Há um ano atrás fiquei sem o amigo mais querido que alguma vez tive.
Passado um ano, estou igualmente vazia, igualmente triste, igualmente sentida.
Continuo sem perceber o que se passou; num momento, estava tudo bem. No seguinte, estava a despedir-me dele.
Resta-me o conforto das memórias, esperando que tenha sido boa o suficiente para lhe ter proporcionado uma vida confortável e feliz.
Dos Incidentes, Pareceres e Vicissitudes várias. Porque "Quando a ralé se põe a pensar, está tudo perdido", lá dizia Voltaire...
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quinta-feira, 31 de agosto de 2017
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
I Love You, Lenine
Entre todos os dias estranhos que já passei, nunca nada se assemelha aos dias de perda.
Perda.
Essa palavra estúpida, tão vaga e ao mesmo tempo tão tenebrosa, que aprendi a temer mais do que qualquer outra coisa, mais do que o fim da minha própria existência.
Perda.
Esse vazio avassalador, essa montanha russa de desespero e solidão. Essa porta negra que se abre e nunca mais se fecha.
Perda.
Ontem perdi um amigo. Um grande amigo. O melhor dos amigos. Estava destinado a ser também o melhor amigo do meu filho por nascer. Estava destinado a ser a nossa imagem de marca para toda a vida. Estava destinado a ser o dono da nossa casa para todo o sempre. Mas partiu antes de tempo, muito antes do tempo dele e muito, muito antes do que pudéssemos esperar. De repente veio a doença que não pudemos prever e, num ápice, veio a morte, que o envolveu no seu abraço, o tocou com as suas enormes asas e o levou, levou para longe, para longe de mim, para longe da casa que era dele, para longe de todos nós, que o amávamos como se fosse um igual.
Ontem perdi um familiar, dos mais próximos. Um familiar equivalente a pai, mãe, marido, filho, avós que já não tenho, irmãos que nunca tive. Perdi o primeiro fruto de amor, construído por mim e por Ele, a primeira pedra do nosso lar. Perdi aquele que estava destinado a ser a primeira companhia da outra parte de nós que está a chegar. Desculpa, Filho, que te privei do conforto, do carinho e do calor do nosso felpudo, que te teria adorado e teria adorado mordiscar-te os pés, acordar-te cedo para brincar ou enfiar-te o nariz húmido no ouvido logo pela fresca.
Ontem perdi uma parte de mim. E agora só resta vazio e solidão onde ele um dia esteve. Vagueio pela casa à sua procura, tão grande sem a sua presença pequenina, só encontro restos onde ele tocou, onde ele brincou e onde um dia dormiu sossegadamente. Ele esteve aqui e agora partiu. Foi-se. Foi-se embora para sempre, para um lugar muito, muito longe, para um sítio para o qual não o posso acompanhar, onde não o voltarei a ver. Foi descansar longe da sua casa, longe dos sítios que sempre conheceu, longe de mim. Longe de mim.
Ontem pedi ajuda. Olhei para cima e pedi ajuda, pela primeira vez em muitos anos. Um sinal, pensei, um milagre, um só milagre e eu converto-me, passo a seguir e a adorar quem quer que me esteja a ouvir. Por favor. Mas ninguém ouviu. Ninguém quis saber. Ninguém veio em meu auxílio, nem meu nem dele, que se finou com todo o peso do sofrimento do mundo nas suas costas pequeninas. Ninguém veio porque não havia ninguém para vir. E eu, que quis acreditar, por um minuto, um segundo que fosse que havia compaixão e amor no universo e que tudo o que a racionalidade me diz seria tudo mentira, fui enganada e deixada à minha sorte. Bem aventurados os que têm fé, porque nunca estão verdadeiramente sozinhos, têm sempre a esperança consigo.
