Sim, isto vai acontecer.
Não, não tenho vergonha.
Muita, pelo menos.
Dos Incidentes, Pareceres e Vicissitudes várias. Porque "Quando a ralé se põe a pensar, está tudo perdido", lá dizia Voltaire...
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terça-feira, 27 de novembro de 2018
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
Meanwhile in Ergástulo - Parte Décima Terceira
Entretanto, chegaram-nos dois estagiários (que a que só fazia recados já foi à vida dela, como está bom de ver) e tem sido uma alegria.
São tão verdinhos, tão verdinhos que quando olho para eles até me admiro como não usam chucha.
Acabadinhos de sair da faculdade, pairam por aqui com aquele ar assustado, mas extremamente competente, de quem vem trabalhar todos os dias de fato e gravata e usa botões de punho, mas depois não sabe distinguir uma fotocopiadora duma reclamação de créditos.
Andam sempre os dois juntinhos para todo o lado (qualquer dia dá romance, estou mesmo a ver), chegam juntos, saem juntos, lancham juntos, almoçam juntos, fazem tudo juntos, sempre lado a lado.
Parecem, portanto, duas testemunhas de Jeová a passearem-se pelos corredores, espalhando a palavra do senhor.
E eu sou má, obviamente olvidando o meu ar de parva quando tinha a idade deles.
Não presto.
São tão verdinhos, tão verdinhos que quando olho para eles até me admiro como não usam chucha.
Acabadinhos de sair da faculdade, pairam por aqui com aquele ar assustado, mas extremamente competente, de quem vem trabalhar todos os dias de fato e gravata e usa botões de punho, mas depois não sabe distinguir uma fotocopiadora duma reclamação de créditos.
Andam sempre os dois juntinhos para todo o lado (qualquer dia dá romance, estou mesmo a ver), chegam juntos, saem juntos, lancham juntos, almoçam juntos, fazem tudo juntos, sempre lado a lado.
Parecem, portanto, duas testemunhas de Jeová a passearem-se pelos corredores, espalhando a palavra do senhor.
E eu sou má, obviamente olvidando o meu ar de parva quando tinha a idade deles.
Não presto.
Das Bizarrias da Profissão
Tenho para mim que coisas inéditas ou simplesmente parvas que se passam na Judicatura só se passam comigo.
É apenas uma sensação que tenho, vá, mais que não seja porque não oiço ninguém comentar que lhes sucedem factos tão estranhos no seu dia-a-dia profissional como os que às vezes sucedem à minha pessoa.
Por exemplo, na segunda-feira passada, uma qualquer secretaria de Tribunal de uma terra macaca que não vale a pena mencionar qual é, mas que fica ali para a linha chique e que em tempos já foi governada por um senhor condenado por práticas pouco lavadas no que a impostos diz respeito, contactou com a minha pessoa, inquirindo-me, directa e desavergonhadamente, se o julgamento, agendado para dali a dois dias e no qual represento o autor, sempre se iria realizar e se não quereriam já as partes chegar a acordo.
Absolutamente abismada com a questão que me estava a ser colocada, ainda balbuciei umas coisas incoerentes, tipo babuína que no fundo sou, mas arranjei forma de perguntar por que motivo estava o Tribunal a fazer esta pergunta dois dias antes do julgamento.
É que normalmente, e o meu público que é quase todo ele profissional forense não me deixará mentir, os funcionários só rondam as partes como se fossem abelhas de volta do pote do mel à procura de um acordo quando já se fez a chamada e estamos a, vá, dez minutos de entrar para a sala.
É verdade que alguns funcionários são mais chatos que outros, também é verdade que alguns juízes são mais insistentes que outros na busca do acordo.
Mas este desplante todo não é costumeiro.
Maneiras que a resposta que obtive à minha ingénua pergunta "porque é que me está a telefonar com perguntas de merda se podemos resolver isto daqui a 48 horas?" foi: "porque a sra. dra. Juiz quer que a gente pergunte".
Face a isto, não tive coragem para mandar ninguém bardamerda, como me estava grandemente a apetecer.
Ou melhor, o que deveria ter dito era que esperasse pelo dia da diligência, calona da gaita, que logo se via se havia acordo ou não.
Bem sabemos que fazer julgamentos é cansativo, há que os preparar, ler as peças, estudar, tirar notas, fazer o trabalhinho de casa, no fundo. Já para não falar das deslocações, dos Tribunais no fim do mundo, dos cafés de merda que gravitam em volta destes edifícios, que encontrar um café decente nas imediações dos Tribunais é uma tarefa difícil, mais a conversa de merda dos clientes, a conversa de merda dos colegas, a conversa de merda de toda a gente, os tempos mortos, as intermináveis esperas. Para quem, depois, ainda tem que fazer a sentença, estudar de novo, rever o que foi dito, fundamentar a sentença ainda é pior, porque o trabalho continua muito depois de ter acabado o julgamento.
