a portar-se convenientemente em sítios públicos, a preencher um cheque, a ser cortês e que as pessoas têm direitos.
O senhor também tem direitos, sabe, um deles é não ser agredido por expressar ideias tristes, que é maioritariamente o que o safa de levar com uma lata de atum de quilo pelas trombas abaixo.


A menina tem a ligeira sensação que o senhor é dono de uma coragem inominável porquanto não foi capaz de mandar vir com a senhora cara-a-cara, aproveitou que ela tenha virado costas para falar mal e barafustar, o que transmite a sua ideia de cidadania.
Para além de que a menina está convicta que o senhor não se atreveria a mandar vir se estivéssemos a falar de um homem, com medo de levar alguma arroxada no focinho se o interpelasse directamente.

A menina também está convicta que se a senhora em causa fosse branca não seria merecedora de metade da sua atenção, mas o racismo, juntamente com o machismo, são cancros sociais dos quais não nos livramos até que pessoas como o senhor animal passem para o outro mundo, portanto estamos mal.

A menina está convencida que este primata deve ser daquela estirpe de suíno que acha mal que se faça greve e que acha ainda pior as pessoas recebam subsídios. Pois também acho que o senhor neandertal não devia ter direito a salário ao fim do mês porque um abutre desses não deve produzir grande coisa e com essa cara de retardado devia, ele sim, ter direito a passar à frente de toda a gente por ser um quase-acéfalo.

No entanto, a culpa também é da menina que em vez de educadamente fazer ver ao senhor que estas atitudes são deploráveis e demonstradoras de uma mesquinhez social, resolveu virar a cara, morder a língua e seguir em frente, deixando-o a achar que tinha feito uma grande coisa e contribuído para o espírito cívico de algibeira que rasa por aí.

Em conclusão, a menina acha, ainda, que um elefante se devia sentar em cima dessa cabeça esférica enquanto toca bateria, mas se calhar isso já é violência a mais para uma questão tão simples.


Ou será que não?

segunda-feira, 19 de março de 2018

#NãoSejasInácio

Então e aqui a estúpida que, movida pela compaixão e pelo espírito de reciprocidade, liga a um espécie que se diz amigo, e a primeira coisa que aquela besta quadrada me pergunta é se já arranjei a casa para que ele possa lá ir ver?

Bem feita para mim, claro, que tenho a mania das segundas oportunidades.
Bem feita para mim, por me armar em Madre Teresa dos ostracizados e mal paridos.
Bem feita para mim, que não tinha mais nada para fazer e claramente não aprendi a lição.

#souestupidaegosto

terça-feira, 6 de março de 2018

Ai De Mim



Isto, meus amigos, é uma praga.

Uma praga de bimbalhice, que fede a azeite e tem nódoas de pieguice aguda.

Cada vez que é postada uma porra destas numa rede social, há um panda que se suicida algures na China.

Já fiz um post sobre isto, corria o longínquo ano de 2012.
Achei que, volvidos estes anos todos, alguma coisa teria evoluído na mente destas gentes paspalhas que proliferam por aí, mas não.
Não, não.
Não, senhor.
Continuar atrasado e bimbo é que é.

Melhor que isto são aqueles autênticos tratados em powerpoints iguais a estes que falam sobre a inveja alheia e sobre o facto de não conseguirem lidar com a felicidade dos outros.

Não, isto é demais para mim.
Vou ali atirar-me de qualquer sítio.





segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Há dias em que, por maior boa vontade que se tenha, por maior boa disposição, por maior vontade de galhofar e levar as coisas com ligeireza, não há volta a dar ao que não tem remédio possível.

Estou fadada a caminhar sozinha e sem amigos nesta casota do inferno perdida no meio da metrópole.

Hoje, perdi mais uma. Toda a gente a partir, nada fica para trás.

Enfim.
Amanhã será melhor, com certeza.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Criptográfico

Em tempos conheci e convivi com uma pessoa que era, básica e friamente, uma merda.

Tal pessoa gostava muito de dizer coisas que eram, também elas, básica e friamente, uma merda.
Tinha gosto em ofender as pessoas, em machucá-las e deixá-las abaladas. Em deixá-las na merda, resumindo. Um alegria de convivência, portanto.

Ora, tal pessoa, certa vez, proferiu uma série de impropérios acerca de uma outra pessoa.
Palavras grosseiras, maldosas, horrendas, que pretendiam ser um vaticínio, tão sábio e metapsíquico era o ogre falante.

À data, ficou tudo muito indignado, e com razão, quando foram ouvidos os impropérios, principalmente porque eram injustos e puras inverdades. Ficou sempre no ar aquela névoa de ressentimento face à desproporcionalidade da predição.

