Como nem tudo no Égastulo é mau, lá me deram uns dias para descansar.
Maneiras que vou levar o queixume para outros sítios e, daqui a nada, já estarei de volta, que o tempo bom nunca dura porra nenhuma.
Dos Incidentes, Pareceres e Vicissitudes várias. Porque "Quando a ralé se põe a pensar, está tudo perdido", lá dizia Voltaire...
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
Meanwhile in Érgastulo - Parte Quinta
- Ora, ela diz que se chama Cátia, mas toda a gente sabe que o verdadeiro nome dela é Cátilene. - diz ele com um ar de desprezo e nojo pelos pobres que têm que inventar um nome que não têm para parecerem mais interessantes.
Nada a ver com ele, cruzes credo!, que não usa um apelido a fingir que é o seu nome próprio e não esconde de toda a gente que na verdade se chama Zé Manel.
Foi aqui que vim parar.
Nada a ver com ele, cruzes credo!, que não usa um apelido a fingir que é o seu nome próprio e não esconde de toda a gente que na verdade se chama Zé Manel.
Foi aqui que vim parar.
Parece que houve um mini-terramoto hoje, às 7h44 da matina, que se sentiu em Lisboa e arredores.
A minha pessoa não sentiu absolutamente nada. Se calhar até senti, mas tomei o tremor por um dos peidos do meu herdeiro e não pensei mais na coisa.
Talvez a Margem Sul não conte como arredores de Lisboa.
É, Loures é que é...
A minha pessoa não sentiu absolutamente nada. Se calhar até senti, mas tomei o tremor por um dos peidos do meu herdeiro e não pensei mais na coisa.
Talvez a Margem Sul não conte como arredores de Lisboa.
É, Loures é que é...
Blue Monday sempre exerceu sobre mim um fascínio descomunal. Foi a melhor invenção dos New Order e não me canso nunca desta melodia.
Há uns valentes anos, quando saiu o cover dos Orgy, lembro-me de ficar agarrada ao rádio, à espera que dissessem o nome da banda depois da música passar.
Sou capaz de passar um dia inteiro - como aliás jhá aconteceu - a ouvir a música em repeat. Não sei explicar o que é que a música tem, sei que se me entranha pelo ouvido até ao fundo do cérebro, fazer-se o quê...
Por isso, é com grande alegria que constato que por essa web fora proliferam covers, de todos os estilos possíveis, desta música maravilhosa.
Creio que vou pespegar aqui, futuramente, o melhor que o Youtube tem para oferecer.
Comecemos por esta, que é uma lufada de ar fresco:
Há uns valentes anos, quando saiu o cover dos Orgy, lembro-me de ficar agarrada ao rádio, à espera que dissessem o nome da banda depois da música passar.
Sou capaz de passar um dia inteiro - como aliás jhá aconteceu - a ouvir a música em repeat. Não sei explicar o que é que a música tem, sei que se me entranha pelo ouvido até ao fundo do cérebro, fazer-se o quê...
Por isso, é com grande alegria que constato que por essa web fora proliferam covers, de todos os estilos possíveis, desta música maravilhosa.
Creio que vou pespegar aqui, futuramente, o melhor que o Youtube tem para oferecer.
Comecemos por esta, que é uma lufada de ar fresco:
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Somehow, I Knew It...
Spoiler Alert! (clicar para ver com mais propriedade esta pérola do episódio de hoje)
Ele Há Coisas...
... que não percebo. Nem quero perceber, a bem da verdade.
Qual é a necessidade das pessoas atenderem o telefone com a boca cheia?
Ou estarem a falar enquanto comem?
Acharão sexy o barulho da mastigação?
Creem decente que se fale e nada se perceba?
Cada vez que me deparo com um fenómeno destes lembro-me sempre daquela andorinha que fazia parte do meu patronato anterior, que adorava vir para o pé dos outros enquanto comia fruta.
Nada a dizer, fosse ela uma pessoa normal e com normas de socialização e educação interiorizadas. Mas não era.
Aquela mulher só sabia comer fruta a chupar a dita e a fazer um cagaçal de meia noite, sugando muito bem sugadinho qualquer pontinha de humidade que pudesse haver naquele pedaço de natureza. Lembro-me particularmente das pêras, que gostava delas madurinhas e cheias de sumo, para depois parecer um aspirador avariado a tentar puxar para o saco um quilo de pedras. Não raras vezes a apanhei nestes preparos a falar com clientes, não só pelo telefone, mas frente a frente, a mostrar a toda a gente como se comia no Paleolítico.
Pensava eu, na minha inocência, que era só ela que não tinha maneiras, que era bruta e provinciana e que só fazia aquilo porque, coitada, apesar do imenso mar de dinheiro que possuía, era bruta como as casas e, no fundo, uma matarruana de meter dó.
Pois que parece que não.
Afinal, em todo o lado há pessoínhas destas, porcas até à 15ª geração, que não sabem comer e gostam de vir ensebar o ar que os outros respiram com nódoas de pêssego e migalhas de pão.
Foda-se, que é demais...
Qual é a necessidade das pessoas atenderem o telefone com a boca cheia?
Ou estarem a falar enquanto comem?
Acharão sexy o barulho da mastigação?
Creem decente que se fale e nada se perceba?
Cada vez que me deparo com um fenómeno destes lembro-me sempre daquela andorinha que fazia parte do meu patronato anterior, que adorava vir para o pé dos outros enquanto comia fruta.
Nada a dizer, fosse ela uma pessoa normal e com normas de socialização e educação interiorizadas. Mas não era.
Aquela mulher só sabia comer fruta a chupar a dita e a fazer um cagaçal de meia noite, sugando muito bem sugadinho qualquer pontinha de humidade que pudesse haver naquele pedaço de natureza. Lembro-me particularmente das pêras, que gostava delas madurinhas e cheias de sumo, para depois parecer um aspirador avariado a tentar puxar para o saco um quilo de pedras. Não raras vezes a apanhei nestes preparos a falar com clientes, não só pelo telefone, mas frente a frente, a mostrar a toda a gente como se comia no Paleolítico.
Pensava eu, na minha inocência, que era só ela que não tinha maneiras, que era bruta e provinciana e que só fazia aquilo porque, coitada, apesar do imenso mar de dinheiro que possuía, era bruta como as casas e, no fundo, uma matarruana de meter dó.
Pois que parece que não.
Afinal, em todo o lado há pessoínhas destas, porcas até à 15ª geração, que não sabem comer e gostam de vir ensebar o ar que os outros respiram com nódoas de pêssego e migalhas de pão.
Foda-se, que é demais...
Não é raro em vésperas de feriados, ainda para mais nos feriados que convidam a pontes, as cidades estarem desertas.
Hoje saí de casa e não vi uma única pessoa até chegar à estação.
O comboio ia tão vazio que até pude ocupar o lugar do lado com os meus pertences.
Isto não é, como disse, raro acontecer, principalmente nas cidades e terrinhas mais pequenas.
Mas isto também acontece em Lisboa, fenómeno para o qual não estava preparada. Lisboa deserta parece um cenário de catástrofe nuclear. Mesmo nos dias anteriores, Agosto no seu melhor, está muito menos gente, mas ainda assim, há movimento.
Hoje não.
Hoje não se ouvem carros, não se ouve buzinar nem se ouvem taxistas muito afoitos a chamar nomes aos transeuntes que gostam de passar para o outro lado da estrada à maluca. Não se ouve ninguém.
Neste edifício, tão cheio de vida, não se encontra vivalma.
Vim, pois, trabalhar para uma terra de zombies, o que me leva a maldizer a minha sorte por ser a única ursa que tem e vir trabalhar.
Hoje saí de casa e não vi uma única pessoa até chegar à estação.
O comboio ia tão vazio que até pude ocupar o lugar do lado com os meus pertences.
Isto não é, como disse, raro acontecer, principalmente nas cidades e terrinhas mais pequenas.
Mas isto também acontece em Lisboa, fenómeno para o qual não estava preparada. Lisboa deserta parece um cenário de catástrofe nuclear. Mesmo nos dias anteriores, Agosto no seu melhor, está muito menos gente, mas ainda assim, há movimento.
Hoje não.
Hoje não se ouvem carros, não se ouve buzinar nem se ouvem taxistas muito afoitos a chamar nomes aos transeuntes que gostam de passar para o outro lado da estrada à maluca. Não se ouve ninguém.
Neste edifício, tão cheio de vida, não se encontra vivalma.
Vim, pois, trabalhar para uma terra de zombies, o que me leva a maldizer a minha sorte por ser a única ursa que tem e vir trabalhar.
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Coisas Que Vejo Por Aí # 42
Este amigo esteve comigo anos a fio, não sei bem quantos, mas se tivesse de apostar, diria mais de 5.
Tive muita pena de o acabar porque era um produto maravilhoso. Leve, brilhante q.b. e versátil, porque tendo pouca pigmentação permitia a sua aplicação como sombra, o que era deveras porreiro em dias de pressa.
Não sendo nada caro, torna-se uma verdadeira pechincha pelo tempo que durou.
Muito, muito bom.
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Comentário Jurídico da Latrina,
Posição Doutrinária
terça-feira, 8 de agosto de 2017
Mantra
Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.
Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.
Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.
Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.
Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.
Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.
Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.
Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.
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Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.
Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.
Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.
Não-usar-vestidinhos-vaporosos-em-dias-de-ventania.
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Isto Só a Mim...
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Meanwhile in Ergástulo - Parte Quarta
Faz-me muita confusão que as andorinhas desta casa jurídica andem constantemente de semi-férias.
E o que é isto de semi-férias?
Nada mais simples do que ir de férias semana sim, semana não.
Juro que não percebo, a sério que não.
Qual é o gozo de passar dois meses em que não se descansa convenientemente e também não se trabalha por aí além?
Dizem que assim parece que as férias são maiores. Não percebo como. Cada vez que se vai de férias tem-se logo a sentença marcada de trabalho para a semana seguinte. Quem é que consegue desligar do stress neste esquema?
Qualquer dia também estarei inserida neste fim-de-mundo-em-cuecas mas até lá, passa-me completamente ao lado.
E o que é isto de semi-férias?
Nada mais simples do que ir de férias semana sim, semana não.
Juro que não percebo, a sério que não.
Qual é o gozo de passar dois meses em que não se descansa convenientemente e também não se trabalha por aí além?
Dizem que assim parece que as férias são maiores. Não percebo como. Cada vez que se vai de férias tem-se logo a sentença marcada de trabalho para a semana seguinte. Quem é que consegue desligar do stress neste esquema?
Qualquer dia também estarei inserida neste fim-de-mundo-em-cuecas mas até lá, passa-me completamente ao lado.
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Comentário Jurídico da Latrina
Na Senda da Senda
Quando leio ou escrevo a expressão "na senda de", lembro-me sempre da minha ilustríssima anterior entidade patronal, que odiava que escrevesse nas peças esta locução.
Dizia sempre onde é que você viu que isto se escreve ou quem é lhe disse que isto se usa ou, ainda, porque é que está a usar esta linguagem de polícia, achando que me ofendia profundamente ao comparar-me a um agente da autoridade. Mal sabendo, claro, que a polícia não usa esta expressão (para esses funciona o nomeadamente e o efectivamente, o derivado de e o das mesmas, expressões que ele próprio se fartava de usar) e que na senda de até se pode ler amiúde na jurisprudência e noutras literaturas jurídicas.
E isto vindo de uma pessoa que, a escrever peças processuais, dava erros gramaticais de meia noite e que se achava, simultaneamente, um poço da eloquência escrita e falada. Ainda tenho guardadas algumas pérolas dessa sabedoria ancestral e, qualquer dia, não tendo o que fazer, pespego com elas aqui.
Portanto, na senda do post anterior, que é, ele próprio, na senda de um outro post mais antigo, lembro-me disto e arrependo-me de todas as oportunidades que tive para o mandar abertamente para o caralho e não aproveitei.
#souestúpidaegosto
Dizia sempre onde é que você viu que isto se escreve ou quem é lhe disse que isto se usa ou, ainda, porque é que está a usar esta linguagem de polícia, achando que me ofendia profundamente ao comparar-me a um agente da autoridade. Mal sabendo, claro, que a polícia não usa esta expressão (para esses funciona o nomeadamente e o efectivamente, o derivado de e o das mesmas, expressões que ele próprio se fartava de usar) e que na senda de até se pode ler amiúde na jurisprudência e noutras literaturas jurídicas.
E isto vindo de uma pessoa que, a escrever peças processuais, dava erros gramaticais de meia noite e que se achava, simultaneamente, um poço da eloquência escrita e falada. Ainda tenho guardadas algumas pérolas dessa sabedoria ancestral e, qualquer dia, não tendo o que fazer, pespego com elas aqui.
Portanto, na senda do post anterior, que é, ele próprio, na senda de um outro post mais antigo, lembro-me disto e arrependo-me de todas as oportunidades que tive para o mandar abertamente para o caralho e não aproveitei.
#souestúpidaegosto
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Ainda na Senda do Post Anterior
Imagino sempre esta gente d'A Guerra dos Tronos a ir ao registo fazer o cartão de cidadão e a ficar meio ano a dizer o próprio nome.
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quarta-feira, 2 de agosto de 2017
As Ideias que Surgem quando se toma Banho
Jon Snow não é filho de Ned Stark.
Agora já é oficial para quem vê a série.
Para quem também leu os livros, apesar de não ser explícito, nem se falar nunca abertamente do assunto, pormenores davam a entender essa realidade. Mais que não seja porque Ned Stark era um homem seríssimo, que nunca esconderia da sua amada mulher o nome da mãe do filho, caso fosse efectivamente ele o pai. Não revelando o seu nome, dava a entender que guardava um segredo que não era seu.
Jon Snow é filho de Lyanna Stark, irmã de Ned Stark, e Rhaegar Targaryen, um dos filhos do Rei Louco, e irmão de Daenerys Targeryen.
Ned Stark perfilhou Jon Snow em promessa que fez à sua irmã, no leito de morte desta, para proteger o miúdo de Robert Baratheon que andava a matar a eito tudo o que era Targaryen.
Tendo isto como assente, agora que já é oficial e já se pode dizer, Jon Snow tem uma pretensão ao trono acima de Daenerys: é filho de Rhaegar, que era o filho mais velho do Rei Louco, enquanto que Daenerys é a filha mais nova deste e, portanto, tia do Snow. Reparem como isto, de repente, parece a descrição de um romance da Casa dos Segredos...
Adiante.
Daenerys não só não é a última dos Targaryen como a sua 'linhagem', por assim dizer, pretere à do sobrinho.
Jon Snow é, portanto, um Targaryen, tal como é um Stark (e não um bastardo), e o verdadeiro herdeiro do Trono de Ferro.
Jon Snow é Rei. Muito mais que ser o Rei no Norte, é Rei de Westeros.
Ora, havia uma senhora, habitualmente vestida de vermelho, que há umas temporadas atrás adorava um belo churrasco de monarquia, de seu nome Melisandre.
Estava plenamente convicta que queimar na fogueira gente com sangue real , ou retirar-lhes o sangue à bruta ou qualquer outra coisa que significasse aleijar um bocado, dava-lhe o poder para ver e saber coisas do futuro, uma cortesia do seu Deus do Fogo. Também tinha a mania que era sapientíssima e que guardava conhecimentos que os meros mortais não alcançavam.