Não obstante, acho que, por menos por ora, não se apontam armas às cabeças de ninguém para seguirem a carreira da magistratura e, em primeira e última análise, só segue essa vida quem quer, portanto... vá, temos pena.
Mal comparando, esta chamada supersónica é como se fosse a um qualquer supermercado e ainda antes de ter feito as compras já estar numa caixa a pagar.
Onde é que já se viu esta pouca vergonha?
É apenas uma sensação que tenho, vá, mais que não seja porque não oiço ninguém comentar que lhes sucedem factos tão estranhos no seu dia-a-dia profissional como os que às vezes sucedem à minha pessoa.
Por exemplo, na segunda-feira passada, uma qualquer secretaria de Tribunal de uma terra macaca que não vale a pena mencionar qual é, mas que fica ali para a linha chique e que em tempos já foi governada por um senhor condenado por práticas pouco lavadas no que a impostos diz respeito, contactou com a minha pessoa, inquirindo-me, directa e desavergonhadamente, se o julgamento, agendado para dali a dois dias e no qual represento o autor, sempre se iria realizar e se não quereriam já as partes chegar a acordo.
Absolutamente abismada com a questão que me estava a ser colocada, ainda balbuciei umas coisas incoerentes, tipo babuína que no fundo sou, mas arranjei forma de perguntar por que motivo estava o Tribunal a fazer esta pergunta dois dias antes do julgamento.
É que normalmente, e o meu público que é quase todo ele profissional forense não me deixará mentir, os funcionários só rondam as partes como se fossem abelhas de volta do pote do mel à procura de um acordo quando já se fez a chamada e estamos a, vá, dez minutos de entrar para a sala.
É verdade que alguns funcionários são mais chatos que outros, também é verdade que alguns juízes são mais insistentes que outros na busca do acordo.
Mas este desplante todo não é costumeiro.
Maneiras que a resposta que obtive à minha ingénua pergunta "porque é que me está a telefonar com perguntas de merda se podemos resolver isto daqui a 48 horas?" foi: "porque a sra. dra. Juiz quer que a gente pergunte".
Face a isto, não tive coragem para mandar ninguém bardamerda, como me estava grandemente a apetecer.
Ou melhor, o que deveria ter dito era que esperasse pelo dia da diligência, calona da gaita, que logo se via se havia acordo ou não.
Bem sabemos que fazer julgamentos é cansativo, há que os preparar, ler as peças, estudar, tirar notas, fazer o trabalhinho de casa, no fundo. Já para não falar das deslocações, dos Tribunais no fim do mundo, dos cafés de merda que gravitam em volta destes edifícios, que encontrar um café decente nas imediações dos Tribunais é uma tarefa difícil, mais a conversa de merda dos clientes, a conversa de merda dos colegas, a conversa de merda de toda a gente, os tempos mortos, as intermináveis esperas. Para quem, depois, ainda tem que fazer a sentença, estudar de novo, rever o que foi dito, fundamentar a sentença ainda é pior, porque o trabalho continua muito depois de ter acabado o julgamento.
Não obstante, acho que, por menos por ora, não se apontam armas às cabeças de ninguém para seguirem a carreira da magistratura e, em primeira e última análise, só segue essa vida quem quer, portanto... vá, temos pena.
Mal comparando, esta chamada supersónica é como se fosse a um qualquer supermercado e ainda antes de ter feito as compras já estar numa caixa a pagar.
Onde é que já se viu esta pouca vergonha?
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
Não será segredo para ninguém que sou uma pessoa implicante, difícil, queixosa e portadora de um delicado mau feitio.
É também sabido que tenho ódios de estimação, que cultivo com um prazer que pouco faço por esconder.
Portanto, não poderá constituir surpresa para ninguém que quando uma pobre pessoa do meu espectro de conhecimentos cai na teia da minha infantil implicância, nunca mais de lá sai.
Posto isto, apraz dizer que implico profundamente com uma colega de trabalho.
Todos os defeitos que se lembrem que uma pessoa possa ter, garanto, aquela criatura tem.
Maneiras que, estando farta dela, das merdas dela e das merdas que ela me faz até à ponta dos cabelos, resolvi começar a apontar não só as porcarias que ela se lembra de fazer, mas também os favores que me fica a dever, de todas as vezes que tenho que a safar de asneiras que aquela cabeça se lembrou de inventar.
Tenho, portanto, uma lista de favores apontada, qual capo da máfia a recolher o dízimo da protecção.
Não presto.
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Cenas de porrada desde sempre despertaram em mim muita curiosidade.
Que me recorde, acho que nunca assisti de perto a nenhuma.
