Dos Incidentes, Pareceres e Vicissitudes várias. Porque "Quando a ralé se põe a pensar, está tudo perdido", lá dizia Voltaire...
terça-feira, 28 de março de 2017
Coisas Que Vejo Por Aí #38
Recebi estas coisas maravilhosas pelo Natal (o estado desta espelunca é formidável e atreito a novidades, como já se está a ver) e temos sido muito felizes juntos.
Para lá de bons, para lá de versáteis, tudo o que uma pessoa pode desejar.
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Comentário Jurídico da Latrina
segunda-feira, 27 de março de 2017
Reminiscências #18
Na senda das memórias protagonizadas pelo progenitor, para além das que já tive oportunidade de contar, há uma que ainda me dá vontade de rir.
Com a inocência própria da idade, lembro-me de perguntar ao meu ilustríssimo Pai por que razão o símbolo do Partido Socialista era uma mão fechada.
A face neutra daquele homem a responder "É uma mão fechada porque se a mão estivesse aberta caía o dinheiro que lá estava" é coisa para me pôr bem disposta no mais negro dos dias.
Com um Pai destes, como é possível não desenvolver sentido de humor.
Com a inocência própria da idade, lembro-me de perguntar ao meu ilustríssimo Pai por que razão o símbolo do Partido Socialista era uma mão fechada.
A face neutra daquele homem a responder "É uma mão fechada porque se a mão estivesse aberta caía o dinheiro que lá estava" é coisa para me pôr bem disposta no mais negro dos dias.
Com um Pai destes, como é possível não desenvolver sentido de humor.
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Piadas de Propriedade Privada
O problema do IKEA é um problema equivalente às cerejas. Não se consegue entrar naquela maldita loja e comprar um único objecto.
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Piadas de Propriedade Privada,
Posição Doutrinária
sexta-feira, 24 de março de 2017
Ele Há Coisas...
Tenho o estômago tão esquisito, tão esquisito que faz tamanho barulho que juro que pensei que estava a ouvir trovoada ao longe.
Depois lembrei-me que poderia ser a minha barriga a produzir semelhante barulheira e, agradecendo aos céus por não estar ninguém na mesma sala, ainda podiam pensar tratar-se de gases traseiros e que eu era uma porcalhona sem vergonha, pensei que talvez tenha comido algum material radiactivo.
Vai, portanto, nascer-me um alho porro na testa, não tarda nada.
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Isto Só a Mim...
quinta-feira, 23 de março de 2017
Reminiscências #17
Quando era miúda e saíamos para passear ou em férias, o habitual era ir de carro, por esses montes e vales, nas porras das estradas nacionais, cheias de buracos e lombas, mas assim é que era bonito, que se vêem mais coisas. Velhos...
Nesses caminhos perdidos para lá do caraças, não raras vezes surgia o sinal de perigo de queda de pedras. E eu, na minha ignorância, perguntava ao meu pai qual o significado de tal sinal.
E ele respondia sempre: "Aqui atiram pedras às pessoas que vão a passar. Tens que ir sossegadinha no banco para não te verem, senão podes levar com uma pedra"
Escusado será dizer que, feita ursa, acreditava nele.
Nesses caminhos perdidos para lá do caraças, não raras vezes surgia o sinal de perigo de queda de pedras. E eu, na minha ignorância, perguntava ao meu pai qual o significado de tal sinal.
E ele respondia sempre: "Aqui atiram pedras às pessoas que vão a passar. Tens que ir sossegadinha no banco para não te verem, senão podes levar com uma pedra"
Escusado será dizer que, feita ursa, acreditava nele.
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Piadas de Propriedade Privada
quarta-feira, 22 de março de 2017
Coisas de Cá X
Nesta terra do senhor, é sabido, há muitas alminhas armadas em parvas. Isso não é novidade para ninguém.
Tendo isto por certo, não consigo deixar de "admirar", com as devidas aspas, o vizinho da frente que implica profundamente que estacionem os carros em frente à sua garagem. O que até é compreensível, diga-se, e se há norma que consta do Código da Estrada é a da proibição de estacionamento em frente a garagens.
Porque não há direito a uma pessoa, que anda o dia inteiro a trabalhar, chegar a casa e não poder enfiar o seu carrinho na sua humilde casinha porque está um trambolho a bloquear a passagem. Há quem até adquira umas plaquinhas maricas para pregar nos portões para lembrar aos espertalhões para irem estacionar lá para a coisa da mãe deles.
Tudo muito lindo e muito certo.
Se isto fosse numa terra de gente normal, como está bom de ver.
Isto porque o bom do vizinho não quer que saiam da frente para conseguir ter espaço de manobra e enfiar o carro na garagem.
Não senhor.
O vizinho pretende que não estacionem em frente à sua garagem para poder ser ele a lá estacionar. Isso mesmo. À frente da garagem.
Porque a primeira preocupação de quem tem uma garagem não é enfiar lá o carro, é estacionar em frente dela, como será óbvio.
E porque ninguém tem nada a ver com o facto de o homem ter a puta da garagem cheia de tralhas até ao tecto e de precisar de tirar de lá de dentro, de vez em quando, qual coelho de cartola, meia dúzia de merdas para as levar não sei para onde, que não é isso que está em causa, mas parece que o carro que lá estiver estacionado atrapalha deveras todo este desalfandegar.
Pois que o que é mesmo bom, não sei se já frisei, é ter uma garagem para estacionar o carro do lado de fora da mesma. Estou fascinada com isto, desculpem.
O que é certo é que o estupor do homem tinha o carro estacionado em frente à merda da garagem, mas precisou de o tirar para ir fazer a vidinha dele. Acto contínuo, veio de lá uma lambisgóia qualquer e pousou a sua viatura em frente à garagem, já que o estacionamento nesta terra do demónio anda pelas ruas da amargura.
E o que é que o bom do amigo vizinho faz??
Estaciona do outro lado da rua, EM FRENTE AO ESCRITÓRIO, a apitar insistentemente, durante UMA PUTA DE UMA TARDE INTEIRA. A sério, com a mão pousada na buzina UMA TARDE INTEIRA, mas que merda, caralho???????!!!!!!!
Chamar a polícia? Chamar um reboque da Polícia Municipal? Não, para quê?! As buzinas vão mudar o mundo e o melhor é começar já a usá-las para ficarmos todos satisfeitos. Fosse enfiá-la no cuzinho, ao invés...
Ainda por cima para pôr, não o carro dentro da garagem, mas em frente à garagem!!!!
Mas o que é isto??!!
Não venham cá dizer que não é do ar da serra, porque não há outro fenómeno que explique isto.
Foda-se.
Tendo isto por certo, não consigo deixar de "admirar", com as devidas aspas, o vizinho da frente que implica profundamente que estacionem os carros em frente à sua garagem. O que até é compreensível, diga-se, e se há norma que consta do Código da Estrada é a da proibição de estacionamento em frente a garagens.
Porque não há direito a uma pessoa, que anda o dia inteiro a trabalhar, chegar a casa e não poder enfiar o seu carrinho na sua humilde casinha porque está um trambolho a bloquear a passagem. Há quem até adquira umas plaquinhas maricas para pregar nos portões para lembrar aos espertalhões para irem estacionar lá para a coisa da mãe deles.
Tudo muito lindo e muito certo.
Se isto fosse numa terra de gente normal, como está bom de ver.
Isto porque o bom do vizinho não quer que saiam da frente para conseguir ter espaço de manobra e enfiar o carro na garagem.
Não senhor.
O vizinho pretende que não estacionem em frente à sua garagem para poder ser ele a lá estacionar. Isso mesmo. À frente da garagem.
Porque a primeira preocupação de quem tem uma garagem não é enfiar lá o carro, é estacionar em frente dela, como será óbvio.
E porque ninguém tem nada a ver com o facto de o homem ter a puta da garagem cheia de tralhas até ao tecto e de precisar de tirar de lá de dentro, de vez em quando, qual coelho de cartola, meia dúzia de merdas para as levar não sei para onde, que não é isso que está em causa, mas parece que o carro que lá estiver estacionado atrapalha deveras todo este desalfandegar.
Pois que o que é mesmo bom, não sei se já frisei, é ter uma garagem para estacionar o carro do lado de fora da mesma. Estou fascinada com isto, desculpem.
O que é certo é que o estupor do homem tinha o carro estacionado em frente à merda da garagem, mas precisou de o tirar para ir fazer a vidinha dele. Acto contínuo, veio de lá uma lambisgóia qualquer e pousou a sua viatura em frente à garagem, já que o estacionamento nesta terra do demónio anda pelas ruas da amargura.
E o que é que o bom do amigo vizinho faz??
Estaciona do outro lado da rua, EM FRENTE AO ESCRITÓRIO, a apitar insistentemente, durante UMA PUTA DE UMA TARDE INTEIRA. A sério, com a mão pousada na buzina UMA TARDE INTEIRA, mas que merda, caralho???????!!!!!!!
Chamar a polícia? Chamar um reboque da Polícia Municipal? Não, para quê?! As buzinas vão mudar o mundo e o melhor é começar já a usá-las para ficarmos todos satisfeitos. Fosse enfiá-la no cuzinho, ao invés...
Ainda por cima para pôr, não o carro dentro da garagem, mas em frente à garagem!!!!
Mas o que é isto??!!
Não venham cá dizer que não é do ar da serra, porque não há outro fenómeno que explique isto.
Foda-se.
terça-feira, 21 de março de 2017
Da Série "Sou Inimputável e Gosto"
Não há forma de negar a demência e, por conseguinte, a inimputabilidade latente de uma pessoa que, deparando-se constantemente num recurso com a expressão, com as devidas aspas, como está bom de ver, que não somos ordinários gratuitamente, "chupar a pila", em contexto de crime de abuso sexual, está permanentemente com o riso no canto da boca, não pelo gozo da situação em si, mas pelo facto de a palavra pila ser, no mínimo, estúpida, cretina e absolutamente ridícula.
E contra isto, pila, perdão, batatas.
E contra isto, pila, perdão, batatas.
segunda-feira, 20 de março de 2017
Coisas Que Vejo Por Aí #37
Isto é absolutamente espectacular. (E não, não é um objecto fálico vibrante, embora de certos ângulos pareça)
Estou encantada, pela facilidade de utilização, pelos resultados, pelo facto de não danificar o cabelo.
Tenho andado por aí aos saltinhos com cabelo de querubim e tenho gostado muito.
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Piadas de Propriedade Privada
Ai Sim?
Depois de franca e atenta observação, concluo que sou uma choninhas que não sabe dar, na hora, uma resposta como deve ser a quem a merece. Isto apesar de achar que sou muita badass, francamente arisca e muita má e o caralho e de andar rua acima, rua abaixo a achar-me um poço de frontalidade.
Um dia destes, apareceu numa qualquer fotografia minha numa qualquer rede social, acompanhada de outros dois estarolas como eu, todos em poses de gozo, claramente a tentar produzir uma fotografia cómica. Veio logo, não se sabe bem de onde, uma idiota qualquer comentar que agora, obviamente referindo-se à minha condição de mãe, devia dar o exemplo.
E agora, pensarão as pessoas, se calhar a fotografia mostrava-me em trajes menores ou estava com uma mama de fora. Se calhar, a devassa, estava com a coisa ao léu ou a mostrar o traseiro. Talvez, ainda, estivesse em pose convidativa à prática de relações pouco lavadas, vendendo o corpo, meu, não obstante, pelas ruas.
Não, nada disso. Estava de dedinho esticado, em riste, tal como a pessoa que estava ao meu lado, como é, aliás, meu apanágio, que o que não faltam no meu perfil são fotografias minhas com os dedos esticadinhos, principalmente o do meio, a acenar alegremente a toda uma população.
Mas, na óptica daquela javarda, que no meio dos outros vai à missa três vezes ao dia, é muito séria e não comete pecados, mas no recato do lar é uma porca igual às outras e ainda fica toda contente, e isto era o que deveria ter-lhe dito na altura, mas fui estúpida, como é também meu apanágio, a minha recente qualidade de mãe não me permitiria fazer aquelas figuras porque tinha que dar o exemplo. Porque aquela dava o exemplo todos os dias, como está bom de ver, e como é melhor que toda a gente ainda se passeia pelos perfis dos outros a mandar bocas sobre o que o próximo, tão bíblica que eu estou meu deus, anda a fazer ou, pior, sobre o que deve fazer.
A minha pessoa, que para cretina só lhe falta um selo na testa com esse dizer, ainda foi na conversa do não respondas, ainda tentou desviar o assunto para o nonsense talking, mas o efeito perdeu-se. Perdeu-se porque eu é que tive que enfiar a carapuça de me ver criticada em praça pública por um crime que não cometi e a escanchada ainda se deve ter ficado a rir.
E eu, que sou tão assertiva, tão directa, tão frontal, deixei passar e nada disse, quando podia e devia ter mandado imediatamente a vaca ir ordenhar-se lá para a terra dela.
Tudo para depois ficar a remoer na questão, sem chegar a conclusão nenhuma.
Portanto, sou estúpida, faço por isso e ainda gosto.
E você?
Um dia destes, apareceu numa qualquer fotografia minha numa qualquer rede social, acompanhada de outros dois estarolas como eu, todos em poses de gozo, claramente a tentar produzir uma fotografia cómica. Veio logo, não se sabe bem de onde, uma idiota qualquer comentar que agora, obviamente referindo-se à minha condição de mãe, devia dar o exemplo.
E agora, pensarão as pessoas, se calhar a fotografia mostrava-me em trajes menores ou estava com uma mama de fora. Se calhar, a devassa, estava com a coisa ao léu ou a mostrar o traseiro. Talvez, ainda, estivesse em pose convidativa à prática de relações pouco lavadas, vendendo o corpo, meu, não obstante, pelas ruas.
Não, nada disso. Estava de dedinho esticado, em riste, tal como a pessoa que estava ao meu lado, como é, aliás, meu apanágio, que o que não faltam no meu perfil são fotografias minhas com os dedos esticadinhos, principalmente o do meio, a acenar alegremente a toda uma população.
Mas, na óptica daquela javarda, que no meio dos outros vai à missa três vezes ao dia, é muito séria e não comete pecados, mas no recato do lar é uma porca igual às outras e ainda fica toda contente, e isto era o que deveria ter-lhe dito na altura, mas fui estúpida, como é também meu apanágio, a minha recente qualidade de mãe não me permitiria fazer aquelas figuras porque tinha que dar o exemplo. Porque aquela dava o exemplo todos os dias, como está bom de ver, e como é melhor que toda a gente ainda se passeia pelos perfis dos outros a mandar bocas sobre o que o próximo, tão bíblica que eu estou meu deus, anda a fazer ou, pior, sobre o que deve fazer.
