As ruas serpenteavam pelo campo a perder de vista. Apertadas e irregulares, eram caminhos perdidos que levavam aos muros altos, rodeados pelo interior de pequenas casinhas. As casas eram baixinhas, de pedras de todas as cores. Não tinham portas nem janelas, só fotografias, e nomes, e datas a enfeitar as suas paredes. Os ornamentos eram muitos e de muitas espécies ; abundavam cruzes, figuras aladas, os memoriais de saudade, as frases feitas gravadas na pedra numa tentativa de originalidade falhada. As imagens das pessoas que lá moravam lembravam como em tempos tinham sido, como que a eternizar a vida que já não tinham, a recordar aos que ainda viviam aquilo que um dia serão. As ruas apertadas, feitas de pedra irregular, faziam tropeçar os desatentos, fazendo perder os distraídos na amalgama de casinhas que se estendiam a perder de vista, à primeira vista todas iguais, depois já todas diferentes que se em vida se distinguem pelas moedas na carteira, na morte não é diferente e há que zelar para que a diferença perpetue.
As ruas serpenteavam pelo campo a perder de vista, como uma cidade silenciosa, em que os habitantes, também eles silenciosos, nunca saem de casa, nem sorriem quando são visitados, nem vêem quem lá vai, nem falam quando alguém ajoelha junto deles e reza, ou pergunta simplesmente, porquê.
As mulheres trazem baldes, esfregonas e panos, flores e água para lavarem as casinhas. Nem no fim se pode estar porco, há que manter a imagem e a dignidade em todos os momentos, até na morte. E limpam, lavam tudo, mudam as flores, cortam as ervas daninhas à volta da casa. No rosto, a expressão vincada da resignação. Sem lágrimas ou esgares de dor, as mãos lavam a sujidade da casinha como quem limpa o pó de uma estante, os gestos repetidos vezes e vezes, sempre com a mesma expressão, a vida continua, a resignação continua, há que viver para continuar a dizer a vida continua, irónico é que seja dita numa rua cheia de casinhas em que a vida não vive mais.
Quando tudo finalmente está limpo, imaculado, vão as mulheres embora, levando os instrumentos de limpeza consigo, agora que o trabalho está feito, agora que aquilo que choraram não é mais do que um gesto de estagnação e conformismo, a dor que sentiram não passa de uma gaveta fechada, a mágoa dá lugar à vida que continua e por isso vêm limpar a casinha que fica quando a vida continua para os outros.
Há uma, casinha entenda-se, como as outras, ornada e limpa, cheia de flores e inscrições de saudade, uma que guarda o nome herdado. Guarda consigo os nomes, as fotografias, as datas, as cruzes e as figuras aladas. A resignação de quem a limpa é a mesma das mulheres com as esfregonas e os panos, as lágrimas há muito que secaram e deram lugar ao lugar comum da vida que continua. Para quem herdou o nome exposto à entrada da casinha, o silencio mantém-se dentro do serpentear das ruas que terminam nos muros altos. A vida que não existe parou ali.
Dos Incidentes, Pareceres e Vicissitudes várias. Porque "Quando a ralé se põe a pensar, está tudo perdido", lá dizia Voltaire...
domingo, 2 de novembro de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
Pão, por deus ...
A luz era sempre diferente naquele dia. O sol, escondido entre nuvens que não eram brancas nem cinzentas, teimava em lançar sobre a terra molhada a sua luz coada pelas sombras altivas. O que fazia daquele dia diferente era a luz, e a sombra que faziam parecer que, por uma manhã, um dia, umas vagas horas, as casas, as pessoas, as circundâncias se transformassem numa terra diferente, num país diferente. Como se a luz e a sombra abrissem um portal para outras terras, outras paisagens, países e paragens nunca antes vistos ou visitados. Era um mundo diferente, só naquele dia. Os cheiros, as cores misturavam-se e faziam uma combinação inédita, em que tudo flutuava e, de alguma forma, permitia fazer o que raramente se fazia nos dias comuns e sem história.
E as crianças saíam todas a mesma hora. Em grupos, grande ou pequenos, seguiam pela estrada fora, carregando sacos nas mãos, primeiro vazios, depois a rebentar pelas costuras, sem conseguirem carregar nem mais um grama de guloseimas. Corriam a aldeia, batendo às portas, as campainhas, aos portões, as janelas, pedindo por deus aquilo que não precisavam. Contava-se que num antigamente longínquo, seriam crianças de barrigas grávidas de fome que tocavam às portas, as janelas e as campainhas para pedirem, não doces, mas pão, por deus, que se morre de fome. Desses tempos, não havia memória, mas aquele dia repetia-se na mesma, todos os anos, mudando o objecto, preferindo doces para tapar o buraco da vontade em vez do buraco da fome.
Corriam as crianças pela aldeia fora, fazendo as velhas virem à janela ver que correria era aquela, ainda caem por ali abaixo, que partem uma perna, até parece que gostam de ser malcriados, ao que isto chegou. Mas os malcriados não ligavam e continuavam a correr, empurrando-se e gritando, gargalhando pela rua fora. Interessava chegar a todas as casas antes do almoço, reunir todas as gulodices num saco gigante, depressa, antes que o sol do meio dia traga o demónio que muda a luz que ilumina os afazeres de um dia único e os torna corriqueiros. E no caminho de volta já as alças dos sacos cortam as palmas das mãos, tal é o peso, não há dinheiro que valha aos pais para levar os filhos ao dentista para exorcizar todas as caries.
E havia a casa da bruxa, a que iam todos juntos, não fosse a velha roubar um dos meninos e pô-lo na panela a guisar. Tinham medo dela, cheia de rugas e verrugas, a cheirar a couve cozida e a gatos imundos, nunca dava doces, que a má criação do mundo começa nos infantes e nos doces que comem, distribuindo pães com sabor a bafio. Desandavam dali os miúdos, com medo dos olhos de maldade da velha, que só queria vê-los longe. Assim que viravam na primeira esquina, atiravam os pães para longe com medo do veneno da bruxa, que tinha cara de querer cozinhar as cabeças de todos eles, e o pão era só uma armadilha. Porque a luz era sempre diferente naquele dia.
Só naquele dia.
E as crianças saíam todas a mesma hora. Em grupos, grande ou pequenos, seguiam pela estrada fora, carregando sacos nas mãos, primeiro vazios, depois a rebentar pelas costuras, sem conseguirem carregar nem mais um grama de guloseimas. Corriam a aldeia, batendo às portas, as campainhas, aos portões, as janelas, pedindo por deus aquilo que não precisavam. Contava-se que num antigamente longínquo, seriam crianças de barrigas grávidas de fome que tocavam às portas, as janelas e as campainhas para pedirem, não doces, mas pão, por deus, que se morre de fome. Desses tempos, não havia memória, mas aquele dia repetia-se na mesma, todos os anos, mudando o objecto, preferindo doces para tapar o buraco da vontade em vez do buraco da fome.
Corriam as crianças pela aldeia fora, fazendo as velhas virem à janela ver que correria era aquela, ainda caem por ali abaixo, que partem uma perna, até parece que gostam de ser malcriados, ao que isto chegou. Mas os malcriados não ligavam e continuavam a correr, empurrando-se e gritando, gargalhando pela rua fora. Interessava chegar a todas as casas antes do almoço, reunir todas as gulodices num saco gigante, depressa, antes que o sol do meio dia traga o demónio que muda a luz que ilumina os afazeres de um dia único e os torna corriqueiros. E no caminho de volta já as alças dos sacos cortam as palmas das mãos, tal é o peso, não há dinheiro que valha aos pais para levar os filhos ao dentista para exorcizar todas as caries.
E havia a casa da bruxa, a que iam todos juntos, não fosse a velha roubar um dos meninos e pô-lo na panela a guisar. Tinham medo dela, cheia de rugas e verrugas, a cheirar a couve cozida e a gatos imundos, nunca dava doces, que a má criação do mundo começa nos infantes e nos doces que comem, distribuindo pães com sabor a bafio. Desandavam dali os miúdos, com medo dos olhos de maldade da velha, que só queria vê-los longe. Assim que viravam na primeira esquina, atiravam os pães para longe com medo do veneno da bruxa, que tinha cara de querer cozinhar as cabeças de todos eles, e o pão era só uma armadilha. Porque a luz era sempre diferente naquele dia.
Só naquele dia.
Halloween
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Término dos 10 Mandamentos
Obrigar pobres almas a alcançar a vida eterna pelo caminho dos pecados fáceis de palrar, mas difíceis de cumprir, carregadas de cinismo e falsa honestidade, é trilhar um caminho sinuoso, cheio de pedras, relevos e urtigas com sandálias de salto agulha.
Porque não apelar às capacidades próprias, as ideias solitárias que tomam forma nas mentes e que levam o homem mais longe, a alcançar a perfeição inconstante que nunca permanece, porque quando lá se chega ela já partiu ; porque não deixar ao critério de cada um, com ideias, sentimentos e valores próprios, a decisão do que fazer, de viver eternamente ou ir para o cemitério, porque não deixar fazer sem reprimir, sem obrigar, sem restringir, sem manipular, sem tendenciar, sem macular o cérebro dos outros com dogmas?
Qual quê ...