Já estive presente em situações que quase resvalaram para as vias de factos, já cheguei a segurar gente que queria bater noutras gentes, já assisti ao rescaldo da porrada, tendo vislumbrado, muito ao longe, dentes partidos e rostos ensanguentados, mas ver, ver mesmo alguém a andar ao biscoito, nunca vi.
E gostava deveras, estas é a verdade.
Tenho ideia que a coisa não se passa exactamente como nos filmes, em que cada cena de distribuição de fruta é uma sequência magnífica de passos de dança e quem é atingido com um murro ou um pontapé fica sempre na boa e com força suficiente para retaliar e partir o adversário ao meio.
Nada disso.
Tenho, ao invés, a firme convicção que se alguém assentar um murro, pontapé ou cabeçada noutro alguém, essa pessoa já não se consegue levantar mais e fica a ver estrelas durante um bom bocado.
E depois vejo estas cenas e não percebo como é que é possível levar não sei quantos sopapos e continuar de pé. Ou levar com uma cadeira nos cornos e não ficar em coma. Como é possível, afinal?
Acrescente-se que ver cenas de porrada, para a minha pessoa, é o delírio porque só me dá vontade de rir.
Muito.
Demais.
Como uma hiena ébria, é preciso frisar.
Talvez a pergunta que se impõe é, porque não estás tu a trabalhar em vez de estares a perder tempo com filosofias da tanga, mas isso não vem ao caso.
Certo?
Que me recorde, acho que nunca assisti de perto a nenhuma.
Já estive presente em situações que quase resvalaram para as vias de factos, já cheguei a segurar gente que queria bater noutras gentes, já assisti ao rescaldo da porrada, tendo vislumbrado, muito ao longe, dentes partidos e rostos ensanguentados, mas ver, ver mesmo alguém a andar ao biscoito, nunca vi.
E gostava deveras, estas é a verdade.
Tenho ideia que a coisa não se passa exactamente como nos filmes, em que cada cena de distribuição de fruta é uma sequência magnífica de passos de dança e quem é atingido com um murro ou um pontapé fica sempre na boa e com força suficiente para retaliar e partir o adversário ao meio.
Nada disso.
Tenho, ao invés, a firme convicção que se alguém assentar um murro, pontapé ou cabeçada noutro alguém, essa pessoa já não se consegue levantar mais e fica a ver estrelas durante um bom bocado.
E depois vejo estas cenas e não percebo como é que é possível levar não sei quantos sopapos e continuar de pé. Ou levar com uma cadeira nos cornos e não ficar em coma. Como é possível, afinal?
Acrescente-se que ver cenas de porrada, para a minha pessoa, é o delírio porque só me dá vontade de rir.
Muito.
Demais.
Como uma hiena ébria, é preciso frisar.
Talvez a pergunta que se impõe é, porque não estás tu a trabalhar em vez de estares a perder tempo com filosofias da tanga, mas isso não vem ao caso.
Certo?
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Não Se Faz
Este video valeu-me um ataque de riso histérico em pleno horário de expediente.
Ataque esse que foi notado por uma administrativa que passava pelo corredor enquanto lágrimas de agitação inundavam os meus olhos, vindas do riso descontrolado. Felizmente para mim, a senhora fala sozinha enquanto arruma os processos, sendo exactamente isso que estava a fazer naquele momento, pelo que pude alegremente fingir que me ria dela. Não creio que ela tenha ficado muito contente, mas sempre é melhor esta pequena mentirinha do que dar a entender que, enquanto trabalho, estou a ver coisas que dão para rir em sites duvidosos.
Porque, cruzes credo, não faço isso.
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O Direito tornou-me inimputável
terça-feira, 27 de março de 2018
Ai a Porra - Volume Não-Sei-Quê
Não é que eu seja uma rapariga dada às Páscoas desta vida.
A bem da verdade, não sou NADA dada a coisa nenhuma que tenha a ver com religiosidade. A não ser que conte para este totobola o facto de enfardar lindamente as iguarias das festividades.
Conta?
Não?
Então não sou, pronto.
Adiante.
Mesmo não sendo nada dada a estas coisas, o que sabia mesmo bem e vinha mesmo a calhar era a entidade patronal oferecer o dia da Quinta-feira Santa. Já não me armaria em esquisita se nos oferecessem a tarde desse dia.
Porque, segundo consta, serviço algum está a funcionar nesse dia.
Nenhum.
Zero.
Niente.
Porra nenhuma.
E, segundo parece, é costume neste ergástulo não se trabalhar neste dia.
Mas, como as sociedades de advogados são todas iguais, situem-se na metrópole ou nos arrabaldes de Sintra, não se sabe de nada nem se comunica coisa alguma aos trabalhadores, essa ralé preguiçosa, senão na véspera.