Já que era tão iluminada, agora foi-se um bocado abaixo, coitada, tinha a obrigação de saber a verdadeira origem de Jon Snow.
Não é segredo para ninguém que ela gostava muito dele e, se pudesse, tinha tirado umas casquinhas ao nortenho, mas nunca mais do que isso. A bem da verdade, ele também nunca lhe deu confiança, provavelmente pressentindo o perigo que emanava daquela mulher.
Não obstante, ela, como feiticeira e clarividente, teria a obrigação de saber que aquele não era um reles bastardo, não era apenas o Comandante da Patrulha da Noite, não era apenas mais um membro dos guardiões da Muralha.
Teria obrigação de saber que aquele era o herdeiro legitimo do Trono de Ferro. E, na posse dessa informação, teria tentado deitá-lo numa chapa e fazer dele um churrasquinho à moda do norte para conseguir ver o futuro, poder que o seu Deus lhe conferiu.
E esta senhora, que me recorde, nem nos livros nem na série, tentou fazer tal coisa. Mais, nunca deu a entender que sabia mais acerca de Jon Snow do que as aparências mostravam.
O que me leva a concluir que era não é assim tão feiticeira quanto isso e andou a embarretar toda a gente. Sim, é verdade que ela via potencial em Jon Snow mas nunca mais do que isso. Nunca demonstrou saber mais sobre a família do rapaz do que os restantes.
E, como na Guerra dos Tronos, nunca nada é linear, passou-me pela cabeça que isto pudesse ser relevante. Só não sei concretizar exactamente em quê.
E era só isto.
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Posição Doutrinária
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Não está mal, não é maçador, não leva ninguém ao engano. Mas gostei mais do primeiro.
Não obstante, estou em estado de ansiedade para ler o próximo.
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Aniversário
Parecendo que não já lá vão 10 anos desde que esta espelunca abriu portas.
10 anos.10 ANOS, CARAÇAS!!!
Onde se meteu o tempo?!
Olhando para os textos de então, concluo duas coisas: tinha a mania de escrever em código, mas código insusceptível de ser decifrado, tanto ou tão pouco que agora, mesmo que faça um esforço, não faço a mais pálida ideia a que raio me estava a referir e tinha claramente muito tempo em mãos para gastar a escrever parvoíces.
Continuo a gastar tempo a escrever essas parvoíces, é certo.
Mas tornei-me mais descarada ao longo do tempo.
Tempos houve em que passava a vida a escrever aqui parvoíces, dias os houve em que escrevi mais que dez posts seguidos. Noutros dias, como nos últimos tempos, meses se passaram que só viram publicados um ou dois posts. Associo esses tempos de parca produção literária, se é que se pode chamar literatura ao lixo que aqui deposito, aos tempos mais felizes da minha existência: quanto mais feliz, menos tenho que me queixar, ergo, menos idiotices para escrever.
No entanto, o Bona Mater Familias nunca foi apenas um depósito de queixumes, foi também uma espécie de diário, uma catarse, um escape aos problemas e uma forma de desabafo constante, que me ajudou, de alguma forma, a solucionar muitos problemas e inquietações. Pensar nunca fez mal a ninguém, e por pensar nas coisas, nasceram textos que, por sua vez, foram a própria análise dos problemas que lhe eram subjacentes.
Começou a quatro mãos, ficou reduzido a duas. Os tempos da colaboração já lá vão, mas os textos que não meus ficam para sempre nos anais da internet, a recordar ao autor momentos de maior ou menor inspiração. E essas recordações são muito boas.
Em dez anos, muita coisa aconteceu. Assim, no repente que foram estes dez anos, acabei o curso, comecei o estágio, juntei trapinhos, agreguei-me à Ordem, casei e tive um rebento. Claro que quem está desprevenido pensa que só me acontecem tragédias, tamanha a tendência para o queixume, mas não foi sempre assim. Também sofri perdas, grandes e dolorosas. Principalmente nessas ocasiões, este espaço foi um alívio e um autêntico ombro amigo. Mais um gigantesco lenço de assoar, a bem da verdade. Mas gosto, pelo menos, de pensar que, simultaneamente com as memórias que me acompanham, esses textos deixam um bocadinho dessas pessoas no mundo.
10 anos.
Um década.
Olhando para trás, parecem-me dez dias.
Não obstante escrever essencialmente para mim, sei que há desse lado, vá, seis pessoas que de vezem quando ainda deitam os olhos às palhaçadas que escrevo, e isso, tendo em conta a falta de interesse destes conteúdos, só pode ser motivo de grande e profundo agradecimento.
Na esperança de que esta autêntica palhaçada se prolongue, pelo menos, por mais dez anos, resta olhar para a frente, sempre a pensar em mais queixumes para escrever, não esquecendo o passado, com tantas coisas boas e tão grandiosas queixinhas.
E contra isto, as habituais batatas.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Nada a Fazer XXIII
Para além da mestria e da perfeição do filme, ainda há o casting extremamente bem conseguido, especialmente no que aos Toms Hardys desta vida diz respeito.
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Benfeitorias Voluptuárias
Cinema Nº ... Coiso
Este é dos melhores filmes que já vi.
Tudo é novo, diferente, original. A sonoridade, a fotografia, a cor, a visão, o tempo.
Soberbo.
Nolan superou-se. Em tudo.
Spielberg já tem um sucessor para filmes de guerra.
Vou Morrer Sozinha e sem Amigos
Tenho dois amigos que muito prezo lá para os lados de Évora.
Acompanho-os desde os tempos de faculdade, assisti a casamento, nascimento de rebento, baptizado de rebento, ajuntamentos amiúde. Óptimas pessoas, gente afável e simpática ate à 15ª geração.
E, dado que não sou pessoa de arranjar muitos amigos, aborrecem-me as pessoas, fazer o quê?, convém preservar os que tenho e cuidar deles porque certamente não arranjarei mais amigos.
O único problema daquela gente sou eu.
Porque me têm como amiga e dos aniversários daqueles desgraçados nunca me lembro.
Nunca.
Nunca.
Not even once.
Por exemplo, assim que comprei a agenda jurídica fui logo lá escrever as datas, até alarmes no telemóvel pus. Tudo na vã tentativa de parecer menos ursa e lembrar-me efectivamente do aniversário das pessoas que me dizem alguma coisa. Do aniversário dele, ainda fui a tempo. Dela, que foi naquele dia fatídico em que passei um dia inteiro no spa da Conservatória, arranjar sarna para me coçar e a ver as pessoas a andarem à bulha, o tempo que passei a olhar para o telemóvel podia perfeitamente ter ido à agenda ver que dia era.
Estúpida, não fui. E agora faço figura de otária perante quem nunca se esquece do meu aniversário.
Passo aqui a vida a queixar-me da vida e daquilo que os outros me fazem, quando afinal mais vali queixar-me do quão estúpida sou.
Posto isto, E., desculpa.
Feliz aniversário.
Acompanho-os desde os tempos de faculdade, assisti a casamento, nascimento de rebento, baptizado de rebento, ajuntamentos amiúde. Óptimas pessoas, gente afável e simpática ate à 15ª geração.
E, dado que não sou pessoa de arranjar muitos amigos, aborrecem-me as pessoas, fazer o quê?, convém preservar os que tenho e cuidar deles porque certamente não arranjarei mais amigos.
O único problema daquela gente sou eu.
Porque me têm como amiga e dos aniversários daqueles desgraçados nunca me lembro.
Nunca.
Nunca.
Not even once.
Por exemplo, assim que comprei a agenda jurídica fui logo lá escrever as datas, até alarmes no telemóvel pus. Tudo na vã tentativa de parecer menos ursa e lembrar-me efectivamente do aniversário das pessoas que me dizem alguma coisa. Do aniversário dele, ainda fui a tempo. Dela, que foi naquele dia fatídico em que passei um dia inteiro no spa da Conservatória, arranjar sarna para me coçar e a ver as pessoas a andarem à bulha, o tempo que passei a olhar para o telemóvel podia perfeitamente ter ido à agenda ver que dia era.
Estúpida, não fui. E agora faço figura de otária perante quem nunca se esquece do meu aniversário.
Passo aqui a vida a queixar-me da vida e daquilo que os outros me fazem, quando afinal mais vali queixar-me do quão estúpida sou.
Posto isto, E., desculpa.
Feliz aniversário.
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O Direito tornou-me inimputável
Passei 6 horas da minha vida na Conservatória dos Registos Centrais. E tinha senha prioritária. Aliás, a maior parte das pessoas com senhas normais despacharam-se mais rapidamente que eu. Isto porque só havia um único funcionário a atender todos os profissionais forenses, cada um deles a demorar cerca de uma hora a resolver os seus assuntos. Isto, obviamente, não se admite e espero que, das duas, uma: ou resolvem isto rapidamente ou pode ser que rebente lá uma porra de uma bomba cheia de merda dentro.
Maneiras que passei muito tempo à espera, a ler, a fumar, ao telemóvel, a suspirar alto, a dar pontapés na cadeira da frente, a resmungar, a dizer palavrões e a observar as pessoas. Até assisti a uma discussão entre vários utentes e o segurança e depois entre os vários utentes e a chefe de serviço daquela espelunca.
Foi deveras divertido.
Dei por mim a desejar que andassem todos ao estalo só para a minha espera se tornar mais interessante. Agora que penso nisso, acho que desde os tempos de escola que não vejo ninguém a andar à porrada e sendo o ser humano de merda que sou, desejo muitas vezes que as altercações de chacha que todos os dias vejo por aí descambem rapidamente em cenas de pancadaria, só para me poder rir.
Não presto.
Maneiras que passei muito tempo à espera, a ler, a fumar, ao telemóvel, a suspirar alto, a dar pontapés na cadeira da frente, a resmungar, a dizer palavrões e a observar as pessoas. Até assisti a uma discussão entre vários utentes e o segurança e depois entre os vários utentes e a chefe de serviço daquela espelunca.
Foi deveras divertido.
Dei por mim a desejar que andassem todos ao estalo só para a minha espera se tornar mais interessante. Agora que penso nisso, acho que desde os tempos de escola que não vejo ninguém a andar à porrada e sendo o ser humano de merda que sou, desejo muitas vezes que as altercações de chacha que todos os dias vejo por aí descambem rapidamente em cenas de pancadaria, só para me poder rir.
Não presto.
A Caroucha que em mim Habita
Estou afónica.
Estado geral da garganta que não significa outra coisa que não seja tenho a voz agarrada ao cu. Coisa que, de há uns anos para cá, me tem acontecido diversas vezes e não sei muito bem porquê.
Portanto, falar comigo transformou-se numa actividade deveras lúdica, para quem me ouve, é certo, porque pareço uma gaja do bairro a mandar vir com a polícia que lhe levou o marido preso.
Vou, pois, continuar a usar o mantra anterior, acrescentando-lhe um "#", que é para ficar à moda:
#merdaparamim
Estado geral da garganta que não significa outra coisa que não seja tenho a voz agarrada ao cu. Coisa que, de há uns anos para cá, me tem acontecido diversas vezes e não sei muito bem porquê.
Portanto, falar comigo transformou-se numa actividade deveras lúdica, para quem me ouve, é certo, porque pareço uma gaja do bairro a mandar vir com a polícia que lhe levou o marido preso.
Vou, pois, continuar a usar o mantra anterior, acrescentando-lhe um "#", que é para ficar à moda:
#merdaparamim
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Isto Só a Mim...
Queixume Pós Gestacional # 16
Há, pelo menos, 9 meses que não ia ao cinema.
9 meses.
9 MESES.
Pelo menos.
Ora isto é, de facto, um fenómeno no qual é preciso atentar. E o fenómeno não será outro senão o do fim da boa vida dos paizinhos quando chegam os rebentos.
Merda para mim, portanto.
9 meses.
9 MESES.
Pelo menos.
Ora isto é, de facto, um fenómeno no qual é preciso atentar. E o fenómeno não será outro senão o do fim da boa vida dos paizinhos quando chegam os rebentos.
Merda para mim, portanto.
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Do Estabelecimento da Maternidade
quinta-feira, 27 de julho de 2017
Meanwhile in Egástulo - Parte Terceira
Continuo sem perceber o que é que aquele gajo passa os dias a fazer...
#NãoSejasInácio
Na Conservatória do Registo Civil, diz uma avestruz para a outra, claramente referendo-se à minha pessoa:
- Aquela senhora chegou depois e já foi atendida. Tem senha prioritária? Mas porquê? Não lhe estou a ver nenhuma deficiência...
Resposta dada: suspirar alto, dizer ai, ai..., revirar os olhos, maldizer a sorte e a falta de conhecimento das alminhas que por este mundo caminham.
Resposta que deveria ter sido dada:
- Pois é, escanchada do caralho, passei à frente mas não foi por ser coxa, passei à frente porque estou a trabalhar, não estou de férias, como é claramente o seu caso, nem venho acompanhar o maridinho jeitoso, 20 anos mais novo, na recolha de documentos para processo de nacionalidade, como é também, notoriamente, o seu caso. Aliás, acho que a senhora vai, em breve, precisar de um advogado... Pegue lá o meu cartão.
Estava mesmo a abrir a boca para dizer tudo isto a grande velocidade, mas depois ocorreu-me uma série de razões para não o fazer: era má educação, vou ali muitas vezes, as pessoas já me vão conhecendo, parecia mal, não sou nenhuma peixeira, já tenho idade para ter juízo.
Mas a principal razão foi ter-me lembrado de uma pessoa da minha rede de conhecimentos que tem a mania de dizer estas coisas, qual virgem ofendida enfiada num poço de virtudes, e da qual toda a gente começa lentamente a fugir por causa de episódios destes.
Noutras palavras, nunca a frase promovida pela BTV até à exaustão fez tanto sentido...
- Aquela senhora chegou depois e já foi atendida. Tem senha prioritária? Mas porquê? Não lhe estou a ver nenhuma deficiência...
Resposta dada: suspirar alto, dizer ai, ai..., revirar os olhos, maldizer a sorte e a falta de conhecimento das alminhas que por este mundo caminham.
Resposta que deveria ter sido dada:
- Pois é, escanchada do caralho, passei à frente mas não foi por ser coxa, passei à frente porque estou a trabalhar, não estou de férias, como é claramente o seu caso, nem venho acompanhar o maridinho jeitoso, 20 anos mais novo, na recolha de documentos para processo de nacionalidade, como é também, notoriamente, o seu caso. Aliás, acho que a senhora vai, em breve, precisar de um advogado... Pegue lá o meu cartão.
Estava mesmo a abrir a boca para dizer tudo isto a grande velocidade, mas depois ocorreu-me uma série de razões para não o fazer: era má educação, vou ali muitas vezes, as pessoas já me vão conhecendo, parecia mal, não sou nenhuma peixeira, já tenho idade para ter juízo.
Mas a principal razão foi ter-me lembrado de uma pessoa da minha rede de conhecimentos que tem a mania de dizer estas coisas, qual virgem ofendida enfiada num poço de virtudes, e da qual toda a gente começa lentamente a fugir por causa de episódios destes.
Noutras palavras, nunca a frase promovida pela BTV até à exaustão fez tanto sentido...
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Piadas de Propriedade Privada
quarta-feira, 26 de julho de 2017
Do Estado de Estarrecimento
Apercebi-me mesmo agora que tenho andado a chamar Camelo a um funcionário de Agente de Execução que, afinal, se chama Camilo.
Já percebo o constante mau humor do homem comigo.