Ontem perdi-me. Perdi-o. Para sempre. E eu, que já sofri tantas perdas, a quem já foram roubadas tantas presenças importantes, que assisti ao sofrer e definhar de tantas pessoas boas e de uma riqueza extraordinária que preencheram a minha vida de uma forma única, nunca me senti tão derrotada, tão devastada, tão sozinha, tão impotente e tão miserável como hoje.
Hoje. Hoje a vida parece continuar. Aparentemente, apenas. Para mim, parece que parei no tempo, num tempo negro, fundo, insondável, incerto, interminável, onde algures, no fim dessa estrada, está ele e a sua presença que já não posso sentir, apenas recordar.
Adeus, meu amor pequenino.
Adeus, Lenine.
Perda.
Essa palavra estúpida, tão vaga e ao mesmo tempo tão tenebrosa, que aprendi a temer mais do que qualquer outra coisa, mais do que o fim da minha própria existência.
Perda.
Esse vazio avassalador, essa montanha russa de desespero e solidão. Essa porta negra que se abre e nunca mais se fecha.
Perda.
Ontem perdi um amigo. Um grande amigo. O melhor dos amigos. Estava destinado a ser também o melhor amigo do meu filho por nascer. Estava destinado a ser a nossa imagem de marca para toda a vida. Estava destinado a ser o dono da nossa casa para todo o sempre. Mas partiu antes de tempo, muito antes do tempo dele e muito, muito antes do que pudéssemos esperar. De repente veio a doença que não pudemos prever e, num ápice, veio a morte, que o envolveu no seu abraço, o tocou com as suas enormes asas e o levou, levou para longe, para longe de mim, para longe da casa que era dele, para longe de todos nós, que o amávamos como se fosse um igual.
Ontem perdi um familiar, dos mais próximos. Um familiar equivalente a pai, mãe, marido, filho, avós que já não tenho, irmãos que nunca tive. Perdi o primeiro fruto de amor, construído por mim e por Ele, a primeira pedra do nosso lar. Perdi aquele que estava destinado a ser a primeira companhia da outra parte de nós que está a chegar. Desculpa, Filho, que te privei do conforto, do carinho e do calor do nosso felpudo, que te teria adorado e teria adorado mordiscar-te os pés, acordar-te cedo para brincar ou enfiar-te o nariz húmido no ouvido logo pela fresca.
Ontem perdi uma parte de mim. E agora só resta vazio e solidão onde ele um dia esteve. Vagueio pela casa à sua procura, tão grande sem a sua presença pequenina, só encontro restos onde ele tocou, onde ele brincou e onde um dia dormiu sossegadamente. Ele esteve aqui e agora partiu. Foi-se. Foi-se embora para sempre, para um lugar muito, muito longe, para um sítio para o qual não o posso acompanhar, onde não o voltarei a ver. Foi descansar longe da sua casa, longe dos sítios que sempre conheceu, longe de mim. Longe de mim.
Ontem pedi ajuda. Olhei para cima e pedi ajuda, pela primeira vez em muitos anos. Um sinal, pensei, um milagre, um só milagre e eu converto-me, passo a seguir e a adorar quem quer que me esteja a ouvir. Por favor. Mas ninguém ouviu. Ninguém quis saber. Ninguém veio em meu auxílio, nem meu nem dele, que se finou com todo o peso do sofrimento do mundo nas suas costas pequeninas. Ninguém veio porque não havia ninguém para vir. E eu, que quis acreditar, por um minuto, um segundo que fosse que havia compaixão e amor no universo e que tudo o que a racionalidade me diz seria tudo mentira, fui enganada e deixada à minha sorte. Bem aventurados os que têm fé, porque nunca estão verdadeiramente sozinhos, têm sempre a esperança consigo.
Ontem perdi-me. Perdi-o. Para sempre. E eu, que já sofri tantas perdas, a quem já foram roubadas tantas presenças importantes, que assisti ao sofrer e definhar de tantas pessoas boas e de uma riqueza extraordinária que preencheram a minha vida de uma forma única, nunca me senti tão derrotada, tão devastada, tão sozinha, tão impotente e tão miserável como hoje.