Porque não apelar às capacidades próprias, as ideias solitárias que tomam forma nas mentes e que levam o homem mais longe, a alcançar a perfeição inconstante que nunca permanece, porque quando lá se chega ela já partiu ; porque não deixar ao critério de cada um, com ideias, sentimentos e valores próprios, a decisão do que fazer, de viver eternamente ou ir para o cemitério, porque não deixar fazer sem reprimir, sem obrigar, sem restringir, sem manipular, sem tendenciar, sem macular o cérebro dos outros com dogmas?
Qual quê ...
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Sanitarium
Surge esta música à memória, já nem se sabe muito bem porquê.
A banda não faz parte do rol habitual, nem cai no saco das preferências, mas ainda se é do tempo em que estava muito em voga, e era o auge do ser mau e tal e ouvir Limp Bizkit.
Hoje, as melodias são outras, mas há interpretações que não se esquecem.
Esta é a tal. Na qual se excederam, se superaram, inesquecível. À parte da parvoíce do vocalista, que não sobressai de outra maneira, a interpretação de um clássico digno de respeito, de uma banda de igual respeito e peso.
Sanitarium, Metallica, by Limp Bizkit
O 10 Mandamentos - parte X
Não cobicar as coisas alheias
Aqui, já estará a expressão alheio mais bem utilizada. Porque cobiçam-se, exactamente, as coisas dos outros, as coisas, os bens materiais, não as mulheres ( ou os homens ) vistas como uma mera propriedade.
Porém, qual seria o problema de cobiçar alguma coisa se não se pretende, de facto, sonegá-la ao seu proprietário? Querendo cobiçar significar querer para si o que não possui, desde quando é que isso quer dizer que se vá pôr a mão na propriedade privada do próximo? Seria mais logico que esta premissa estivesse incluida no não roubar, não como ideia autónoma, mas como uma especie de preliminar do acto de privar o alheio do uso da coisa.
Aqui, já estará a expressão alheio mais bem utilizada. Porque cobiçam-se, exactamente, as coisas dos outros, as coisas, os bens materiais, não as mulheres ( ou os homens ) vistas como uma mera propriedade.
Porém, qual seria o problema de cobiçar alguma coisa se não se pretende, de facto, sonegá-la ao seu proprietário? Querendo cobiçar significar querer para si o que não possui, desde quando é que isso quer dizer que se vá pôr a mão na propriedade privada do próximo? Seria mais logico que esta premissa estivesse incluida no não roubar, não como ideia autónoma, mas como uma especie de preliminar do acto de privar o alheio do uso da coisa.
O 10 Mandamentos - parte IX
Não cobiçar a mulher alheia
E o homem, pode-se? Podem as mulheres cobiçar o homem alheio? Não está escrito, em princípio, poder-se-á fazer, certo? O que não é proibido pode fazer-se, correcto? E porque não podem os homens cobiçar mulheres alheias? Então e se for o homem o alheio e a mulher livre, já se pode? E porque haverá discriminação neste capítulo, se homem e mulher são iguais? É de menor ou maior gravidade conforme a cobiça seja efectuada por homem ou mulher? É mais ou menos desculpável se for um homem ou uma mulher a fazê-lo? Porque será que se diz alheio? Alheio lembra que é de outra pessoa. Mas de outra pessoa, o que exactamente? A mulher? O homem? São mercadorias, bens, coisas que têm dono? Nunca devem ter ouvido falar em preencher conceitos indeterminados, com certeza ...
E o homem, pode-se? Podem as mulheres cobiçar o homem alheio? Não está escrito, em princípio, poder-se-á fazer, certo? O que não é proibido pode fazer-se, correcto? E porque não podem os homens cobiçar mulheres alheias? Então e se for o homem o alheio e a mulher livre, já se pode? E porque haverá discriminação neste capítulo, se homem e mulher são iguais? É de menor ou maior gravidade conforme a cobiça seja efectuada por homem ou mulher? É mais ou menos desculpável se for um homem ou uma mulher a fazê-lo? Porque será que se diz alheio? Alheio lembra que é de outra pessoa. Mas de outra pessoa, o que exactamente? A mulher? O homem? São mercadorias, bens, coisas que têm dono? Nunca devem ter ouvido falar em preencher conceitos indeterminados, com certeza ...
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
W.

Mesmo para quem ache que se trata de um documentário, desengane-se, nem é nem tem pretensão de ser.
Mas é bom, destaca-se por dar uma visão da presidência americana, não só de prismas a que o cidadão comum não tem acesso, como uma outra visão do homem, 43º Presidente dos Estados Unidos.
Recomenda-se.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
2635 Rio de Mouro
Para além de ser mesmo o código postal da zona, há que ter em conta e encher-se de um certo orgulho quando a terra natal é retratada. Seja em que situação for ...
domingo, 26 de outubro de 2008
Enfim ... Exposição Felina Mundial, Outra vez
sábado, 25 de outubro de 2008
XVII
Provavelmente, esta será das melhores músicas de amor alguma vez concebida. Se não for, anda lá perto, como tudo, depende, nada é unilateral nem unânime.
Diz tudo, porém. Tudo o que apraz dizer na data a celebrar, ela conta. Tudo o que se pode sentir, todos os dias, ela diz. Tudo o que pode existir, ela tem.
Porque nunca te perdi é dizer e sentir ao mesmo tempo que pára um mundo inteiro quando alguém aflora ao pensamento.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Porque Neva no Inferno
Esta música esteve para saltar cá para fora nos últimos dias. Não chegou antes porque já não havia memória de a haver postado ou não, de tal maneira que corre o andamento jurídico, ou pouco jurídico, dependendo da perspectiva, que já nem se encontra a gaveta da memória, se está cheia de asneiras e lixo, se está vazia ou com restos de coisa alguma.
Agora, fica aqui, independentemente de já ter descansado por estas paragens, com relevo para a ventania no cérebro despido e deserto do blogger.
Mesmo que o video mostre uma realidade negra, feiosa, vá, cheia de monstrinhos maus e meninas atrevidas que mandam missivas simpáticas ao adamastor que dali a um minuto as vai devorar, o final acaba por ser de esperança, e mostra que afinal os monstros também têm um ligeiro toque de complacência, compaixão e admiração por quem também os admira e se sacrifica por eles, como a senhora da animação.
Porém, a música em nada se coaduna com a imagem. A desilusão, a dor e angústia estão patentes, nos acordes, na voz, na letra.
Não há finais felizes. Não há salvamento da menina à última da hora por uma nova geração de príncipe encantado, monstro, à falta de melhor palavra usa-se a que já foi repetida vezes sem conta, não há nada melhor do que reforçar a ideia , se mal ficar mal permanece, não há salvação.
Chafurde-se, então. É essa a ideia subjacente.Ou não? Será antes o velho cá se fazem cá se pagam? Talvez. Mas de quem a escreveu, compôs, a quem lhe empresta a voz.
Não de quem a ouve, de quem a lê, de quem a sente. Há mais a ressalvar do que pratos que se servem frios, esses não se comem afinal, são mais enfiados pela goela abaixo a toda a força, para quê, não se podia pedir gentilmente, que será feito das boas maneiras. Também ninguém pede licença para lixar o próximo. Ninguém pede por favor antes de atazanar o juízo a alguém. Ninguém pede desculpa por ter pisado a alma. Ninguém faz sem querer, se o fazem é porque estão a mentir, querer quer-se sempre, o resultado é que pode calhar mais ao lado por azelhice do fazedor. Mas querer, quer-se sempre.
You did the trick
I didn't see it coming
I did not hear a sound
Though you were quick
I will not be forgiving
You won't be waiting for my return
I promise baby - You'll burn
Now it snows in hell
This is the day foretold till death do us apart
Now it snows in hell
I've gone away but I've got you in my heart
All frozen and scarred
Your life goes on
And it's infuriating
How did you not get caught
Your deed will spawn
A fate beyond your making
You won't be waiting for my return
I promise baby - You'll burn
Now it snows in hell - We're done masquerading
This is the day foretold till death do us apart
Now it snows in hell - No you won't be waiting
I've gone away but I've got you in my heart
All frozen and scarred
You shouldn't visit me at my grave
My hands will grab you through the dirt
I giveth - I taketh away
Witness my rebirth from the devils churn
Hell - We're done masquerading
This is the day foretold till death do us apart
Now it snows in hell - No you won't be waiting
I've gone away but I've got you in my heart
All frozen and scarred
Hell - We're done masquerading
This is the day foretold till death do us apart
Now it snows in hell - No you won't be waiting
I've gone away but I've got you in my heart
All frozen and scarred
It Snows In Hell, Lordi
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
O 10 Mandamentos - parte VII
Não levantar falsos testemunhos.
Que é como quem diz não-andes-para-aí-a-espalhar-o-que-te-contaram-ou-o-que-ouviste-dizer-porque-mais-tarde-ou-mais-cedo-toda-a gente-vai-saber-que-foste-tu-que-disseste-e-mesmo-que-não-o-tenhas-feito-passas-a-ter-sido.
Que é como quem diz não-andes-para-aí-a-espalhar-o-que-te-contaram-ou-o-que-ouviste-dizer-porque-mais-tarde-ou-mais-cedo-toda-a gente-vai-saber-que-foste-tu-que-disseste-e-mesmo-que-não-o-tenhas-feito-passas-a-ter-sido.
O 10 Mandamentos - parte VII
Não roubar.
Presume-se que se queira afinal dizer não roubar coisas. E quem rouba a paz de espirito, a inocência, a decência espiritual, a dignidade alheias, também peca?