A minha pessoa, que para cretina só lhe falta um selo na testa com esse dizer, ainda foi na conversa do não respondas, ainda tentou desviar o assunto para o nonsense talking, mas o efeito perdeu-se. Perdeu-se porque eu é que tive que enfiar a carapuça de me ver criticada em praça pública por um crime que não cometi e a escanchada ainda se deve ter ficado a rir.
E eu, que sou tão assertiva, tão directa, tão frontal, deixei passar e nada disse, quando podia e devia ter mandado imediatamente a vaca ir ordenhar-se lá para a terra dela.
Tudo para depois ficar a remoer na questão, sem chegar a conclusão nenhuma.
Portanto, sou estúpida, faço por isso e ainda gosto.
E você?
Chupem!
Para todos aqueles que ficaram muito contentinhos pelo facto do Benfica ter patinado contra o Paços de Ferreira, mas afinal, vai-se a ver e têm que enfiar as bandeirinhas no cuzinho:
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Teorias do Homicídio Qualificado
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Confesso que estava à espera do gostar mais.
Cornwell escreve bem, é inegável, mas também aprecia grandemente estar meio ano a descrever coisas que se explicam em meia dúzia de linhas. Também é francamente bom a apanhar desprevenido o leitor incauto, da mesma forma que é excelente a adormecê-lo.
A história é boa, é o que vale aqui.
Father's Day
Estes dias passam, agora, a ter outro significado.
Até agora, o Dia do Pai era apenas sinónimo de ter Pai.
Agora é também sinónimo de ser Pai.
Principalmente quando eles voltam da escolinha com um presente pendurado debaixo do braço, para oferecer no dia alumiado.
É tão fofo, tão fofo que até apetece vomitar póneis.
Ain't love grand?
Até agora, o Dia do Pai era apenas sinónimo de ter Pai.
Agora é também sinónimo de ser Pai.
Principalmente quando eles voltam da escolinha com um presente pendurado debaixo do braço, para oferecer no dia alumiado.
É tão fofo, tão fofo que até apetece vomitar póneis.
Ain't love grand?
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Do Estabelecimento da Maternidade
sexta-feira, 17 de março de 2017
Apetece-me Grandemente Ser Porca #57
Pelos visto, ser advogado em Lisboa é sinónimo de ir para julgamento com a parca cabeleira toda empastada em gel, meticulosamente penteada para trás, a parecer o capo da máfia, enquanto uma nuvem de perfume gravita em volta do corpanzil.
Que sexy.
Só que não.
Que sexy.
Só que não.
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Piadas de Propriedade Privada,
Profissão: Advogada
Salty as Fuck #19
Até a voz dele me faz comichão nos ouvidos.
Porra, ninguém merece
Ai de Mim ...
O mal de ser ter já 31 anos é que já não se pode calçar uns magníficos sapatinhos, lindos que só eles, sem 'amolecê-los' antes, leia-se andar com eles para aí um mês ou dois antes de poderem sair à rua.
Caso contrário, anda-se o dia todo a saltar em cima da bela calçada portuguesa, puta que pariu mais a mania de ainda porem esses calhaus no caraças do passeio, até parece que não há cimenteiras a fornecer betão às toneladas, para chegar ao fim e não conseguir sequer ter os sapatos pendurados nos dedos dos pés, tanto ou tão pouco que é preciso ir a conduzir descalça.
Merda para mim, é o que é.
#souestúpidaegosto
Caso contrário, anda-se o dia todo a saltar em cima da bela calçada portuguesa, puta que pariu mais a mania de ainda porem esses calhaus no caraças do passeio, até parece que não há cimenteiras a fornecer betão às toneladas, para chegar ao fim e não conseguir sequer ter os sapatos pendurados nos dedos dos pés, tanto ou tão pouco que é preciso ir a conduzir descalça.
Merda para mim, é o que é.
#souestúpidaegosto
sexta-feira, 10 de março de 2017
Nonsense Talking Nº ... Qualquer Coisa
- Antes de enviar pelo correio vai passar isso por fax, ok?
- Fax?!
- Sim, fax.
- Mas... fax?
- Sim, fax, sabe o que é?
- Sei. Mas como é que eu mando isto por fax para ele?
- Tem o nº de fax, mete na máquina e segue.
- Mas ele tinha dito que queria que eu imprimisse para ele ler, não era para mandar por fax.
- Mas você não vai mandar isso por fax para o Dr., vai mandar para a ANSR antes de mandar por correio.
- Ah.
- Percebeu?
- Percebi.
- Acho que não percebi.
#pócaralho
- Fax?!
- Sim, fax.
- Mas... fax?
- Sim, fax, sabe o que é?
- Sei. Mas como é que eu mando isto por fax para ele?
- Tem o nº de fax, mete na máquina e segue.
- Mas ele tinha dito que queria que eu imprimisse para ele ler, não era para mandar por fax.
- Mas você não vai mandar isso por fax para o Dr., vai mandar para a ANSR antes de mandar por correio.
- Ah.
- Percebeu?
- Percebi.
- Acho que não percebi.
#pócaralho
quinta-feira, 9 de março de 2017
Ai Sim?
Sou aquela pessoa que vai num instante comprar café (sim, porque agora nesta bela casa fizeram questão de rebentar com a máquina podre que cá havia cujo café era oferecido pelo patronato e, no seu lugar, puseram uma linda e brilhante máquina modernaça, toda boa e maravilhosa, mas sustentada a cápsulas pagas pelos funcionários, mas que merda vem a ser esta que agora até nos retiram o privilégio de beber um café verdadeiramente merdoso, não se admite) e, logo à entrada, dá com os olhos numa mini feira do livro do estabelecimento.
Escusado será dizer que fiquei meio ano a namorar as obras e acabei por escolher um com um título interessante e um prólogo aceitável.
Depois de pagar é que me ocorreu que não fiquei lá muito bem impressionada com a última obra que li daquele autor...
Quem é que estou a tentar enganar?, o que gostei mesmo no livro foi o preço.
Sou oficialmente uma pechinchona (acabei de inventar) de livros.
E você?
Escusado será dizer que fiquei meio ano a namorar as obras e acabei por escolher um com um título interessante e um prólogo aceitável.
Depois de pagar é que me ocorreu que não fiquei lá muito bem impressionada com a última obra que li daquele autor...
Quem é que estou a tentar enganar?, o que gostei mesmo no livro foi o preço.
Sou oficialmente uma pechinchona (acabei de inventar) de livros.
E você?
quarta-feira, 8 de março de 2017
Queixume Pós Gestacional #9
Não há estupidez suficiente para a assinalar o acto de atirar com uma peça de roupa para o cabide e depois, dias após, ir lá buscá-la para a vestir outra vez, sem observar devidamente se a dita peça de roupa está em condições.
Esta especial atenção tem necessariamente de se ter quando se tem filhos pequenos, em idade de consumo das primeiras papas, que, como é sabido, é maior a quantidade de papa que aterra nas imediações que na boca do puto.
Tudo isto para dizer que andei a manhã inteira com uma imensa nódoa de papa voadora na camisola, tendo feito, inclusivamente, um julgamento inteiro com esta gloriosa medalha ao peito sem ter dado por nada. Só reparei depois, já na parte da tarde, na minha condição vergonhosa mas já era tarde demais.
Portanto, sou uma porca que não lava a roupa e achei digno partilhar este facto com o mundo.
E era só isto.
Esta especial atenção tem necessariamente de se ter quando se tem filhos pequenos, em idade de consumo das primeiras papas, que, como é sabido, é maior a quantidade de papa que aterra nas imediações que na boca do puto.
Tudo isto para dizer que andei a manhã inteira com uma imensa nódoa de papa voadora na camisola, tendo feito, inclusivamente, um julgamento inteiro com esta gloriosa medalha ao peito sem ter dado por nada. Só reparei depois, já na parte da tarde, na minha condição vergonhosa mas já era tarde demais.
Portanto, sou uma porca que não lava a roupa e achei digno partilhar este facto com o mundo.
E era só isto.
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Do Estabelecimento da Maternidade,
Isto Só a Mim...
terça-feira, 7 de março de 2017
Salty as Fuck # 18
Tratam mal os colaboradores, são sempre todos uma merda sem serventia mas dão-lhes bolo pelos anos e ficam ofendidos se não aceitam.
Vá-se lá perceber esta corja.
Vá-se lá perceber esta corja.
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Isto Só a Mim...,
Ossos do Ofício,
Piadas de Propriedade Privada
Apetece-me Grandemente Ser Porca #56
Hoje, estava eu descansadinha na sala de audiências à espera que começasse a diligência - fosse eu a chegar atrasada era o descalabro, mas como é o senhor-doutor-juiz-meritíssimo está tudo fixe - quando reparo num colega, estagiário, a chegar com uma mala de viagem pela mão (e não era um troley, se é isso que estão a pensar) todo muito contentinho e todo muito senhor de si.
Escolhida a cadeira, pousa toda a parafernália e retira de dentro do seu baú de viagem uma toga num cabide (!) e envolta naquela película de plástico daquelas de lavandaria. E fica ali a olhar para a toga, completamente embevecido, à espera que ela se vista sozinha. Lá se decide a colocar a vestimenta, não sem antes sacar de um rolinho autocolante e esfregar em toda a extensão do tecido. Só faltava mesmo um espelho para se admirar e estava a coisa feita.
Pobre coitado.
Já eu, não sabia se tinha mais vontade de me rir se de ir lá dar-lhe uma pancadinha nas costas e explicar-lhe a agruras da vida judiciária, mas fui antes comer uma peça de fruta, depois de me recostar na cadeira a ver o espectáculo.
Mas isso sou só eu, que não tenho vergonha.
Escolhida a cadeira, pousa toda a parafernália e retira de dentro do seu baú de viagem uma toga num cabide (!) e envolta naquela película de plástico daquelas de lavandaria. E fica ali a olhar para a toga, completamente embevecido, à espera que ela se vista sozinha. Lá se decide a colocar a vestimenta, não sem antes sacar de um rolinho autocolante e esfregar em toda a extensão do tecido. Só faltava mesmo um espelho para se admirar e estava a coisa feita.
Pobre coitado.
Já eu, não sabia se tinha mais vontade de me rir se de ir lá dar-lhe uma pancadinha nas costas e explicar-lhe a agruras da vida judiciária, mas fui antes comer uma peça de fruta, depois de me recostar na cadeira a ver o espectáculo.
Mas isso sou só eu, que não tenho vergonha.
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Isto Só a Mim...,
Ossos do Ofício,
Profissão: Advogada
Salty as Fuck #17
Na senda da rubrica do ai se fosse eu:
O chefe dos palermas esqueceu-se que tinha julgamento, numa manhã destas.
Liga para o escritório a funcionária judicial a perguntar se lhe tinha acontecido alguma coisa, que normalmente é tão pontual e hoje já tinha passado meia hora desde a chamada e não estava lá a avestruz. Escusado será dizer que ainda tivemos que andar à procura dele, que se tinha enfiado num buraco qualquer, e lá foi ele, todo lampeiro, porque é tão bom e tão especial que até o Tribunal espera por ele.
Não será necessário repetir o subtítulo, pois não?
O chefe dos palermas esqueceu-se que tinha julgamento, numa manhã destas.
Liga para o escritório a funcionária judicial a perguntar se lhe tinha acontecido alguma coisa, que normalmente é tão pontual e hoje já tinha passado meia hora desde a chamada e não estava lá a avestruz. Escusado será dizer que ainda tivemos que andar à procura dele, que se tinha enfiado num buraco qualquer, e lá foi ele, todo lampeiro, porque é tão bom e tão especial que até o Tribunal espera por ele.
Não será necessário repetir o subtítulo, pois não?
Até sou pessoa para gostar e vibrar com o Festival da Canção, tanto o nacional como a gloriosa final lá fora, como dizem as pessoas idosas.
Todos os anos vejo religiosamente e todos os anos fico tristíssima por levarmos fracas representações quando temos tanta e tão rica música para mostrar. Se bem que tenho algumas saudades da Suzy e do seu Quero Ser
Bom, adiante.
Parece que se escolheu o Sr. Salvador Sobral para nos representar. E até havia muita coisa aceitável naquele concurso; até fiquei surpreendida por não haver fadinhos contentes, tamanha a diversidade que este ano se nos apresentava. Compositores de renome e até alguns artistas - quão idosa estou eu hoje?! - sobejamente conhecidos chegaram-se à frente e fizeram do Festival uma coisa honrada de novo. Foi bonito de ser ver, não se diga que não.
E depois escolhe-se isto. Quer dizer, até nem é muito mau, tendo em conta participações passadas, em que a pimbalhada levou a melhor; a música é bonita e tem uma orquestração interessante, mas é claramente música da moda, completamente trendy e com um cheirete a hypster que mete dó.
Tudo na interpretação deste moço tresanda a ya tão não quero saber mas dizem que sou artista. Aqueles tiques de cabeça, a fazer lembrar uma mula embriagada no meio do pasto, não abonam nada à música e parece somente que meteu ácidos antes de subir ao palco. Hei-de experimentar cantar com o nariz entupido, numa das minha crises de sinusite (vocês não sabem mas este post é patrocinado por uma loja de produtos geriátricos na Torre da Marinha), para ver se o resultado sai igual... Já para não falar na quantidade de óleo naquele cabelo que dava para fritar ali uns filetes num instante. E da roupa que deve ter ido buscar àqueles bidões da caridade. Quando falo de hypster, é isto mesmo. Aposto que tem o último modelo do iPhone no bolso.
Porém, anda toda a gente muito entusiasmadinha com a música, que é tão linda, tão bem apetrechada, tão elogiada lá fora (lá está...) e mais isto e aquilo. Não é demais repetir que já levámos bem pior, mas estou quase para apostar qualquer coisa que não me faça falta que, agora que levamos este estilo de canção toda melosa e modernaça, toooooda a gente vai levar música de carrinhos de choque.
Só para não parecer maledicente em demasia, vou dizer o que anda tudo a dizer: ai ca lindo.
Coisas Que Vejo Por Aí #36
Por enquanto esse mito que diz que quando nascem os filhos os pais passam a receber merda como presentes nas ocasiões alumiadas, como Natal ou aniversário, não tem passado disso mesmo, de um mito. É melhor não gabar muito.