Foda-se...
Já percebo o constante mau humor do homem comigo.
Foda-se...
terça-feira, 25 de julho de 2017
Queixume Pós Gestacional #15
Estou plenamente convicta que as crianças já deviam nascer com dentes.
Claro que isso implicaria que, ainda na barriga das mães, as mordessem como se não houvesse amanhã.
E claro que isso implicaria também que a amamentação se tornasse impossível: estão a ver uma coisinha de não sei quantos quilos, que não sabe a força que tem, a dar dentadinhas nas mamas enquanto suga o leite?
Mas, ao menos, poupava o sofrimento dos petizes meses mais tarde.
E dava um jeitaço tremendo aos pais, que poderiam dormir mais do que três horas em cada noite, enquanto não estavam a embalar os rebentos com dores na boca.
Fenómeno interessante: quando estão ao colo, não lhes dói nada; assim que são pousados na cama, é vê-los a sofrer horrores com as gengivas em chamas.
Depois não venham cá dizer que as manhas são coisas dos adultos, e não dos bebés.
Claro que isso implicaria que, ainda na barriga das mães, as mordessem como se não houvesse amanhã.
E claro que isso implicaria também que a amamentação se tornasse impossível: estão a ver uma coisinha de não sei quantos quilos, que não sabe a força que tem, a dar dentadinhas nas mamas enquanto suga o leite?
Mas, ao menos, poupava o sofrimento dos petizes meses mais tarde.
E dava um jeitaço tremendo aos pais, que poderiam dormir mais do que três horas em cada noite, enquanto não estavam a embalar os rebentos com dores na boca.
Fenómeno interessante: quando estão ao colo, não lhes dói nada; assim que são pousados na cama, é vê-los a sofrer horrores com as gengivas em chamas.
Depois não venham cá dizer que as manhas são coisas dos adultos, e não dos bebés.
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Do Estabelecimento da Maternidade,
Isto Só a Mim...
sexta-feira, 21 de julho de 2017
Fiquei chocada com o falecimento de Chester Bennigton, confesso.
Linkin Park não era propriamente a minha banda favorita, nem nunca foi, mas fizeram parte da minha adolescência e são um marco incontornável dentro do género. Numa altura em que a cabeça não dá para mais, as letras a roçar a auto-comiseração, a injustiça dos marginais e a incompreensão por parte dos pares faziam todo o sentido.
A partida de um artista deixa sempre o mundo, e a música em particular, mais pobres, ainda para mais nas circunstâncias trágicas.
Calou-se uma boa voz, que marcou uma geração inteira e que, não obstante, será sempre recordado e cuja obra perdurará.
Linkin Park não era propriamente a minha banda favorita, nem nunca foi, mas fizeram parte da minha adolescência e são um marco incontornável dentro do género. Numa altura em que a cabeça não dá para mais, as letras a roçar a auto-comiseração, a injustiça dos marginais e a incompreensão por parte dos pares faziam todo o sentido.
A partida de um artista deixa sempre o mundo, e a música em particular, mais pobres, ainda para mais nas circunstâncias trágicas.
Calou-se uma boa voz, que marcou uma geração inteira e que, não obstante, será sempre recordado e cuja obra perdurará.
quinta-feira, 20 de julho de 2017
Ai Sim?
Constato que sou uma saloia acabada de chegar da província quando fico positiva e verdadeiramente estupefacta com o facto dos autocarros, que na minha terra se chamam carreiras, em Lisboa passarem com uma periodicidade aproximada de 10 minutos.
Isto é, para mim, absolutamente espantoso.
Nunca naquela terra do demónio um autocarro passa com menos de meia hora de espera.
Nunca.
Mas mesmo nunca.
Acreditem porque sou um ser que passou muitas horas da sua vida à espera do autocarro para detrás do sol posto.
Portanto, vir parar à metrópole, andar de autocarro na metrópole e chegar em menos de um fósforo a qualquer local na metrópole é sinónimo de espanto.
E você?
Isto é, para mim, absolutamente espantoso.
Nunca naquela terra do demónio um autocarro passa com menos de meia hora de espera.
Nunca.
Mas mesmo nunca.
Acreditem porque sou um ser que passou muitas horas da sua vida à espera do autocarro para detrás do sol posto.
Portanto, vir parar à metrópole, andar de autocarro na metrópole e chegar em menos de um fósforo a qualquer local na metrópole é sinónimo de espanto.
E você?
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Apetece-me Grandemente Ser Porca #61
A porca que me mim habita não deixa de sentir um piquinho de felicidade quando nestes dias de verão, em que meio mundo está de férias, a curtir a praia e o sol, começa a chover como se não houvesse amanhã.
Claro que ninguém tem culpa que a minha pessoa não tenha férias, mas não deixo de achar que é extremamente bem feito e profundamente democrático.
Claro que ninguém tem culpa que a minha pessoa não tenha férias, mas não deixo de achar que é extremamente bem feito e profundamente democrático.
terça-feira, 18 de julho de 2017
Confesso que tenho algumas saudades dos tempos que passei na Comarca da Mitra Land.
Apesar de não querer voltar nem perder muito tempo a pensar naquela abécula obesa, que parece que ficou muito tristonha com a minha partida, vamos todos dizer ooooooohhhhhh que pena, fosses antes para o caralho, e de ter todas as saudades do mundo das pessoas que lá deixei, ainda penso, mais do que devia, é preciso acrescentar, nos tempos bons que tive. Isto antes de ser acometida com as memórias de todas as barbaridades que aquele filho de uma vaca me disse durante todos estes anos, maneiras que depois passa-me logo.
Apesar de não querer voltar nem perder muito tempo a pensar naquela abécula obesa, que parece que ficou muito tristonha com a minha partida, vamos todos dizer ooooooohhhhhh que pena, fosses antes para o caralho, e de ter todas as saudades do mundo das pessoas que lá deixei, ainda penso, mais do que devia, é preciso acrescentar, nos tempos bons que tive. Isto antes de ser acometida com as memórias de todas as barbaridades que aquele filho de uma vaca me disse durante todos estes anos, maneiras que depois passa-me logo.
Ai Sim?
É muito triste ser-se estúpido.
Mais triste ainda é ser-se estúpido e andar-se permanentemente a dormir em pé. porque ir à porra da cozinha beber uma porra de um café dá muito trabalho e ainda faz cair os parentes na lama, segundo se ouve dizer.
Por isso é que se passa uma manhã inteira a ligar para um Agente de Execução que, filhadaputa, deve estar de férias, todo esticado na praia e não atende... Pois, não atende porque o número para o qual se está a ligar não é mais que o NIF do desgraçado e não o número de telefone.
A partir de agora, o mote diário passa a ser: beber café antes de começar a trabalhar. Sem falta. Haja o que houver.
E você?
Mais triste ainda é ser-se estúpido e andar-se permanentemente a dormir em pé. porque ir à porra da cozinha beber uma porra de um café dá muito trabalho e ainda faz cair os parentes na lama, segundo se ouve dizer.
Por isso é que se passa uma manhã inteira a ligar para um Agente de Execução que, filhadaputa, deve estar de férias, todo esticado na praia e não atende... Pois, não atende porque o número para o qual se está a ligar não é mais que o NIF do desgraçado e não o número de telefone.
A partir de agora, o mote diário passa a ser: beber café antes de começar a trabalhar. Sem falta. Haja o que houver.
E você?
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Meanwhile in Ergástulo - Parte Segunda
Tenho um patronato tão ilustre, tão ilustre, mas tão absolutamente ilustre que, para se armar em frente ao proletariado, começa a falar espanhol ao telefone como se fosse um conde de um sítio qualquer. Todo recostado na cadeira, perna cruzada, ah e tal sou tão bom que meto nojo. E um bocadinho de dó, vá.
Coisinha idiota e ridícula.
É muito triste andar-se na rua a falar como um cobridor num filme pornográfico, mas enfim.
Por enquanto, ainda só tenho vontade de rir.
Coisinha idiota e ridícula.
É muito triste andar-se na rua a falar como um cobridor num filme pornográfico, mas enfim.
Por enquanto, ainda só tenho vontade de rir.
Queixume Pós Gestacional # 14
A porra de ter filhos é que os putos ficam doentes, cheios de febre, cheios de pintas, meio tristes, rabugentos, chatos e sem vontade de dormir e os pais não dormem de preocupação.
Quando já se está a ver que não passa, agarra-se em tudo e corre-se para o médico, já a pensar que o menino nunca mais vai voltar a ser o que era antes, já a pensar na tragédia, já a pensar em tudo e mais um par de botas.
Para depois as andorinhas dos filhos chegarem ao pé do médico aos pulos e pinotes, sempre a rir, a fazer gracinhas para toda a gente, com um vigor que parece que acabaram de acordar, só para deixar os pais mal vistos.
Que figurinha triste, deuses...
Raça do puto...
Quando já se está a ver que não passa, agarra-se em tudo e corre-se para o médico, já a pensar que o menino nunca mais vai voltar a ser o que era antes, já a pensar na tragédia, já a pensar em tudo e mais um par de botas.
Para depois as andorinhas dos filhos chegarem ao pé do médico aos pulos e pinotes, sempre a rir, a fazer gracinhas para toda a gente, com um vigor que parece que acabaram de acordar, só para deixar os pais mal vistos.
Que figurinha triste, deuses...
Raça do puto...
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Do Estabelecimento da Maternidade
Vai uma pessoa descansadinha, na sua vidinha, a falar para dentro com os seus botões, quando vê um banco de metal, daqueles grandes onde se conseguem sentar diversos cus sem incomodarem ninguém.
A pessoa vê o banco e pensa, é mesmo aqui que me vou sentar a fumar um cigarro. Ainda por cima sem ninguém à volta, sem ninguém lá sentado, é mesmo isto.
E assim fez. Senta-se numa ponta do banco e acende aquela coisa que um dia a vai matar.
Está assim, a pensar na morte da bezerra, quando começam a aparecer outras pessoas e também se sentam no banco.
Sentam-se longe, como está bom de ver, mas mesmo assim a pessoa fumante continua sem incomodar ninguém, visto que o fumo expelido é direccionado para outras paragens.
No entanto, e apesar de entre a pessoa e os outros haver um fosso, como se ninguém se quisesse aproximar e apanhar a peçonha fumegante, começa a ouvir-se uns espasmos, umas tosses estranhas, um constante abanar de mãos, como que para afastar o fumo que não está a ir naquela direcção. Tanto que a pessoa se sente compelida a levantar-se a ir fumar para outro lado.
Quer dizer, EU é que cheguei primeiro, EU é que estou sentada numa ponta do banco, feita leprosa, para não incomodar ninguém, as avestruzes de merda chegam depois e ainda se queixam, quais virgens ofendidas, e EU é que me levanto e me vou embora.
Não me venham falar em democracia nos próximos tempos.
A pessoa vê o banco e pensa, é mesmo aqui que me vou sentar a fumar um cigarro. Ainda por cima sem ninguém à volta, sem ninguém lá sentado, é mesmo isto.
E assim fez. Senta-se numa ponta do banco e acende aquela coisa que um dia a vai matar.
Está assim, a pensar na morte da bezerra, quando começam a aparecer outras pessoas e também se sentam no banco.
Sentam-se longe, como está bom de ver, mas mesmo assim a pessoa fumante continua sem incomodar ninguém, visto que o fumo expelido é direccionado para outras paragens.
No entanto, e apesar de entre a pessoa e os outros haver um fosso, como se ninguém se quisesse aproximar e apanhar a peçonha fumegante, começa a ouvir-se uns espasmos, umas tosses estranhas, um constante abanar de mãos, como que para afastar o fumo que não está a ir naquela direcção. Tanto que a pessoa se sente compelida a levantar-se a ir fumar para outro lado.
Quer dizer, EU é que cheguei primeiro, EU é que estou sentada numa ponta do banco, feita leprosa, para não incomodar ninguém, as avestruzes de merda chegam depois e ainda se queixam, quais virgens ofendidas, e EU é que me levanto e me vou embora.
Não me venham falar em democracia nos próximos tempos.
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Começou bem e acabou ainda melhor. Scarrow sabe prender o leitor às suas palavras.
Fico deveras contente por constatar que escreve tão bem sobre Napoleão e Wellington como sobre Cato e Macro. Confesso que depois do último que li dele fiquei um pouco decepcionada, achei que escrever sobre temas fora do universo Romano talvez não fosse bem a praia de Scarrow.
Enganei-me redondamente. E ainda bem.
Muito bom!
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Sou, assumidamente, má, porca e mal intencionada, mas adoro, ADORO quando a antiga entidade patronal me liga, o que tem acontecido frequentemente, é preciso dizer-lo sem medos, a perguntar coisas dos processos que eu tomava conta.
É impressionante a quantidade de vezes que aquele homem me liga a perguntar porras que rapidamente descobriria se se desse ao trabalho de abrir as pastas. Ou os códigos, já agora.
Podia ficar contente de saber que, no fim das contas, lhe faço muita falta (fico um bocadinho, vá...), mas fico ainda mais triste - a palavra correcta aqui é fodida - quando percebo que aquela avestruz de merda não sabe nem quer saber dos processos que tem e que o dinheiro que ganhava com eles era todo para ele. Para mim, que os trabalhava e os conhecia, só sobravam as migalhas.
Afinal, devo ter muito pouco com que me entreter nesta nova vida se ainda arranjo tempo para pensar nestas merdas e como isto, afinal, ainda me afecta.
Não sou boa da cabeça.
É impressionante a quantidade de vezes que aquele homem me liga a perguntar porras que rapidamente descobriria se se desse ao trabalho de abrir as pastas. Ou os códigos, já agora.
Podia ficar contente de saber que, no fim das contas, lhe faço muita falta (fico um bocadinho, vá...), mas fico ainda mais triste - a palavra correcta aqui é fodida - quando percebo que aquela avestruz de merda não sabe nem quer saber dos processos que tem e que o dinheiro que ganhava com eles era todo para ele. Para mim, que os trabalhava e os conhecia, só sobravam as migalhas.
Afinal, devo ter muito pouco com que me entreter nesta nova vida se ainda arranjo tempo para pensar nestas merdas e como isto, afinal, ainda me afecta.
Não sou boa da cabeça.
Não É Por Falta de Vontade
Tenho andado um bocado atarantada com a nova vida, essa é a verdade.
Se antes podia chegar tarde mas tinha que, necessária e obrigatoriamente, sair tarde, agora chego cedo e saio igualmente cedo (pelo menos por enquanto), mas no entretanto não há tempo para grandes pausas.
Pausas nenhumas, a bem da verdade.
Aqui, não se pára para comer um lanchinho a meio da manhã ou tão pouco a meio da tarde. No outro lado, era um regabofe nesse aspecto, se quisermos ser abonadores da verdade, havendo, claro!, o reverso da medalha: ficar a trabalhar pela noite dentro e ouvir bocas do patronato sobre a quantidade de comida que consumíamos (que nem sequer era do escritório, era nossa) e em como esse facto influenciava as contas da água por causa das vezes que íamos, a seguir, à casa de banho. Bolas, ao escrever isto é que me apercebo das enormidades que ouvi ao longo destes anos todos... Enfim, adiante.