Hoje. Hoje a vida parece continuar. Aparentemente, apenas. Para mim, parece que parei no tempo, num tempo negro, fundo, insondável, incerto, interminável, onde algures, no fim dessa estrada, está ele e a sua presença que já não posso sentir, apenas recordar.
Adeus, meu amor pequenino.
Adeus, Lenine.
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Amostra de Gato - XXX
E depois há esta miséria que, vingando-se de ter estado um fim-de-semana sozinho, resolve alapar o seu peludo cu no lavatório, logo pela manhã, quando uma pessoa precisa desesperadamente de se despachar...
segunda-feira, 7 de março de 2016
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Amostra de Gato XXVIII
Diz que hoje é dia mundial do gato.
Não sei bem se esta coisa que habita lá em casa se pode considerar gato (é mais um sorvedor de comida, maldisposto, malcriado e resmungão), mas é o que se arranja.
Não sei bem se esta coisa que habita lá em casa se pode considerar gato (é mais um sorvedor de comida, maldisposto, malcriado e resmungão), mas é o que se arranja.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Amostra de Gato XXVII
'Há chá? Apetece-me chá', diz ele já com os bigodes enfiados na chávena.
Não há remédio para isto...
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Amostra de Gato - XXVI
'É pá, ó minha, qu'ésta merda, ainda ontem cabia aqui na boa e agora sou obrigado a ficar com a bunda de fora, como um reles chouriço?! Vê lá se arranjas móveis decentes, mas é!'
, diz ele com aquela cara de cu que deus nosso senhor que arranjou.
sexta-feira, 31 de julho de 2015
quarta-feira, 8 de julho de 2015
quarta-feira, 17 de junho de 2015
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Amostra de Gato XXIII
Já não sei que faça...
Esta gaita peluda trepa por todo o lado e enrosca-se em qualquer sítio, mesmo que o tal sítio seja a dois ou três metros do chão.
Tenho arrepios de puro medo se o estupor enfia as unhas no tecido e vai de escorregar por ali abaixo.
Já experimentei dar-lhe com a vassoura nas ventas, mas não consigo perceber se ele gosta mais de levar com a vassoura ou de se pendurar nas alturas...
Foda-se mais a isto...
Esta gaita peluda trepa por todo o lado e enrosca-se em qualquer sítio, mesmo que o tal sítio seja a dois ou três metros do chão.
Tenho arrepios de puro medo se o estupor enfia as unhas no tecido e vai de escorregar por ali abaixo.
Já experimentei dar-lhe com a vassoura nas ventas, mas não consigo perceber se ele gosta mais de levar com a vassoura ou de se pendurar nas alturas...
Foda-se mais a isto...
quinta-feira, 30 de abril de 2015
quarta-feira, 29 de abril de 2015
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Amostra de Gato XIX
'Finjo que estou sossegado na minha vidinha, mas assim que se aproxima alguém com uma coisa parecida com uma máquina que tira fotografias, armo-me logo em parvo.'
segunda-feira, 6 de abril de 2015
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Amostra de Gato XVII
Não querem lá ver que esta monstruosidade já faz um ano?!
Na viragem para a idade adulta, não há melhoras nenhumas, continua porco e mau. Só não é feio.
Na viragem para a idade adulta, não há melhoras nenhumas, continua porco e mau. Só não é feio.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Amostra de Gato XV
E lá vamos nós outra vez...
Basta voltar as costas um minuto que a asneira dá-se.
Ainda me lembro da altura em que esta coisa me cabia no bolso do robe e andava pela casa fora com ele lá enfiado. Agora já enche um bidé inteiro.
Velha, estou velha ...
Basta voltar as costas um minuto que a asneira dá-se.
Ainda me lembro da altura em que esta coisa me cabia no bolso do robe e andava pela casa fora com ele lá enfiado. Agora já enche um bidé inteiro.
Velha, estou velha ...
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