Entre outros objectos preciosíssimos, dos quais falarei com a devida propriedade mais tarde, ofertaram-me estas coisas lindas, maravilhosas e cheirosas:
Textura óptima, cor vibrante e um acabamento ligeiramente mate. Tem também um lápis de contorno, ainda mais mate, mas que, sendo muito cremoso, gasta-se rapidamente. Já para não falar do facto de ser de plástico e para afiar ser o cabo dos trabalhos.
Tirando isso, é para lá de espectacular.
Entre outros objectos preciosíssimos, dos quais falarei com a devida propriedade mais tarde, ofertaram-me estas coisas lindas, maravilhosas e cheirosas:
Textura óptima, cor vibrante e um acabamento ligeiramente mate. Tem também um lápis de contorno, ainda mais mate, mas que, sendo muito cremoso, gasta-se rapidamente. Já para não falar do facto de ser de plástico e para afiar ser o cabo dos trabalhos.
Tirando isso, é para lá de espectacular.
quarta-feira, 1 de março de 2017
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Salty as Fuck #17
Já a melhor parte de estar aqui no dia de hoje, toda podre, toda dorida e com vontade absolutamente nula de estar a produzir qualquer coisa, é que amanhã não se trabalha, como demonstração espectacular de quão bons patrões nos calharam em sorte (sendo certo que uma está na neve e outro passou a manhã no surf, o que é sempre bom).
#pócaralho
#pócaralho
Worst Day Of May Life - Parte III
Pelo facto de ter ficado com a fronha toda amassada pela aterragem filha-da-puta, que me fodeu toda, é preciso dizer, já não preciso de gastar dinheiro em máscaras de Carnaval, que já tenho a cara toda enfeitada.
Se isto não é olhar para o lado mais feliz da vida, não sei o que mais possa ser.
Se isto não é olhar para o lado mais feliz da vida, não sei o que mais possa ser.
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Isto Só a Mim...
Worst day Of My Life - Parte II
Sem dúvida a melhor parte de toda a experiência é ver as fotografias, depois de se ter quase morrido nas alturas com não-sei-quantos longos segundos sem conseguir fazer entrar oxigénio no corpo.
Principalmente as caras de cu que uma pessoa, lutando pela sobrevivência, faz a cair a 200km/h de uma altura de 4200m.
Não ponho aqui porque tenho honesta vergonha dos propósitos naquela altura porque, a bem da verdade, é de partir o coco a rir. Caras dignas da melhor comédia, a sério.
Para compensar, vou na rua a rir-me sozinha da minha triste figura, ficando todo o povão a olhar para mim, maluquinha, com a cara em obras e a rir-me como uma perdida.
Já se está mesmo a ver o que vai acontecer da próxima vez que for ao cabeleireiro e me estiverem a lavar a cabeça, não é...?!
Só me falta a sentença, já se sabe...
Principalmente as caras de cu que uma pessoa, lutando pela sobrevivência, faz a cair a 200km/h de uma altura de 4200m.
Não ponho aqui porque tenho honesta vergonha dos propósitos naquela altura porque, a bem da verdade, é de partir o coco a rir. Caras dignas da melhor comédia, a sério.
Para compensar, vou na rua a rir-me sozinha da minha triste figura, ficando todo o povão a olhar para mim, maluquinha, com a cara em obras e a rir-me como uma perdida.
Já se está mesmo a ver o que vai acontecer da próxima vez que for ao cabeleireiro e me estiverem a lavar a cabeça, não é...?!
Só me falta a sentença, já se sabe...
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Isto Só a Mim...,
O Direito tornou-me inimputável
Queixume Pós Gestacional #7
Passei tanto tempo com fomes de alimentos proibidos, a 'aguar' (expressão muito típica da minha ilustre terra e que deve ler-se 'augar') por coisas simples como queijos moles, chouriços e presunto (já para não falar no maldito sushi, cuja fome me perseguiu durante 39 longas semanas) que cada vez que, agora já sem qualquer tipo de restrição alimentar, vou, toda lampeira, comer como uma abadessa, ainda paro muitas vezes a pensar se posso comer estas coisas boas.
Isto quando, às vezes esquecida, já vai o prato a meio e se me vem à memória que não poderia estar a comer este ou aquele alimento, ainda tenho 1,2 microssegundos de pânico, pensando que o puto vai nascer com um alho-porro na testa à pala da minha gula desenfreada. Depois lembro-me das vinte e nove horas e meia de trabalho de parto para o bezerro sair e deixo-me logo de merdas, comendo o que mais haja.
Tão bom, não é?
Isto quando, às vezes esquecida, já vai o prato a meio e se me vem à memória que não poderia estar a comer este ou aquele alimento, ainda tenho 1,2 microssegundos de pânico, pensando que o puto vai nascer com um alho-porro na testa à pala da minha gula desenfreada. Depois lembro-me das vinte e nove horas e meia de trabalho de parto para o bezerro sair e deixo-me logo de merdas, comendo o que mais haja.
Tão bom, não é?
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Do Estabelecimento da Maternidade
Worst Day Of My Life
E olhem que pari sem anestesia...
E esborrachei as trombas na aterragem...
Nada se compara com este sufoco de cair no vazio sem conseguir respirar.
Foda-se, não me apanham noutra.
Tirando isso, foi horrível.
E esborrachei as trombas na aterragem...
Nada se compara com este sufoco de cair no vazio sem conseguir respirar.
Foda-se, não me apanham noutra.
Tirando isso, foi horrível.
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Isto Só a Mim...
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Salty as Fuck #16
Como ser advogado é uma profissão de risco para o cérebro, de vez em quando acontecem coisas como ir todo lampeiro para o tribunal, a pensar que se tinha audiência prévia no dia de hoje, dia 24 de Fevereiro, às 10h quando afinal a porra da audiência prévia só terá lugar no dia 24 de Março, pela mesma hora.
Distrações todos temos e não faz de nós menos profissionais nem mais estúpidos por causa disso, são coisas que acontecem. Quando a chefia fica a saber do sucedido, esboça um sorriso e, com uma pancadinha amigável nas costas, limita-se a dizer: "Deixe lá."
Não é por nada, nem por mera inveja do distraído, mas se fosse comigo estaria o caldo entornado e não faltariam adjectivos menos bondosos e simpáticos para qualificar a minha falta de atenção e devaneio.
Como daquela vez em que fui para não-sei-onde, creio que Mafra ou uma terra sinistra parecida, em dia de feriado municipal e quando regressei ao ninho após a viagem frustrada, não faltaram logo comentários muito queridos e abonadores da minha pessoa, começando e acabando com a máxima de para que queria eu a agenda jurídica se nem sequer me servia dela para ver os feriados das terras vizinhas.
O que chateia nem é o ralhete, nem a falta de atenção em si, que existe e por isso tem que ser corrigida; é mais a diferença de tratamento, numa verdadeira acepção da expressão uns filhos outros enteados.
Portanto, o que apraz dizer, em vez das caralhadas habituais é simplesmente: ai se fosse eu...
Distrações todos temos e não faz de nós menos profissionais nem mais estúpidos por causa disso, são coisas que acontecem. Quando a chefia fica a saber do sucedido, esboça um sorriso e, com uma pancadinha amigável nas costas, limita-se a dizer: "Deixe lá."
Não é por nada, nem por mera inveja do distraído, mas se fosse comigo estaria o caldo entornado e não faltariam adjectivos menos bondosos e simpáticos para qualificar a minha falta de atenção e devaneio.
Como daquela vez em que fui para não-sei-onde, creio que Mafra ou uma terra sinistra parecida, em dia de feriado municipal e quando regressei ao ninho após a viagem frustrada, não faltaram logo comentários muito queridos e abonadores da minha pessoa, começando e acabando com a máxima de para que queria eu a agenda jurídica se nem sequer me servia dela para ver os feriados das terras vizinhas.
O que chateia nem é o ralhete, nem a falta de atenção em si, que existe e por isso tem que ser corrigida; é mais a diferença de tratamento, numa verdadeira acepção da expressão uns filhos outros enteados.
Portanto, o que apraz dizer, em vez das caralhadas habituais é simplesmente: ai se fosse eu...
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
Salty as Fuck #15
Habitamos profissionalmente numa casa velha. Embora bem arranjadinha e adaptada à modernidade dos dias correntes, padece de muitas e vastas maleitas, próprias da idade, que os proprietários vão remendando aqui e acolá.
Hoje, estava tudo na sua vidinha, ao que parece, que a minha pessoa estava fora nas andanças costumeiras, quando cai o tecto da sala de reuniões. Assim. Do nada. Ouve-se um grande estrondo e, quando se dá por ela, está o estuque e a madeira todos no chão, em cima da mesa, das cadeiras, dos móveis, enquanto se abria uma goela preta e imunda, toda podre e cheia de teias de aranha, por cima das cabeças de todos.
Claro que toda a gente se mobilizou para arrumar e limpar imediatamente a sala, até porque havia clientes a chegar e parece que dá um bocado de mau aspecto recebê-los numa barraca em ruínas. Ninguém se queixou, toda a gente meteu mãos à obra num instante.
O que mete mesmo nojo, mais nojo que aquelas teias cheias de moscas mortas que agora pendem da bocarra aberta no tecto é que aquele barrigudo de merda - que é assim que na minha ilustre terra se chama aos gajos que não fazem ponta de corno - em vez de se dobrar para varrer o chão, apanhar o entulho, aspirar o pó, tirar a carpete, limpar a poeira nos móveis, e todas as outras coisas que estão por fazer numa sala onde acabou - for fuck sake, caralho! - de cair a porra do tecto, põe-se ao longe a mandar bitaites estúpidos, a mandar a trabalhar quem já está ocupado (lindo...) e aos gritinhos porque as coisas não estão a ser feitas como sua majestade deseja. Tudo porque o bode não pode sujar-se, como está bom de ver.
Nem vale a pena começar a tecer grandes considerandos porque senão nunca mais daqui saímos, tamanha a estupidez, cretinismo e mesquinhez associadas.
Apenas pergunto se não poderia ter o tecto caído em cima dele quando estivesse a dar consulta.
Hoje, estava tudo na sua vidinha, ao que parece, que a minha pessoa estava fora nas andanças costumeiras, quando cai o tecto da sala de reuniões. Assim. Do nada. Ouve-se um grande estrondo e, quando se dá por ela, está o estuque e a madeira todos no chão, em cima da mesa, das cadeiras, dos móveis, enquanto se abria uma goela preta e imunda, toda podre e cheia de teias de aranha, por cima das cabeças de todos.
Claro que toda a gente se mobilizou para arrumar e limpar imediatamente a sala, até porque havia clientes a chegar e parece que dá um bocado de mau aspecto recebê-los numa barraca em ruínas. Ninguém se queixou, toda a gente meteu mãos à obra num instante.
O que mete mesmo nojo, mais nojo que aquelas teias cheias de moscas mortas que agora pendem da bocarra aberta no tecto é que aquele barrigudo de merda - que é assim que na minha ilustre terra se chama aos gajos que não fazem ponta de corno - em vez de se dobrar para varrer o chão, apanhar o entulho, aspirar o pó, tirar a carpete, limpar a poeira nos móveis, e todas as outras coisas que estão por fazer numa sala onde acabou - for fuck sake, caralho! - de cair a porra do tecto, põe-se ao longe a mandar bitaites estúpidos, a mandar a trabalhar quem já está ocupado (lindo...) e aos gritinhos porque as coisas não estão a ser feitas como sua majestade deseja. Tudo porque o bode não pode sujar-se, como está bom de ver.
Nem vale a pena começar a tecer grandes considerandos porque senão nunca mais daqui saímos, tamanha a estupidez, cretinismo e mesquinhez associadas.
Apenas pergunto se não poderia ter o tecto caído em cima dele quando estivesse a dar consulta.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Salty as Fuck #14
Maneiras que tem sido mais ou menos este o espírito por aqui nos últimos tempos, mas mais vale estar calada porque a merda é sempre toda igual, queixinhas para aqui, queixinhas para acolá, e depois fica-se sempre na mesma como a lesma até ao dia em que se morre e não se deixa nada para trás, nem uma marca nem uma memória, nem coisa nenhuma e acabamos por ser sempre todos as mesmas mulas de carga, fazer alguma coisa para mudar é que está de gesso, que é lá isso que dá trabalho e anda tudo sem vontade, maneiras que volta tudo à mesma dança quotidiana, fastidiosa e que mata aos poucos e não vale a pena estar-se tudo a chatear, mais vale estar-se tudo a borrifar.
Ou então não.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
Reminiscências #16
Às vezes, quando estou no meio de um qualquer afazer, lembro-me daquele dia na escola primária, algures na 1ª classe, em que levei um tabefe no rabo da senhora professora.
Já não era tempo de réguadas, ou orelhas de burro ou coças de meia-noite na escola, mas ainda não se estava nos tempos áureos de hoje em dia, em que uma coisa destas dava direito a pendurarem a senhora professora pelos pés num poste, sem roupa e com ferros em brasa a serem-lhe enfiados pelos orifícios corporais sem pausa para almoço. Como está bom de ver, devia estar a fazer qualquer coisa que me mandaram e a gaja, como déspota que era, resolveu fazer tábua rasa dos direitos adquiridos no 25 de Abril e enfardou-me um estaladão pelas nalgas dentro.
Naquele tempo, e agora parece que recuámos ao tempo em que o messias dos outros ainda caminhava pela terra, a minha Avó ia esperar-me ao portão da escola, juntamente com outras mães e avós desta vida que, sem nada para fazer, iam zelar pela segurança dos seus mais-que-queridos no caminho escola-casa.
Já não sei o que terá fundamentado tal conduta, se não achei grande graça ao tabefe que levei (provável) ou se tinha medo que a senhora professora se adiantasse e fosse dizer à temível Avó o que tinha feito (muito provável), o que é certo é que assim que pus o pé fora da porta do edifício e assim que avisto aquela cabeleira toda branca, dou um grito: "Ó Avó, hoje apanhei!".
Gargalhada geral, está visto.
A pobre mulher, com o rosto escondido dentro de uma mão, ria-se de perdida. Mas deu algum resultado: acabou por achar alguma graça e, daquela vez, não ouvi ralhar.
Às vezes, lembro-me disto, e de outras histórias da minha longínqua infância. Normalmente quando estou a conduzir em fila e a polícia está mesmo ao lado ou então quando vou ao cabeleireiro e me estão a lavar a cabeça, que o riso tem um sentido de oportunidade tremendo.