Presume-se que se queira afinal dizer não roubar coisas. E quem rouba a paz de espirito, a inocência, a decência espiritual, a dignidade alheias, também peca?
O 10 Mandamentos - parte V
Não matar.
E ter vontade, conta como pecado? Há tanta gente que podia morrer atropelada por um camião, ou cair num buraco sem fundo, ou ir bater com a cara numa poça de ácido sulfúrico ... mesmo que nunca se vá passar à acção, até porque é crime e o cadastro é aborrecido. Mas a vontade está lá.
E ter vontade, conta como pecado? Há tanta gente que podia morrer atropelada por um camião, ou cair num buraco sem fundo, ou ir bater com a cara numa poça de ácido sulfúrico ... mesmo que nunca se vá passar à acção, até porque é crime e o cadastro é aborrecido. Mas a vontade está lá.
Os 10 Mandamentos - parte IV
Honrar pai e mãe.
Pois claro. Fazer por esquecer os conflitos geracionais e as ideias medievais que se tentam incutir nos filhos, à força. Fazer por esquecer quando eles não esquecem que nos sustentam ate bem tarde. Fazer por esquecer.
Pois claro. Fazer por esquecer os conflitos geracionais e as ideias medievais que se tentam incutir nos filhos, à força. Fazer por esquecer quando eles não esquecem que nos sustentam ate bem tarde. Fazer por esquecer.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
All Day Long
Acordar e ligar logo o rádio tem disto ; fica-se com as músicas permanentemente no ouvido e não há mais nada que saia da boca senão o trautear da dita melodia.
Ironicamente, a ideia que a música transmite acaba por passar da fantasia para o mundo real e de repente, com tudo de pantanas, começa a chover.
Só que ainda é Outubro.
Guns n'Roses, November Rain
sábado, 18 de outubro de 2008
Os 10 Mandamentos - parte III
Guardar domingos e festas santas
Isto toda a gente faz.
Para aqueles que não podem esfregar a barriga com azeite todos os outros dias da semana, adaptam a premissa no domingo e ficam na cama até o sol ir bem alto, comer o cozido à portuguesa da avó e passar o resto do dia em pijama em frente à televisão. Já os dias santos, apesar de o programa de festas ser o mesmo, acaba por ser diferente de alguma maneira ; aos domingos, ainda se sabe porque se fica em casa. Nos dias santos, duvida-se grandemente. Se já nos feriados se fica a descansar porque se comemora o aniversario de uma revolução qualquer, custará muito mais lembrar porque se tem direito a um descanso extra num dia santo. Tem-se e pronto, quem quer saber porque se tem folga da azáfama diária? É descanso, é de graça e acaba por aí a justificação.
Excepto no Natal, que as rabanadas e as prendas falam mais alto.
E na Páscoa, que se está em crise, não é altura de se andar a desperdiçar amêndoas.
Isto toda a gente faz.
Para aqueles que não podem esfregar a barriga com azeite todos os outros dias da semana, adaptam a premissa no domingo e ficam na cama até o sol ir bem alto, comer o cozido à portuguesa da avó e passar o resto do dia em pijama em frente à televisão. Já os dias santos, apesar de o programa de festas ser o mesmo, acaba por ser diferente de alguma maneira ; aos domingos, ainda se sabe porque se fica em casa. Nos dias santos, duvida-se grandemente. Se já nos feriados se fica a descansar porque se comemora o aniversario de uma revolução qualquer, custará muito mais lembrar porque se tem direito a um descanso extra num dia santo. Tem-se e pronto, quem quer saber porque se tem folga da azáfama diária? É descanso, é de graça e acaba por aí a justificação.
Excepto no Natal, que as rabanadas e as prendas falam mais alto.
E na Páscoa, que se está em crise, não é altura de se andar a desperdiçar amêndoas.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Lá Longe
As coisas que vêem à mente...
Neste caso, as músicas do arco da velha que saltam da arca bafienta que se tem debaixo da cama.
I hear the drums echoing tonight
But she hears only whispers of some quiet conversation
Shes coming in 12:30 flight
The moonlit wings reflect the stars that guide me towards salvation
I stopped an old man along the way
Hoping to find some long forgotten words or ancient melodies
He turned to me as if to say, hurry boy, its waiting there for you
Its gonna take a lot to drag me away from you
Theres nothing that a hundred men or more could ever do
I bless the rains down in africa
Gonna take some time to do the things we never had
The wild dogs cry out in the night
As they grow restless longing for some solitary company
I know that I must do whats right
Sure as kilimanjaro rises like olympus above the serengeti
I seek to cure whats deep inside, frightened of this thing that Ive become
Hurry boy, shes waiting there for you
Its gonna take a lot to drag me away from you
Theres nothing that a hundred men or more could ever do
I bless the rains down in africa, I bless the rains down in africa
I bless the rains down in africa, I bless the rains down in africa
I bless the rains down in africa
Gonna take some time to do the things we never had
Africa, Toto
Porque os anos 80 foram demais.
O 10 Mandamentos - parte II
Não invocar o santo nome de deus em vão
Invocar o nome de uma inexistência leva a pessoa por caminhos infernais, portanto. E invocar uma nulidade ou, quem sabe, uma anulabilidade, dá direito a penitencia?
Invocar o nome de uma inexistência leva a pessoa por caminhos infernais, portanto. E invocar uma nulidade ou, quem sabe, uma anulabilidade, dá direito a penitencia?
O 10 Mandamentos - parte I
Amar a deus sobre todas as coisas
Amar uma coisa que não existe, ou que existe para afastar os medos das pessoas, desprotegidas e sozinhas neste mundo desprovido de sentido, acima de tudo o resto, anulando a pessoa é das maiores manifestações de inteligência e evolução de pensamento. Ao pé disto, o período renascentista e o seu contributo para o crescimento da humanidade foi uma nódoa na história, uma época que é necessário apagar não só dos livros, como das mentes.
Amar uma coisa que não existe, ou que existe para afastar os medos das pessoas, desprotegidas e sozinhas neste mundo desprovido de sentido, acima de tudo o resto, anulando a pessoa é das maiores manifestações de inteligência e evolução de pensamento. Ao pé disto, o período renascentista e o seu contributo para o crescimento da humanidade foi uma nódoa na história, uma época que é necessário apagar não só dos livros, como das mentes.
Já que insistem ...

Este senhor é sexy. Pelo menos, na fotografia, parece. Ou será que quer parecer?
Não há certeza nesta matéria, mas o facto é que dá vontade de dizer que ele é, de facto, sexy. O olhar, a expressão facial, a pose, tudo respira sensualidade.
Afinal, o Orçamento de Estado para 2009 é maravilhoso, bem pensado, forte para combater a crise internacional, cheio de aspectos fantásticos, com tantos rebuçadinhos para todos os quadrantes da sociedade, principalmente para os habituais pagadores das crises, com tantos afagos à carteira do contribuinte e do pobre cidadão comum, com medidas espectaculares para que ninguém se esqueça em quem votar nas próximas eleições. Perdão, isto não era para dizer, era suposto ser a mensagem subliminar. Estragou-se a surpresa.
Por isso é que este senhor é sexy. Consegue fazer uma obra orçamental, defendê-la como se não houvesse amanhã um vendaval de crise que pudesse arruinar as suas previsões e o seu trabalho tão precioso e bem feito, e ainda manter a pose, sem nunca resvalar para as politiquices que aí vêm com as eleições vindouras.
Sexy, não?
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
A melhor banda do Mundo
Shine on you crazy diamond, Pink Floyd
Porque hoje começa o mundo a girar de novo.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Quem Quer Fotocópias?
Diz-se por aí que uma entidade toda poderosa de fiscalização e zelo pelas condições de segurança, higiene e legalidade para protecção do cidadão comum, veio numa fúria e fechou uma casinha de copiar folhas, num estabelecimento de ensino superior em Lisboa.
Diz-se, ninguém tem a certeza, podem ser apenas boatos ; mas é muito mais fixe chegar a casa e dizer : “ A coisa das fotocópias foi fechada pela ASAE “, dá um ar de importância e transmite a ideia de que se passam grandes coisas, do que praguejar “ Sorte a minha, que está fechado por motivos de força maior ”, que era o que dizia no aviso improvisado na porta.
Já para não falar na comicidade e ironia da situação, uma escola onde se ensinam valores que regem o ordenamento, onde se ensina o funcionamento da judicatura que se quer livre de corrompimentos e fraudes, é exactamente a mesma escola que tem nas suas entranhas um poço de fazer asneiras e defraudar os direitos de autor .
Obviamente, a legalidade e a sua defesa têm que ser assegurados e tal, defende-se o consumidor, o cidadão e também contribuinte, que não deve ser lesado, nem lesado pode ser também o Estado. Pois claro. Esqueceu-se ainda dos pobres estudantes, que recorrem as fraudes para não irem morar para baixo da ponte porque gastaram tudo em livros dos quais só precisam de saber 20 ou 30 páginas no seu todo. Havia que proteger quem precisa de poupar e por isso manda fotocopiar livros ; disso ninguém se lembra. Mas, enfim, há que defender a legalidade.
Onde está a legalidade? Deve ter fugido com a ironia, que jorra ilegalidade a potes no local onde se ensina o basilar das pretensões do amanhã.
Diz-se, ninguém tem a certeza, podem ser apenas boatos ; mas é muito mais fixe chegar a casa e dizer : “ A coisa das fotocópias foi fechada pela ASAE “, dá um ar de importância e transmite a ideia de que se passam grandes coisas, do que praguejar “ Sorte a minha, que está fechado por motivos de força maior ”, que era o que dizia no aviso improvisado na porta.