Anos passaram.
Uma sucessão de acontecimentos vieram a dar, afinal, razão ao ogre. Que, no fim das contas, tinha acertado em cheio na leitura que fez da pessoa em causa e na previsão de futuro, que veio a revelar-se muito acertada. O visado, esse, nem percebeu.





Deixando de lado o palavreado já de si muito pouco erudito, é isto que me fode, mais do que tudo o resto.
Aquele monte de merda tinha razão, previu tudo isto, acertou em cheio e agora deve estar a rir-se que nem uma hiena ébria à conta de todos.



Foda-se mais a isto, caralho.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Novo Exercício

Aparentemente, a minha vida não é sossegada o suficiente e precisa destes pequenos arranques para lhe dar cor e movimento.




Imagine-se, então, e a questão é tão simples quanto isto, que se convidam uns amigos para bebericarem café e conversar um par de horas no sossego do próprio lar. Como a conversa estava animada, tira-se uma foto da grupeta e coloca-se numa qualquer rede social.

Eis senão quando, um malcomido qualquer resolve, num verdadeiro exercício de civismo e urbanidade, questionar porque razão não foi convidado. Assim, nu e cru, e mais uma vez, tão simplesmente quanto isto. Quer saber porque não foi convidado.

Elabore-se, pois, a competente resposta, adiantando, desde já, que o recurso ao vernáculo é permitido.

Podia, em primeiro lugar, colocar-se a questão de tal inquirição não ser, na verdade, séria e ser apenas uma brincadeira parva e pouco verosímil. No entanto, tendo em conta a pessoa em causa e os discurso apresentado, dúvidas não restam de que se trata, sim, de um pergunta muito legítima e muitíssimo séria, mas que moda agora é essa de se encontrarem sem mim, mas porquê, não admito isso, mas que raio de democracia é esta, que já estou a ficar louca, louco, perdão, e coiso.

Portanto, o que sucede é que a minha pessoa não pode convidar quem quer que seja para a sua própria casa sem ter de ser sujeita a escrutínio, interrogatório e cobrança posterior.

O que sucede, afinal, é que tenho que andar a esconder que tenho gosto em receber os meus amigos na minha própria casa, sob pena de sofrer a ira de um galináceo malcriado sob o efeito de metanfetaminas com brilhantes.

O que sucede, pois, é que devo satisfações dos meus atos e não sabia e a minha casa não passa de um bordel com as portas abertas para receber quem quer lá ir e não quem é convidado.

O que sucede, portanto, é isto.




E o que dizer disto?
Esgotei as hipóteses de resposta que tinha e que incluíam
a prática de crimes de injúria e ofensa à integridade física qualificada, portanto aguardo sugestões.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

#NãoSejasInácio

O pessoal que habita no Ergástulo não é muito dado a festas.
A bem da verdade, não é NADA dado a festas, principalmente se meter patronato pelo meio. Pelo que jantar de Natal da firma, nem vê-lo.

No entanto, sendo a minha pessoa fervorosa adepta da quadra natalícia, não podia andar pela rua fora sabendo que não ia haver festejos de Natal no sítio onde se exerce a profissão (e agora pareceu mesmo que trabalho numa esquina a vender o corpo. Adiante).

Bem que se insiste com os confrades, mas não se recebe mais retorno que uns ligeiros esgares e uns sorrisinhos tolos. Primeiramente, até pensei que era por minha causa que não era boa companhia nem para as festividades natalícias. Depois lembrei-me que aqui cultivam o mau humor e que anda toda a gente permanentemente de trombas só porque sim. E quando não têm motivos para tal, logo surge alguém para lhos oferecer, pelo que nunca ninguém fica muito feliz por muito tempo.

Francamente, apeteceu-me abaná-los e mandá-los dar uma curva, enquanto fazíamos por aí um jantarinho, nem que fosse a comer sandes de panado e beber uma bejeca num tasco qualquer.


E depois lembrei-me do meu contacto, cujo nome consta do título deste miserável texto escondido entre uma punchline de origem duvidosa, que também passa a vida a insistir com toda a gente para se fazer e acontecer, para irmos e para voltarmos, para sermos e acontecermos, para sermos tudo e não sermos nada e, no fim de contas, já ninguém diz nada. Há paralelismo porque, num lado, já ninguém consegue ver isto à frente e estar mais um minuto que seja, mesmo que em ambiente diferente, rodeado do mesmo peso sobre a cabeça é um autêntico sacrilégio; no outro, já ninguém consegue ouvi-lo sequer sem querer puxar de uma arma e acabar-lhe com o sofrimento.

Moral da história: não vale a pena forçar. É deixar ir, que se resolve por si.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Doce Sabor

Não será certamente segredo para ninguém que me custou horrores sair da espelunca antiga maioritariamente por causa das pessoas que deixei para trás. Particularmente, uma pessoa, a minha companheira de desventura e infortúnio em terras da Mitra Land.