Já não era tempo de réguadas, ou orelhas de burro ou coças de meia-noite na escola, mas ainda não se estava nos tempos áureos de hoje em dia, em que uma coisa destas dava direito a pendurarem a senhora professora pelos pés num poste, sem roupa e com ferros em brasa a serem-lhe enfiados pelos orifícios corporais sem pausa para almoço. Como está bom de ver, devia estar a fazer qualquer coisa que me mandaram e a gaja, como déspota que era, resolveu fazer tábua rasa dos direitos adquiridos no 25 de Abril e enfardou-me um estaladão pelas nalgas dentro.
Naquele tempo, e agora parece que recuámos ao tempo em que o messias dos outros ainda caminhava pela terra, a minha Avó ia esperar-me ao portão da escola, juntamente com outras mães e avós desta vida que, sem nada para fazer, iam zelar pela segurança dos seus mais-que-queridos no caminho escola-casa.
Já não sei o que terá fundamentado tal conduta, se não achei grande graça ao tabefe que levei (provável) ou se tinha medo que a senhora professora se adiantasse e fosse dizer à temível Avó o que tinha feito (muito provável), o que é certo é que assim que pus o pé fora da porta do edifício e assim que avisto aquela cabeleira toda branca, dou um grito: "Ó Avó, hoje apanhei!".
Gargalhada geral, está visto.
A pobre mulher, com o rosto escondido dentro de uma mão, ria-se de perdida. Mas deu algum resultado: acabou por achar alguma graça e, daquela vez, não ouvi ralhar.
Às vezes, lembro-me disto, e de outras histórias da minha longínqua infância. Normalmente quando estou a conduzir em fila e a polícia está mesmo ao lado ou então quando vou ao cabeleireiro e me estão a lavar a cabeça, que o riso tem um sentido de oportunidade tremendo.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Parece que hoje é Dia Mundial do Gato.
Queria parecer contente com a celebração de tal criatura majestosa, mas não consigo.
Tenho saudades, grandes e dolorosas, do meu querido e felpudo amigo que partiu há 6 meses e que deixou a minha vida infinitamente mais pobre. Tenho em mim o desgosto cravado, que carrego comigo para qualquer parte e não consigo deixar de olhar para aquela casa, agora vazia e cinzenta, e não ver um olho azul a espreitar, uma causa de fora de uma cadeira ou uma pata em cima de um parto ou copo, na cozinha.
Ainda por cima, agora que tenho um bebé fofo e rechonchudo não lhe posso mostrar a maravilha que é ter um animal de estimação que se aloja no peito, se torna parte de nós e nos acompanha para o resto da vida.
Still miss you, baby.
Still miss you.
Queria parecer contente com a celebração de tal criatura majestosa, mas não consigo.
Tenho saudades, grandes e dolorosas, do meu querido e felpudo amigo que partiu há 6 meses e que deixou a minha vida infinitamente mais pobre. Tenho em mim o desgosto cravado, que carrego comigo para qualquer parte e não consigo deixar de olhar para aquela casa, agora vazia e cinzenta, e não ver um olho azul a espreitar, uma causa de fora de uma cadeira ou uma pata em cima de um parto ou copo, na cozinha.
Ainda por cima, agora que tenho um bebé fofo e rechonchudo não lhe posso mostrar a maravilha que é ter um animal de estimação que se aloja no peito, se torna parte de nós e nos acompanha para o resto da vida.
Still miss you, baby.
Still miss you.
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Lado Contrário do Espelho
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Qualquer Semelhança Com a Realidade Já Não É Pura Coincidência
Tanto tempo a destilar ódio que agora sinto falta de não ter nada com que embirrar.
Não que lhe sinta a falta, nem nada disso, porra nem pensar.
Mas confesso que sinto alguma falta da rúbrica do 'Qualquer Semelhança'. Saudosa, fui à procura numa pasta de vídeos os que guardava para aquela etiqueta, para ver se podia aproveitar algum dos que lá estão para outras ocasiões e dei com os olhos neste.
Guardei-o para o dia em que ele se fodesse todo e fosse definitivamente para a puta que o pariu - vede a minha capacidade visionária e divinatória: sempre soube que isto havia de dar asneira, mas não vale a pena estar para aqui a repetir a mesma história que já repeti 26545 vezes e cujo bottom line é eu tinha razão - e acabei por me esquecer de a colocar aqui (como foi possível?!)
Deixo-o aqui como lembrete do que foi e de como mais vale rir agora de toda a merda que poderia ter sido (bem pior, como está bom de ver).
Não que lhe sinta a falta, nem nada disso, porra nem pensar.
Mas confesso que sinto alguma falta da rúbrica do 'Qualquer Semelhança'. Saudosa, fui à procura numa pasta de vídeos os que guardava para aquela etiqueta, para ver se podia aproveitar algum dos que lá estão para outras ocasiões e dei com os olhos neste.
Guardei-o para o dia em que ele se fodesse todo e fosse definitivamente para a puta que o pariu - vede a minha capacidade visionária e divinatória: sempre soube que isto havia de dar asneira, mas não vale a pena estar para aqui a repetir a mesma história que já repeti 26545 vezes e cujo bottom line é eu tinha razão - e acabei por me esquecer de a colocar aqui (como foi possível?!)
Deixo-o aqui como lembrete do que foi e de como mais vale rir agora de toda a merda que poderia ter sido (bem pior, como está bom de ver).
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Teorias do Homicídio Qualificado
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Tem tudo para correr mal: escrito na primeira pessoa, o que normalmente é prelúdio de obra pobre, sobre acontecimentos (no início) muito pouco interessantes sobre uma personagem dúbia e extremamente controversa.
No entanto, as primeira impressões são enganadoras e posso afirmar, com toda a honestidade, que se revelou uma história rica em pormenores deliciosos e repleta de relatos históricos sobre a Revolução Francesa, os períodos do Terror e do Directório e a ascensão de Bonaparte ao poder que não se encontram em livros de História.
Relevo o final surpreende e muito original.
Muito bom.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Mais do Mesmo
Chupa, puta.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Queixume Pós Gestacional #6
A única pequena mágoa que guardo é que antigamente, e parece que estou a falar de há 10 anos atrás, chegada a sexta-feira era dia de jantarinho fora e cineminha.
Ele era sushi, ele era bifes, ele era pizza, ele era tudo e mais um par de botas. E depois, filmes e mais filmes. Às vezes pipocas.
Agora não.
Mas chego a casa e tenho uma Corujinha que se ri quando olho para ele e que fica genuinamente contente por me ver.
E é tão fixe, caraças.
Ele era sushi, ele era bifes, ele era pizza, ele era tudo e mais um par de botas. E depois, filmes e mais filmes. Às vezes pipocas.
Agora não.
Mas chego a casa e tenho uma Corujinha que se ri quando olho para ele e que fica genuinamente contente por me ver.
E é tão fixe, caraças.
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Do Estabelecimento da Maternidade
Salty as Fuck #13
Ainda mal cheguei e já nada esta puta desta casa no mesmo vendaval do costume.
Ainda mal cheguei e já só oiço falar em merdas que já oiço há sete anos.
Ainda mal cheguei e só oiço ora cochichos, ora berros, todos sobre o mesmo tema.
Reunião anual.
Que é como quem diz, hora de levar na boca colectiva e individualmente, seja à frente de quem for.
Ainda mal cheguei e já só quero ir embora.
Ainda mal cheguei e já só oiço falar em merdas que já oiço há sete anos.
Ainda mal cheguei e só oiço ora cochichos, ora berros, todos sobre o mesmo tema.
Reunião anual.
Que é como quem diz, hora de levar na boca colectiva e individualmente, seja à frente de quem for.
Ainda mal cheguei e já só quero ir embora.
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Este é um livro muito amargo.
Amargo na escrita, amargo na condução da narrativa, amargo no desfecho.
É das obras mais pequenas desta série mas que ninguém se deixe enganar pelo tamanho: dentro deste pequeno livro está, sobejamente bem escrito, diga-se, a essência do sucesso de Scarrow. Grandes textos descritivos que não maçam, batalhas incríveis, feitos notáveis, perdas irreparáveis, derrotas totais. E o sentimento de desespero, dor e mágoa que atravessa todo o livro entranha-se no peito do leitor para não mais o deixar.
Classificar como 'muito bom' ou 'excelente' é apoucar uma obra absolutamente fabulosa.
Não percebo bem porque raio haveria Scarrow de, depois de ter passado 13 livros a chamar Quinto Licínio Cato ao personagem, de repente, passa a chamar-lhe Marco Licínio Cato ou mesmo Marco Quinto Cato. Se é para o aproximar de uma personagem histórica real, creio que não serão bem contemporâneos. Ainda pensei em escrever, muito indignada, ao Sr. Scarrow e mandar vir, mas depois caí em mim e percebi que já ter chateado a senhora da editora, que foi muito simpática ao responde-me, já era demais e fui antes comer uma peça de fruta.
Amargo na escrita, amargo na condução da narrativa, amargo no desfecho.
É das obras mais pequenas desta série mas que ninguém se deixe enganar pelo tamanho: dentro deste pequeno livro está, sobejamente bem escrito, diga-se, a essência do sucesso de Scarrow. Grandes textos descritivos que não maçam, batalhas incríveis, feitos notáveis, perdas irreparáveis, derrotas totais. E o sentimento de desespero, dor e mágoa que atravessa todo o livro entranha-se no peito do leitor para não mais o deixar.
Classificar como 'muito bom' ou 'excelente' é apoucar uma obra absolutamente fabulosa.
Não percebo bem porque raio haveria Scarrow de, depois de ter passado 13 livros a chamar Quinto Licínio Cato ao personagem, de repente, passa a chamar-lhe Marco Licínio Cato ou mesmo Marco Quinto Cato. Se é para o aproximar de uma personagem histórica real, creio que não serão bem contemporâneos. Ainda pensei em escrever, muito indignada, ao Sr. Scarrow e mandar vir, mas depois caí em mim e percebi que já ter chateado a senhora da editora, que foi muito simpática ao responde-me, já era demais e fui antes comer uma peça de fruta.
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Mais uma obra que não se consegue parar de ler e que arrasta o leitor para a angústia ao
ver a obra terminar.
O factor surpresa no final do livro mostra que Scarrow não se encosta à fama que criou e que consegue aplicar um valente murro nos queixos de quem o lê.
Soberbo.
ver a obra terminar.
O factor surpresa no final do livro mostra que Scarrow não se encosta à fama que criou e que consegue aplicar um valente murro nos queixos de quem o lê.
Soberbo.
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Quando se gosta verdadeiramente do universo de Harry Potter, qualquer historieta, ainda que remotamente relacionada com tal mundo, é um afago para a vista. E para o coração.
Quando falamos de uma história que relata o que sucedeu 19 anos depois é um reviver imenso e sempre muitíssimo agradável.
Atrás da simplicidade quase infantil do texto está claramente o génio de Rowling.
Pena que esta autora não tenha querido desenvolver para a escrita narrativa este conto dramático, que é uma pena ver chegar ao fim.
Pelo menos permite matar saudades de Harry Potter e seus amigos.
Muito bom.
Quando falamos de uma história que relata o que sucedeu 19 anos depois é um reviver imenso e sempre muitíssimo agradável.
Atrás da simplicidade quase infantil do texto está claramente o génio de Rowling.
Pena que esta autora não tenha querido desenvolver para a escrita narrativa este conto dramático, que é uma pena ver chegar ao fim.
Pelo menos permite matar saudades de Harry Potter e seus amigos.
Muito bom.
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Boas descrições, grande enredo, excelente contexto histórico.
Muita acção e violência que apimenta este conto de aventuras dos velhos amigos, Macro e Cato.
Ajax deixou de ser um personagem demagogo para ser um completamente idiota.
Releve-se o fim deste ser que deixa um sabor amargo na boca e que fazem com que o leitor tenha vontade de mandar os dois livros (que versam sobre o Ajax) com os quais perdeu tempo a ler pela janela fora: depois de tanto esforço e perseguição ver o vilão da história, por mais estúpido que possa ser, a ser comido por um crocodilo (!!!) em vez de morrer às mãos dos heróis é deveras frustrante.
Mais uma vez, como em A Águia no Deserto, dá a sensação que o final do livro foi escrito à pressa e sem arte.
Uma pena.
Muita acção e violência que apimenta este conto de aventuras dos velhos amigos, Macro e Cato.
Ajax deixou de ser um personagem demagogo para ser um completamente idiota.
Releve-se o fim deste ser que deixa um sabor amargo na boca e que fazem com que o leitor tenha vontade de mandar os dois livros (que versam sobre o Ajax) com os quais perdeu tempo a ler pela janela fora: depois de tanto esforço e perseguição ver o vilão da história, por mais estúpido que possa ser, a ser comido por um crocodilo (!!!) em vez de morrer às mãos dos heróis é deveras frustrante.
Mais uma vez, como em A Águia no Deserto, dá a sensação que o final do livro foi escrito à pressa e sem arte.
Uma pena.
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Macro e Cato estão de volta à Britânia para combater, uma vez mais, o exército de Caráctaco. História extremamente empolgante que prende o leitor até à ultima página.
Nota-se cada vez mais a evolução na escrita de Scarrow, que supera todas as expectativas e contos anteriores.
Nota-se cada vez mais a evolução na escrita de Scarrow, que supera todas as expectativas e contos anteriores.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
George Michael
Não podia deixar de assinalar a minha profunda e sincera tristeza pelo desaparecimento do músico.
Isto porque, para além da inegável qualidade do trabalho e do enorme talento, a verdade é que, segundo lendas que pairam na minha família, parece que devo a existência a este senhor, que fez uns belos álbuns com umas belas músicas ao som das quais fui concebida (iuuuu, sinistralidade on sight).
Resta a memória que, essa, com toda a certeza não se desvanecerá dado o imenso legado deixado às próximas gerações.
Espero que o vosso Natal tenha sido bom. O meu foi para lá de porreiro, com as montanhas de comida habituais e o convívio bonacheirão dos familiares que sobram.
Apraz especialmente contatar que aquele mito de, assim que nascem os putos, os pais deixam de receber presentes é falso. Absolutamente falso!
Será melhor não deitar muitos foguetes, que este foi só o primeiro ano...
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Queixume Pós Gestacional #5
Não é segredo para ninguém que sou uma ferverosa apoiante do sistema nacional de saúde.
Toda a vida me servi dele. Toda a vida fui bem tratada, bem atendida, a tempo e com resultados bastante positivos.