O que é uma merda para quem, como eu, gostaria de fazer alguns planos para essa tarde. Mais que não fosse enfiar-me num qualquer centro comercial a comprar pechinchas e ovos da Páscoa. Para o puto, não para mim. Obviamente.
Será melhor esperar sentada, certo?
É que tenho uma certa tendência de chegar aos sítios e tudo o que era costume fazer-se passa a não se fazer, sob o pretexto sempre eterno do "este ano não dá". Assim, de repente, lembro-me dos prémios de final de ano, da 'ponte' do dia 31 de Dezembro, do almoço do Dia do Advogado, o jantar de Natal... Coisas boas que gostavam de nos tirar só porque sim, porque, lá está, os trabalhadores são todos uma ralé que não interessa mimar, interessa só maltratar e explorar.
Maneiras que este é mais um queixume, queixume de Páscoa que é bom para abrir o apetite.
A bem da verdade, não sou NADA dada a coisa nenhuma que tenha a ver com religiosidade. A não ser que conte para este totobola o facto de enfardar lindamente as iguarias das festividades.
Conta?
Não?
Então não sou, pronto.
Adiante.
Mesmo não sendo nada dada a estas coisas, o que sabia mesmo bem e vinha mesmo a calhar era a entidade patronal oferecer o dia da Quinta-feira Santa. Já não me armaria em esquisita se nos oferecessem a tarde desse dia.
Porque, segundo consta, serviço algum está a funcionar nesse dia.
Nenhum.
Zero.
Niente.
Porra nenhuma.
E, segundo parece, é costume neste ergástulo não se trabalhar neste dia.
Mas, como as sociedades de advogados são todas iguais, situem-se na metrópole ou nos arrabaldes de Sintra, não se sabe de nada nem se comunica coisa alguma aos trabalhadores, essa ralé preguiçosa, senão na véspera.
O que é uma merda para quem, como eu, gostaria de fazer alguns planos para essa tarde. Mais que não fosse enfiar-me num qualquer centro comercial a comprar pechinchas e ovos da Páscoa. Para o puto, não para mim. Obviamente.
Será melhor esperar sentada, certo?
É que tenho uma certa tendência de chegar aos sítios e tudo o que era costume fazer-se passa a não se fazer, sob o pretexto sempre eterno do "este ano não dá". Assim, de repente, lembro-me dos prémios de final de ano, da 'ponte' do dia 31 de Dezembro, do almoço do Dia do Advogado, o jantar de Natal... Coisas boas que gostavam de nos tirar só porque sim, porque, lá está, os trabalhadores são todos uma ralé que não interessa mimar, interessa só maltratar e explorar.
Maneiras que este é mais um queixume, queixume de Páscoa que é bom para abrir o apetite.
segunda-feira, 19 de março de 2018
#NãoSejasInácio
Então e aqui a estúpida que, movida pela compaixão e pelo espírito de reciprocidade, liga a um espécie que se diz amigo, e a primeira coisa que aquela besta quadrada me pergunta é se já arranjei a casa para que ele possa lá ir ver?
Bem feita para mim, claro, que tenho a mania das segundas oportunidades.
Bem feita para mim, por me armar em Madre Teresa dos ostracizados e mal paridos.
Bem feita para mim, que não tinha mais nada para fazer e claramente não aprendi a lição.
#souestupidaegosto
Bem feita para mim, claro, que tenho a mania das segundas oportunidades.
Bem feita para mim, por me armar em Madre Teresa dos ostracizados e mal paridos.
Bem feita para mim, que não tinha mais nada para fazer e claramente não aprendi a lição.
#souestupidaegosto
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Fod*-se
Sempre tive a mania dos bolsos. Andar com as mãos nos bolsos, pôr coisas nos bolsos, perder coisas dos bolsos.
Todos os bolsos da minha roupa, a que está guardada e a que uso com frequência, contêm dentro de si todo um mundo de objectos perdidos, uns úteis, outros simplesmente lixo, mas que, pelo facto do pobre caixote estar a milhas de distância, vêm parar ao bolso para mais tarde lá depositar.
Tradução: sou uma preguiçosa do pior e até para deitar coisas no lixo protelo ao máximo e prefiro ter os bolsos cheios de merda do que fazer o caminho até ao caixote.
No meio de tanta porcaria que têm sempre os meus bolsos, mistério dos deuses que não consigo decifrar, vão sempre lá parar migalhas, de tudo e mais um par de botas, advindas do mesmo gesto de pôr a mão no bolso em vez de os depositar no sítio certo.
Outro dia, pus os fones no bolso do robe de andar por casa (reparem agora que envelheci 40 anos e não passo de uma idosa caquéctica que passa os dias de pijama a dar de comer aos seus 7 gatos) e nunca mais me lembrei deles.
Dias depois, venho a necessitar de tal objecto e vou lá resgatá-los.