Já para não falar na comicidade e ironia da situação, uma escola onde se ensinam valores que regem o ordenamento, onde se ensina o funcionamento da judicatura que se quer livre de corrompimentos e fraudes, é exactamente a mesma escola que tem nas suas entranhas um poço de fazer asneiras e defraudar os direitos de autor .
Obviamente, a legalidade e a sua defesa têm que ser assegurados e tal, defende-se o consumidor, o cidadão e também contribuinte, que não deve ser lesado, nem lesado pode ser também o Estado. Pois claro. Esqueceu-se ainda dos pobres estudantes, que recorrem as fraudes para não irem morar para baixo da ponte porque gastaram tudo em livros dos quais só precisam de saber 20 ou 30 páginas no seu todo. Havia que proteger quem precisa de poupar e por isso manda fotocopiar livros ; disso ninguém se lembra. Mas, enfim, há que defender a legalidade.
Onde está a legalidade? Deve ter fugido com a ironia, que jorra ilegalidade a potes no local onde se ensina o basilar das pretensões do amanhã.
Uma Teoria Qualquer ...
Quem chora porque é traído, magoado, trapaceado, alvo de intrigas, deslealdades, perfídias e aleivosias, vai fazer o mesmo aos outros?
Aparentemente. Porque a susceptibilidade de sofrer desaires só serve quando o vendaval vem de fora. Dentro, as coisas são substancialmente diferentes.
Faz-se tudo e quem vem atrás que feche a porta, que importa, não será?
É a velha ( ou nem por isso, mas não por isso menos verdadeira ) teoria do umbigo ; quando são os outros a fazer, quem leva com as consequências é pobrezinho, desgraçado, miserável. Quando é o próprio a exercitar as mesmas actividades no próximo, pode-se porque se ascendeu ao nível da burguesia, arrogante e cheia de vento.
Aparentemente. Porque a susceptibilidade de sofrer desaires só serve quando o vendaval vem de fora. Dentro, as coisas são substancialmente diferentes.
Faz-se tudo e quem vem atrás que feche a porta, que importa, não será?
É a velha ( ou nem por isso, mas não por isso menos verdadeira ) teoria do umbigo ; quando são os outros a fazer, quem leva com as consequências é pobrezinho, desgraçado, miserável. Quando é o próprio a exercitar as mesmas actividades no próximo, pode-se porque se ascendeu ao nível da burguesia, arrogante e cheia de vento.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Anátema
O coração é um músculo, situado no peito do ser humano, ladeado pelos pulmões e protegido por um conjunto de ossos, que serve para bombear o sangue para todo o corpo.
É associado a uma espécie de central de produção de sentimentos, depósito de emoções e fábrica de pensamentos, mesmo sabendo que tudo se passa num outro órgão, situado na extremidade superior do corpo humano que, esse sim, é o centro de tudo.
Porém, e seguindo uma lógica romântica, a imagem de que o coração é o centro da actividade emocional mantém-se. Até porque ajuda a manter a aura de mistério à volta de aspectos que nem sempre se compreendem ; assim, quando as emoções vindas do cérebro são mal entendidas, mal explicadas ou vem tomar um rumo inexplicável e inesperado, para o qual não se encontram motivos, é tão mais fácil chutar a explicação para o campo do coração, que tem razões que a razão desconhece, do que estar a perder horas de sono, tão precioso, a tentar descortinar a essência da coisa. Fica, então, explicado porque se continua a falar em coração como processador único de emoções, acções e pensamentos, como se a ciência não tivesse evoluído e descoberto as reacções químicas e eléctrodos dos neurónios no cérebro.
É compreensível que ainda se associe ao coração a centralidade emocional ; afinal, ele é o primeiro a dar de si quando alguma coisa sucede, ele é o primeiro a sentir o que o cérebro constrói, ele é o primeiro a bater mais depressa nalgum facto acontecente mais agudo, seja de que natureza for. Pode não ser a origem do sentimento, do pensamento, do arrepio, mas é o alvo, o epicentro, o local do acidente quando os factos acontecem. E por tudo lá se dar, o coração é um órgão sensível.
Sensível às mudanças, às palavras, aos gestos e comportamentos, às pessoas, aos factos, à historia, ao futuro, às mentiras, às omissões, às trapaças e faltas de chá, alheias e próprias. Sensível a todas estas circunstâncias, e as que mais existirem, é o órgão, que mesmo passados 1000 anos da idade medieval, continua a ser de alguma forma responsável por tudo o que vem do cérebro e não pode ou não consegue ser racionalizado.
Porém, o estúpido, sensível a tudo o que lhe possam fazer, e que chora anos a fio por coisas que passariam melhor se fossem relativizadas, e que precisa de milhares de curativos para se refazer de arranhões que deixarão, inevitavelmente, cicatrizes, mesmo assim, dá-se ao luxo de, de quando em vez, mudar a rota sem dar cavaco ao portador, deixando-o miserável com as indicações contraditórias recebidas.
De repente, dá-se uma ventania e acaba-se a paz ; vá de mudar o caminho, a perspectiva, os gostos, as pessoas, as vistas, e segue como se nada fosse, como se ainda não há dois segundos tivesse vindo de outro sitio a milhares de km de distancia. Dá-lhe uma inspiração e lá vai, contente da vida, andar por caminhos de cabras quando tem uma auto-estrada disponível, a preferir correr atras do porco quando tem costeletas no supermercado, a andar descalço quando tem sapatos.
E segue o seu rumo sem mais olhar para trás, danando-se o dono, que tem um cérebro funcionante que sabe os perigos que têm os caminhos íngremes e secundários, que tem consciência de que o porco pode não ter sido sujeito a controlo sanitário, que tem conhecimento que andar descalço na rua é doloroso.
No entanto, nada pode fazer ; assim é e assim caminha, sem justificações.
Traidor.
É associado a uma espécie de central de produção de sentimentos, depósito de emoções e fábrica de pensamentos, mesmo sabendo que tudo se passa num outro órgão, situado na extremidade superior do corpo humano que, esse sim, é o centro de tudo.
Porém, e seguindo uma lógica romântica, a imagem de que o coração é o centro da actividade emocional mantém-se. Até porque ajuda a manter a aura de mistério à volta de aspectos que nem sempre se compreendem ; assim, quando as emoções vindas do cérebro são mal entendidas, mal explicadas ou vem tomar um rumo inexplicável e inesperado, para o qual não se encontram motivos, é tão mais fácil chutar a explicação para o campo do coração, que tem razões que a razão desconhece, do que estar a perder horas de sono, tão precioso, a tentar descortinar a essência da coisa. Fica, então, explicado porque se continua a falar em coração como processador único de emoções, acções e pensamentos, como se a ciência não tivesse evoluído e descoberto as reacções químicas e eléctrodos dos neurónios no cérebro.
É compreensível que ainda se associe ao coração a centralidade emocional ; afinal, ele é o primeiro a dar de si quando alguma coisa sucede, ele é o primeiro a sentir o que o cérebro constrói, ele é o primeiro a bater mais depressa nalgum facto acontecente mais agudo, seja de que natureza for. Pode não ser a origem do sentimento, do pensamento, do arrepio, mas é o alvo, o epicentro, o local do acidente quando os factos acontecem. E por tudo lá se dar, o coração é um órgão sensível.
Sensível às mudanças, às palavras, aos gestos e comportamentos, às pessoas, aos factos, à historia, ao futuro, às mentiras, às omissões, às trapaças e faltas de chá, alheias e próprias. Sensível a todas estas circunstâncias, e as que mais existirem, é o órgão, que mesmo passados 1000 anos da idade medieval, continua a ser de alguma forma responsável por tudo o que vem do cérebro e não pode ou não consegue ser racionalizado.
Porém, o estúpido, sensível a tudo o que lhe possam fazer, e que chora anos a fio por coisas que passariam melhor se fossem relativizadas, e que precisa de milhares de curativos para se refazer de arranhões que deixarão, inevitavelmente, cicatrizes, mesmo assim, dá-se ao luxo de, de quando em vez, mudar a rota sem dar cavaco ao portador, deixando-o miserável com as indicações contraditórias recebidas.
De repente, dá-se uma ventania e acaba-se a paz ; vá de mudar o caminho, a perspectiva, os gostos, as pessoas, as vistas, e segue como se nada fosse, como se ainda não há dois segundos tivesse vindo de outro sitio a milhares de km de distancia. Dá-lhe uma inspiração e lá vai, contente da vida, andar por caminhos de cabras quando tem uma auto-estrada disponível, a preferir correr atras do porco quando tem costeletas no supermercado, a andar descalço quando tem sapatos.
E segue o seu rumo sem mais olhar para trás, danando-se o dono, que tem um cérebro funcionante que sabe os perigos que têm os caminhos íngremes e secundários, que tem consciência de que o porco pode não ter sido sujeito a controlo sanitário, que tem conhecimento que andar descalço na rua é doloroso.
No entanto, nada pode fazer ; assim é e assim caminha, sem justificações.