Não se vai para a sala uns dos outros alapar o cu e conversar. Quer dizer, até se vai, mas é de fugida porque há sempre alguém a passar e a ouvir a conversa, ainda para mais, e porque o chão é todo alcatifado, não se ouvem os passos, maneiras que estar a falar mal do patrão ou a conspirar para tomar esta porra de assalto e estar quem manda mesmo atrás é o pão nosso de cada dia. No outro lado, também, agora que me lembro disso... A única vantagem era que o chão era de madeira e quando se ouviam passos era ver-nos a fugir como as baratas da chuva.
Não há cá pausas para cigarros, a não ser que se queira levar com trombas do patrão o resto da semana. Esta, confesso, foi uma facada no meu coração. Muito bom para a minha saúde, claro, mas muito mau para o meu vício. Não há janelas abertas porque simplesmente não se abrem as janelas no centro de Lisboa, como fizeram questão de me dizer logo no primeiro dia, por causa dos pombos, que gostam de entrar pelas casas dentro e espalhar a sua peçonha onde tocam. Num escritório tão grande, em que há mais do que uma sala vazia, ninguém se lembrou de fazer de uma delas uma bela sala de chuto, só para fumadores. A bem da verdade, só para mim, que sou a única que fuma. Já percebi porque é que não há sala de fumo, tudo bem.
Maneiras que o pessoal aqui trabalha ininterruptamente, sem levantar a cabeça, sem se desviar do objectivo e sem se distrair com coisa alguma. O que é bom. Acho que nunca fui tão produtiva. (quer dizer, agora não estou a produzir, mas é só porque estamos sem sistema informático)
Nem tudo é mau, portanto.
Se antes podia chegar tarde mas tinha que, necessária e obrigatoriamente, sair tarde, agora chego cedo e saio igualmente cedo (pelo menos por enquanto), mas no entretanto não há tempo para grandes pausas.
Pausas nenhumas, a bem da verdade.
Aqui, não se pára para comer um lanchinho a meio da manhã ou tão pouco a meio da tarde. No outro lado, era um regabofe nesse aspecto, se quisermos ser abonadores da verdade, havendo, claro!, o reverso da medalha: ficar a trabalhar pela noite dentro e ouvir bocas do patronato sobre a quantidade de comida que consumíamos (que nem sequer era do escritório, era nossa) e em como esse facto influenciava as contas da água por causa das vezes que íamos, a seguir, à casa de banho. Bolas, ao escrever isto é que me apercebo das enormidades que ouvi ao longo destes anos todos... Enfim, adiante.
Não se vai para a sala uns dos outros alapar o cu e conversar. Quer dizer, até se vai, mas é de fugida porque há sempre alguém a passar e a ouvir a conversa, ainda para mais, e porque o chão é todo alcatifado, não se ouvem os passos, maneiras que estar a falar mal do patrão ou a conspirar para tomar esta porra de assalto e estar quem manda mesmo atrás é o pão nosso de cada dia. No outro lado, também, agora que me lembro disso... A única vantagem era que o chão era de madeira e quando se ouviam passos era ver-nos a fugir como as baratas da chuva.
Não há cá pausas para cigarros, a não ser que se queira levar com trombas do patrão o resto da semana. Esta, confesso, foi uma facada no meu coração. Muito bom para a minha saúde, claro, mas muito mau para o meu vício. Não há janelas abertas porque simplesmente não se abrem as janelas no centro de Lisboa, como fizeram questão de me dizer logo no primeiro dia, por causa dos pombos, que gostam de entrar pelas casas dentro e espalhar a sua peçonha onde tocam. Num escritório tão grande, em que há mais do que uma sala vazia, ninguém se lembrou de fazer de uma delas uma bela sala de chuto, só para fumadores. A bem da verdade, só para mim, que sou a única que fuma. Já percebi porque é que não há sala de fumo, tudo bem.
Maneiras que o pessoal aqui trabalha ininterruptamente, sem levantar a cabeça, sem se desviar do objectivo e sem se distrair com coisa alguma. O que é bom. Acho que nunca fui tão produtiva. (quer dizer, agora não estou a produzir, mas é só porque estamos sem sistema informático)
Nem tudo é mau, portanto.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Da Inveja Boa
Alguém, algum dia, quando não tiver nada que fazer, poderá explicar-me o fenómeno da sexta-feira: não está ninguém na rua.
Ninguém.
Ninguém na estrada.
Ninguém no metro.
Ninguém no comboio.
Ninguém no estacionamento.
Ninguém.
Onde andam as pessoas à sexta-feira?
Não vão trabalhar?
É que se não vão, digam-me lá para onde é que se manda CV para trabalhar numa empresa dessas, que eu também quero.
Ninguém.
Ninguém na estrada.
Ninguém no metro.
Ninguém no comboio.
Ninguém no estacionamento.
Ninguém.
Onde andam as pessoas à sexta-feira?
Não vão trabalhar?
É que se não vão, digam-me lá para onde é que se manda CV para trabalhar numa empresa dessas, que eu também quero.
quinta-feira, 29 de junho de 2017
Nonsense Talking ... Nº Qualquer Coisa
Hóme: Onde está a chucha do miúdo?
Melher: Deve estar no berço.
Hóme: Não está.
Melher: Ele adormeceu com ela. Tem de estar lá.
Hóme: Não está.
Melher: Então deve estar caída, lá para trás do berço. Já procuraste?
Hóme: Já. Não encontro.
Melher: Já afastaste o berço? Pode estar caída mesmo por baixo e só vês se tirares o berço da frente.
Hóme: Já fiz isso e não está. Não está em lado nenhum.
Melher vai ao quarto do miúdo, afasta a porra da cama e encontra logo a porra da chucha.
Melher ri-se muito.
Hóme todo fodido.
Melher: Deve estar no berço.
Hóme: Não está.
Melher: Ele adormeceu com ela. Tem de estar lá.
Hóme: Não está.
Melher: Então deve estar caída, lá para trás do berço. Já procuraste?
Hóme: Já. Não encontro.
Melher: Já afastaste o berço? Pode estar caída mesmo por baixo e só vês se tirares o berço da frente.
Hóme: Já fiz isso e não está. Não está em lado nenhum.
Melher vai ao quarto do miúdo, afasta a porra da cama e encontra logo a porra da chucha.
Melher ri-se muito.
Hóme todo fodido.
Hoje, naquela terra do demo, é feriado. E portanto eu, como boa preguiçosa que sou e gosto de ser, estou a morrer de inveja dos meus colegas que estão alapados, a esta hora, nas suas caminhas, enquanto eu não tenho outro remédio senão vir trabalhar, ainda por cima numa terra onde nem sequer há queijadas.
Foda-se mais a isto.
Foda-se mais a isto.
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Isto Só a Mim...
terça-feira, 27 de junho de 2017
Meanwhile in Ergástulo - Parte Primeira
Esta é uma casa esquisita, é ponto assente. Uma casa estranha, cheia de pessoas bizarras com comportamentos fora do normal, que não se encaixa em coisa alguma antes vista.
Tendo esta informação presente - e bem presente - é preciso começar por referir que o chefe da aldeia dos macacos, ele próprio um gorila muito velho, não faz nenhum.
Nada. Zero. Niente. Nicles. Ponta. De. Um. Chaveiro. Um boi. Nada, porra, mesmo nada.
Chega de manhã, anda a cirandar pelas salas de toda a gente a perguntar o que é que se está a fazer, o que é que há pendente, manda uns bitaites e depois vai para a sua salinha, onde se entretém a abrir e fechar os armários muitas vezes (aparentemente é uma actividade que faz muito bem aos ossos) e depois senta-se na sua poltrona a olhar para o vazio.
Isto é verídico, não é um queixume engraçado com umas piadas parvas cá pelo meio, como é meu apanágio. É mesmo verdade. Tenho visto isto todos os dias.
O senhor fica uma manhã, uma tarde, um dia inteiro sentado no sofá a olhar em frente, admirando a beleza da cor das paredes. Ao meio dia e dez vai almoçar, que a terceira idade não é digna desse nome se não almoçar ao meio dia e dez. Leva três ou quatro discípulos fiéis, os outros não, que a ordem não é rica e não há dinheiro para gastar em almoços para a ralé.
O seu telefone toca muitas vezes; imagino que seja a mulher a perguntar-lhe se quer sopa de feijão para o jantar. Ou a perguntar-lhe se sabe onde pôs as chaves da arrecadação que precisa de ir lá buscar o regador e não sabe onde as pôs. Ou a dizer-lhe que não se atrase que hoje quer ver a Gala da Solidariedade dos Incêndios.
Isto é só o que vejo. Faria se me pusesse a escrever sobre aquilo que sei... (tendo esse conhecimento sido adquirido na pendência de coscuvilhice fora do horário de expediente). Mais tarde, talvez.
Por agora, meditemos apenas na introdução do texto que é, no fundo, a sua conclusão: este gajo não faz um cu.
Agora que já interiorizámos isto nas nossas cabecinhas, demos um passo em frente e perguntemo-nos como é que se gere uma sociedade desta dimensão sem mexer uma palha...
Já se está mesmo a ver a resposta, não é?
Tendo esta informação presente - e bem presente - é preciso começar por referir que o chefe da aldeia dos macacos, ele próprio um gorila muito velho, não faz nenhum.
Nada. Zero. Niente. Nicles. Ponta. De. Um. Chaveiro. Um boi. Nada, porra, mesmo nada.
Chega de manhã, anda a cirandar pelas salas de toda a gente a perguntar o que é que se está a fazer, o que é que há pendente, manda uns bitaites e depois vai para a sua salinha, onde se entretém a abrir e fechar os armários muitas vezes (aparentemente é uma actividade que faz muito bem aos ossos) e depois senta-se na sua poltrona a olhar para o vazio.
Isto é verídico, não é um queixume engraçado com umas piadas parvas cá pelo meio, como é meu apanágio. É mesmo verdade. Tenho visto isto todos os dias.
O senhor fica uma manhã, uma tarde, um dia inteiro sentado no sofá a olhar em frente, admirando a beleza da cor das paredes. Ao meio dia e dez vai almoçar, que a terceira idade não é digna desse nome se não almoçar ao meio dia e dez. Leva três ou quatro discípulos fiéis, os outros não, que a ordem não é rica e não há dinheiro para gastar em almoços para a ralé.
O seu telefone toca muitas vezes; imagino que seja a mulher a perguntar-lhe se quer sopa de feijão para o jantar. Ou a perguntar-lhe se sabe onde pôs as chaves da arrecadação que precisa de ir lá buscar o regador e não sabe onde as pôs. Ou a dizer-lhe que não se atrase que hoje quer ver a Gala da Solidariedade dos Incêndios.
Isto é só o que vejo. Faria se me pusesse a escrever sobre aquilo que sei... (tendo esse conhecimento sido adquirido na pendência de coscuvilhice fora do horário de expediente). Mais tarde, talvez.
Por agora, meditemos apenas na introdução do texto que é, no fundo, a sua conclusão: este gajo não faz um cu.
Agora que já interiorizámos isto nas nossas cabecinhas, demos um passo em frente e perguntemo-nos como é que se gere uma sociedade desta dimensão sem mexer uma palha...
Já se está mesmo a ver a resposta, não é?
Continuo Aqui
Longe do que sempre conheci, repleta de saudades de quem deixei para trás e com uma fome de queijadas que só visto.
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Isto Só a Mim...
sexta-feira, 23 de junho de 2017
Neste egástulo onde ninguém fala, ninguém se ouve e ninguém faz, por qualquer motivo, mais barulho do que aquele que seria aconselhado numa missa de velório, espirram tão alto e tão desordeiramente que mais parecem galinhas a cacarejar para pôr ovos.
E como a casa é tão grande que até parece que faz eco, fica o espirro a pairar no ar uns segundos, até desaparecerem os átomos do som.
Continua tudo na sua vidinha como se nada fosse, como se não tivessem acabado de expelir um frondoso pinheiro pelo nariz; a ninguém parece estranho que na casa do silêncio caiam bombas nasais de quando em vez.
Pelos vistos sou a única a quem isto parece bizarro.
Lá está aquilo que vislumbrei logo nos primeiros dias: o local muda, mas a maluqueira é exactamente a mesma.
E como a casa é tão grande que até parece que faz eco, fica o espirro a pairar no ar uns segundos, até desaparecerem os átomos do som.
Continua tudo na sua vidinha como se nada fosse, como se não tivessem acabado de expelir um frondoso pinheiro pelo nariz; a ninguém parece estranho que na casa do silêncio caiam bombas nasais de quando em vez.
Pelos vistos sou a única a quem isto parece bizarro.
Lá está aquilo que vislumbrei logo nos primeiros dias: o local muda, mas a maluqueira é exactamente a mesma.
quarta-feira, 21 de junho de 2017
"Todos os dias penso em ti e nos vários momentos fixes que passámos juntas"
É por causa destas e doutras, igualmente fofinhas e igualmente tocantes, que ainda olho todos os dias para trás e todos os dias questiono a minha escolha, perguntando-me se foi a certa, se foi para melhor, se foi pelo melhor.
Ainda não sei responder (algum dia saberei?) e, no entretanto, sofro horrores por estar longe. Não penso, obviamente na antiga entidade patronal - a bem da verdade, quero se essa se foda - mas não consigo deixar de ter, pelo menos por ora, um amargo de boca gigante e lágrimas constantemente a cair por deixar para trás uma amiga tão querida e tão importante.
Foda-se mais a isto.
Eu não disse que a hora do queixume haveria de chegar?
É por causa destas e doutras, igualmente fofinhas e igualmente tocantes, que ainda olho todos os dias para trás e todos os dias questiono a minha escolha, perguntando-me se foi a certa, se foi para melhor, se foi pelo melhor.
Ainda não sei responder (algum dia saberei?) e, no entretanto, sofro horrores por estar longe. Não penso, obviamente na antiga entidade patronal - a bem da verdade, quero se essa se foda - mas não consigo deixar de ter, pelo menos por ora, um amargo de boca gigante e lágrimas constantemente a cair por deixar para trás uma amiga tão querida e tão importante.
Foda-se mais a isto.
Eu não disse que a hora do queixume haveria de chegar?
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Lado Contrário do Espelho
terça-feira, 20 de junho de 2017
Sublime
É o que dá quando os Maridos desta vida têm bom gosto musical: ensinam alguma coisa às Esposas.
Pedrogão Grande
Esta é capaz de ser das maiores tragédias que alguma vez assolaram este país.
Não há palavras para descrever isto.
segunda-feira, 19 de junho de 2017
Update
Por aqui, na terra das girafas em lingerie, começa-se a conhecer os cantos à casa.
Não obstante ter-me perdido duas vezes numa ida à casa de banho, até é um escritório confortável para se trabalhar.
Aqui impera essencialmente a regra do silêncio: não se faz barulho por coisa nenhuma. Até os telefones tocam baixinho e com toques do mais discreto possível.
Da primeira vez que o meu telefone tocou, ia jurar que havia uma fuga no ar condicionado, porque ouvia um assobio estanho e ininterrupto que não sabia a origem. O chão é todo alcatifado, abafando todos os passos, mesmo daquelas que calçam tamancos barulhentos. O que é óptimo para quem gosta de borregar nas redes sociais; quando se dá por isso tem-se a entidade patronal a cheirar e nem se ouviu a pessoínha entrar.
Agora que já se passaram alguns dias, começa a estranheza a ir embora e começam a criar-se laços suficientes para as conversas de café, à hora do almoço. Que é como quem diz, vamos desancar nos bodes que mandam nisto.