Ora, para quem não sabe, desde que comecei a trabalhar na metrópole, ando de transportes e passo uma parte considerável do meu tempo a andar a pé de e para o local de trabalho. Deus me livre, claro está, de passar 5 segundos entregue aos meus pensamentos, e não ando de orelhas descobertas na rua.
No meio de um comboio cheio que nem um ovo, com milhares de cotovelos enfiados as minhas costelas, rabos a esfregarem-se nas costas, malas a serem enfiadas à má fila junto aos pés de toda a gente, resolvo tirar os fones da mala para não ter que ouvir o ruído das pessoas a irem trabalhar.
E o que sucede?
Os fones estão cheios de migalhas.
Onde, exactamente?
Naquelas ranhuras minúsculas que se enfiam nos ouvidos.
Portanto, num comboio cheio de gente que não tem mais nada que fazer senão olhar para aquilo que a pessoa do lado está a fazer, fui obrigada a tirar as migalhas das ranhuras dos fones, migalhas essas que eram parecidíssimas com cera dos ouvidos.
Que foi exactamente o que aquela gente toda pensou, que era porca ao nível de ter toneladas de cerume nos fones e, em vez de os limpar no recato do lar, fui para o meio da multidão proceder à sua limpeza.
Apeteceu-me gritar, olhem lá ó desocupados do caralho, isto são migalhas, não sou porca, eu lavo-me e lavo os meus pertences, mas achei que era chamar demasiado a atenção para um problema de higiene e, de qualquer das formas, ninguém ia acreditar em mim.
Qual é o problema disto?
Apanho todos os dias o comboio à mesma hora, no mesmo sítio e vejo todos os dias as mesmas pessoas.
Vou passar a ser conhecida como a porca dos fones.
E é deveras chato, porra.
Todos os bolsos da minha roupa, a que está guardada e a que uso com frequência, contêm dentro de si todo um mundo de objectos perdidos, uns úteis, outros simplesmente lixo, mas que, pelo facto do pobre caixote estar a milhas de distância, vêm parar ao bolso para mais tarde lá depositar.
Tradução: sou uma preguiçosa do pior e até para deitar coisas no lixo protelo ao máximo e prefiro ter os bolsos cheios de merda do que fazer o caminho até ao caixote.
No meio de tanta porcaria que têm sempre os meus bolsos, mistério dos deuses que não consigo decifrar, vão sempre lá parar migalhas, de tudo e mais um par de botas, advindas do mesmo gesto de pôr a mão no bolso em vez de os depositar no sítio certo.
Outro dia, pus os fones no bolso do robe de andar por casa (reparem agora que envelheci 40 anos e não passo de uma idosa caquéctica que passa os dias de pijama a dar de comer aos seus 7 gatos) e nunca mais me lembrei deles.
Dias depois, venho a necessitar de tal objecto e vou lá resgatá-los.
Ora, para quem não sabe, desde que comecei a trabalhar na metrópole, ando de transportes e passo uma parte considerável do meu tempo a andar a pé de e para o local de trabalho. Deus me livre, claro está, de passar 5 segundos entregue aos meus pensamentos, e não ando de orelhas descobertas na rua.
No meio de um comboio cheio que nem um ovo, com milhares de cotovelos enfiados as minhas costelas, rabos a esfregarem-se nas costas, malas a serem enfiadas à má fila junto aos pés de toda a gente, resolvo tirar os fones da mala para não ter que ouvir o ruído das pessoas a irem trabalhar.
E o que sucede?
Os fones estão cheios de migalhas.
Onde, exactamente?
Naquelas ranhuras minúsculas que se enfiam nos ouvidos.
Portanto, num comboio cheio de gente que não tem mais nada que fazer senão olhar para aquilo que a pessoa do lado está a fazer, fui obrigada a tirar as migalhas das ranhuras dos fones, migalhas essas que eram parecidíssimas com cera dos ouvidos.
Que foi exactamente o que aquela gente toda pensou, que era porca ao nível de ter toneladas de cerume nos fones e, em vez de os limpar no recato do lar, fui para o meio da multidão proceder à sua limpeza.
Apeteceu-me gritar, olhem lá ó desocupados do caralho, isto são migalhas, não sou porca, eu lavo-me e lavo os meus pertences, mas achei que era chamar demasiado a atenção para um problema de higiene e, de qualquer das formas, ninguém ia acreditar em mim.
Qual é o problema disto?
Apanho todos os dias o comboio à mesma hora, no mesmo sítio e vejo todos os dias as mesmas pessoas.
Vou passar a ser conhecida como a porca dos fones.
E é deveras chato, porra.
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
terça-feira, 21 de novembro de 2017
Meanwhile in Ergástulo - Parte Sétima
O meu patrão é tão velho, mas tão velho que quando se refere ao subsídio de Natal, diz que é uma lembrança.