Traidor.
domingo, 12 de outubro de 2008
Swanheart
All those beautiful people
I want to have them all
All those porcelain models
If only I could make them fall
Be my heart a well of love
Flowing free so far above
A wintry eve
Once upon a tale
An Ugly Duckling
Lost in a verse
Of a sparrow's carol
Dreaming the stars
Be my heart a well of love
Flowing free so far above
In my world
Love is for poets
Never the famous balcony scene
Just a dying faith
On a heaven's gate
Crystal pond awaits the lorn
Tonight another morn for the lonely one is born
Tuomas Holopainen, Nightwish
I want to have them all
All those porcelain models
If only I could make them fall
Be my heart a well of love
Flowing free so far above
A wintry eve
Once upon a tale
An Ugly Duckling
Lost in a verse
Of a sparrow's carol
Dreaming the stars
Be my heart a well of love
Flowing free so far above
In my world
Love is for poets
Never the famous balcony scene
Just a dying faith
On a heaven's gate
Crystal pond awaits the lorn
Tonight another morn for the lonely one is born
Tuomas Holopainen, Nightwish
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Will Walk Alone
Fare thee well, little broken heart
Downcast eyes, lifetime loneliness
Whatever walks in my heart will walk alone
Constant longing for the perfect soul
Unwashed scenery forever gone
No love left in me
No eyes to see the heaven beside me
My time is yet to come
So I'll be forever yours
Porque é que tudo o que a música lembra faz sentido? Todo o sentido do mundo?
A salientar mesmo a melodia e todo o travo a desespero que emana dela. Perdoe-se a fraca qualidade do video ( é o que há ).
Mein Herz schlägt nicht mehr weiter
Uma força para-popular tem o costume de dizer que existem 3 coisas na vida de uma mulher : a mala, os sapatos e a melhor amiga.
Conclusões sobre a futilidade plantada na frase à parte, apetece dizer que para além da estupidez crónica estampada, não só em quem em inventou, como também a mesma estupidez de quem pega nela e a comenta para o povo e as crianças verem, apetece mesmo mandar vir.
Apetece dizer que, assim como os chapéus, malas há muitas e são verdadeiramente importantes quando se tem alguma coisa para lá guardar, senão um saco de compras serve muito bem.
Apetece dizer que sapatos são uma perdição, um vício, investimento enorme em objectos que têm como objectivo primordial serem arrastados pelo chão, pisando toda a espécie de porcaria. Gasta-se uma fortuna em coisinhas tão giras, que encaixam perfeitamente nas extremidades inferiores do corpo, como se nunca de lá tivessem saído, para depois levá-los por caminhos sinuosos e estradas de terra batida, cheios de lama e lixo, gastar a sua linda cor e formato em andanças de todos os dias, sem nada para contar a não ser os riscos no verniz, que ficam como cicatrizes, para lembrar ao dono os trambolhões que já deu. Ou então, sapatos que se compram para usar uma vez na vida e ficam a encher-se de pó numa caixa que nunca mais verá a luz do dia, no fundo do armário, desperdiçando o dinheiro gasto e o tempo bom que poderiam ter passado nos pés de quem, por uma vez, corria o trilho do sol.
Apetece ainda dizer que a melhor amiga é fraude eufemística. Se algum dia existiu, morreu algures, não se sabe bem onde. E quem veio para lhe tomar o lugar, também se esqueceu de qualquer coisa num sítio longínquo e voltou atrás para a ir buscar.
De maneira que o caminho que se trilha é com saco de compras sem nada lá dentro, com uns sapatos lindos no meio do entulho e sem ninguém para fazer companhia, porque antes andar contra o vento sozinho do que passear alegremente entre plantas carnívoras.
Os acessórios de moda e a pessoa amiga não fazem a vida de mulher alguma. Quer dizer, em alguma medida, até podem fazer, mas mesmo existindo e tendo a importância que se lhe quiser dar, não contam como existência fulcral.
Falta o essencial que não cabe na mala, nem ajudam a estrada a ser menos acidentada, nem fazem conversa de confidencia e confiança com ninguem. Ou é suposto estes 3 elementos trazerem o essencial? Não seria isso reduzir a vida de uma pessoa a um espectro de futilidade? Onde fica o resto, no meio desta premissa descabida, em que nada mais cabe senão o que se tem na mão, nos pés e ao lado? E para quem caminha num trilho que não este, qual é a alternativa para a estacão?
Sem querer ocupar o lugar de quem se entretenha a pensar longamente sobre as circunstâncias da vida feminina e a parir frases tão eruditas como esta, diria que as 3 coisas na vida de uma mulher se resumem a uma só : paz de espírito.
Porque a paz de espírito enche uma mala inteira e nunca pesa no ombro.
Porque a paz de espírito permite manter os sapatos limpos durante a travessia dolorosa e desgastante.
Porque a paz de espírito substitui por milhões de vezes a presença de outra pessoa.
E porque, depois de chegar a paz de espirito, há mais tempo e disposição para apreciar a mala, sapatos e a conversa com amigos.
Conclusões sobre a futilidade plantada na frase à parte, apetece dizer que para além da estupidez crónica estampada, não só em quem em inventou, como também a mesma estupidez de quem pega nela e a comenta para o povo e as crianças verem, apetece mesmo mandar vir.
Apetece dizer que, assim como os chapéus, malas há muitas e são verdadeiramente importantes quando se tem alguma coisa para lá guardar, senão um saco de compras serve muito bem.
Apetece dizer que sapatos são uma perdição, um vício, investimento enorme em objectos que têm como objectivo primordial serem arrastados pelo chão, pisando toda a espécie de porcaria. Gasta-se uma fortuna em coisinhas tão giras, que encaixam perfeitamente nas extremidades inferiores do corpo, como se nunca de lá tivessem saído, para depois levá-los por caminhos sinuosos e estradas de terra batida, cheios de lama e lixo, gastar a sua linda cor e formato em andanças de todos os dias, sem nada para contar a não ser os riscos no verniz, que ficam como cicatrizes, para lembrar ao dono os trambolhões que já deu. Ou então, sapatos que se compram para usar uma vez na vida e ficam a encher-se de pó numa caixa que nunca mais verá a luz do dia, no fundo do armário, desperdiçando o dinheiro gasto e o tempo bom que poderiam ter passado nos pés de quem, por uma vez, corria o trilho do sol.
Apetece ainda dizer que a melhor amiga é fraude eufemística. Se algum dia existiu, morreu algures, não se sabe bem onde. E quem veio para lhe tomar o lugar, também se esqueceu de qualquer coisa num sítio longínquo e voltou atrás para a ir buscar.
De maneira que o caminho que se trilha é com saco de compras sem nada lá dentro, com uns sapatos lindos no meio do entulho e sem ninguém para fazer companhia, porque antes andar contra o vento sozinho do que passear alegremente entre plantas carnívoras.
Os acessórios de moda e a pessoa amiga não fazem a vida de mulher alguma. Quer dizer, em alguma medida, até podem fazer, mas mesmo existindo e tendo a importância que se lhe quiser dar, não contam como existência fulcral.
Falta o essencial que não cabe na mala, nem ajudam a estrada a ser menos acidentada, nem fazem conversa de confidencia e confiança com ninguem. Ou é suposto estes 3 elementos trazerem o essencial? Não seria isso reduzir a vida de uma pessoa a um espectro de futilidade? Onde fica o resto, no meio desta premissa descabida, em que nada mais cabe senão o que se tem na mão, nos pés e ao lado? E para quem caminha num trilho que não este, qual é a alternativa para a estacão?
Sem querer ocupar o lugar de quem se entretenha a pensar longamente sobre as circunstâncias da vida feminina e a parir frases tão eruditas como esta, diria que as 3 coisas na vida de uma mulher se resumem a uma só : paz de espírito.
Porque a paz de espírito enche uma mala inteira e nunca pesa no ombro.
Porque a paz de espírito permite manter os sapatos limpos durante a travessia dolorosa e desgastante.
Porque a paz de espírito substitui por milhões de vezes a presença de outra pessoa.
E porque, depois de chegar a paz de espirito, há mais tempo e disposição para apreciar a mala, sapatos e a conversa com amigos.
O que diz a Avózinha
Verdades inelutáveis e absolutas, incontornáveis e fiéis a si mesmas, dogmas e frases feitas relativamente à natureza dos homens, no sentido global, claro está, são o tipo de coisas que toda a vida se ouvem dizer sem nunca verdadeiramente se fazerem fé nelas. O que quer que se lhe queira chamar a estas verdades, premissas, frases feitas, bojardas, filosofias, o que é certo é que existem. Assim como a língua mãe é rica em provérbios e dizeres afins carregados de sabedoria, mesmo que ninguem os use, desgraçadamente seriamos todos muito mais felizes se seguíssemos as popularidade, ninguem roubava, matava ou espirrava para cima do vizinho sem partir uma quantidade de bilhas que vão à fonte e lá ficam e infortúnios semelhantes que o disparate comanda, proliferam as ditas verdades sem que ninguem se lembre delas.
Ouvir a avózinha dizer para ter cuidado com os velhos que levam os meninos nos sacos não é tão mentira quanto isso. Escutar a mãe falar dos rapazes maus como demónios negros que saltam a cada esquina para maltratar as meninas inocentes também não foge à verdade. Ou mesmo o paizinho que avisa o filhote como as mulheres conseguem ser todas umas grandes mafiosas que guiam os homens à loucura também não deixa nada a faltar aos factos que existem. Quantas vezes foram proferidos estes dizeres? E quantas vezes são ouvidos?