Não será, também, certamente, segredo para ninguém que recentemente trouxe para o Ergástulo essa pessoa que me fazia mais falta, mais que não seja porque o publicitei aqui.

Numa feliz coincidência, acaso do destino e golpe de sorte, houve falta de pessoal. Assim que pude, fui buscá-la, e agora somos companheiras jurídicas na Metrópole.

Porém, é preciso também esclarecer devidamente, não foi só pela bondade do meu coração que o fiz nem somente pelo gosto de trabalhar ao lado dela, enquanto profissional.

Também o fiz por satisfação pessoal.

Pela desforra.

Por vingança, vá.

Sempre achei que o que aquela gente merecia era ficar sem ninguém de um dia para o outro, esperando que quando se vissem sozinhos pudessem repensar as suas condutas.
Sempre achei que já que não queriam saber das pessoas para nada e, para eles, não éramos mais do que um peso na estrutura, um custo que era preciso eliminar, mas valia fazer-lhes logo o serviço e bater com a porta.

Sempre achei que o que eles mereciam mesmo era, vá, foderem-se à grande.

Pelo que ouço, está mesmo a acontecer, a foda é de facto grande.



Não serei directamente responsável por tal evento. Talvez indirectamente. Talvez, só.





Não conseguem ver, mas tenho um enorme ar de satisfação ao escrever estas últimas linhas.


Não presto.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Meanwhile in Érgastulo - Parte Quinta

 - Ora, ela diz que se chama Cátia, mas toda a gente sabe que o verdadeiro nome dela é Cátilene. - diz ele com um ar de desprezo e nojo pelos pobres que têm que inventar um nome que não têm para parecerem mais interessantes.

Nada a ver com ele, cruzes credo!, que não usa um apelido a fingir que é o seu nome próprio e não esconde de toda a gente que na verdade se chama Zé Manel.







Foi aqui que vim parar.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Na Senda da Senda

Quando leio ou escrevo a expressão "na senda de", lembro-me sempre da minha ilustríssima anterior entidade patronal, que odiava que escrevesse nas peças esta locução.

Dizia sempre onde é que você viu que isto se escreve ou quem é lhe disse que isto se usa ou, ainda, porque é que está a usar esta linguagem de polícia, achando que me ofendia profundamente ao comparar-me a um agente da autoridade. Mal sabendo, claro, que a polícia não usa esta expressão (para esses funciona o nomeadamente e o efectivamente, o derivado de e o das mesmas, expressões que ele próprio se fartava de usar) e que na senda de até se pode ler amiúde na jurisprudência e noutras literaturas jurídicas.

E isto vindo de uma pessoa que, a escrever peças processuais, dava erros gramaticais de meia noite e que se achava, simultaneamente, um poço da eloquência escrita e falada. Ainda tenho guardadas algumas pérolas dessa sabedoria ancestral e, qualquer dia, não tendo o que fazer, pespego com elas aqui.

Portanto, na senda do post anterior, que é, ele próprio, na senda de um outro post mais antigo, lembro-me disto e arrependo-me de todas as oportunidades que tive para o mandar abertamente para o caralho e não aproveitei.

#souestúpidaegosto

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Passei 6 horas da minha vida na Conservatória dos Registos Centrais. E tinha senha prioritária. Aliás, a maior parte das pessoas com senhas normais despacharam-se mais rapidamente que eu. Isto porque só havia um único funcionário a atender todos os profissionais forenses, cada um deles a demorar cerca de uma hora a resolver os seus assuntos. Isto, obviamente, não se admite e espero que, das duas, uma: ou resolvem isto rapidamente ou pode ser que rebente lá uma porra de uma bomba cheia de merda dentro.

Maneiras que passei muito tempo à espera, a ler, a fumar, ao telemóvel, a suspirar alto, a dar pontapés na cadeira da frente, a resmungar, a dizer palavrões e a observar as pessoas. Até assisti a uma discussão entre vários utentes e o segurança e depois entre os vários utentes e a chefe de serviço daquela espelunca.

Foi deveras divertido.
Dei por mim a desejar que andassem todos ao estalo só para a minha espera se tornar mais interessante. Agora que penso nisso, acho que desde os tempos de escola que não vejo ninguém a andar à porrada e sendo o ser humano de merda que sou, desejo muitas vezes que as altercações de chacha que todos os dias vejo por aí descambem rapidamente em cenas de pancadaria, só para me poder rir.



Não presto.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Do Estado de Estarrecimento

Apercebi-me mesmo agora que tenho andado a chamar Camelo a um funcionário de Agente de Execução que, afinal, se chama Camilo.

Já percebo o constante mau humor do homem comigo.






Foda-se...