Tal como a minha Avó dizia, lembrança de Natal.
Só faltava dizer que é pouco mas é de boa vontade, como se diz lá para aquelas terras de Sintra.
Estou rodeada de avestruzes ébrias.
Tal como a minha Avó dizia, lembrança de Natal.
Só faltava dizer que é pouco mas é de boa vontade, como se diz lá para aquelas terras de Sintra.
Estou rodeada de avestruzes ébrias.
terça-feira, 14 de novembro de 2017
E com esta brincadeira toda estamos a pouco mais de um mês do Natal e a minha pessoa, normalmente tão expedita e tão despachada neste departamento, não comprou um único presente.
Bem, é mentira, comprei um, mas já foi há tanto tempo que não tenho a certeza se não o terei incorporado nas minha coisas...
Portanto, chegamos quase ao fim de mais um ano concluindo aquilo que já venho concluindo há 10 anos a esta parte: estou velha e acabada.
O próximo passo é ver-me nos centros comerciais no dia 22 de Dezembro, qual velha que não tem mais nada que fazer senão andar no meio da confusão, a comprar a primeira merda que me aparecer à frente para despachar a coisa.
Tristeza...
Bem, é mentira, comprei um, mas já foi há tanto tempo que não tenho a certeza se não o terei incorporado nas minha coisas...
Portanto, chegamos quase ao fim de mais um ano concluindo aquilo que já venho concluindo há 10 anos a esta parte: estou velha e acabada.
O próximo passo é ver-me nos centros comerciais no dia 22 de Dezembro, qual velha que não tem mais nada que fazer senão andar no meio da confusão, a comprar a primeira merda que me aparecer à frente para despachar a coisa.
Tristeza...
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Isto Só a Mim...,
O Direito tornou-me inimputável
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Doce Sabor
Não será certamente segredo para ninguém que me custou horrores sair da espelunca antiga maioritariamente por causa das pessoas que deixei para trás. Particularmente, uma pessoa, a minha companheira de desventura e infortúnio em terras da Mitra Land.
Não será, também, certamente, segredo para ninguém que recentemente trouxe para o Ergástulo essa pessoa que me fazia mais falta, mais que não seja porque o publicitei aqui.
Numa feliz coincidência, acaso do destino e golpe de sorte, houve falta de pessoal. Assim que pude, fui buscá-la, e agora somos companheiras jurídicas na Metrópole.
Porém, é preciso também esclarecer devidamente, não foi só pela bondade do meu coração que o fiz nem somente pelo gosto de trabalhar ao lado dela, enquanto profissional.
Também o fiz por satisfação pessoal.
Pela desforra.
Por vingança, vá.
Sempre achei que o que aquela gente merecia era ficar sem ninguém de um dia para o outro, esperando que quando se vissem sozinhos pudessem repensar as suas condutas.
Sempre achei que já que não queriam saber das pessoas para nada e, para eles, não éramos mais do que um peso na estrutura, um custo que era preciso eliminar, mas valia fazer-lhes logo o serviço e bater com a porta.
Sempre achei que o que eles mereciam mesmo era, vá, foderem-se à grande.
Pelo que ouço, está mesmo a acontecer, a foda é de facto grande.
Não serei directamente responsável por tal evento. Talvez indirectamente. Talvez, só.
Não conseguem ver, mas tenho um enorme ar de satisfação ao escrever estas últimas linhas.
Não presto.
Não será, também, certamente, segredo para ninguém que recentemente trouxe para o Ergástulo essa pessoa que me fazia mais falta, mais que não seja porque o publicitei aqui.
Numa feliz coincidência, acaso do destino e golpe de sorte, houve falta de pessoal. Assim que pude, fui buscá-la, e agora somos companheiras jurídicas na Metrópole.
Porém, é preciso também esclarecer devidamente, não foi só pela bondade do meu coração que o fiz nem somente pelo gosto de trabalhar ao lado dela, enquanto profissional.
Também o fiz por satisfação pessoal.
Pela desforra.
Por vingança, vá.
Sempre achei que o que aquela gente merecia era ficar sem ninguém de um dia para o outro, esperando que quando se vissem sozinhos pudessem repensar as suas condutas.
Sempre achei que já que não queriam saber das pessoas para nada e, para eles, não éramos mais do que um peso na estrutura, um custo que era preciso eliminar, mas valia fazer-lhes logo o serviço e bater com a porta.
Sempre achei que o que eles mereciam mesmo era, vá, foderem-se à grande.
Pelo que ouço, está mesmo a acontecer, a foda é de facto grande.
Não serei directamente responsável por tal evento. Talvez indirectamente. Talvez, só.
Não conseguem ver, mas tenho um enorme ar de satisfação ao escrever estas últimas linhas.