Nunca me coibi de fazer boa publicidade ao serviço público e confesso que sempre tive algumas dúvidas quanto à idoneidade de uma pessoa que falasse mal gratuitamente desta instituição.
Não digo que não existam problemas, que existem e são bastante graves, ou que as pessoas não têm de que se queixar. Não é verdade; há muito ainda que fazer e muito o que melhorar. Apenas, até à data, não tinha tido qualquer experiência no sistema nacional de saúde que não fosse boa.
Até levar o puto ao centro de saúde de Almada para fazer o teste do pézinho.
A começar pelo facto de ter que se agendar o dito teste, o que para uma coisa que tem de ser feita até ao 6º dia de vida dos petizes e haver mais bebés em Almada que couves numa horta, faz imenso sentido.
Mas o que mete mesmo nojo é o escrutínio a que nos sujeitam.
Assim que, respondendo ao que me foi perguntado, disse que tinha sido seguida, durante a gravidez, por obstetra em clínica privada foi o descalabro.
Quando disse que tinha parido no Hospital de Cascais em vez de no bendito Garcia de Orta, foi o fim. Parecia que, ao invés, havia dito que nunca fui ao médico durante os nove meses e que tinha dado à luz numa casa de banho pública.
Fui sujeita a uma série de perguntas invasivas da minha privacidade, acerca das minhas escolhas e dos profissionais que me tinham seguido. Tiveram a lata e o descaramento de me perguntar inclusivamente o porquê de ter feito semelhantes opções.
Como não ficaram de todo contentes com as respostas, mas que é isto, gente que vai ao médico onde quer, mudaram o alvo da atenção para o rapaz e fizeram-lhe uma inspecção digna do Dia da Defesa Nacional.
Escusado será dizer que implicaram com tudo: com o peso, com a roupa que trazia vestida, com o tamanho da fralda, com o modo como pousámos o ovo com o miúdo lá dentro. E fizeram questão de frizar que a minha pessoa estava a amamental mal, sem querer saber se tinha leite ou não (a verdade é que não tinha e, duas semanas depois, a merda do leite sumiu-se para nunca mais voltar, mas isso não era importante para aquela vacaria).
Resumindo, tudo fizeram e disseram para que nos sentissemos os piores pais do mundo, em especial, a porca da mãe que não tinha nada que ir parir do outro lado do rio e de arranjar a obstetra que lhe apetecia, mas onde é que isto já se viu.
Portanto, puta que pariu esta merda toda.
Anda uma pessoa, no seu inocente socialismo, a dizer maravilhas do sistema de saúde que o Estado arranjou para depois lhe calharem estas escanchadas de merda, velhas como a terra que nunca nas suas vidas miseráveis devem ter frequentado um curso de enfermagem que não fosse um dado nas Novas Oportunidades (com todo o respeito pelas Novas Oportunidades), que fodem a cabeça o pessoal mais que imberbe nestas andanças da maternidade.
Deveria ter pena delas, que não conhecem mais da vida que aquilo que a revista Maria lhes mostra ou aquilo que as pessoas dos bairros problemáticos de Almada lhes trazem, mas não tenho. Porque aposto que com as pessoas do bairro não falam elas assim, que ainda há respeito pelas classes desfavorecidas. Pelas classes mais ou menos é que não há respeito nenhum.
Para o caralho com as gentinhas de merda.
Cada vez que penso que tenho que lá voltar para porras de vacinações e o caralho, até fico com cólicas em sítios que nem sabia que era possível ter cólicas. Ainda hoje, quando fomos ao passeio das vacinas dos dois meses, uma daquelas charolesas me perguntou se já tinha marcado a consulta e que pediatra é que tinha escolhido para o puto. E tu com isso, ó desocupada dum raio? És tu que marcas as consultas ou estás à espera de me dar lições de deveres maternais? Se calhar estavas à espera que levasse o miúdo ao médico de clínica geral que atende 56747463 crianças por dia e não toma atenção a nenhuma, como o que vocês aí têm, em vez de o levar a um pediatra, não?
Foda-se mais a isto.
Toda a vida me servi dele. Toda a vida fui bem tratada, bem atendida, a tempo e com resultados bastante positivos.
Nunca me coibi de fazer boa publicidade ao serviço público e confesso que sempre tive algumas dúvidas quanto à idoneidade de uma pessoa que falasse mal gratuitamente desta instituição.
Não digo que não existam problemas, que existem e são bastante graves, ou que as pessoas não têm de que se queixar. Não é verdade; há muito ainda que fazer e muito o que melhorar. Apenas, até à data, não tinha tido qualquer experiência no sistema nacional de saúde que não fosse boa.
Até levar o puto ao centro de saúde de Almada para fazer o teste do pézinho.
A começar pelo facto de ter que se agendar o dito teste, o que para uma coisa que tem de ser feita até ao 6º dia de vida dos petizes e haver mais bebés em Almada que couves numa horta, faz imenso sentido.
Mas o que mete mesmo nojo é o escrutínio a que nos sujeitam.
Assim que, respondendo ao que me foi perguntado, disse que tinha sido seguida, durante a gravidez, por obstetra em clínica privada foi o descalabro.
Quando disse que tinha parido no Hospital de Cascais em vez de no bendito Garcia de Orta, foi o fim. Parecia que, ao invés, havia dito que nunca fui ao médico durante os nove meses e que tinha dado à luz numa casa de banho pública.
Fui sujeita a uma série de perguntas invasivas da minha privacidade, acerca das minhas escolhas e dos profissionais que me tinham seguido. Tiveram a lata e o descaramento de me perguntar inclusivamente o porquê de ter feito semelhantes opções.
Como não ficaram de todo contentes com as respostas, mas que é isto, gente que vai ao médico onde quer, mudaram o alvo da atenção para o rapaz e fizeram-lhe uma inspecção digna do Dia da Defesa Nacional.
Escusado será dizer que implicaram com tudo: com o peso, com a roupa que trazia vestida, com o tamanho da fralda, com o modo como pousámos o ovo com o miúdo lá dentro. E fizeram questão de frizar que a minha pessoa estava a amamental mal, sem querer saber se tinha leite ou não (a verdade é que não tinha e, duas semanas depois, a merda do leite sumiu-se para nunca mais voltar, mas isso não era importante para aquela vacaria).
Resumindo, tudo fizeram e disseram para que nos sentissemos os piores pais do mundo, em especial, a porca da mãe que não tinha nada que ir parir do outro lado do rio e de arranjar a obstetra que lhe apetecia, mas onde é que isto já se viu.
Portanto, puta que pariu esta merda toda.
Anda uma pessoa, no seu inocente socialismo, a dizer maravilhas do sistema de saúde que o Estado arranjou para depois lhe calharem estas escanchadas de merda, velhas como a terra que nunca nas suas vidas miseráveis devem ter frequentado um curso de enfermagem que não fosse um dado nas Novas Oportunidades (com todo o respeito pelas Novas Oportunidades), que fodem a cabeça o pessoal mais que imberbe nestas andanças da maternidade.
Deveria ter pena delas, que não conhecem mais da vida que aquilo que a revista Maria lhes mostra ou aquilo que as pessoas dos bairros problemáticos de Almada lhes trazem, mas não tenho. Porque aposto que com as pessoas do bairro não falam elas assim, que ainda há respeito pelas classes desfavorecidas. Pelas classes mais ou menos é que não há respeito nenhum.
Para o caralho com as gentinhas de merda.
Cada vez que penso que tenho que lá voltar para porras de vacinações e o caralho, até fico com cólicas em sítios que nem sabia que era possível ter cólicas. Ainda hoje, quando fomos ao passeio das vacinas dos dois meses, uma daquelas charolesas me perguntou se já tinha marcado a consulta e que pediatra é que tinha escolhido para o puto. E tu com isso, ó desocupada dum raio? És tu que marcas as consultas ou estás à espera de me dar lições de deveres maternais? Se calhar estavas à espera que levasse o miúdo ao médico de clínica geral que atende 56747463 crianças por dia e não toma atenção a nenhuma, como o que vocês aí têm, em vez de o levar a um pediatra, não?
Foda-se mais a isto.
sábado, 3 de dezembro de 2016
My Name Is Fulla Shit
Estou a ter um dia particularmente desinspirado.
Significa tão somente que tenho uma série de impropérios e queixumes para deitar cá para fora e não consigo arranjar uma maneira minimamente airosa para o fazer.
Quem é que estou a tentar enganar? O que queria mesmo era escrever um texto mega encriptado a exorcisar uns males que para aqui andam.
Falar mal, portanto. Queria dizer um monte de alarvidades cá sobre coisas e não me apetecia muito que quem lesse percebesse exactamente a quem me refiro ou a quem me refiro.
Apetecia-me, afinal, ser cobarde e deixar camuflado todas as parvoíces que tenho vontade de dizer. Como é meu apanágio, no fim de contas.
Porém, hoje não sei se consigo.
A verdade é que estou um bocado chateada. Tudo porque subitamente me vi próxima de uma avestruz, não na literalidade da palavras, como é óbvio, que até costumava apreciar mas que, pelo comportamento demonstrado ao longo de sei lá quantos anos, passei a não gostar nada. Antes até tolerava; atribuía o comportamento estranho à excentricidade da personalidade. Agora acho só estúpido. Provavelmente sempre foi assim; à minha pessoa só agora é que bateu.
Não gosto lá muito que me mintam.
Também não aprecio muito que me façam de estúpida, contando mentiras que facilmente se descobrem. Requer-se de quem mente que a mentira seja minimamente engenhosa para que o interlocutor não descubra a mentira. E esse engenho até é algo meritório, requer muita imaginação e argúcia. Agora percebo que não há engenho nenhum, é mesmo só estupidez e vontade de fazer os outros de otários.
Tenho um certo problema com a má educação, também. A inconveniência das conversas é coisa que me causa alguma comichão no olho esquerdo. Estar à mesa a mandar bitaites idiotas e a fazer juízos de valor do comportamento alheio é coisa para me causar alguma confusão. Abancar na casa dos outros sem ser convidado dá-me uma imediata vontade de começar a servir chá laxante. Tanto ou tão pouco que obriga quem recebe a colocar o abancador delicadamente na rua, recorrendo a um mecanismo tão velho quanto (pensava) eficaz de "olha desculpa lá mas tenho que sair" (da minha própria casa, atente-se!). Mas o que me tira mesmo do sério é a ilustre resposta a esta tirada que pode surgir aos mais incauto dos idiotas que ainda se dão ao trabalho de ser educados: Então podes ir que eu fico aqui.
Ahn?!
Ficas na minha casa enquanto eu me vou embora???
A sério? Terei ouvido bem?!
Pensava eu que teria ouvido todas as tiradas de má educação aquando do meu casamento, em que tive oportunidade de ouvir toda a estupidez humana no que quis respeito a exigências (vejam só...) dos convidados. Afinal, estava profundamente enganada. Ainda estava mais para vir.
Portanto, só me resta praguejar e mandar vir.
Quésta merda, caralho?!
Lá que não tenhas apanhado o suficiente em pequeno não te dá o direito de esfregar a má educação nas trombas dos outros, esperando que todos reconheçam a majestade do gesto.
Acabou-se a parcimónia.
Porque se me acabou a paciência.
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Teorias do Homicídio Qualificado
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Queixume Gestacional #4
É sobejamente conhecido - comprovado por essa ciência em ascensão, a sabedoria popular - que a gravidez deixa sequelas no corpo da mulher.
E não me refiro ao cu gigante, às pregas na barriga, às estrias e às mamas mais moles que pudins. Essas são as alterações "normais". Refiro-me às alterações estranhas, enfim, coisas que antes eram mais que adquiridas e mais que solidificadas. Começo a achar que a conversa de cabeleireiro afinal sempre era verdade... Sabem, aquela conversa fiada de "ai quando nasceu o meu Sidónio passei a gostar de favas de escabeche quando antes nem as podia ver" ou "Depois de ter a minha princesa deixei de precisar de usar óculos".
Estes mitos urbanos... Serão, afinal, verdade?!
Tudo isto para expressar uma dúvida que me assola.
Não tenho bem a certeza que toooodos os meus sapatos terão encolhido depois de muitos meses sem serem usados ou então passei a usar o número acima, o que não só é extremamente embaraçoso como me cria um problema desgraçado dado que não tenho calçado que me sirva decentemente.
Foda-se mais a isto.
E não me refiro ao cu gigante, às pregas na barriga, às estrias e às mamas mais moles que pudins. Essas são as alterações "normais". Refiro-me às alterações estranhas, enfim, coisas que antes eram mais que adquiridas e mais que solidificadas. Começo a achar que a conversa de cabeleireiro afinal sempre era verdade... Sabem, aquela conversa fiada de "ai quando nasceu o meu Sidónio passei a gostar de favas de escabeche quando antes nem as podia ver" ou "Depois de ter a minha princesa deixei de precisar de usar óculos".
Estes mitos urbanos... Serão, afinal, verdade?!
Tudo isto para expressar uma dúvida que me assola.
Não tenho bem a certeza que toooodos os meus sapatos terão encolhido depois de muitos meses sem serem usados ou então passei a usar o número acima, o que não só é extremamente embaraçoso como me cria um problema desgraçado dado que não tenho calçado que me sirva decentemente.
Foda-se mais a isto.
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Do Estabelecimento da Maternidade
domingo, 27 de novembro de 2016
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Completamente viciante.
Scarrow é excelente a envolver o leitor de tal maneira na narrativa que o transporta para o cenário das batalhas, tanto e de tal forma que não poucas vezes fiquei surpreendida por, olhando à minha volta após a leitura de mais um capítulo, continuar neste século.
Muito, muito bom.
Scarrow é excelente a envolver o leitor de tal maneira na narrativa que o transporta para o cenário das batalhas, tanto e de tal forma que não poucas vezes fiquei surpreendida por, olhando à minha volta após a leitura de mais um capítulo, continuar neste século.
Muito, muito bom.
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Boring.
Boring.
Boring.
Não sei como consideram este homem um grande autor...
Moral da história: nunca escrevas por encomenda.
Muito fraco.
Boring.
Boring.
Não sei como consideram este homem um grande autor...
Moral da história: nunca escrevas por encomenda.
Muito fraco.
Leituras nº ... Qualquer Coisa Serve
Ora bem, este foi particularmente penoso de acabar.
Já tinha ficado com a ligeira sensação no último, mas neste foi absolutamente gritante: acho que a autora está a perder a mão para a escrita... Para a escrita de qualidade, pelo menos.