A bem da dita verdade, não são ouvidas de todo. Porque o mundo é um lugar de filha-da-putice, são todos uns bodes e vêm encher a vida dos outros de miséria e desalento. Porque as mães e pais deste mundo, por melhor que tratem os filhos, nunca deixam de os avisar para o pior que a vida traz ; faz parte da educação destruir as ilusões infantis para as substituir por premissas de desilusão.
Ainda se admiram, as almas inocentes, por estar o mundo cheio de trafulhices e gente imprestável. Deviam estar com certeza a comprar pão e bolinhos quando se deram as importantes lições de vida. E ainda se admiram, mesmo depois de crescer.
E qual seria a conclusão a tirar da descoberta negra e destroçadora de corações? Impermeabilizar a alma e a mente para protecção contra tais situações? Contorná-las com a sabedoria de quem aprende e apreende? Evitar pessoas e momentos que possam trazer dissabores futuros?
Assim não será.
Há que ser sacana para tapar a sacanice. Há que ser tão malvado quanta a maldade impressa nas acções do outro. Há que fazer igual, porque somos todos iguais e a igualdade, entre outros, é dos princípios basilares de tudo. Há que sacanear em primeiro lugar antes que o próximo venha com diligencias maldosas. Há que ser mais papista que o papa. Há que ter menos escrúpulos que os resto do mundo.
Assim será.
Ouvir a avózinha dizer para ter cuidado com os velhos que levam os meninos nos sacos não é tão mentira quanto isso. Escutar a mãe falar dos rapazes maus como demónios negros que saltam a cada esquina para maltratar as meninas inocentes também não foge à verdade. Ou mesmo o paizinho que avisa o filhote como as mulheres conseguem ser todas umas grandes mafiosas que guiam os homens à loucura também não deixa nada a faltar aos factos que existem. Quantas vezes foram proferidos estes dizeres? E quantas vezes são ouvidos?
A bem da dita verdade, não são ouvidas de todo. Porque o mundo é um lugar de filha-da-putice, são todos uns bodes e vêm encher a vida dos outros de miséria e desalento. Porque as mães e pais deste mundo, por melhor que tratem os filhos, nunca deixam de os avisar para o pior que a vida traz ; faz parte da educação destruir as ilusões infantis para as substituir por premissas de desilusão.
Ainda se admiram, as almas inocentes, por estar o mundo cheio de trafulhices e gente imprestável. Deviam estar com certeza a comprar pão e bolinhos quando se deram as importantes lições de vida. E ainda se admiram, mesmo depois de crescer.
E qual seria a conclusão a tirar da descoberta negra e destroçadora de corações? Impermeabilizar a alma e a mente para protecção contra tais situações? Contorná-las com a sabedoria de quem aprende e apreende? Evitar pessoas e momentos que possam trazer dissabores futuros?
Assim não será.
Há que ser sacana para tapar a sacanice. Há que ser tão malvado quanta a maldade impressa nas acções do outro. Há que fazer igual, porque somos todos iguais e a igualdade, entre outros, é dos princípios basilares de tudo. Há que sacanear em primeiro lugar antes que o próximo venha com diligencias maldosas. Há que ser mais papista que o papa. Há que ter menos escrúpulos que os resto do mundo.
Assim será.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Eva
Já não me consigo lembrar se postei esta música em tempos idos ou não. Não interessa.
Releva agora que sentia saudades de a ter por perto.
Naqueles dias em que anda tudo virado ao contrário, Mr. Holopainen faz milagres. Nem sei como é possível viver sem isto. Hoje é claramente exemplo disso.
domingo, 5 de outubro de 2008
sábado, 4 de outubro de 2008
Novidade
Há que atender ao grande regresso dos Metallica. Voltando às raízes, voltam no melhor estilo.
The Day That Never Comes, Metallica
In Nomine Dei
Meus filhos, procriai sem restrições, dizem as mais altas entidades religiosas. A restrição faz mal ao espírito, à mente e ao corpo. Restrições ao que é natural ao ser humano trazem infortúnios pecaminosos, quebram o que é inerente ao ser natural humano, não deixam que as moléculas hormonais, desenfreadas e saltitonas, façam o seu dever de trazer mais gente ao mundo.
Os impedimentos artificiais não permitem que os homens ( na acepção global da palavra, entenda-se ) cumpram a sua função. Não permitem que haja o genuíno desenvolvimento da espécie, não permitem que se cumpram os desígnios para os quais fomos criados, não permitem a criação, desenvolvimento, a evolução do amor.
Sim, porque amor, meus filhos, é não existirem barreiras entre o presente e o futuro, entre o que somos e o que estamos predestinados a fazer.
Amor é não ter cuidado nenhum e deixar proliferar as doenças que nos passaram as aulas de formação cívica a dizer para tomar atenção e tomar precauções. Amor é deixar a natureza à sua vontade e criar bactérias nos corpos alheios para que tomemos o caminho da não restrição à família. Amor é ter criancinhas aos montes, educadas no espírito do segue o caminho do bem e não uses profilácticos. Amor é deixar que as doenças graves, que não terão cura senão daqui a umas gerações, proliferem alegremente nas pessoas, deixando milhares sem qualidade de vida, com estigmas sociais e vidas miseráveis porque seguiram o caminho do natural. Amor é deixar de usar artificialidades e subsequentemente marcar uma geração de mães e pais solteiros. Porque a moralidade e a vida espiritual assim o exigem.
Moral da historia : este é o século XXI, real, verdadeiro.
O século em que as preocupações sobre outras coisas que não os cuidados de saúde e vida sexual saudável deixam de ter lugar para abrir caminho para o obscurantismo. Este é o século em que as trevas ainda têm lugar. E qual é a solução para quem não quer quebrar a regra do artificialismo? Abstinência? Moralidade falsa? Sexo por telepatia?
E que tal falar do amor, não como forma de pecado, de desvio ao caminho do que quer que se queira chamar bem, mas como forma universal de linguagem? Uma linguagem responsável, em que todos têm um papel a cumprir, em que todos terão o dever de zelar pela saúde de cada um, de todos? Que tal falar no amor natural, ele sim, mas amor naturalmente protegido, responsável, cuidado? Porque não falar abertamente do amor já com a componente protecção incluído, que num mundo perfeito, uma coisa não seria separada da outra?
Que tal falar da família, que tanto se quer proteger e estimar, que tanto se pretende valorizar e estimular, com o incentivo da vontade própria, do que é espontâneo, mas informado, esclarecido, iluminado para a realidade?
Era bom, não?
Os impedimentos artificiais não permitem que os homens ( na acepção global da palavra, entenda-se ) cumpram a sua função. Não permitem que haja o genuíno desenvolvimento da espécie, não permitem que se cumpram os desígnios para os quais fomos criados, não permitem a criação, desenvolvimento, a evolução do amor.
Sim, porque amor, meus filhos, é não existirem barreiras entre o presente e o futuro, entre o que somos e o que estamos predestinados a fazer.
Amor é não ter cuidado nenhum e deixar proliferar as doenças que nos passaram as aulas de formação cívica a dizer para tomar atenção e tomar precauções. Amor é deixar a natureza à sua vontade e criar bactérias nos corpos alheios para que tomemos o caminho da não restrição à família. Amor é ter criancinhas aos montes, educadas no espírito do segue o caminho do bem e não uses profilácticos. Amor é deixar que as doenças graves, que não terão cura senão daqui a umas gerações, proliferem alegremente nas pessoas, deixando milhares sem qualidade de vida, com estigmas sociais e vidas miseráveis porque seguiram o caminho do natural. Amor é deixar de usar artificialidades e subsequentemente marcar uma geração de mães e pais solteiros. Porque a moralidade e a vida espiritual assim o exigem.
Moral da historia : este é o século XXI, real, verdadeiro.
O século em que as preocupações sobre outras coisas que não os cuidados de saúde e vida sexual saudável deixam de ter lugar para abrir caminho para o obscurantismo. Este é o século em que as trevas ainda têm lugar. E qual é a solução para quem não quer quebrar a regra do artificialismo? Abstinência? Moralidade falsa? Sexo por telepatia?
E que tal falar do amor, não como forma de pecado, de desvio ao caminho do que quer que se queira chamar bem, mas como forma universal de linguagem? Uma linguagem responsável, em que todos têm um papel a cumprir, em que todos terão o dever de zelar pela saúde de cada um, de todos? Que tal falar no amor natural, ele sim, mas amor naturalmente protegido, responsável, cuidado? Porque não falar abertamente do amor já com a componente protecção incluído, que num mundo perfeito, uma coisa não seria separada da outra?
Que tal falar da família, que tanto se quer proteger e estimar, que tanto se pretende valorizar e estimular, com o incentivo da vontade própria, do que é espontâneo, mas informado, esclarecido, iluminado para a realidade?
Era bom, não?
Por Outro Lado ...
Justiça seja feita, não é tão mau assim.
Afinal, o país de fascistas camuflados, que vão vivendo de alegres recordações de vidas honestas e asseadas num outro tempo em que tudo era delicioso porque ninguém abria a boca sem ir parar ao Tarrafal, ainda acorda para a vida e julga as acções de meninos maus que gostam de brincar às confrarias de violência e intolerância.
Para quem está por dentro das andanças da Judicatura, confessa-se um pouquinho mais interessado pelo direito penal que faz maravilhas a defender os valores democráticos e de uma sociedade que se quer livre e esclarecida em todas as circunstâncias. Obviamente que os visados não podiam deixar de se considerar perseguidos por uma corja dita maçónica que os persegue com um pau pela rua fora e lhes chama nomes feios.