Percebo - não sem algum alívio - que trabalhar aqui ou naquela comarca do demónio, naquela casinha cheia de monstros civilistas - ou, a bem da verdade, noutra qualquer - acaba por ser mais ou menos a mesma coisa. A única diferença é que quem manda aqui tem mais a mania.
O que não deixa de ser engraçado.
Aguardam-se tempos de grande e bom queixume, estou a prever.
Não obstante ter-me perdido duas vezes numa ida à casa de banho, até é um escritório confortável para se trabalhar.
Aqui impera essencialmente a regra do silêncio: não se faz barulho por coisa nenhuma. Até os telefones tocam baixinho e com toques do mais discreto possível.
Da primeira vez que o meu telefone tocou, ia jurar que havia uma fuga no ar condicionado, porque ouvia um assobio estanho e ininterrupto que não sabia a origem. O chão é todo alcatifado, abafando todos os passos, mesmo daquelas que calçam tamancos barulhentos. O que é óptimo para quem gosta de borregar nas redes sociais; quando se dá por isso tem-se a entidade patronal a cheirar e nem se ouviu a pessoínha entrar.
Agora que já se passaram alguns dias, começa a estranheza a ir embora e começam a criar-se laços suficientes para as conversas de café, à hora do almoço. Que é como quem diz, vamos desancar nos bodes que mandam nisto.
Percebo - não sem algum alívio - que trabalhar aqui ou naquela comarca do demónio, naquela casinha cheia de monstros civilistas - ou, a bem da verdade, noutra qualquer - acaba por ser mais ou menos a mesma coisa. A única diferença é que quem manda aqui tem mais a mania.
O que não deixa de ser engraçado.
Aguardam-se tempos de grande e bom queixume, estou a prever.
quarta-feira, 14 de junho de 2017
Assim Vai Sendo
Esta semana é óptima para quem trabalha em Lisboa e é preguiçoso, tendo em conta a proximidade de dois feriados. Tendo também em consideração que me insiro nestas duas categorias, ainda só estou há dois dias no poiso novo e ainda não tenho bem uma opinião definida.
O trabalho é bom e interessante, mas as pessoas são estranhas. Provavelmente deve-se ao facto de eu própria ser e ter aspecto de ave rara, mas a verdade é que tenho a nítida sensação que toda a gente olha para mim como se estivesse a ver uma girafa em lingerie a entrar pela casa adentro. E, de novo, provavelmente, deve-se somente à estranheza de ter passado tanto tempo num sítio onde as pessoas são assumida e patologicamente malucas e, agora que estou num local completamente novo, ser tudo deveras bizarro.
Enfim, vamos ver o que trazem estes novos tempos.
Sendo certo que, conhecendo-me como me conheço, não há de tardar nada para me estar a queixar como se não houvesse amanhã.
O trabalho é bom e interessante, mas as pessoas são estranhas. Provavelmente deve-se ao facto de eu própria ser e ter aspecto de ave rara, mas a verdade é que tenho a nítida sensação que toda a gente olha para mim como se estivesse a ver uma girafa em lingerie a entrar pela casa adentro. E, de novo, provavelmente, deve-se somente à estranheza de ter passado tanto tempo num sítio onde as pessoas são assumida e patologicamente malucas e, agora que estou num local completamente novo, ser tudo deveras bizarro.
Enfim, vamos ver o que trazem estes novos tempos.
Sendo certo que, conhecendo-me como me conheço, não há de tardar nada para me estar a queixar como se não houvesse amanhã.
sexta-feira, 9 de junho de 2017
Isto está a custar mais do que estava à espera.
Está, a bem da verdade, a custar mais do que devia.
Estou naquela fase terrível em que já não pertenço de onde ainda nem saí e também não pertenço onde ainda não cheguei.
Faz algum sentido?
Está, a bem da verdade, a custar mais do que devia.
Estou naquela fase terrível em que já não pertenço de onde ainda nem saí e também não pertenço onde ainda não cheguei.
Faz algum sentido?
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Ossos do Ofício
quarta-feira, 7 de junho de 2017
Acho que sofro de Síndrome de Estocolmo...
Depois de todos estes anos a levar pancada, a ouvir barbaridades, a ser ameaçada com o olho da rua e a sofrer bullying patronal, as entidades superiores desta casinha cheia de monstros civilistas fazem por parecer verdadeiramente tristes e sentidas com a minha partida.
E eu, feita estúpida, ainda penso duas vezes se será verdade ou não antes de perceber que não tenho pena nenhuma. Mas ainda tive que pensar duas vezes...
Que sentido é que isto faz?! Depois de tooooodo este tempo a sonhar com o dia da abalada, em que fantasiei variadas vezes com a hora em que pegava fogo a esta merda, ainda tenho de pensar duas vezes se vão sentir a minha falta ou não?! E ainda penso duas vezes se isso será verdade ou não, antes de decidir que não quero saber?!
Não há pachorra para mim.
Depois de todos estes anos a levar pancada, a ouvir barbaridades, a ser ameaçada com o olho da rua e a sofrer bullying patronal, as entidades superiores desta casinha cheia de monstros civilistas fazem por parecer verdadeiramente tristes e sentidas com a minha partida.
E eu, feita estúpida, ainda penso duas vezes se será verdade ou não antes de perceber que não tenho pena nenhuma. Mas ainda tive que pensar duas vezes...
Que sentido é que isto faz?! Depois de tooooodo este tempo a sonhar com o dia da abalada, em que fantasiei variadas vezes com a hora em que pegava fogo a esta merda, ainda tenho de pensar duas vezes se vão sentir a minha falta ou não?! E ainda penso duas vezes se isso será verdade ou não, antes de decidir que não quero saber?!
Não há pachorra para mim.
segunda-feira, 5 de junho de 2017
Coisas que constato enquanto espero nas Finanças, com 578462 senhas à minha frente:
- Os velhos são a razão pela qual há fila em tudo o que é repartição pública;
- Os funcionários não têm vergonha na puta da cara e interrompem o trabalho que estão a fazer para irem beber café a meio da manhã, com 300 senhas por atender;
- Os velhos, que poderiam ir despachar a sua vidinha num qualquer horário, entendem por bem ir logo de manhã, ao mesmo tempo que os que ainda trabalham e têm de se despachar porque estão a perder tempo de trabalho;
- Os degraus daquele prédio estão tão gastos pelos pés das pessoas que me ia esbandalhando um cento de vezes antes de perceber porque motivo os degraus tinham bossas;
- Os velhos que entendem por bem ir de manhã a repartições públicas só lá vão para poder usar do direito ao atendimento prioritário;
- A população activa que aguenta que os velhos sejam atendidos em primeiro lugar deseja ardentemente que os avós desta vida morram atropelados por vacas em fúria;
- Cheira-me que muitos dos lobotomizados portugueses estejam a trabalhar naquele Serviço de Finanças muito específico da Margem Sul, a avaliar pelo desempenho maravilhoso de todos eles quando descobrem que o assunto que ali traz o contribuinte não é, afinal, ali que deve ser tratado;
- Estranho como não há gente que parte mais vezes e mais rapidamente para a violência quando percebe que há mais um velho a fazer-se de coxo para passar à frente;
- A porra dos velhos insistem em contar a vida toda a toda a gente e atrasam o expediente já de si sobrecarregado, concluindo exactamente como comecei: Os velhos são a razão pela qual há fila em tudo o que é repartição pública.
- Os velhos são a razão pela qual há fila em tudo o que é repartição pública;
- Os funcionários não têm vergonha na puta da cara e interrompem o trabalho que estão a fazer para irem beber café a meio da manhã, com 300 senhas por atender;
- Os velhos, que poderiam ir despachar a sua vidinha num qualquer horário, entendem por bem ir logo de manhã, ao mesmo tempo que os que ainda trabalham e têm de se despachar porque estão a perder tempo de trabalho;
- Os degraus daquele prédio estão tão gastos pelos pés das pessoas que me ia esbandalhando um cento de vezes antes de perceber porque motivo os degraus tinham bossas;
- Os velhos que entendem por bem ir de manhã a repartições públicas só lá vão para poder usar do direito ao atendimento prioritário;
- A população activa que aguenta que os velhos sejam atendidos em primeiro lugar deseja ardentemente que os avós desta vida morram atropelados por vacas em fúria;
- Cheira-me que muitos dos lobotomizados portugueses estejam a trabalhar naquele Serviço de Finanças muito específico da Margem Sul, a avaliar pelo desempenho maravilhoso de todos eles quando descobrem que o assunto que ali traz o contribuinte não é, afinal, ali que deve ser tratado;
- Estranho como não há gente que parte mais vezes e mais rapidamente para a violência quando percebe que há mais um velho a fazer-se de coxo para passar à frente;
- A porra dos velhos insistem em contar a vida toda a toda a gente e atrasam o expediente já de si sobrecarregado, concluindo exactamente como comecei: Os velhos são a razão pela qual há fila em tudo o que é repartição pública.
domingo, 4 de junho de 2017
sábado, 3 de junho de 2017
quinta-feira, 1 de junho de 2017
7 Days To Say Goodbye
Trabalhar aqui é um pouco como estar numa relação em que se sofre de violência doméstica.
Estamos constantemente a apanhar na boca, a ser rebaixados e humilhados, a ser espezinhados e desrespeitados, seja à frente de quem for e pelo tempo que o agressor bem entender. Mas se depois mostramos cara feia ou descontentamento, depressa vem o tempo de bonança, de piadas, de simpatias e bonomias. Como que para nos fazer esquecer dos maus momentos, como que para darmos o nosso perdão, como que a desculpar e a pôr tudo para trás das costas.
E a vítima, como estúpida que não é mas que a querem fazer assim, fica numa situação que o agressor quer confusa, sem saber se é amada ou odiada ou se o agressor sofre de alguma perturbação involuntária do espírito, agindo sem culpa.
Tanto ou tão pouco que quando a vítima tenta escapar é inevitável que sinta um não-sei-quê de remorso por estar a abandonar uma situação que, afinal, é tão boa e ela própria é que é uma porcalhona por estar a pensar em deixar tudo para trás.
E é assim que se acaba morta, numa qualquer valeta, depois de anos e anos a levar pancada e a ser assediada, sem vontade de viver. Para depois ficar conhecida ou como a coitadinha que não pôde fugir ou então como a puta miserável que teve todas as oportunidades de sair e fugir para bem longe e nunca o quis fazer porque, no fundo, lá bem no fundinho, gostava de levar porrada e por isso não se venha cá queixar uma vez que foi ficando porque quis e bem lhe apeteceu.
Durante 7 anos, foi assim.
7 anos.
Neste tempo, ouvi coisas que não lembram a ninguém. Fizeram-me coisas que não lembram a ninguém. Aguentei desaforos, bocas ordinárias, palavreado triste, ofensivo.
Passei 7 anos a oscilar entre a profunda angústia provocada pelo insulto e a angústia ligeira dos tempos neutros em que nada acontecia.
Durante 7 anos, nas reuniões anuais, quer a actividade financeira estivesse em alta ou estivéssemos a passar por uma crise, a conversa era sempre a mesma: temos uma estrutura pesadíssima, assim não vamos lá, vai alguém embora muito em breve. Sempre, em repeat, sem nunca desviar a trajectória. Havia sempre mais alguém para pôr na rua. Cheguei cá e esta casa estava cheia de gente; agora, não sobram muitos desse tempo. Porque de facto as ameaças foram passando à prática.
A última vez que esta conversa surgiu foi em fevereiro, numa reunião animadíssima para celebrar o meu regresso depois de ter saído por ocasião do nascimento do meu rebento, em que, basicamente para matar saudades, foi repetida a conversa do vou-vos pôr na rua, complementada com asneiras e mais insultos. E, nessa ocasião, caiu-me tão bem ou tão mal que decidi que seria a última vez que alguém, aqui, se dirigia a mim naqueles termos. Depois de ter passado 7 anos a ouvir mais do mesmo, achei que seria demais ficar mais um dia sequer num local onde constantemente se dirigem aos trabalhadores com tamanha falta de respeito e consideração pelo esforço que todos os dias é empreendido nas tarefas que são distribuídas. Fiz um voto em como não deixaria que mais ninguém me pusesse os pés em cima e deixaria esta corja o mais depressa que conseguisse.
E, agora, chegou essa hora.
Não consigo contabilizar as horas que passei a sonhar com este momento. Não consigo contabilizar as vezes que fantasiei em entrar pela sala daquela abécula, atirar-lhe com a chave para cima da mesa e dizer-lhe vou à minha vida, vá-se foder. Não consigo contabilizar as vezes em que estive para fingir que tinha tido um acidente e que não podia ir trabalhar.
Não é uma despedida fácil, no entanto, e apesar de tudo o que já descrevi.
Também passei aqui bons momentos, principalmente com os Colegas. Tenho aqui grandes e bons amigos, amigos que vou levar no peito para sempre, enquanto carrego a saudade mesmo ao lado, amigos que não tenciono deixar de ver, nem de abraçar, nem de tirar horas para conversar, porque são para a vida e isso foi a melhor coisa que este lugar me deu. Parto com o coração pesado das saudades que já sinto e também pelo fardo que lhes vou deixar, aturar esta gente demente num tempo em que as coisas não estão a funcionar assim tão bem. Parto com lágrimas nos olhos porque apesar de um ambiente tão mau conseguimos sempre pôr essas coisas de lado e contarmos uns com os outros sem nunca voltarmos as costas. Parto com o coração pesado porque, e como será óbvio, não sei o que me espera e vou sozinha, sem eles, em busca do desconhecido.
Mas parto, essencialmente, com uma chama acesa dentro de mim que funciona como um talismã. Porque fui capaz de escapar a um destino quase certo e tirei-lhes o gozo de me voltarem a espezinhar. Fui capaz de me desviar da bala mesmo a tempo. Principalmente, fui capaz de os apanhar na curva, completamente desprevenidos, desprotegidos, impreparados. E deu-me um prazer selvagem e francamente primitivo poder vingar-me desta forma. E isso ninguém, absolutamente ninguém, me tira.
Grande parte da minha vida profissional foi vivida neste espaço, nesta comarca, com estas pessoas. Tudo o que sei, que não é muito, aprendi aqui. Desenvolvi aqui. A mudança, apesar de necessária, não é fácil. É, sim, facilitada. Pelo desrespeito constante, pelo desprezo constante, pelas más memórias, pelo infortúnios. O que não apaga o meu apego a esta terra, que é a minha, e a esta casa, apesar de quem a gere. Levo comigo tudo o que fui aqui, tudo o que me deram, de bom e de mau, esperando que seja bagagem suficiente para enfrentar o que aí vem.
Passaram 7 anos.
Agora tenho 7 dias para dizer adeus.
Sem olhar para trás.
Estamos constantemente a apanhar na boca, a ser rebaixados e humilhados, a ser espezinhados e desrespeitados, seja à frente de quem for e pelo tempo que o agressor bem entender. Mas se depois mostramos cara feia ou descontentamento, depressa vem o tempo de bonança, de piadas, de simpatias e bonomias. Como que para nos fazer esquecer dos maus momentos, como que para darmos o nosso perdão, como que a desculpar e a pôr tudo para trás das costas.
E a vítima, como estúpida que não é mas que a querem fazer assim, fica numa situação que o agressor quer confusa, sem saber se é amada ou odiada ou se o agressor sofre de alguma perturbação involuntária do espírito, agindo sem culpa.