A história continua mais ou menos interessante, mas as partes mortas fazem com que o leitor tenha vontade de se atirar de uma ponte, tamanho o tédio que provoca.
Também não ajuda grande coisa o facto de haver personagens retrógradas, atrasadas mentais, paternalistas e completamente obtusas constantemente na ribalta, bem como o rumo estúpido que as personagens decentes tomam. Um desperdício.
Esperemos que o próximo seja um pouco melhor.
Já tinha ficado com a ligeira sensação no último, mas neste foi absolutamente gritante: acho que a autora está a perder a mão para a escrita... Para a escrita de qualidade, pelo menos.
A história continua mais ou menos interessante, mas as partes mortas fazem com que o leitor tenha vontade de se atirar de uma ponte, tamanho o tédio que provoca.
Também não ajuda grande coisa o facto de haver personagens retrógradas, atrasadas mentais, paternalistas e completamente obtusas constantemente na ribalta, bem como o rumo estúpido que as personagens decentes tomam. Um desperdício.
Esperemos que o próximo seja um pouco melhor.
Qualquer Semelhança com a Realidade é Pura Coincidência - The Final Chapter
Mais ou menos encriptada. Muitas vezes, menos. Tinha um ódio de estimação que, apesar das minhas inúmeras tentativas, tinha que manter discreto sob pena de destabilizar a harmonia entre os meus pares. Apesar de todos os sinais de alarme. Apesar de ser óbvio para o mais cego dos homens. Apesar de ser mais evidente que uma ratoeira à frente do nariz.
Durante todo este tempo, fui sempre a embirrante, a má, a pouco tolerante.
Tudo porque não conseguia aceitar um outro ser humano na minha esfera de conhecidos. Tudo porque todos os meus instintos gritavam que aquela pessoa não valia nada. Acabei por falhar redondamente; não consegui fazer incidir alguma luz que fosse na situação e esclarecer quem de direito.
O tempo acabou por me dar razão. Tal como havia previsto logo no início. Cheguei a escrever sobre isso várias vezes aqui. Que este dia haveria de chegar. Que eu sabia das consequências que traria uma pessoa de merda tão próxima. Que soube desde o início o termo que haveria de chegar.
Chega ao fim este tempo. Com ele, chega ao fim também esta longa série de memes e videos sobre mandar pessoas para o caralho e afins. Ainda tinha muitos posts do género preparados, para o futuro. Não os vou eliminar; vou, antes, reciclá-los para outras ocasiões que certamente não irão faltar.
Por agora, chega.
Por agora.
Tinha razão. Tive-a desde sempre. Não é que ganhe alguma coisa com isso, que não ganho absolutamente nada, mas sempre fico com a esperança que da próxima vez haja mais respeito pela minha mísera visão do esquema das coisas.
FODE-TE, SEU FILHO DE UMA PUTA RELES.
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Teorias do Homicídio Qualificado
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Queixume Pós Gestacional #3
Amamentar é muito bom e muito bonito, barato e limpo, cria um elo único entre mãe e filho, já para não falar nos inúmeros benefícios para a saúde do bebé.
Lengalenga já mais que batida, não é?
Mais um dos dogmas que se aprende nas aulas de preparação para o parto e que se tivermos vontade de o questionar temos direito a um bilhete só de ida para uma palestra de evangelização dos índios, a cura dos leprosos e uma conferência que demonstra como as mães que não amamentam vão parar a um lugar muito especial no inferno.
Pois eu digo que sim senhora, ainda bem que o meu Puto beneficia com o meu líquido mamário, mas ter um bezerrinho de quatro e muitos quilos pendurado em mamilos que mais parecem feitos de carne picada, que puxa e morde sem cerimónias se o líquido não sai conforme a sua vontade, anda às cabeçadas à pobre mama e ainda lhe dá uns socos com o seu pequeno punho cerrado (esta é nova há cerca de 2 dias...) é sinal que as desgraçadas já deram o seu melhor, que está na hora de irem para a reforma e ficarmos todos por aqui, que ficamos muito bem. Porque simplesmente não há leite. Assim como assim não é bem o leite que o alimenta (vivam os suplementos!) porque se fosse não teria passado os 5 primeiros dias da sua vida a gritar de fome, como um desalmado.
Puta que pariu a amamentação. Doem-me as mamas a toda a hora e o Puto, tenho a certeza, ja está farto da fonte meia seca.
Fora com as mamas, vivam os biberões!
Agora que já tirei isto do meu sistema, já posso ir à minha vida.
Lengalenga já mais que batida, não é?
Mais um dos dogmas que se aprende nas aulas de preparação para o parto e que se tivermos vontade de o questionar temos direito a um bilhete só de ida para uma palestra de evangelização dos índios, a cura dos leprosos e uma conferência que demonstra como as mães que não amamentam vão parar a um lugar muito especial no inferno.
Pois eu digo que sim senhora, ainda bem que o meu Puto beneficia com o meu líquido mamário, mas ter um bezerrinho de quatro e muitos quilos pendurado em mamilos que mais parecem feitos de carne picada, que puxa e morde sem cerimónias se o líquido não sai conforme a sua vontade, anda às cabeçadas à pobre mama e ainda lhe dá uns socos com o seu pequeno punho cerrado (esta é nova há cerca de 2 dias...) é sinal que as desgraçadas já deram o seu melhor, que está na hora de irem para a reforma e ficarmos todos por aqui, que ficamos muito bem. Porque simplesmente não há leite. Assim como assim não é bem o leite que o alimenta (vivam os suplementos!) porque se fosse não teria passado os 5 primeiros dias da sua vida a gritar de fome, como um desalmado.
Puta que pariu a amamentação. Doem-me as mamas a toda a hora e o Puto, tenho a certeza, ja está farto da fonte meia seca.
Fora com as mamas, vivam os biberões!
Agora que já tirei isto do meu sistema, já posso ir à minha vida.
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Do Estabelecimento da Maternidade
Então e prendas de Natal?
Como será bom de ver, este ano descuidei-me à grande e ainda não tenho metade do ofertório adquirido. Diz que tive um Filho e não tenho tido oportunidade de pensar em porras que fazem o pessoal gastar dinheiro.
Mas agora não posso mais fingr que o mundo lá fora não continua a avançar.
Ideias, anyone?
Como será bom de ver, este ano descuidei-me à grande e ainda não tenho metade do ofertório adquirido. Diz que tive um Filho e não tenho tido oportunidade de pensar em porras que fazem o pessoal gastar dinheiro.
Mas agora não posso mais fingr que o mundo lá fora não continua a avançar.
Ideias, anyone?
Donald Trump?!
Esperei estes dias todos para ver se os americanos se tinham enganado ou se o dia das mentiras tinha chegado mais cedo, mas afinal nada mais me resta que não seja render-me às evidências.
Está tudo louco...
Está tudo louco...
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
Queixume Pós Gestacional #2
As aulas de preparação para o parto são aquele fenómeno que, por volta das 25/30 semanas de gestação, atingem as futuras mães em cheio nas trombas e que as mergulha em oceanos de angústia e profundo sofrimento.
Deverei fazer estas benditas aulas? Servirão para alguma coisa? Há algum local mais apropriado que outro para tomar estas lições?
Por via das dúvidas, e apesar de ter lido tudo e mais um par de botas acerca do tema, achei por bem frequentar um curso desses, só para que não olhasse, um dia, para trás e me arrependesse amargamente de conhecimento que deveria ter adquirido e, em vez disso, fiquei em casa a enfardar chocolate.
Sim, as aulas de preparação são boas e ensinam de facto muita coisa acerca de cuidados dos rebentos, de potenciais perigos e coisas que temos que passar a fazer, de acções de emergência que possamos ser obrigados a tomar.
Sim, um qualquer centro de saúde de um qualquer grande centro urbano tem um curso muito decente de preparação para o parto. O mesmo não se diga das pessoas que o frequentam, mas isso fica para outro post, que tenho muito que dizer acerca do tema.
Sim, as aulas de preparação para o preparam efectivamente para o momento do parto, com explicações detalhadas sobre as técnicas de respiração e relaxamento. E exercícios sobre o tema. Muitos, muitos exercícios. Exercícios em grupo, a solo, com o pai, com o canário e com o presidente da República. Tudo muito lindo, muito bem ensinado e muito bem aprendido.
Uma gaja, assim que domina a técnica, pensa: "Ya, que ça foda esta merda, afinal isto é fácil. Se a minha avó pariu e casa, eu, com toda esta performance espectacular, vou fazer um brilharete e parir o puto em cinco minutos."
Sou a maior e a mim não me vai acontecer nada de mal. Certo?
Errado.
O maior perigo das aulas de preparação para o parto é o excesso de confiança que transmite à grávida. Faz com que tudo pareça fácil, com que tudo dependa, afinal, da concentração, do esforço mental, da vontade. Faz com que uma pessoa acredite, de facto, que as dores de parto são uma coisa relativa, que não são assim tão fortes quanto isso e que se, afinal de contas, uma pessoa sente mais dor que aquela que é capaz de suportar, é porque não se está a concentrar devidamente e está a respirar mal.
Ora, com a licença da mesa, o caralho, é o que é.
Quem frequenta estas aulas leva também uma lavagem cerebral sobre os benefícios do parto normal (faz parte) e fazem com que tudo pareça tão cor-de-rosa e tão simples que 1) parece que nunca, em tempos idos mas não tão longínquos quanto isso, as mulheres morriam no parto; 2) as mulheres de hoje em dia são umas mariquinhas mimadas sem vergonha nenhuma que não aguentam uma dorzinha de nada no pipi.
E isto, meus caros, é o maior engodo que estas aulas oferecem.
Transparecem e vendem a ideia de que o parto é sempre, e em qualquer circunstância exequível, desde que a mulher esteja a fazer tudo bem, a respirar melhor ainda e a concentrar-se devidamente em fazer descer o bezerro pela coisa abaixo.
Esqueçam. Sim, as aulas ajudam bastante e ensinam muitas coisas que livro nenhum ensina, mas na hora em que a dor é excruciante e absolutamente paralizante, em que já se está para lá de qualquer reforço de epidural, a concentração e a respiração vão direitinhas para o caralhinho que as foda porque, meus caros amigos, poucas dores haverão piores que as dores de parto (principalmente se forem como as desta boa mãe de família, que se alojaram no fundo das costas).
E contra isto, batatinhas.
Tirando isso, ter filhos é porreiro e tal.
Deverei fazer estas benditas aulas? Servirão para alguma coisa? Há algum local mais apropriado que outro para tomar estas lições?
Por via das dúvidas, e apesar de ter lido tudo e mais um par de botas acerca do tema, achei por bem frequentar um curso desses, só para que não olhasse, um dia, para trás e me arrependesse amargamente de conhecimento que deveria ter adquirido e, em vez disso, fiquei em casa a enfardar chocolate.
Sim, as aulas de preparação são boas e ensinam de facto muita coisa acerca de cuidados dos rebentos, de potenciais perigos e coisas que temos que passar a fazer, de acções de emergência que possamos ser obrigados a tomar.
Sim, um qualquer centro de saúde de um qualquer grande centro urbano tem um curso muito decente de preparação para o parto. O mesmo não se diga das pessoas que o frequentam, mas isso fica para outro post, que tenho muito que dizer acerca do tema.
Sim, as aulas de preparação para o preparam efectivamente para o momento do parto, com explicações detalhadas sobre as técnicas de respiração e relaxamento. E exercícios sobre o tema. Muitos, muitos exercícios. Exercícios em grupo, a solo, com o pai, com o canário e com o presidente da República. Tudo muito lindo, muito bem ensinado e muito bem aprendido.
Uma gaja, assim que domina a técnica, pensa: "Ya, que ça foda esta merda, afinal isto é fácil. Se a minha avó pariu e casa, eu, com toda esta performance espectacular, vou fazer um brilharete e parir o puto em cinco minutos."
Sou a maior e a mim não me vai acontecer nada de mal. Certo?
Errado.
O maior perigo das aulas de preparação para o parto é o excesso de confiança que transmite à grávida. Faz com que tudo pareça fácil, com que tudo dependa, afinal, da concentração, do esforço mental, da vontade. Faz com que uma pessoa acredite, de facto, que as dores de parto são uma coisa relativa, que não são assim tão fortes quanto isso e que se, afinal de contas, uma pessoa sente mais dor que aquela que é capaz de suportar, é porque não se está a concentrar devidamente e está a respirar mal.
Ora, com a licença da mesa, o caralho, é o que é.
Quem frequenta estas aulas leva também uma lavagem cerebral sobre os benefícios do parto normal (faz parte) e fazem com que tudo pareça tão cor-de-rosa e tão simples que 1) parece que nunca, em tempos idos mas não tão longínquos quanto isso, as mulheres morriam no parto; 2) as mulheres de hoje em dia são umas mariquinhas mimadas sem vergonha nenhuma que não aguentam uma dorzinha de nada no pipi.
E isto, meus caros, é o maior engodo que estas aulas oferecem.
Transparecem e vendem a ideia de que o parto é sempre, e em qualquer circunstância exequível, desde que a mulher esteja a fazer tudo bem, a respirar melhor ainda e a concentrar-se devidamente em fazer descer o bezerro pela coisa abaixo.
Esqueçam. Sim, as aulas ajudam bastante e ensinam muitas coisas que livro nenhum ensina, mas na hora em que a dor é excruciante e absolutamente paralizante, em que já se está para lá de qualquer reforço de epidural, a concentração e a respiração vão direitinhas para o caralhinho que as foda porque, meus caros amigos, poucas dores haverão piores que as dores de parto (principalmente se forem como as desta boa mãe de família, que se alojaram no fundo das costas).
E contra isto, batatinhas.
Tirando isso, ter filhos é porreiro e tal.
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Do Estabelecimento da Maternidade
domingo, 13 de novembro de 2016
terça-feira, 8 de novembro de 2016
Queixume Maternal
Tenho para mim que o meu Puto pressente os momentos em que preciso de ir à casa de banho ou que, pensando que finalmente sossegou e que está a dormir tranquilamente, já estou enrolada no sofá, com um livro na mão, pronta a tirar os meus minutos de paz.
Porque é precisamente nesses momentos que decide abrir as goelas e mostrar aos mundo o poderio dos seus pulmões.
Estou absolutamente convencida que, quando assim berra, não quer nem precisa exactamente de coisa nenhuma; só quer ver se não desapareci num buraco pela terra abaixo e se o vou acudir quando tiver, sei lá, um macaco no nariz ou coisa assim.