Por estes lados, crê-se que se ensinou hoje uma lição de enorme valor, em que as palavras bonitas da Lei Fundamental deixaram de ser enfeite para serem trazidas ao palco da actividade real.
Afinal, o país de fascistas camuflados, que vão vivendo de alegres recordações de vidas honestas e asseadas num outro tempo em que tudo era delicioso porque ninguém abria a boca sem ir parar ao Tarrafal, ainda acorda para a vida e julga as acções de meninos maus que gostam de brincar às confrarias de violência e intolerância.
Para quem está por dentro das andanças da Judicatura, confessa-se um pouquinho mais interessado pelo direito penal que faz maravilhas a defender os valores democráticos e de uma sociedade que se quer livre e esclarecida em todas as circunstâncias. Obviamente que os visados não podiam deixar de se considerar perseguidos por uma corja dita maçónica que os persegue com um pau pela rua fora e lhes chama nomes feios.
Por estes lados, crê-se que se ensinou hoje uma lição de enorme valor, em que as palavras bonitas da Lei Fundamental deixaram de ser enfeite para serem trazidas ao palco da actividade real.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
O Tempo da Outra Senhora
Levanta-se uma criança inocente cedo da sua caminha, nos confins do mundo, para se dirigir ao Antro que tantas vezes a desgostou, pensado que nada mais a surpreenderia num universo atroz e velhaco.
E convicta de que mais nada estaria para vir num espaço em que o tudo pode acontecer é uma verdade absoluta, eis que surge no horizonte um aglomerado de artefactos,mesmo no meio de uma instituição, de si propícia a desaires políticos, pedagógicos e emocionais para os que o frequentam, objectos esses alvo da curiosidade da dita inocente infante.
Qual não seria o espanto, mesmo de quem tudo espera debaixo do tecto que a abriga, quando, chegando mais próximo do conjunto para melhor reparar no que os seus olhos míopes lhe diziam, se depara com um singelo mas não menos digno altar de adoração à figura do último Presidente do Conselho do Estado Novo.
E nada lhe faltava. Um velho lenço bordado, gasto pelo tempo e pelas mãos que o tocaram cobre uma cadeira, onde repousa um quadro com a fotografia do senhor dos óculos de aros de tartaruga, que deve ter ficado bem presente na memória daqueles que tinham idade para assistir ao Conversas em Família, aos domingos à noite, num tempo em que a televisão não conhecia filmes de ficção cientifica ou programas de entretenimento dedicados à dança. Junto à fotografia do professor, uma pequeno texto de agradecimento e louvor ao mesmo, feito pelo simples mas de boa memória, pelos vistos, senhor idoso que se arruma a um canto a vender fotocópias de um tempo há muito ido, onde se enaltece todas as qualidades do tirano, perdão, estadista, sem nunca deixar de fora as imagens imensas de santos, mártires e outros da mesma espécie, como que a iluminar o caminho no além de tão conhecida figura.
Criança tola, que confiara nas glórias da Democracia moderna e no Estado de Direito do seu país nos últimos 34 anos para fazer esquecer os negros anos de obscurantismo e atentados ao livre pensamento, sente-se aturdida e precisa rapidamente de um balde de café e uns quantos pauzinhos daqueles que se acendem na extremidade e se puxa o ar, carregado de substancias bronzeadoras de pulmões, para recuperar.
Então, e as maravilhas do mundo de pensamento livre, do sistema jurídico tão bem organizado e estruturado, que tanto trabalho dá a estudar e a perceber, das leis justas e iguais, o livrinho azul, tão bonito e com ideias brilhantes, que seria suposto ser perfeito e superior a todos os outros actos normativos, onde fica, se há gente que, afinal, sente a falta do tempo da outra senhora, em que tudo era limpo, pobre, honesto, trabalhador? Onde fica a ideologia e a vontade de ser melhor com um novo sistema? Julgarão que a confusão que existiu na madrugada de dia 25 de Abril foi uma grande festa porque nesse dia ninguém queria ir trabalhar? Miudinha insolente, a censurar as ideias os outros, afinal quem é que não deixa expressar quem?
Não é questão de liberdade de expressão, ou de ideias próprias de cada um, ou a quem queiram agradecer por uma vida submissa e triste. Não é censura, o Estado de Direito é como o deus de alguns, tudo permite e tudo perdoa, porque é superior a tudo, a todos ama, e na diversidade reside a riqueza.
É porque é assim que se acaba com a inocência de alguém. E ninguem vê. Passam pelo templo improvisado e nem reparam no que realmente lá está. E ninguem se mostra surpreendido.
Deve ser normal sentir falta de quem nos bate.
E convicta de que mais nada estaria para vir num espaço em que o tudo pode acontecer é uma verdade absoluta, eis que surge no horizonte um aglomerado de artefactos,mesmo no meio de uma instituição, de si propícia a desaires políticos, pedagógicos e emocionais para os que o frequentam, objectos esses alvo da curiosidade da dita inocente infante.
Qual não seria o espanto, mesmo de quem tudo espera debaixo do tecto que a abriga, quando, chegando mais próximo do conjunto para melhor reparar no que os seus olhos míopes lhe diziam, se depara com um singelo mas não menos digno altar de adoração à figura do último Presidente do Conselho do Estado Novo.
E nada lhe faltava. Um velho lenço bordado, gasto pelo tempo e pelas mãos que o tocaram cobre uma cadeira, onde repousa um quadro com a fotografia do senhor dos óculos de aros de tartaruga, que deve ter ficado bem presente na memória daqueles que tinham idade para assistir ao Conversas em Família, aos domingos à noite, num tempo em que a televisão não conhecia filmes de ficção cientifica ou programas de entretenimento dedicados à dança. Junto à fotografia do professor, uma pequeno texto de agradecimento e louvor ao mesmo, feito pelo simples mas de boa memória, pelos vistos, senhor idoso que se arruma a um canto a vender fotocópias de um tempo há muito ido, onde se enaltece todas as qualidades do tirano, perdão, estadista, sem nunca deixar de fora as imagens imensas de santos, mártires e outros da mesma espécie, como que a iluminar o caminho no além de tão conhecida figura.
Criança tola, que confiara nas glórias da Democracia moderna e no Estado de Direito do seu país nos últimos 34 anos para fazer esquecer os negros anos de obscurantismo e atentados ao livre pensamento, sente-se aturdida e precisa rapidamente de um balde de café e uns quantos pauzinhos daqueles que se acendem na extremidade e se puxa o ar, carregado de substancias bronzeadoras de pulmões, para recuperar.
Então, e as maravilhas do mundo de pensamento livre, do sistema jurídico tão bem organizado e estruturado, que tanto trabalho dá a estudar e a perceber, das leis justas e iguais, o livrinho azul, tão bonito e com ideias brilhantes, que seria suposto ser perfeito e superior a todos os outros actos normativos, onde fica, se há gente que, afinal, sente a falta do tempo da outra senhora, em que tudo era limpo, pobre, honesto, trabalhador? Onde fica a ideologia e a vontade de ser melhor com um novo sistema? Julgarão que a confusão que existiu na madrugada de dia 25 de Abril foi uma grande festa porque nesse dia ninguém queria ir trabalhar? Miudinha insolente, a censurar as ideias os outros, afinal quem é que não deixa expressar quem?
Não é questão de liberdade de expressão, ou de ideias próprias de cada um, ou a quem queiram agradecer por uma vida submissa e triste. Não é censura, o Estado de Direito é como o deus de alguns, tudo permite e tudo perdoa, porque é superior a tudo, a todos ama, e na diversidade reside a riqueza.
É porque é assim que se acaba com a inocência de alguém. E ninguem vê. Passam pelo templo improvisado e nem reparam no que realmente lá está. E ninguem se mostra surpreendido.
Deve ser normal sentir falta de quem nos bate.
Res Nullius
Nada de novo se passa no reino da humilde mas honesta humanidade.
A estagnação veio para ficar, e exceptuando as oscilações do mercado de valores e o colapso ( pelo menos aparente ) do sistema financeiro americano, as formigas agitam-se na sua azáfama diária, também designada rotina, sem levantar a cabeça do chão, sem aliviarem o peso das costas. O sol faz companhia, entrecortado por farrapos de nuvem que passam depressa ao sabor do vento.
E nada se passa no mundinho pobre mas honrado dos homens.
E o que sucede, quando, de facto, nada há de novo?
Inventa-se, claro está.
Não há mais nada para fazer, constatação repetitiva.
As mentes fervilhantes de imaginação e brilhantismo arranjam ocupações igualmente belas para as mãozinhas e o cérebro com actividades também elas nobres e engraçadas como tudo. Isto porque andar por aí a fazer a vida negra aos outros, a ser cínico, sacana e mesquinho já está muito visto. Importa inovar, criar e usar a imaginação. Ter ideias giras e espalhá-las ao redor é notável. Espalhar a inteligência, mostrar que se é brilhante em tudo o que se toca, mostrar que se vai mais longe que a maioria é extraordinário, sendo uma capacidade rara.
Mas isso de ser fora de série também já vai sendo corriqueiro. Há que ser estrondoso e estúpido simultaneamente.
Estúpido não, que tira a piada toda ao sentido das palavras, as já escritas e as por escrever. Manhoso. Irritante. Pedante. Maniento. Ser brilhante não chega ; há que estar envolvido em inúmeras façanhas e actividades diversas, não só para mostrar habilidade e versatilidade. Há que passear alegremente pelas ruas do saber mostrando aos restantes mortais que se há alguém capaz de ter um cérebro suficientemente prodigioso para abarcar tanta informação, não será com certeza o Terceiro Estado da intelectualidade. Estúpido, agora sim.