Não presto.
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Apetece-me Grandemente Ser Porca #62
A cara do moço que, esta manhã e no meio de uma rua cheia de gente, me estendia um panfleto da candidatura do CDS à Câmara Municipal de Lisboa quando lhe disse não, nem pensar foi absolutamente impagável.
Talvez tenha sido um bocado bruta, pronto.
Mas achei que era melhor e mais sincero do que aceitar o papel e depois andar dois passos, amarrotá-lo e fazer com ele tiro ao alvo aos pombos, que isso também não se faz.
Foi assim, e mai' nada.
Talvez tenha sido um bocado bruta, pronto.
Mas achei que era melhor e mais sincero do que aceitar o papel e depois andar dois passos, amarrotá-lo e fazer com ele tiro ao alvo aos pombos, que isso também não se faz.
Foi assim, e mai' nada.
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terça-feira, 5 de setembro de 2017
Coisas que Vejo por Aí #43
Desde que houve uma alma caridosa e ligeiramente alentejana que me deu a dica, tenho andado a rondar a Primark como uma louca (mais do que habitual, leia-se) à espera de ver a famigerada colecção das mais variadas coisas subordinadas à temática Harry Potter.
A bem da verdade, não me interessava metade da cangalhada apresentada, apesar de reconhecer que se tratam de coisas giras; o que me interessava eram essencialmente as canecas que pudessem existir na colecção.
Mais especificamente uma com três pezinhos minúsculos, uma bordinha de caldeirão, toda preta.
Assim que bati os olhos nela, quis logo tê-la, mais que não fosse porque era amorosa.
Maneiras que andei, e andei e tornei a andar às voltas por aquele armazém enorme à procura da dita caneca, que não estava em lado nenhum. Já estava quase a desistir quando a vi, escondida no meio de uns pijamas foleiros. Obviamente que a trouxe, lavada em lágrimas e extremamente emocionada com o achado.
Também não será tanto assim. Mas gostei imenso dela e conto, a breve trecho, ir buscar mais uma ou duas para poder ter uma chávena paneleira no escritório.
Não é tão linda??
A bem da verdade, não me interessava metade da cangalhada apresentada, apesar de reconhecer que se tratam de coisas giras; o que me interessava eram essencialmente as canecas que pudessem existir na colecção.
Mais especificamente uma com três pezinhos minúsculos, uma bordinha de caldeirão, toda preta.
Assim que bati os olhos nela, quis logo tê-la, mais que não fosse porque era amorosa.
Maneiras que andei, e andei e tornei a andar às voltas por aquele armazém enorme à procura da dita caneca, que não estava em lado nenhum. Já estava quase a desistir quando a vi, escondida no meio de uns pijamas foleiros. Obviamente que a trouxe, lavada em lágrimas e extremamente emocionada com o achado.
Também não será tanto assim. Mas gostei imenso dela e conto, a breve trecho, ir buscar mais uma ou duas para poder ter uma chávena paneleira no escritório.
Não é tão linda??
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segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Ele Há Coisas...
... que não percebo. Nem quero perceber, a bem da verdade.
Qual é a necessidade das pessoas atenderem o telefone com a boca cheia?
Ou estarem a falar enquanto comem?
Acharão sexy o barulho da mastigação?
Creem decente que se fale e nada se perceba?
Cada vez que me deparo com um fenómeno destes lembro-me sempre daquela andorinha que fazia parte do meu patronato anterior, que adorava vir para o pé dos outros enquanto comia fruta.
Nada a dizer, fosse ela uma pessoa normal e com normas de socialização e educação interiorizadas. Mas não era.
Aquela mulher só sabia comer fruta a chupar a dita e a fazer um cagaçal de meia noite, sugando muito bem sugadinho qualquer pontinha de humidade que pudesse haver naquele pedaço de natureza. Lembro-me particularmente das pêras, que gostava delas madurinhas e cheias de sumo, para depois parecer um aspirador avariado a tentar puxar para o saco um quilo de pedras. Não raras vezes a apanhei nestes preparos a falar com clientes, não só pelo telefone, mas frente a frente, a mostrar a toda a gente como se comia no Paleolítico.
Pensava eu, na minha inocência, que era só ela que não tinha maneiras, que era bruta e provinciana e que só fazia aquilo porque, coitada, apesar do imenso mar de dinheiro que possuía, era bruta como as casas e, no fundo, uma matarruana de meter dó.
Pois que parece que não.
Afinal, em todo o lado há pessoínhas destas, porcas até à 15ª geração, que não sabem comer e gostam de vir ensebar o ar que os outros respiram com nódoas de pêssego e migalhas de pão.
Foda-se, que é demais...
Qual é a necessidade das pessoas atenderem o telefone com a boca cheia?