Tirando isso, é muito fofinho.
Porque é precisamente nesses momentos que decide abrir as goelas e mostrar aos mundo o poderio dos seus pulmões.
Estou absolutamente convencida que, quando assim berra, não quer nem precisa exactamente de coisa nenhuma; só quer ver se não desapareci num buraco pela terra abaixo e se o vou acudir quando tiver, sei lá, um macaco no nariz ou coisa assim.
Tirando isso, é muito fofinho.
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Do Estabelecimento da Maternidade
Chupa!
O melão da CMTV pelo facto de o Sr. Dias ter decidido, antes de se entregar às autoridades, conceder uma entrevista à RTP é impagável.
Não sei se o homem terá grandes atenuantes ou não, mas já merece algum respeito só pelo facto de não se ter vendido a uma televisão medíocre, que pratica um jornalismo medíocre e baseado em mentiras e boatos.
Já se está mesmo a ver que, nos próximos dias, vá, anos, vão andar a cruxificar o homem em praça pública...
Não sei se o homem terá grandes atenuantes ou não, mas já merece algum respeito só pelo facto de não se ter vendido a uma televisão medíocre, que pratica um jornalismo medíocre e baseado em mentiras e boatos.
Já se está mesmo a ver que, nos próximos dias, vá, anos, vão andar a cruxificar o homem em praça pública...
Oh Yeah
Devo ter o único marido que, feita uma lista manhosa e dadas umas recomendações às três pancadas, regressa a casa com TUDO o que foi pedido, nas exactas quantidades, das exactas marcas, no timing correcto, quando é preciso.
E, para isso, não há preço.
E, para isso, não há preço.
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Do Estabelecimento da Maternidade
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Queixume Pós Gestacional
Estou viva!
Para além de ser a primeira coisa que me apraz dizer, é com enorme satisfação que apresento ao mundo o puto mais giro do mundo, o meu! (fotos mais tarde, ok?)
Tentando retomar onde deixei, depois de um mês e tal de repouso, no passado dia 20 de Outubro, pari uma abobrinha fofa e felizmente saudável. Não foi propriamente um passeio no parque e sobre isso dissertarei mais tarde, ainda estou demasiado traumatizada para me pôr a dissecar pormenores de parto, mas, e saltando já para os finalmentes, correu tudo bem e o Puto nasceu são e perfeitinho.
Têm sido dias de adaptação e descoberta, de convívio com o choro, a fome e a fralda suja. Coisas as há que desconheço ainda por completo, coisas que provavelmente nunca vou descobrir e outras coisas nas quais já me ajeito relativamente bem. Vamos andando, como dizem os velhos. Tudo é novo para mim. Tudo é gigante, monstruoso e deveras assustador. Vamos andando.
Para já, o Puto é giríssimo (nem sei bem como, os recém nascidos são, geralmente, horrososos... se calhar é só por ser o meu...) e porta-se mais ou menos bem.
Mais desenvolvimentos nos próximos dias.
Para além de ser a primeira coisa que me apraz dizer, é com enorme satisfação que apresento ao mundo o puto mais giro do mundo, o meu! (fotos mais tarde, ok?)
Tentando retomar onde deixei, depois de um mês e tal de repouso, no passado dia 20 de Outubro, pari uma abobrinha fofa e felizmente saudável. Não foi propriamente um passeio no parque e sobre isso dissertarei mais tarde, ainda estou demasiado traumatizada para me pôr a dissecar pormenores de parto, mas, e saltando já para os finalmentes, correu tudo bem e o Puto nasceu são e perfeitinho.
Têm sido dias de adaptação e descoberta, de convívio com o choro, a fome e a fralda suja. Coisas as há que desconheço ainda por completo, coisas que provavelmente nunca vou descobrir e outras coisas nas quais já me ajeito relativamente bem. Vamos andando, como dizem os velhos. Tudo é novo para mim. Tudo é gigante, monstruoso e deveras assustador. Vamos andando.
Para já, o Puto é giríssimo (nem sei bem como, os recém nascidos são, geralmente, horrososos... se calhar é só por ser o meu...) e porta-se mais ou menos bem.
Mais desenvolvimentos nos próximos dias.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Queixume Gestacional #9
Pois que continuo por aqui, sem grande coisa para fazer, mas a tentar, mesmo assim, manter-me ocupada com as mais variadíssimas coisas, como croché e aprendizagem de origami.
É mentira, mas podia muito bem ser a mais absoluta das verdades, se não preferisse andar sempre à procura de mais roupa para lavar, dedicar-me à decoração de interiores - actividade essa que o meu Ilustríssimo Marido apelida de trocar os potes de sítio - ler e ver todos os filmes e séries que passam na televisão. Um autêntico programa de idosa, nem mais. Até estou ligeiramente viciada na Miss Marple, por isso já se pode ver o tamanho da decadência.
Esta semana, eu e Esposo celebrámos dois anos de casamento. Para festejar em grande, organizámos um dia em cheio, que passou por ir petiscar a uns sítios em Lisboa para lá de bons entre outras actividades lúdicas.
Ora, a minha pessoa pode estar grávida até à rotunda da Centro Sul, mas não deixa de ser a mesma vaidosona que sempre foi. Maneiras que achei conveniente e bom de ver vestir a melhor farpela que neste momento consigo arranjar (uma coisa parecida com uma tenda de circo) e apostar forte e feio nos acessórios, a modos que para disfarçar o facto de parecer um hipopótamo com problemas de tiróide. E, de uma certa forma nostálgica e verdadeiramente bimba, e à semelhança do que fiz no ano passado, alguns acessórios que usei no dia do casamento propriamente dito voltam a sair à rua.
Sucede, porém, que com algumas nuances. Este ano não consegui usar muito tempo a pulseira. Anel de noivado nem pensar - já a aliança foi arrumada no cofre há umas belas semanas atrás.
Mas nada me deixou mais entristecida do que não poder calçar os meus ricos sapatinhos prateados. Quer dizer, calçar ainda é como o outro, anda com eles nem que quisesse, dado o tamanho descomunal dos meus cascos. De maneira que voltei às minhas lindas sabrinas tamanho 41 que adquiri recentemente e foi um pau.
Foda-se mais a isto.
Não há direito...
É mentira, mas podia muito bem ser a mais absoluta das verdades, se não preferisse andar sempre à procura de mais roupa para lavar, dedicar-me à decoração de interiores - actividade essa que o meu Ilustríssimo Marido apelida de trocar os potes de sítio - ler e ver todos os filmes e séries que passam na televisão. Um autêntico programa de idosa, nem mais. Até estou ligeiramente viciada na Miss Marple, por isso já se pode ver o tamanho da decadência.
Esta semana, eu e Esposo celebrámos dois anos de casamento. Para festejar em grande, organizámos um dia em cheio, que passou por ir petiscar a uns sítios em Lisboa para lá de bons entre outras actividades lúdicas.
Ora, a minha pessoa pode estar grávida até à rotunda da Centro Sul, mas não deixa de ser a mesma vaidosona que sempre foi. Maneiras que achei conveniente e bom de ver vestir a melhor farpela que neste momento consigo arranjar (uma coisa parecida com uma tenda de circo) e apostar forte e feio nos acessórios, a modos que para disfarçar o facto de parecer um hipopótamo com problemas de tiróide. E, de uma certa forma nostálgica e verdadeiramente bimba, e à semelhança do que fiz no ano passado, alguns acessórios que usei no dia do casamento propriamente dito voltam a sair à rua.
Sucede, porém, que com algumas nuances. Este ano não consegui usar muito tempo a pulseira. Anel de noivado nem pensar - já a aliança foi arrumada no cofre há umas belas semanas atrás.
Mas nada me deixou mais entristecida do que não poder calçar os meus ricos sapatinhos prateados. Quer dizer, calçar ainda é como o outro, anda com eles nem que quisesse, dado o tamanho descomunal dos meus cascos. De maneira que voltei às minhas lindas sabrinas tamanho 41 que adquiri recentemente e foi um pau.
Foda-se mais a isto.
Não há direito...
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Do Estabelecimento da Maternidade
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Rien `a Faire
Continuo por aqui, fazendo qualquer coisa no meio do caminho.
Por exemplo, estou a tentar há cerca de 7 dias concluir uma porra de um recurso que não tem pés nem cabeça. Certo é que ainda tenho tempo mas, pelo sim, pelo não, não vá o tédio e a preguiça apoderarem-se de mim, lá vou escrevendo umas palavrinhas de cada vez. O que me apetecia mesmo era mandar o caraças do recurso pela janela fora, tamanhos são os fundamentos que se encontram, mas sempre é melhor que olhar para o tecto sem fazer um rabo de um boi.
Estou também a tentar, há cerca de 4748938 dias, acabar de lavar e passar toda a roupa do petiz. Porém, cada vez que penso que vejo o fundo ao tacho e que aquela sim, é a última máquina que faço, há sempre uma avestruz que me oferece mais qualquer coisinha para o menino (não estou a ser mal agradecida, atenção) e toca de lavar tudo, por tudo a secar, esperar que seque devidamente e ir passando tudo a eito. Por este andar, devo ter texteis para ir vender à feira da Ladra quando o puto for para a escola.
Tenho também lido livros daqueles mesmo bons e visto filmes daqueles para lá de espectaculares, mas o meu jeitinho para trabalhar com aparelhos tecnológicos que não sejam computadores da pré-história, como aqueles a que estou habituada, é obviamente fora de série, por isso nem as imagens do que leio e vejo sou capaz de pespegar aqui, portanto, bardamerda.
Fora isso, tudo jóia.
Por exemplo, estou a tentar há cerca de 7 dias concluir uma porra de um recurso que não tem pés nem cabeça. Certo é que ainda tenho tempo mas, pelo sim, pelo não, não vá o tédio e a preguiça apoderarem-se de mim, lá vou escrevendo umas palavrinhas de cada vez. O que me apetecia mesmo era mandar o caraças do recurso pela janela fora, tamanhos são os fundamentos que se encontram, mas sempre é melhor que olhar para o tecto sem fazer um rabo de um boi.
Estou também a tentar, há cerca de 4748938 dias, acabar de lavar e passar toda a roupa do petiz. Porém, cada vez que penso que vejo o fundo ao tacho e que aquela sim, é a última máquina que faço, há sempre uma avestruz que me oferece mais qualquer coisinha para o menino (não estou a ser mal agradecida, atenção) e toca de lavar tudo, por tudo a secar, esperar que seque devidamente e ir passando tudo a eito. Por este andar, devo ter texteis para ir vender à feira da Ladra quando o puto for para a escola.
Tenho também lido livros daqueles mesmo bons e visto filmes daqueles para lá de espectaculares, mas o meu jeitinho para trabalhar com aparelhos tecnológicos que não sejam computadores da pré-história, como aqueles a que estou habituada, é obviamente fora de série, por isso nem as imagens do que leio e vejo sou capaz de pespegar aqui, portanto, bardamerda.
Fora isso, tudo jóia.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Queixume Gestacional #8
E pronto, como não havia mais nada que fazer, nem mais em que pensar, entenderam por bem deixar-me a repousar.
Maneiras que estou de baixa, assim numas férias um tanto forçadas.
Isto porque parece que a piscina que aloja o meu rebento está a ficar sem água e, segundo o que me informaram, não é lá muito bom. Portanto, toca de vir para casa, descansar e hidratar para manter o bezerrinho o maior tempo possível no forninho.
Escusado será dizer que estou profundamente emocionada.
Ando sempre a inventar coisas para fazer para não cair no tédio da indolência e da ansiedade. Até agora tem corrido bem, mas deve ser só porque só passaram dois dias.
Resta saber o que vou fazer no resto do tempo...
Coçar-me, provavelmente.
Maneiras que estou de baixa, assim numas férias um tanto forçadas.
Isto porque parece que a piscina que aloja o meu rebento está a ficar sem água e, segundo o que me informaram, não é lá muito bom. Portanto, toca de vir para casa, descansar e hidratar para manter o bezerrinho o maior tempo possível no forninho.
Escusado será dizer que estou profundamente emocionada.
Ando sempre a inventar coisas para fazer para não cair no tédio da indolência e da ansiedade. Até agora tem corrido bem, mas deve ser só porque só passaram dois dias.
Resta saber o que vou fazer no resto do tempo...
Coçar-me, provavelmente.
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Do Estabelecimento da Maternidade
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Queixume Gestacional #7
Hoje é um dia triste, a juntar aos dias tristes que ultimamente me têm calhado em sorte.
Hoje actua no Coliseu dos Recreios uma das minhas bandas favoritas, Nightwish, e não vou poder estar presente.
Tudo porque as andorinhas que organizaram o espectáculo não têm lugares sentados nem fazem excepções para quem está grávida até às orelhas, como diz o meu Ilustre Esposo.
E eu, coitadinha de mim, que pareço a Mãe Terra de tão grande que estou, com os meus cascos inchados a níveis elefânticos, não tenho condições de suportar duas ou três horas de concerto, mais o tempo de espera, mais as filas, mais os empurrões e o possível moche que possa haver, ainda para mais depois de um dia de trabalho em cima do pêlo.
E tenho pena, muita pena. Tenho a certeza que será um concerto incrível, absolutamente memorável e que deixará saudades, mais que não seja porque estes caramelos têm a mania de vir a Portugal de dez em dez anos.
Enfim, o que é a parentalidade senão um sem fim de sacrifícios em nome do bem estar dos rebentos?
(Se o puto me sair a ouvir música pop, vai haver barafunda, caralho!)
Hoje actua no Coliseu dos Recreios uma das minhas bandas favoritas, Nightwish, e não vou poder estar presente.
Tudo porque as andorinhas que organizaram o espectáculo não têm lugares sentados nem fazem excepções para quem está grávida até às orelhas, como diz o meu Ilustre Esposo.
E eu, coitadinha de mim, que pareço a Mãe Terra de tão grande que estou, com os meus cascos inchados a níveis elefânticos, não tenho condições de suportar duas ou três horas de concerto, mais o tempo de espera, mais as filas, mais os empurrões e o possível moche que possa haver, ainda para mais depois de um dia de trabalho em cima do pêlo.
E tenho pena, muita pena. Tenho a certeza que será um concerto incrível, absolutamente memorável e que deixará saudades, mais que não seja porque estes caramelos têm a mania de vir a Portugal de dez em dez anos.
Enfim, o que é a parentalidade senão um sem fim de sacrifícios em nome do bem estar dos rebentos?
(Se o puto me sair a ouvir música pop, vai haver barafunda, caralho!)