Tanto ou tão pouco que quando a vítima tenta escapar é inevitável que sinta um não-sei-quê de remorso por estar a abandonar uma situação que, afinal, é tão boa e ela própria é que é uma porcalhona por estar a pensar em deixar tudo para trás.
E é assim que se acaba morta, numa qualquer valeta, depois de anos e anos a levar pancada e a ser assediada, sem vontade de viver. Para depois ficar conhecida ou como a coitadinha que não pôde fugir ou então como a puta miserável que teve todas as oportunidades de sair e fugir para bem longe e nunca o quis fazer porque, no fundo, lá bem no fundinho, gostava de levar porrada e por isso não se venha cá queixar uma vez que foi ficando porque quis e bem lhe apeteceu.
Durante 7 anos, foi assim.
7 anos.
Neste tempo, ouvi coisas que não lembram a ninguém. Fizeram-me coisas que não lembram a ninguém. Aguentei desaforos, bocas ordinárias, palavreado triste, ofensivo.
Passei 7 anos a oscilar entre a profunda angústia provocada pelo insulto e a angústia ligeira dos tempos neutros em que nada acontecia.
Durante 7 anos, nas reuniões anuais, quer a actividade financeira estivesse em alta ou estivéssemos a passar por uma crise, a conversa era sempre a mesma: temos uma estrutura pesadíssima, assim não vamos lá, vai alguém embora muito em breve. Sempre, em repeat, sem nunca desviar a trajectória. Havia sempre mais alguém para pôr na rua. Cheguei cá e esta casa estava cheia de gente; agora, não sobram muitos desse tempo. Porque de facto as ameaças foram passando à prática.
A última vez que esta conversa surgiu foi em fevereiro, numa reunião animadíssima para celebrar o meu regresso depois de ter saído por ocasião do nascimento do meu rebento, em que, basicamente para matar saudades, foi repetida a conversa do vou-vos pôr na rua, complementada com asneiras e mais insultos. E, nessa ocasião, caiu-me tão bem ou tão mal que decidi que seria a última vez que alguém, aqui, se dirigia a mim naqueles termos. Depois de ter passado 7 anos a ouvir mais do mesmo, achei que seria demais ficar mais um dia sequer num local onde constantemente se dirigem aos trabalhadores com tamanha falta de respeito e consideração pelo esforço que todos os dias é empreendido nas tarefas que são distribuídas. Fiz um voto em como não deixaria que mais ninguém me pusesse os pés em cima e deixaria esta corja o mais depressa que conseguisse.
E, agora, chegou essa hora.
Não consigo contabilizar as horas que passei a sonhar com este momento. Não consigo contabilizar as vezes que fantasiei em entrar pela sala daquela abécula, atirar-lhe com a chave para cima da mesa e dizer-lhe vou à minha vida, vá-se foder. Não consigo contabilizar as vezes em que estive para fingir que tinha tido um acidente e que não podia ir trabalhar.
Não é uma despedida fácil, no entanto, e apesar de tudo o que já descrevi.
Também passei aqui bons momentos, principalmente com os Colegas. Tenho aqui grandes e bons amigos, amigos que vou levar no peito para sempre, enquanto carrego a saudade mesmo ao lado, amigos que não tenciono deixar de ver, nem de abraçar, nem de tirar horas para conversar, porque são para a vida e isso foi a melhor coisa que este lugar me deu. Parto com o coração pesado das saudades que já sinto e também pelo fardo que lhes vou deixar, aturar esta gente demente num tempo em que as coisas não estão a funcionar assim tão bem. Parto com lágrimas nos olhos porque apesar de um ambiente tão mau conseguimos sempre pôr essas coisas de lado e contarmos uns com os outros sem nunca voltarmos as costas. Parto com o coração pesado porque, e como será óbvio, não sei o que me espera e vou sozinha, sem eles, em busca do desconhecido.
Mas parto, essencialmente, com uma chama acesa dentro de mim que funciona como um talismã. Porque fui capaz de escapar a um destino quase certo e tirei-lhes o gozo de me voltarem a espezinhar. Fui capaz de me desviar da bala mesmo a tempo. Principalmente, fui capaz de os apanhar na curva, completamente desprevenidos, desprotegidos, impreparados. E deu-me um prazer selvagem e francamente primitivo poder vingar-me desta forma. E isso ninguém, absolutamente ninguém, me tira.
Grande parte da minha vida profissional foi vivida neste espaço, nesta comarca, com estas pessoas. Tudo o que sei, que não é muito, aprendi aqui. Desenvolvi aqui. A mudança, apesar de necessária, não é fácil. É, sim, facilitada. Pelo desrespeito constante, pelo desprezo constante, pelas más memórias, pelo infortúnios. O que não apaga o meu apego a esta terra, que é a minha, e a esta casa, apesar de quem a gere. Levo comigo tudo o que fui aqui, tudo o que me deram, de bom e de mau, esperando que seja bagagem suficiente para enfrentar o que aí vem.
Passaram 7 anos.
Agora tenho 7 dias para dizer adeus.
Sem olhar para trás.
quarta-feira, 31 de maio de 2017
31 Dias Sem Açúcar - Balanço
Como correu tão bem, vou continuar no mês seguinte.
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O Direito tornou-me inimputável
Coisas Que Vejo por Aí #41
Basicamente sou uma Maria-vai-com-as-outras e entendi por bem experimentar esta coisa de que tanto se fala e que dá pelo nome de Black Mask. Também conhecida como coisa preta que se prega no focinho e que, puxando, traz três camadas de pele agarradas mais o entrecosto que se comeu no domingo de Páscoa.
Como não encontrei em lado nenhum, mandei vir do estrangeiro (sou ou não sou eloquentíssima?) e chegou cá inteirinha e mais ou menos rapidamente (demorou menos de 1 mês, acho que não está muito mal para coisa encomendada de site duvidoso).
Só depois de aplicar é que me lembrei do pequeno pormenor de ter uma pele de merda para andar a experimentar coisas da moda e, ainda por cima, vindas de sítios muito estranhos, mas já era tarde.
Depois de aplicar esta nheca preta, rezando a todos os santinhos para não ter de ir a correr para o hospital como uma reacção alérgica do tamanho de um comboio no meio da cara, esperei a meia hora que a embalagem recomenda, não sem antes passar uma toalha quente para abrir os poros, que parece que é o essencial neste tipo de operação.
Não depositei a máscara na cara toda, que li que esta porra dói como o caraças para tirar e achei que a minha vida já teve o seu quê de provações dolorosas e não precisava de mais (tive medo de pôr isto na cara toda, é o que deve ler-se daqui) e apliquei só no nariz.
A bem da verdade, não saiu grande coisa. Alguns pontinhos mas nada do que a publicidade prometia.
Ganda merda, pensei logo.
Mas depois experimentei outra vez, depois de sair de um banho especialmente vaporoso, com todos os poros mais abertos que uma cratera na via pública. Lá saíram mais alguns, but again, nada do que a publicidade prometia.
Li não sei onde que quanto mais vezes se utilizar mais porcaria dos poros isto agarra, mas não estou a ver como. Continuo a preferir aquelas tirinhas engraçadas que se vendem nos supermercados.
Mas acho que a coisa gira aqui é mesmo a diversão pura de se espalhar uma nhanha preta nas fussas e parecer que se acabou de sair de uma mina de carvão. Mais que não seja, é trendy.
Mas isto sou eu, que não tenho mais nada que fazer.
Como não encontrei em lado nenhum, mandei vir do estrangeiro (sou ou não sou eloquentíssima?) e chegou cá inteirinha e mais ou menos rapidamente (demorou menos de 1 mês, acho que não está muito mal para coisa encomendada de site duvidoso).
Só depois de aplicar é que me lembrei do pequeno pormenor de ter uma pele de merda para andar a experimentar coisas da moda e, ainda por cima, vindas de sítios muito estranhos, mas já era tarde.
Depois de aplicar esta nheca preta, rezando a todos os santinhos para não ter de ir a correr para o hospital como uma reacção alérgica do tamanho de um comboio no meio da cara, esperei a meia hora que a embalagem recomenda, não sem antes passar uma toalha quente para abrir os poros, que parece que é o essencial neste tipo de operação.
Não depositei a máscara na cara toda, que li que esta porra dói como o caraças para tirar e achei que a minha vida já teve o seu quê de provações dolorosas e não precisava de mais (tive medo de pôr isto na cara toda, é o que deve ler-se daqui) e apliquei só no nariz.
A bem da verdade, não saiu grande coisa. Alguns pontinhos mas nada do que a publicidade prometia.
Ganda merda, pensei logo.
Mas depois experimentei outra vez, depois de sair de um banho especialmente vaporoso, com todos os poros mais abertos que uma cratera na via pública. Lá saíram mais alguns, but again, nada do que a publicidade prometia.
Li não sei onde que quanto mais vezes se utilizar mais porcaria dos poros isto agarra, mas não estou a ver como. Continuo a preferir aquelas tirinhas engraçadas que se vendem nos supermercados.
Mas acho que a coisa gira aqui é mesmo a diversão pura de se espalhar uma nhanha preta nas fussas e parecer que se acabou de sair de uma mina de carvão. Mais que não seja, é trendy.
Mas isto sou eu, que não tenho mais nada que fazer.
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Comentário Jurídico da Latrina,
Posição Doutrinária
terça-feira, 30 de maio de 2017
sexta-feira, 26 de maio de 2017
Leitura Nº ... Qualquer Coisa Serve
"No seu registo cru e negro e com uma perspicácia caricatural sobre os relacionamentos humanos, Bukowski recebe-nos no seu quotidiano rocambolesco, onde há sempre mais uma cerveja por abrir e uma mulher para seduzir"
Isto é o que é dito na contracapa, a dar um ar intelectual e sofisticado a uma coisa completamente diferente.
É a história de um bêbedo que passa a vida a foder, sem mais do que isto. É, de facto, cru e negro, chega a ser bruto e amiúde ordinário. Mas, tal como os acontecimentos ou imagens mórbidas, não se consegue desviar o olhar e prende o leitor até à próxima queca da personagem, sempre descrita com a maior rudeza possível.
Não é tão mau quanto possa parecer, mas não é nenhuma obra prima.
Isto é o que é dito na contracapa, a dar um ar intelectual e sofisticado a uma coisa completamente diferente.
É a história de um bêbedo que passa a vida a foder, sem mais do que isto. É, de facto, cru e negro, chega a ser bruto e amiúde ordinário. Mas, tal como os acontecimentos ou imagens mórbidas, não se consegue desviar o olhar e prende o leitor até à próxima queca da personagem, sempre descrita com a maior rudeza possível.
Não é tão mau quanto possa parecer, mas não é nenhuma obra prima.
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Happy Birthday, My Love
Há 10 anos atrás, era eu uma miúda ainda mais parva do que sou hoje e não sabia muita coisa, apesar de achar que sim.
Tinha já muitas das convicções que tenho hoje, mas estava longe de imaginar o rumo que a minha vida iria tomar, porque ninguém sabe por mais que tente fingir que sim.
Tinha muitas dúvidas e poucas certezas de tudo e de nada, e não imaginava o que estava ainda para vir, de bom e de mau.
Tinha a mania de muita coisa, que fazia e acontecia, mas o futuro em quase todo ele incerto.
Quase todo ele.
Não sabia nada, mas soube, naquele momento, que Aquele era o homem de uma vida, o companheiro para a posteridade, o namorado até ser velha. Soube-o sempre e a certeza que tive naquele momento seguiu-me até ao dia de hoje, nunca deixou de me acompanhar.
Olhando para trás, não senti o tempo passar, parece-me que ainda agora saí daquela festa da cerveja, parece-me que ainda agora tudo começou, parece-me tudo fresco e acabado de ocorrer.
A bem da verdade, mesmo nos momentos menos bons, tive sempre esta sensação: novo, promissor e ao mesmo tempo certo e eterno.
10 anos que me parecem 10 dias e alguns minutos.
Melhor que isto só outros 10, multiplicados por mais 10.
Tinha já muitas das convicções que tenho hoje, mas estava longe de imaginar o rumo que a minha vida iria tomar, porque ninguém sabe por mais que tente fingir que sim.
Tinha muitas dúvidas e poucas certezas de tudo e de nada, e não imaginava o que estava ainda para vir, de bom e de mau.
Tinha a mania de muita coisa, que fazia e acontecia, mas o futuro em quase todo ele incerto.
Quase todo ele.
Não sabia nada, mas soube, naquele momento, que Aquele era o homem de uma vida, o companheiro para a posteridade, o namorado até ser velha. Soube-o sempre e a certeza que tive naquele momento seguiu-me até ao dia de hoje, nunca deixou de me acompanhar.
Olhando para trás, não senti o tempo passar, parece-me que ainda agora saí daquela festa da cerveja, parece-me que ainda agora tudo começou, parece-me tudo fresco e acabado de ocorrer.
A bem da verdade, mesmo nos momentos menos bons, tive sempre esta sensação: novo, promissor e ao mesmo tempo certo e eterno.
10 anos que me parecem 10 dias e alguns minutos.
Melhor que isto só outros 10, multiplicados por mais 10.
Ai Sim?
Acho sempre que palavras estúpidas como pitéu enchem logo uma conversação com um nível de eloquência que é difícil de suportar.
E você?
E você?
quarta-feira, 24 de maio de 2017
A Cara do Papa É Qualquer Coisa ...
Se estivesse ao lado daquela família medonha, cheia de gentinha sinistra e aparvalhada, muito provavelmente também faria uma fronha daquelas...
Ou fugia. Era mais fugir, acho.
(Só um pequeno aparte... Adoro o ar da Melania, parece uma camponesa russa.)
Ou fugia. Era mais fugir, acho.
(Só um pequeno aparte... Adoro o ar da Melania, parece uma camponesa russa.)
Sempre gostei de GNR, principalmente da obra anterior a 1996.
Não que posteriormente não tenham feito coisas boas e giras, mas a minha preferência recai essencialmente nas velharias que estes moços do norte produziram. Hoje acordei com esta música na cabeça e não me consigo livrar dela.
E, sem mais conversa, passemos à música:
Não que posteriormente não tenham feito coisas boas e giras, mas a minha preferência recai essencialmente nas velharias que estes moços do norte produziram. Hoje acordei com esta música na cabeça e não me consigo livrar dela.
E, sem mais conversa, passemos à música:
terça-feira, 23 de maio de 2017
Roger Moore 1927 - 2017
E, contrariamente a 2016, estávamos todos tão descansadinhos no que concerne a partidas de gente ilustre, quando mais uma nos bate à porta...
Apetece-me Grandemente Ser Porca # 60
Não sei o que isto é, mas acho que é a menstruação de alguém, e tem ar de quem deve ter trazido confettis.
Foda-se, a sério?!
Apetece-me Grandemente Ser Porca #59
Está uma pessoa descansadinha à espera do início do seu julgamento, quando vê entrar na sala um Colega nestes propósitos:
Todo ele era um bigodinho sinistro, penteadinho e de pontinhas reviradinhas, a dizer adeus à população. Só lhe faltava o monóculo no olho e estava feito para ir para Torres Vedras ao Baile de Carnaval da Física.
E agora, estamos a falar de um idoso? De um ser que viajou no tempo e aterrou no século XXI e não deu conta?
Não senhor, é apenas um gajo para aí com 30 anos, hypster até à 15ª geração, com a mania que tudo o que mexe cai a seus pés com o fanico.