Ou estarem a falar enquanto comem?
Acharão sexy o barulho da mastigação?
Creem decente que se fale e nada se perceba?
Cada vez que me deparo com um fenómeno destes lembro-me sempre daquela andorinha que fazia parte do meu patronato anterior, que adorava vir para o pé dos outros enquanto comia fruta.
Nada a dizer, fosse ela uma pessoa normal e com normas de socialização e educação interiorizadas. Mas não era.
Aquela mulher só sabia comer fruta a chupar a dita e a fazer um cagaçal de meia noite, sugando muito bem sugadinho qualquer pontinha de humidade que pudesse haver naquele pedaço de natureza. Lembro-me particularmente das pêras, que gostava delas madurinhas e cheias de sumo, para depois parecer um aspirador avariado a tentar puxar para o saco um quilo de pedras. Não raras vezes a apanhei nestes preparos a falar com clientes, não só pelo telefone, mas frente a frente, a mostrar a toda a gente como se comia no Paleolítico.
Pensava eu, na minha inocência, que era só ela que não tinha maneiras, que era bruta e provinciana e que só fazia aquilo porque, coitada, apesar do imenso mar de dinheiro que possuía, era bruta como as casas e, no fundo, uma matarruana de meter dó.
Pois que parece que não.
Afinal, em todo o lado há pessoínhas destas, porcas até à 15ª geração, que não sabem comer e gostam de vir ensebar o ar que os outros respiram com nódoas de pêssego e migalhas de pão.
Foda-se, que é demais...
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Vou Morrer Sozinha e sem Amigos
Tenho dois amigos que muito prezo lá para os lados de Évora.
Acompanho-os desde os tempos de faculdade, assisti a casamento, nascimento de rebento, baptizado de rebento, ajuntamentos amiúde. Óptimas pessoas, gente afável e simpática ate à 15ª geração.
E, dado que não sou pessoa de arranjar muitos amigos, aborrecem-me as pessoas, fazer o quê?, convém preservar os que tenho e cuidar deles porque certamente não arranjarei mais amigos.
O único problema daquela gente sou eu.
Porque me têm como amiga e dos aniversários daqueles desgraçados nunca me lembro.
Nunca.
Nunca.
Not even once.
Por exemplo, assim que comprei a agenda jurídica fui logo lá escrever as datas, até alarmes no telemóvel pus. Tudo na vã tentativa de parecer menos ursa e lembrar-me efectivamente do aniversário das pessoas que me dizem alguma coisa. Do aniversário dele, ainda fui a tempo. Dela, que foi naquele dia fatídico em que passei um dia inteiro no spa da Conservatória, arranjar sarna para me coçar e a ver as pessoas a andarem à bulha, o tempo que passei a olhar para o telemóvel podia perfeitamente ter ido à agenda ver que dia era.
Estúpida, não fui. E agora faço figura de otária perante quem nunca se esquece do meu aniversário.
Passo aqui a vida a queixar-me da vida e daquilo que os outros me fazem, quando afinal mais vali queixar-me do quão estúpida sou.
Posto isto, E., desculpa.
Feliz aniversário.
Acompanho-os desde os tempos de faculdade, assisti a casamento, nascimento de rebento, baptizado de rebento, ajuntamentos amiúde. Óptimas pessoas, gente afável e simpática ate à 15ª geração.
E, dado que não sou pessoa de arranjar muitos amigos, aborrecem-me as pessoas, fazer o quê?, convém preservar os que tenho e cuidar deles porque certamente não arranjarei mais amigos.
O único problema daquela gente sou eu.
Porque me têm como amiga e dos aniversários daqueles desgraçados nunca me lembro.
Nunca.
Nunca.
Not even once.
Por exemplo, assim que comprei a agenda jurídica fui logo lá escrever as datas, até alarmes no telemóvel pus. Tudo na vã tentativa de parecer menos ursa e lembrar-me efectivamente do aniversário das pessoas que me dizem alguma coisa. Do aniversário dele, ainda fui a tempo. Dela, que foi naquele dia fatídico em que passei um dia inteiro no spa da Conservatória, arranjar sarna para me coçar e a ver as pessoas a andarem à bulha, o tempo que passei a olhar para o telemóvel podia perfeitamente ter ido à agenda ver que dia era.
Estúpida, não fui. E agora faço figura de otária perante quem nunca se esquece do meu aniversário.
Passo aqui a vida a queixar-me da vida e daquilo que os outros me fazem, quando afinal mais vali queixar-me do quão estúpida sou.
Posto isto, E., desculpa.
Feliz aniversário.
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O Direito tornou-me inimputável
quinta-feira, 27 de julho de 2017
Meanwhile in Egástulo - Parte Terceira
Continuo sem perceber o que é que aquele gajo passa os dias a fazer...
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