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Do Estabelecimento da Maternidade
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
Ai Sim?
Tenho a infelicidade de trabalhar num escritório em que o patronato, depois de ter, durante as férias, deixado crescer uma barbinha sinistra, com a mania que é hipster, a meio do dia, atira com os sapatos e as meias para um canto e anda de chanatas de praia, para trás e para a frente, todo contente porque é bué rebelde.
E você?
E você?
Miss You So Much
Ainda não me consegui habituar.
Já passou uma semana e tenho sempre a sensação de o estar a ver em toda a parte. Quando olho de novo, afinal, era só um saco tombado a um canto, uma sombra de um casaco, uma partida que o cérebro pregou.
Ainda o oiço a esgravatar a caixa da areia ou a arranhar o sofá e os tapetes. Só para depois perceber que é só o frigorífico a fazer um barulho qualquer ou a vizinha de cima a andar pela casa ou as obras do 4º andar.
Ainda estou à espera de o ver pendurado na banheira quando puxo a cortina do duche para o lado.
Ainda vou todos os dias espreitar debaixo das mesas, no assento das cadeiras, e acho sempre que o vejo lá deitado a dormir. Só para depois perceber que nem mesmo querendo o consigo ver de novo.
Não me consigo habituar.
Não consigo compreender o que se passou.
Não consigo.
Ainda não consigo.
Já passou uma semana e tenho sempre a sensação de o estar a ver em toda a parte. Quando olho de novo, afinal, era só um saco tombado a um canto, uma sombra de um casaco, uma partida que o cérebro pregou.
Ainda o oiço a esgravatar a caixa da areia ou a arranhar o sofá e os tapetes. Só para depois perceber que é só o frigorífico a fazer um barulho qualquer ou a vizinha de cima a andar pela casa ou as obras do 4º andar.
Ainda estou à espera de o ver pendurado na banheira quando puxo a cortina do duche para o lado.
Ainda vou todos os dias espreitar debaixo das mesas, no assento das cadeiras, e acho sempre que o vejo lá deitado a dormir. Só para depois perceber que nem mesmo querendo o consigo ver de novo.
Não me consigo habituar.
Não consigo compreender o que se passou.
Não consigo.
Ainda não consigo.
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Lado Contrário do Espelho
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Nonsense Talking ... Nº Qualquer Coisa
(Depois de, à vontade, uns dez minutos a conversar, o cliente olha para mim, muito admirado)
- Ah, a Dra. está grávida?!
- Não, é um problema de gases.
- Oh... a sério?!
- Não, claro que não, homem! Estou grávida, sim!
- Ah, bem me parecia.
Um génio, este...
- Ah, a Dra. está grávida?!
- Não, é um problema de gases.
- Oh... a sério?!
- Não, claro que não, homem! Estou grávida, sim!
- Ah, bem me parecia.
Um génio, este...
Queixume Gestacional #6
A verdadeira merda toda desta situação é que, não obstante, continuo com uma fome de loba e só consigo desocupar a mente de coisas negras e tristes se pensar em queijadas.
Daquelas desta terra, que vêm embrulhadas em papel pintalgado.
Às vezes tão secas que parece que foram ao forno duas ou três vezes até ficarem tipo cortiça.
Daquelas que são cada vez mais pequenas e cada vez que se abre um pacotinho só apetece pegar nas putas das queijadas e pregar com elas nas ventas de quem as vendeu.
Queijadas da terra do demo, portanto.
Merda para mim.
Daquelas desta terra, que vêm embrulhadas em papel pintalgado.
Às vezes tão secas que parece que foram ao forno duas ou três vezes até ficarem tipo cortiça.
Daquelas que são cada vez mais pequenas e cada vez que se abre um pacotinho só apetece pegar nas putas das queijadas e pregar com elas nas ventas de quem as vendeu.
Queijadas da terra do demo, portanto.
Merda para mim.
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Do Estabelecimento da Maternidade
domingo, 4 de setembro de 2016
sábado, 3 de setembro de 2016
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
I Love You, Lenine
Entre todos os dias estranhos que já passei, nunca nada se assemelha aos dias de perda.
Perda.
Essa palavra estúpida, tão vaga e ao mesmo tempo tão tenebrosa, que aprendi a temer mais do que qualquer outra coisa, mais do que o fim da minha própria existência.
Perda.
Esse vazio avassalador, essa montanha russa de desespero e solidão. Essa porta negra que se abre e nunca mais se fecha.
Perda.
Ontem perdi um amigo. Um grande amigo. O melhor dos amigos. Estava destinado a ser também o melhor amigo do meu filho por nascer. Estava destinado a ser a nossa imagem de marca para toda a vida. Estava destinado a ser o dono da nossa casa para todo o sempre. Mas partiu antes de tempo, muito antes do tempo dele e muito, muito antes do que pudéssemos esperar. De repente veio a doença que não pudemos prever e, num ápice, veio a morte, que o envolveu no seu abraço, o tocou com as suas enormes asas e o levou, levou para longe, para longe de mim, para longe da casa que era dele, para longe de todos nós, que o amávamos como se fosse um igual.
Ontem perdi um familiar, dos mais próximos. Um familiar equivalente a pai, mãe, marido, filho, avós que já não tenho, irmãos que nunca tive. Perdi o primeiro fruto de amor, construído por mim e por Ele, a primeira pedra do nosso lar. Perdi aquele que estava destinado a ser a primeira companhia da outra parte de nós que está a chegar. Desculpa, Filho, que te privei do conforto, do carinho e do calor do nosso felpudo, que te teria adorado e teria adorado mordiscar-te os pés, acordar-te cedo para brincar ou enfiar-te o nariz húmido no ouvido logo pela fresca.
Ontem perdi uma parte de mim. E agora só resta vazio e solidão onde ele um dia esteve. Vagueio pela casa à sua procura, tão grande sem a sua presença pequenina, só encontro restos onde ele tocou, onde ele brincou e onde um dia dormiu sossegadamente. Ele esteve aqui e agora partiu. Foi-se. Foi-se embora para sempre, para um lugar muito, muito longe, para um sítio para o qual não o posso acompanhar, onde não o voltarei a ver. Foi descansar longe da sua casa, longe dos sítios que sempre conheceu, longe de mim. Longe de mim.
Ontem pedi ajuda. Olhei para cima e pedi ajuda, pela primeira vez em muitos anos. Um sinal, pensei, um milagre, um só milagre e eu converto-me, passo a seguir e a adorar quem quer que me esteja a ouvir. Por favor. Mas ninguém ouviu. Ninguém quis saber. Ninguém veio em meu auxílio, nem meu nem dele, que se finou com todo o peso do sofrimento do mundo nas suas costas pequeninas. Ninguém veio porque não havia ninguém para vir. E eu, que quis acreditar, por um minuto, um segundo que fosse que havia compaixão e amor no universo e que tudo o que a racionalidade me diz seria tudo mentira, fui enganada e deixada à minha sorte. Bem aventurados os que têm fé, porque nunca estão verdadeiramente sozinhos, têm sempre a esperança consigo.
Ontem perdi-me. Perdi-o. Para sempre. E eu, que já sofri tantas perdas, a quem já foram roubadas tantas presenças importantes, que assisti ao sofrer e definhar de tantas pessoas boas e de uma riqueza extraordinária que preencheram a minha vida de uma forma única, nunca me senti tão derrotada, tão devastada, tão sozinha, tão impotente e tão miserável como hoje.
Hoje. Hoje a vida parece continuar. Aparentemente, apenas. Para mim, parece que parei no tempo, num tempo negro, fundo, insondável, incerto, interminável, onde algures, no fim dessa estrada, está ele e a sua presença que já não posso sentir, apenas recordar.
Adeus, meu amor pequenino.
Adeus, Lenine.
Perda.
Essa palavra estúpida, tão vaga e ao mesmo tempo tão tenebrosa, que aprendi a temer mais do que qualquer outra coisa, mais do que o fim da minha própria existência.
Perda.
Esse vazio avassalador, essa montanha russa de desespero e solidão. Essa porta negra que se abre e nunca mais se fecha.
Perda.
Ontem perdi um amigo. Um grande amigo. O melhor dos amigos. Estava destinado a ser também o melhor amigo do meu filho por nascer. Estava destinado a ser a nossa imagem de marca para toda a vida. Estava destinado a ser o dono da nossa casa para todo o sempre. Mas partiu antes de tempo, muito antes do tempo dele e muito, muito antes do que pudéssemos esperar. De repente veio a doença que não pudemos prever e, num ápice, veio a morte, que o envolveu no seu abraço, o tocou com as suas enormes asas e o levou, levou para longe, para longe de mim, para longe da casa que era dele, para longe de todos nós, que o amávamos como se fosse um igual.
Ontem perdi um familiar, dos mais próximos. Um familiar equivalente a pai, mãe, marido, filho, avós que já não tenho, irmãos que nunca tive. Perdi o primeiro fruto de amor, construído por mim e por Ele, a primeira pedra do nosso lar. Perdi aquele que estava destinado a ser a primeira companhia da outra parte de nós que está a chegar. Desculpa, Filho, que te privei do conforto, do carinho e do calor do nosso felpudo, que te teria adorado e teria adorado mordiscar-te os pés, acordar-te cedo para brincar ou enfiar-te o nariz húmido no ouvido logo pela fresca.
Ontem perdi uma parte de mim. E agora só resta vazio e solidão onde ele um dia esteve. Vagueio pela casa à sua procura, tão grande sem a sua presença pequenina, só encontro restos onde ele tocou, onde ele brincou e onde um dia dormiu sossegadamente. Ele esteve aqui e agora partiu. Foi-se. Foi-se embora para sempre, para um lugar muito, muito longe, para um sítio para o qual não o posso acompanhar, onde não o voltarei a ver. Foi descansar longe da sua casa, longe dos sítios que sempre conheceu, longe de mim. Longe de mim.
Ontem pedi ajuda. Olhei para cima e pedi ajuda, pela primeira vez em muitos anos. Um sinal, pensei, um milagre, um só milagre e eu converto-me, passo a seguir e a adorar quem quer que me esteja a ouvir. Por favor. Mas ninguém ouviu. Ninguém quis saber. Ninguém veio em meu auxílio, nem meu nem dele, que se finou com todo o peso do sofrimento do mundo nas suas costas pequeninas. Ninguém veio porque não havia ninguém para vir. E eu, que quis acreditar, por um minuto, um segundo que fosse que havia compaixão e amor no universo e que tudo o que a racionalidade me diz seria tudo mentira, fui enganada e deixada à minha sorte. Bem aventurados os que têm fé, porque nunca estão verdadeiramente sozinhos, têm sempre a esperança consigo.
Ontem perdi-me. Perdi-o. Para sempre. E eu, que já sofri tantas perdas, a quem já foram roubadas tantas presenças importantes, que assisti ao sofrer e definhar de tantas pessoas boas e de uma riqueza extraordinária que preencheram a minha vida de uma forma única, nunca me senti tão derrotada, tão devastada, tão sozinha, tão impotente e tão miserável como hoje.
Hoje. Hoje a vida parece continuar. Aparentemente, apenas. Para mim, parece que parei no tempo, num tempo negro, fundo, insondável, incerto, interminável, onde algures, no fim dessa estrada, está ele e a sua presença que já não posso sentir, apenas recordar.
Adeus, meu amor pequenino.
Adeus, Lenine.
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
Cinema Nº ... Coiso
Sem nada de extraordinário no argumento, ganha pelas excelentes interpretações, em especial a da Jonah Hill, que é um actor de mão cheia.
Muito bom!
Muito bom!
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Agosto, esse Mês de Facturação Intensa
Tão intenso e trabalhoso que o normal é ir à cozinha lanchar (leia-se, enfardar meia melancia) e, olhando lá para fora, para o jardim, ver o patronato a trepar o muro para ir comer as amoras pretas do topo do silvado. E o raio da fixação pelas amoras... Quando é que chega a caganeira, para me poder rir?
Contra isto, meus amores, batatinhas.
Contra isto, meus amores, batatinhas.
Salty as Fuck #12
Entretanto, nesta bela comarca de gente completa e absolutamente demente:
- A nossa administrativa, coitadinha, é muito boa moça, mas não podia ser mais daqui, não sei se será do ar da serra se das quantidades industriais de queijadas que terá consumido em tenra infância, dá-lhe uma travadinha de vez em quando e tem de sair porta fora a correr para ir resolver um assunto qualquer, maneiras que andamos sempre à procura dela por todos lados sem nunca a encontrar, o que é sempre bom;
- Aquela avestruz idiota a que tive um dia a infeliz ideia de chamar patrono rendeu-se aos encantos da silly season e anda pelo escritório fora, depois de uma manhã a surfar (sim, é verifico), de calções, t-shirt e chanatas, com a barba por fazer e cheio de sal no cabelo, tanto e de tal maneira que pensei que fosse um drogado a pedir esmola para a dose e já tinha tirado uma moeda da carteira para lhe dar e tudo, vejam só;
- Não contente em parecer um mitra pedinte, ainda foi inspecionar o jardim e descobriu uma silva cheia de amoras. Uma pessoa normal e avisada não teria feito mais nada senão admirar a beleza das bagas e ido à sua vida, mas aquela avantesma não. Não, não senhor. Vá de comê-las, como é bom de ver. Amoras. Selvagens. Não lavadas. QUENTES do sol. Obviamente quando (reparem que empreguei o quando e não se) apanhar a caganeira da vida, não me vou coibir de rir a bandeiras despregadas;
- Ainda não descobriram (apesar de aprovarem o mapa de férias de toda a gente, atenção) que ainda me faltam dois dias de férias e que estão encostados ao feriado da próxima semana. Também não sou eu que os vou recordar de semelhante facto, com toda a certeza. Aproxima-se barafunda...
Enfim, espuma dos dias em terras do demónio.
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Não me recordo de me ter custado tanto terminar um livro como este.
provavelmente só demonstra que sou demasiado estúpida e que não percebo a maior parte da subtiliza do humor.
Provavelmente.
Achei isto tão enfadonho e tão mortiço, só raras vezes tendo genuína piada que arranjei todos os pretextos e mais alguns para protelar o fim da leitura.
Not quite my cup of tea.
provavelmente só demonstra que sou demasiado estúpida e que não percebo a maior parte da subtiliza do humor.
Provavelmente.
Achei isto tão enfadonho e tão mortiço, só raras vezes tendo genuína piada que arranjei todos os pretextos e mais alguns para protelar o fim da leitura.
Not quite my cup of tea.
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