Depois de absorver a estranha aparência, estive mesmo vai-não-vai para ir perguntar o que pensava ele que estava a fazer naqueles preparos.
Porém, depois de observar mais de perto, desisti logo da ideia. É que aquilo parecia mesmo uma coisa VIVA que a qualquer momento ia saltar-lhe da boca para comer o transeunte mais próximo.
Ainda estive mesmo, mesmo para me rir na cara dele, mas achei que era melhor não; apara além do dever de urbanidade para com os Colegas, acho sempre mais fácil deixar a mão invisível do ridículo fazer o seu papel.
Todo ele era um bigodinho sinistro, penteadinho e de pontinhas reviradinhas, a dizer adeus à população. Só lhe faltava o monóculo no olho e estava feito para ir para Torres Vedras ao Baile de Carnaval da Física.
E agora, estamos a falar de um idoso? De um ser que viajou no tempo e aterrou no século XXI e não deu conta?
Não senhor, é apenas um gajo para aí com 30 anos, hypster até à 15ª geração, com a mania que tudo o que mexe cai a seus pés com o fanico.
Depois de absorver a estranha aparência, estive mesmo vai-não-vai para ir perguntar o que pensava ele que estava a fazer naqueles preparos.
Porém, depois de observar mais de perto, desisti logo da ideia. É que aquilo parecia mesmo uma coisa VIVA que a qualquer momento ia saltar-lhe da boca para comer o transeunte mais próximo.
Ainda estive mesmo, mesmo para me rir na cara dele, mas achei que era melhor não; apara além do dever de urbanidade para com os Colegas, acho sempre mais fácil deixar a mão invisível do ridículo fazer o seu papel.
segunda-feira, 22 de maio de 2017
A porra toda de se ser velha e de ter doenças de velha é que não se pode ter uma porra duma constipaçãozinha que a puta da sinusite (uma verdadeira velha diria sinÓzite) faz o estado constipacional prolongar-se durante semanas a fio.
Apercebo-me agora que há pelo menos 3 dias que olfacto e paladar não me assistem (o facto de só agora me aperceber disto é sinal que a doença já chegou ao cérebro) e não vejo modo de isto melhorar.
Principalmente depois daquele farmacêutico panasca, aquela louca, me ralhar (sim, isto é verídico) porque lhe pedi um spray nasal com cortisona.
Maneiras que vim embora da farmácia com um sprayzinho de ervas e outros produtos naturais, que faz tanto efeito como as rezas em Fátima.
Foda-se mais à minha vida.
Apercebo-me agora que há pelo menos 3 dias que olfacto e paladar não me assistem (o facto de só agora me aperceber disto é sinal que a doença já chegou ao cérebro) e não vejo modo de isto melhorar.
Principalmente depois daquele farmacêutico panasca, aquela louca, me ralhar (sim, isto é verídico) porque lhe pedi um spray nasal com cortisona.
Maneiras que vim embora da farmácia com um sprayzinho de ervas e outros produtos naturais, que faz tanto efeito como as rezas em Fátima.
Foda-se mais à minha vida.
Acabei agora a temporada 1 e mal vejo a hora de começar já a segunda.
É que, parecendo que não, para além da história muitíssimo interessante e do argumento estar especialmente bem escrito, a série está cheia de seres masculinos assaz belos, o que é uma vantagem.
É que, parecendo que não, para além da história muitíssimo interessante e do argumento estar especialmente bem escrito, a série está cheia de seres masculinos assaz belos, o que é uma vantagem.
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Das Coisas fora dos limites do 202º CC
sexta-feira, 19 de maio de 2017
Dia do Advogado
Hoje aparentemente é dia de São Ivo, padroeiro dos advogados, juízes e da infância desvalida.
Como os outros protegidos não interessam nada, hoje é só dia do Advogado e mai' nada. Não consigo evitar pensar na minha formadora de Deontologia que adorava encher a boca para dizer "o advogado não se dá com a ralé" e aposto que foi uma avestruz que pensa nos mesmos moldes que inventou esta coisa de retirar as outras classes e ficar só o Advogado, esse ser magnânimo.
Por esse Facebook fora proliferam imagens alusivas ao dia. Não resisti a fanar uma delas que me chamou particularmente a atenção; não há nada como o advogado para pedinchar com pinta.
Feliz Dia do Advogado.
Como os outros protegidos não interessam nada, hoje é só dia do Advogado e mai' nada. Não consigo evitar pensar na minha formadora de Deontologia que adorava encher a boca para dizer "o advogado não se dá com a ralé" e aposto que foi uma avestruz que pensa nos mesmos moldes que inventou esta coisa de retirar as outras classes e ficar só o Advogado, esse ser magnânimo.
Por esse Facebook fora proliferam imagens alusivas ao dia. Não resisti a fanar uma delas que me chamou particularmente a atenção; não há nada como o advogado para pedinchar com pinta.
Feliz Dia do Advogado.
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Profissão: Advogada
quinta-feira, 18 de maio de 2017
Chris Cornell 1964 - 2017
Não que ouvisse muito Soundgarden, mas lembro-me de ouvir esta música em modo repeat numa fase menos boa da minha existência.
Não obstante, é sempre triste quando morre um músico, acho que o mundo fica sempre mais pobre.
Coisas Que Vejo Por Aí # 40
Sem ser nada de especial (a bem da verdade a história já está muito batida) tem um final surpreendente e os efeitos especiais não estão mal de todo.
Razoável, vá.
Razoável, vá.
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Para o Ano É Cá - Parte II
Esta era a minha favorita.
Engraçada, leve e com uma sonoridade, longe de ser original, mas fresca que só ela.
Mas nada que suplante a nossa vitória, como é óbvio.
Para o Ano É Cá
Ainda não estou em mim.
Ganhámos o Festival da Canção?
Ganhámos o Festival da Canção?!
Ganhámos!
Levámos um hypster, uma cançãozinha ao estilo fadinho meio triste, meio contente e limpámos aquela merda toda com uma pinta do caraças! Votos do júri e do público, quase unânime!
Não vou ser hipócrita, a música não era, muito honestamente, da minha predilecção, mas foi o melhor que já levámos e eu, na qualidade de fã do Festival da Canção, sinto-me muito, muito orgulhosa desta prestação e tive vontade de chorar (chorei mesmo, vá) quando subiram ao palco, Salvador e Luísa, e cantaram a duas vozes, a bela melodia vencedora numa toada doce e ternurenta.
Bem bom para a lemechice.
sexta-feira, 12 de maio de 2017
Tudo no Bem-Bom
Trabalhar hoje é tarefa impossível.
Porque ninguém trabalha. Em lado nenhum.
E estou a referir-me aos privados, porque o sector público já é sabido que tem folga.
Chamam-lhe tolerância de ponto.
Eu chamo-lhe boicote à produtividade; logo hoje que tenho tanto que fazer e que, surpresa das surpresas, até tenho vontade de trabalhar, está tudo a fazer gazeta.
Também me irrita solenemente que toooooodos os meios de comunicação estejam cheios de notícias sobre as aparições, e a comemoração de não-sei-quantos anos de não sei bem o quê, mais a vinda do Papa Francisco e o caraças... É que não se fala em mais nada. NADA. Mas não há outros acontecimentos a noticiar? Não haverá mais nada que fazer?!
Foda-se mais a isto.
Porque ninguém trabalha. Em lado nenhum.
E estou a referir-me aos privados, porque o sector público já é sabido que tem folga.
Chamam-lhe tolerância de ponto.
Eu chamo-lhe boicote à produtividade; logo hoje que tenho tanto que fazer e que, surpresa das surpresas, até tenho vontade de trabalhar, está tudo a fazer gazeta.
Também me irrita solenemente que toooooodos os meios de comunicação estejam cheios de notícias sobre as aparições, e a comemoração de não-sei-quantos anos de não sei bem o quê, mais a vinda do Papa Francisco e o caraças... É que não se fala em mais nada. NADA. Mas não há outros acontecimentos a noticiar? Não haverá mais nada que fazer?!
Foda-se mais a isto.
Isto é imperdoável, mas enfim...
Há que tempos que não ouvia Rammstein. (sim, isso para mim é que é pecado)
Hoje calhou conduzir um carro que não o meu e calhou ouvir o Mutter no caminho até à casinha de monstros civilistas.
Voltei a arrepiar-me toda, tal como da primeira vez que o ouvi.
Voltei a vibrar com cada música, tal como da primeira vez, mais agora que já ouvi ao vivo (mais que uma vez, diga-se) todas as músicas deste álbum.
Voltei a cantarolar cada música, como se fosse uma lengalenga ou uma canção que se aprende em criança e nunca mais se esquece.
Porque razão não ouvia estes senhores há tanto tempo é um mistério, se até ao puto canto músicas deles para o adormecer (resulta, meus caros, resulta!), mas hoje é dia de recuperar o tempo perdido.
Há que tempos que não ouvia Rammstein. (sim, isso para mim é que é pecado)
Hoje calhou conduzir um carro que não o meu e calhou ouvir o Mutter no caminho até à casinha de monstros civilistas.
Voltei a arrepiar-me toda, tal como da primeira vez que o ouvi.
Voltei a vibrar com cada música, tal como da primeira vez, mais agora que já ouvi ao vivo (mais que uma vez, diga-se) todas as músicas deste álbum.
Voltei a cantarolar cada música, como se fosse uma lengalenga ou uma canção que se aprende em criança e nunca mais se esquece.
Porque razão não ouvia estes senhores há tanto tempo é um mistério, se até ao puto canto músicas deles para o adormecer (resulta, meus caros, resulta!), mas hoje é dia de recuperar o tempo perdido.
quinta-feira, 11 de maio de 2017
Coisas Que Vejo Por Aí #39
Passando à frente da futilidade que isto possa representar, tenho que partilhar um verdadeiro achado.
Não será segredo para ninguém que sou grande apreciadora dos pincéis da Real Techniques. Tenho vários, que é para não dizer muitos, e não tenho dúvidas em afirmar que são dos melhores que o mercado tem para oferecer. O material é bom, a durabilidade é para lá de excelente e o preço é bastante aceitável.
Estas belezas estavam à venda numa loja do Almada Fórum (e isto só há coisa de um ano e pouco, porque os primeiros pincéis comprei online, que a este país no fim do mundo as coisas chegam com anos de atraso), mas esta colecção Bold Metals tinha tudo o que a colecção original tinha no que diz respeito à qualidade, excepto o preço que, falando português correcto, era uma tremenda duma pouca vergonha e uma ladroagem inqualificável.
Sucede que toda a gente percebeu isso e não compraram os ditos, que se amontoaram, tristíssimos nas prateleiras, até que os lojistas (adoro linguagem geriátrica) resolveram vendê-los ao desbarato porque não iriam mais repor o stock.
E foi assim que adquiri esta coisa maravilhosa, que custava a módica quantia de € 33,50, por ... (tambores, por favor) ... € 17! Ficou ainda mais barato que no próprio site da marca. Uma pechincha autêntica!
A felicidade de ser pobre é ficar tremenda e genuinamente feliz pelas baratezas desta vida.
Não sei se ria, se chore...
Não será segredo para ninguém que sou grande apreciadora dos pincéis da Real Techniques. Tenho vários, que é para não dizer muitos, e não tenho dúvidas em afirmar que são dos melhores que o mercado tem para oferecer. O material é bom, a durabilidade é para lá de excelente e o preço é bastante aceitável.
Estas belezas estavam à venda numa loja do Almada Fórum (e isto só há coisa de um ano e pouco, porque os primeiros pincéis comprei online, que a este país no fim do mundo as coisas chegam com anos de atraso), mas esta colecção Bold Metals tinha tudo o que a colecção original tinha no que diz respeito à qualidade, excepto o preço que, falando português correcto, era uma tremenda duma pouca vergonha e uma ladroagem inqualificável.
Sucede que toda a gente percebeu isso e não compraram os ditos, que se amontoaram, tristíssimos nas prateleiras, até que os lojistas (adoro linguagem geriátrica) resolveram vendê-los ao desbarato porque não iriam mais repor o stock.
E foi assim que adquiri esta coisa maravilhosa, que custava a módica quantia de € 33,50, por ... (tambores, por favor) ... € 17! Ficou ainda mais barato que no próprio site da marca. Uma pechincha autêntica!
A felicidade de ser pobre é ficar tremenda e genuinamente feliz pelas baratezas desta vida.
Não sei se ria, se chore...
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Piadas de Propriedade Privada,
Posição Doutrinária
quarta-feira, 10 de maio de 2017
#souestúpidaegosto
Recentemente, mais propriamente no passado dia 30 de Abril, decidi que o mês de Maio haveria de ser o mês sem açúcar.
Desde então não tenho consumido doces nem derivados dessa espécie, leia-se bolos, chocolate, refrigerante, bolachas e todas essas tentações maravilhosas que até então povoavam a minha vida numa alegre procissão de diabetes.
Ainda pensei ir mais longe e fiz um pequeno périplo pela dispensa e pelo frigorifico para investigar a tabela nutricional de cada alimento, disposta a deitar fora todos aqueles que tivessem açúcar, mas desisti. Porque tinha que deixar de ter comida em casa; toda a porra tem açúcar, inclusive o leite. O leite, senhores, o leite!!!
Assim, e não querendo ser uma maluquinha dos radicalismos alimentares, decidi só erradicar os açúcares abertamente açúcares (os pecados) e até agora tenho-me portado muito bem.
Um colega cá do escritório fez anos, fez-se a habitual comemoração com bolo e Coca-Cola e eu nada comi ou bebi dessa estirpe.
O meu Sogro fez anos e nem cheirei sequer uma fatia de bolo.
Até passei a beber café sem açúcar, o que tem sido surpreendentemente agradável.
Nem um rebuçado eu como.
Não será propriamente uma dieta, mas achei que estava na altura de deixar de comer como uma abadessa e quis começar por algum lado, e comecei por onde o corte seria óbvio.
Tradução: ando com o dobro do mau feitio. Só me apetece rachar cabeças a eito a toda a hora e tenho fantasias ordinárias com a minha pessoa a ir comprar um taco de baseball para andar com ele rua abaixo a partir as pinhas de quem me chateia. Nem é tanto sentir a falta dos doces, é mesmo um reavivar de tendências assassinas que aparentemente estavam apaziguadas pela gula.
Quem me manda a mim ser parva?
Desde então não tenho consumido doces nem derivados dessa espécie, leia-se bolos, chocolate, refrigerante, bolachas e todas essas tentações maravilhosas que até então povoavam a minha vida numa alegre procissão de diabetes.
Ainda pensei ir mais longe e fiz um pequeno périplo pela dispensa e pelo frigorifico para investigar a tabela nutricional de cada alimento, disposta a deitar fora todos aqueles que tivessem açúcar, mas desisti. Porque tinha que deixar de ter comida em casa; toda a porra tem açúcar, inclusive o leite. O leite, senhores, o leite!!!
Assim, e não querendo ser uma maluquinha dos radicalismos alimentares, decidi só erradicar os açúcares abertamente açúcares (os pecados) e até agora tenho-me portado muito bem.
Um colega cá do escritório fez anos, fez-se a habitual comemoração com bolo e Coca-Cola e eu nada comi ou bebi dessa estirpe.
O meu Sogro fez anos e nem cheirei sequer uma fatia de bolo.
Até passei a beber café sem açúcar, o que tem sido surpreendentemente agradável.
Nem um rebuçado eu como.
Não será propriamente uma dieta, mas achei que estava na altura de deixar de comer como uma abadessa e quis começar por algum lado, e comecei por onde o corte seria óbvio.
Tradução: ando com o dobro do mau feitio. Só me apetece rachar cabeças a eito a toda a hora e tenho fantasias ordinárias com a minha pessoa a ir comprar um taco de baseball para andar com ele rua abaixo a partir as pinhas de quem me chateia. Nem é tanto sentir a falta dos doces, é mesmo um reavivar de tendências assassinas que aparentemente estavam apaziguadas pela gula.
Quem me manda a mim ser parva?
Apetece-me Grandemente Ser Porca #58
Haverá, com toda a certeza, um lugar especial no inferno para as pessoas que gostam de terminar as frases com a expressão tenho dito.
Se calhar é só da minha pessoa (muito provavelmente), mas soa-me sempre a um incrível pretensiosismo, snobismo e um ligeiro toque de infantilidade. Observo pessoas porreiras, algumas das quais até são pessoas que aprecio (o que vem sendo uma raridade), a dizerem coisas interessantes, sim senhor, e depois concluem com esta pérola de sabedoria. Tenho dito. Que lindo.
Parece um chavão da missa. Mais um bocado e estão a ajoelhar-se para o dizer, não?
Enforquem-se, pá.
Se calhar é só da minha pessoa (muito provavelmente), mas soa-me sempre a um incrível pretensiosismo, snobismo e um ligeiro toque de infantilidade. Observo pessoas porreiras, algumas das quais até são pessoas que aprecio (o que vem sendo uma raridade), a dizerem coisas interessantes, sim senhor, e depois concluem com esta pérola de sabedoria. Tenho dito. Que lindo.
Parece um chavão da missa. Mais um bocado e estão a ajoelhar-se para o dizer, não?
Enforquem-se, pá.
"Lindo Menino. Neste Momento, 'Tás Detido" - Dissertação Sobre o Estado de Polícia em que Afinal Vivemos
O que me espanta é que ainda haja gente que acha muito bem que aquele militar da GNR, leia-se brutamontes descerebrado, tenha usado uma manobra toda karateca num pobre diabo que estava a usar uma porra de um telefone, a fazer um escarcéu qualquer numa qualquer repartição de Finanças (que funcionam todas muita bem, benzás deus).
Porque, como está bom de ver, o senhor do telemóvel estava a matar pessoas e aquele foi um acto heróico; aquele homem salvou vidas!
Não, estava a sequestrá-las e o bófia, com uma coragem inigualável, pôs fim àquele terror!
Não, não, estava com um pau a bater em toda a gente e o senhor polícia, com enorme sacrifício pessoal, foi lá fazer-lhe frente!
Pois, exacto, como já se viu, é já a seguir...
O homem estava a pôr em perigo alguém?
Estava a ser violento?
Estava a ameaçar a vida e a integridade física de outros?
Não, estava apenas a ser malcriado e a filmar num espaço proibido.
Que se saiba, não é comportamento que justifique o uso da força como se de um estado de necessidade se tratasse.
Portanto, NÃO SE JUSTIFICA a conduta do jagunço que lhe deitou as mãos ao pescoço para o deter. Há procedimentos a seguir. Que chamasse reforços e que procedessem à detenção segundo as normas em vigor. Não é um "acto que mereça público louvor", é uma pouca vergonha e um atentado aos pilares da democracia e de um Estado de Direito.
Sendo porca até à 15ª geração, apetece-me dizer que isto não é por acaso, é apenas meramente gratuito; se fosse um homem caucasiano, a coisa dava-se? Se fosse um português, isto aconteceria?
Não perdendo tempo com demagogias, digo abertamente que não.
Claro que não.
Só se atacam os fracos, os que não têm defesa, os que não podem ripostar, os que não têm voz. Lamento, mas há aqui um quê de racismo. E uma enorme dose de violência policial contra o cidadão comum da qual não se fala, mas que devia dar azo a um debate público.
A porra da polícia, parece, não faz mais nada senão partir para o enxovalho e para a porrada. Assim de repente, lembro-me da agressão a um adepto do Benfica em Guimarães, com um cassetete de aço, lembro-me do pontapé na cabeça a um membro de uma claque e tantos outros casos em que a polícia resolve ser absolutamente pidesca e abusar do poder que detém.
E isto, meus caros, deveria encher-nos, a todos, de vergonha. É preciso tomar medidas. É preciso diligenciar para que estes casos conheçam um castigo exemplar para a "autoridade" que agiu de forma animalesca e profundamente desregrada.
Andámos todos, nem há duas semanas, todos contentes a comemorar o 25 de Abril e as liberdades conquistadas para depois andarmos a aplaudir actos de violência da polícia contra o cidadão sem razão aparente?! Por amor da santa!
Triste será o dia em que, voltando ao passado de regime ditatorial, um acto desmedido e desproporcionado da polícia não tenha consequências.
Terá chegado tal dia?
Porque, como está bom de ver, o senhor do telemóvel estava a matar pessoas e aquele foi um acto heróico; aquele homem salvou vidas!
Não, estava a sequestrá-las e o bófia, com uma coragem inigualável, pôs fim àquele terror!
Não, não, estava com um pau a bater em toda a gente e o senhor polícia, com enorme sacrifício pessoal, foi lá fazer-lhe frente!
Pois, exacto, como já se viu, é já a seguir...
O homem estava a pôr em perigo alguém?
Estava a ser violento?
Estava a ameaçar a vida e a integridade física de outros?
Não, estava apenas a ser malcriado e a filmar num espaço proibido.
Que se saiba, não é comportamento que justifique o uso da força como se de um estado de necessidade se tratasse.
Portanto, NÃO SE JUSTIFICA a conduta do jagunço que lhe deitou as mãos ao pescoço para o deter. Há procedimentos a seguir. Que chamasse reforços e que procedessem à detenção segundo as normas em vigor. Não é um "acto que mereça público louvor", é uma pouca vergonha e um atentado aos pilares da democracia e de um Estado de Direito.
Sendo porca até à 15ª geração, apetece-me dizer que isto não é por acaso, é apenas meramente gratuito; se fosse um homem caucasiano, a coisa dava-se? Se fosse um português, isto aconteceria?
Não perdendo tempo com demagogias, digo abertamente que não.
Claro que não.
Só se atacam os fracos, os que não têm defesa, os que não podem ripostar, os que não têm voz. Lamento, mas há aqui um quê de racismo. E uma enorme dose de violência policial contra o cidadão comum da qual não se fala, mas que devia dar azo a um debate público.
A porra da polícia, parece, não faz mais nada senão partir para o enxovalho e para a porrada. Assim de repente, lembro-me da agressão a um adepto do Benfica em Guimarães, com um cassetete de aço, lembro-me do pontapé na cabeça a um membro de uma claque e tantos outros casos em que a polícia resolve ser absolutamente pidesca e abusar do poder que detém.
E isto, meus caros, deveria encher-nos, a todos, de vergonha. É preciso tomar medidas. É preciso diligenciar para que estes casos conheçam um castigo exemplar para a "autoridade" que agiu de forma animalesca e profundamente desregrada.
Andámos todos, nem há duas semanas, todos contentes a comemorar o 25 de Abril e as liberdades conquistadas para depois andarmos a aplaudir actos de violência da polícia contra o cidadão sem razão aparente?! Por amor da santa!
Triste será o dia em que, voltando ao passado de regime ditatorial, um acto desmedido e desproporcionado da polícia não tenha consequências.
Terá chegado tal dia?
Salvador Sobral
Só porque o moço, agora, conseguiu-nos um lugar na final, não vou desatar a dizer bem dele. Até porque, no meu humilde ver, não há grande coisa para dizer; é o que é, está à vista e é um hypster, ao fim e ao cabo.
Mas já que está tudo muito contentinho, eu também estou.
Leituras Nº ... Qualquer Coisa Serve
Estava à espera de não gostar nada, mas enganei-me redondamente.
Uma mistura de policial com romance histórico, com grande equilíbrio de linguagem e um final que, não sendo inesperado, é surpreendente pela forma como é descrito.
Um boa surpresa.
Uma mistura de policial com romance histórico, com grande equilíbrio de linguagem e um final que, não sendo inesperado, é surpreendente pela forma como é descrito.
Um boa surpresa.
Dia da Mãe
O meu rebento veio da escolinha com um presente para sua Mãe e depois foi com o Pai comprar um presente só dele.
Já estou a ficar diabética com tanto melaço que para aqui vai.
Mas adorei.
Já estou a ficar diabética com tanto melaço que para aqui vai.
Mas adorei.
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Do Estabelecimento da Maternidade
Ai Sim?
Ultimamente, para além de andar desaparecida para o mundo, tenho vindo a padecer de uma série de maleitas. O que não seria nada de extraordinário se fossem doenças ditas normais, que toda a gente tem de vez em quando, uma gripe, uma pontada, um arranhão, tudo derivado de pequenos acidentes domésticos e infortúnios que fazem parte do dia-a-dia.
Mas não.
Não, não senhor.
Os meus males são típicos da terceira idade. Alguns também porque sou estúpida, mas maioritariamente porque me acodem doenças de velha.
Vejamos:
Resolvendo fazer praliné de caramelo e nozes, achei que era boa ideia testar a temperatura do caramelo com a ponta dos dedos.
Isto porque, e isto é absolutamente verídico, passou-me pela cabeça, meio segundo antes de fazer a idiotice de mergulhar os dedos no açúcar fervente, uma história que corre na família acerca da minha bisavó, que já não conheci, que virava as brasas do seu carvoeiro com as mãos; pensando cá para mim que, correndo parte do sangue dela nas minha veias, o meu corpo estaria preparado para grandes temperaturas porque tal já me estaria no ADN.
Claro que me fodi grandemente. Este incidente deu-se efectivamente porque sou estúpida, mas há que dizer que fui logo a correr pôr manteiga, tal como uma boa e típica velha. Depois também me fartei de gemer com dores, igual a uma idosa, maneiras que equilibrei um bocado as coisas.
Não contente com a merda do caramelo já me ter rebentado com os dedos, tudo graças à minha imensa inteligência, como está bom de ver, depois de já tudo frio e com as nozes aprisionadas dentro do açúcar, decidi provar a minha obra.
Estava delicioso, diga-se.
Não obstante, parti um dente ao trincar aquela porra. Um dente da frente. DA FRENTE, CARALHO! Vá de ir a correr para o dentista para consertar o túnel aberto no meio da boca (era só uma lasca, mas a mim parecia-me uma vala comum escancarada a céu aberto).
Depois de feito o arranjo do meu lindo dentinho, o senhor doutor dentista deu-me uma palestra sobre a minha nova vida, dali em diante: nada de trincar fruta rija, cuidado com os frios e os quentes, nada de comer entrecosto à dentada, o máximo de cuidado daqui para a frente. Só faltava recomendar-me Corega para fixar a dentadura, porra. Entrei, portanto, no dentista com 31 anos, saí de lá com 84. Merda mais a isto.
Como já estava tudo a correr tão bem, nesse mesmo dia, olho para os meus ricos pés e vejo uma porra de uma mancha numa unha. Já se está mesmo a ver o que é, não é... Aceitando o meu destino de idosa a dar as últimas, lá me resigno a fazer uma porcaria de um tratamento às unhas que vai durar um mês. UM MÊS INTEIRO com porras nos pés sem poder calçar sapatinhos bonitos porque ficam à vista as ligaduras das minhas leprosidades.
Como é que uma pessoa (relativamente) nova fica velha tão depressa?!
Caralhos ma fodam mais à sorte.
E você?
Mas não.
Não, não senhor.
Os meus males são típicos da terceira idade. Alguns também porque sou estúpida, mas maioritariamente porque me acodem doenças de velha.
Vejamos:
Resolvendo fazer praliné de caramelo e nozes, achei que era boa ideia testar a temperatura do caramelo com a ponta dos dedos.
Isto porque, e isto é absolutamente verídico, passou-me pela cabeça, meio segundo antes de fazer a idiotice de mergulhar os dedos no açúcar fervente, uma história que corre na família acerca da minha bisavó, que já não conheci, que virava as brasas do seu carvoeiro com as mãos; pensando cá para mim que, correndo parte do sangue dela nas minha veias, o meu corpo estaria preparado para grandes temperaturas porque tal já me estaria no ADN.
Claro que me fodi grandemente. Este incidente deu-se efectivamente porque sou estúpida, mas há que dizer que fui logo a correr pôr manteiga, tal como uma boa e típica velha. Depois também me fartei de gemer com dores, igual a uma idosa, maneiras que equilibrei um bocado as coisas.
Não contente com a merda do caramelo já me ter rebentado com os dedos, tudo graças à minha imensa inteligência, como está bom de ver, depois de já tudo frio e com as nozes aprisionadas dentro do açúcar, decidi provar a minha obra.
Estava delicioso, diga-se.
Não obstante, parti um dente ao trincar aquela porra. Um dente da frente. DA FRENTE, CARALHO! Vá de ir a correr para o dentista para consertar o túnel aberto no meio da boca (era só uma lasca, mas a mim parecia-me uma vala comum escancarada a céu aberto).
Depois de feito o arranjo do meu lindo dentinho, o senhor doutor dentista deu-me uma palestra sobre a minha nova vida, dali em diante: nada de trincar fruta rija, cuidado com os frios e os quentes, nada de comer entrecosto à dentada, o máximo de cuidado daqui para a frente. Só faltava recomendar-me Corega para fixar a dentadura, porra. Entrei, portanto, no dentista com 31 anos, saí de lá com 84. Merda mais a isto.
Como já estava tudo a correr tão bem, nesse mesmo dia, olho para os meus ricos pés e vejo uma porra de uma mancha numa unha. Já se está mesmo a ver o que é, não é... Aceitando o meu destino de idosa a dar as últimas, lá me resigno a fazer uma porcaria de um tratamento às unhas que vai durar um mês. UM MÊS INTEIRO com porras nos pés sem poder calçar sapatinhos bonitos porque ficam à vista as ligaduras das minhas leprosidades.
Como é que uma pessoa (relativamente) nova fica velha tão depressa?!
Caralhos ma fodam mais à sorte.
E você?
terça-feira, 9 de maio de 2017
Puta Que Pariu Esta Merda Toda
Depois de não-sei-quantos dias em que a Judicatura me acertou com o seu punho de ferro, mesmo em cheio nas trombas, posso finalmente respirar fundo um bocadinho, que está quase, quase no fim.
Sem entrar pelas agruras técnicas e que obrigam a levantar cedo e a deitar tarde por causa desta merda, apraz somente dizer, e esperar com muito fervor, que haja, afinal, um lugar especial no inferno para as pessoas que mentem em tribunal e para os juízes que acreditam nelas, esperando, com igual ardor, que apanhem todos doenças venéreas muito dolosas nas ilustres partes baixas.
#pócaralho
Sem entrar pelas agruras técnicas e que obrigam a levantar cedo e a deitar tarde por causa desta merda, apraz somente dizer, e esperar com muito fervor, que haja, afinal, um lugar especial no inferno para as pessoas que mentem em tribunal e para os juízes que acreditam nelas, esperando, com igual ardor, que apanhem todos doenças venéreas muito dolosas nas ilustres partes baixas.
#pócaralho
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