E assim se volta à velha, mas sempre fiel máxima da mesquinhez e vida de cão que se dá ao próximo, que nunca deixa de ser verdade.
Andará o mundo, afinal, tão estagnado? Tão adormecido das maleitas provocadas por quem nele habita?
Na parte financeira, ninguém dorme há já vários dias.
No resto, nasceram a dormir.
A estagnação veio para ficar, e exceptuando as oscilações do mercado de valores e o colapso ( pelo menos aparente ) do sistema financeiro americano, as formigas agitam-se na sua azáfama diária, também designada rotina, sem levantar a cabeça do chão, sem aliviarem o peso das costas. O sol faz companhia, entrecortado por farrapos de nuvem que passam depressa ao sabor do vento.
E nada se passa no mundinho pobre mas honrado dos homens.
E o que sucede, quando, de facto, nada há de novo?
Inventa-se, claro está.
Não há mais nada para fazer, constatação repetitiva.
As mentes fervilhantes de imaginação e brilhantismo arranjam ocupações igualmente belas para as mãozinhas e o cérebro com actividades também elas nobres e engraçadas como tudo. Isto porque andar por aí a fazer a vida negra aos outros, a ser cínico, sacana e mesquinho já está muito visto. Importa inovar, criar e usar a imaginação. Ter ideias giras e espalhá-las ao redor é notável. Espalhar a inteligência, mostrar que se é brilhante em tudo o que se toca, mostrar que se vai mais longe que a maioria é extraordinário, sendo uma capacidade rara.
Mas isso de ser fora de série também já vai sendo corriqueiro. Há que ser estrondoso e estúpido simultaneamente.
Estúpido não, que tira a piada toda ao sentido das palavras, as já escritas e as por escrever. Manhoso. Irritante. Pedante. Maniento. Ser brilhante não chega ; há que estar envolvido em inúmeras façanhas e actividades diversas, não só para mostrar habilidade e versatilidade. Há que passear alegremente pelas ruas do saber mostrando aos restantes mortais que se há alguém capaz de ter um cérebro suficientemente prodigioso para abarcar tanta informação, não será com certeza o Terceiro Estado da intelectualidade. Estúpido, agora sim.
E assim se volta à velha, mas sempre fiel máxima da mesquinhez e vida de cão que se dá ao próximo, que nunca deixa de ser verdade.
Andará o mundo, afinal, tão estagnado? Tão adormecido das maleitas provocadas por quem nele habita?
Na parte financeira, ninguém dorme há já vários dias.
No resto, nasceram a dormir.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Requiem
Siegfried
Há que salientar a noite de ontem, que jamais sairá da mente de quem a viveu.
Teatro Nacional de S.Carlos, com a continuação da tetralogia de Richard Wagner, apresentou em estreia Siegfried.
Extraordinário.
A originalidade do encenador, Graham Vick, já conhecida superou-se mais uma vez. Em todas as vezes.
Incrível.
Refrescantemente original.
Resplandecente.
E a música, bailando ao som dos gestos sábios do maestro, junta-se às vozes, poderosas, possantes, infinitas, que atravessam a sala, enchendo todo o espaço de uma luz sem nome.
A voz ...

Susan Bullock
AS
Teatro Nacional de S.Carlos, com a continuação da tetralogia de Richard Wagner, apresentou em estreia Siegfried.
Extraordinário.
A originalidade do encenador, Graham Vick, já conhecida superou-se mais uma vez. Em todas as vezes.
Incrível.
Refrescantemente original.
Resplandecente.
E a música, bailando ao som dos gestos sábios do maestro, junta-se às vozes, poderosas, possantes, infinitas, que atravessam a sala, enchendo todo o espaço de uma luz sem nome.
A voz ...

Susan Bullock
AS
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
XVI
Porque hoje como há cerca de 480 dias, mais ou menos, ainda tenho menos palavras para descrever.
Obrigado seria demasiado redutor.
Palavras afectuosas demonstram muito pouco.
Gestos nunca são suficientes.
Murmúrios inesquecíveis num semáforo que abre sao indescritíveis.
AS
Obrigado seria demasiado redutor.
Palavras afectuosas demonstram muito pouco.
Gestos nunca são suficientes.
Murmúrios inesquecíveis num semáforo que abre sao indescritíveis.
AS
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Note to Self
Lembrar de lavar as mãos depois de se andar a perseguir formigas com químicos poderosos, antes de pôr os dedos nas lentes de contacto que se levam aos olhos.
Lembrar de comprar um extintor de tamanho médio, para ter sempre à mão na mala, para apagar incêndios nos comboios.
Ter um spray com cheirinho para passar na roupa e no cabelo para não cheirar o dia todo a comboio sub-urbano na chapa.
Ler sempre as críticas dos filmes a que se vai assistir, e resistir ao impulso da pseudo-intelectualidade de os ir ver quando a duração do filme ultrapassa a hora e meia só porque são europeus.
Levar almofada quando se vai ver tais amostras de 7ª arte.
Não maldizer a sorte antes do dia acabar, pode sempre piorar.
Não adormecer de phones nos ouvidos no transporte público se não se quiser ter um pica a demonstrar as suas habilidades de soprano na parte do dito ouvido que se encontra descoberto.
Ter sempre paciência para esperar em filas e fazer orelhas moucas às pessoas por detrás de um balcão num instituto ligado à saúde. Coitadas das criaturas, o salário não deve chegar para tirar o que devem ter enfiado nas partes traseiras do corpo...
Fechar a boca quando se tem vontade de dizer alarvidades.
AS
Lembrar de comprar um extintor de tamanho médio, para ter sempre à mão na mala, para apagar incêndios nos comboios.
Ter um spray com cheirinho para passar na roupa e no cabelo para não cheirar o dia todo a comboio sub-urbano na chapa.
Ler sempre as críticas dos filmes a que se vai assistir, e resistir ao impulso da pseudo-intelectualidade de os ir ver quando a duração do filme ultrapassa a hora e meia só porque são europeus.
Levar almofada quando se vai ver tais amostras de 7ª arte.
Não maldizer a sorte antes do dia acabar, pode sempre piorar.
Não adormecer de phones nos ouvidos no transporte público se não se quiser ter um pica a demonstrar as suas habilidades de soprano na parte do dito ouvido que se encontra descoberto.
Ter sempre paciência para esperar em filas e fazer orelhas moucas às pessoas por detrás de um balcão num instituto ligado à saúde. Coitadas das criaturas, o salário não deve chegar para tirar o que devem ter enfiado nas partes traseiras do corpo...
Fechar a boca quando se tem vontade de dizer alarvidades.
AS
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
A Dança da Lua
Haja música, que a música existe para encher os corações de boas emoções.
Haja música, que faz esquecer o mundo cinzento que envolve quem canta.
Haja música, que a música não tem atrasos, nem salas sobrelotadas, nm professores ainda de férias, nem secretarias com falta de vontade de trabalhar.
Haja música, e música genial, como esta, que sai das mãos de quem não é deste mundo. Por isso é que é tão boa.
Moondance, Nightwish
AS
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Da que se lhes espera ...
Bem...
Não era bem isto qu se esperava...
Afinal, o que vem a ser isto?
Um começo de aulas num Antro público. Não que o público seja mau, mas há que ter em conta que os inícios são sempre atribulados.
Aulas que é bom ( não, nem por isso ), nem vê-las, professores devem ainda constar de férias, serviços administrativos ... enfim, apetece-me usar aquela sigla que se usa nos infinitos universos da conversação online, dita LOL, creio que expressa bem o significado.
Uns que vão, outros que voltam. É a rotina no seu quase-melhor.
Não há saudades nenhumas.
AS
Não era bem isto qu se esperava...
Afinal, o que vem a ser isto?
Um começo de aulas num Antro público. Não que o público seja mau, mas há que ter em conta que os inícios são sempre atribulados.
Aulas que é bom ( não, nem por isso ), nem vê-las, professores devem ainda constar de férias, serviços administrativos ... enfim, apetece-me usar aquela sigla que se usa nos infinitos universos da conversação online, dita LOL, creio que expressa bem o significado.
Uns que vão, outros que voltam. É a rotina no seu quase-melhor.
Não há saudades nenhumas.
AS
domingo, 14 de setembro de 2008
Back On Track
De nada adiantam lamúrias, choros, gritos de tristeza e pesar.
O regresso é inevitável.
Esmaga a realidade.
Atravessa o tempo.
Está mesmo à porta.
Sinto-me um viajante qualquer, numa estrada qualquer, sem destino certo, como aqueles filmes americanos idiotas, de vidas solitárias e vinganças guardadas num bolso, juntamente com um lenço ranhoso.
As malas estão feitas, deixa-se para trás uma paz temporária.
Há que regressar. De qualquer maneira.
AS
O regresso é inevitável.
Esmaga a realidade.
Atravessa o tempo.
Está mesmo à porta.
Sinto-me um viajante qualquer, numa estrada qualquer, sem destino certo, como aqueles filmes americanos idiotas, de vidas solitárias e vinganças guardadas num bolso, juntamente com um lenço ranhoso.
As malas estão feitas, deixa-se para trás uma paz temporária.
Há que regressar. De qualquer maneira.
AS
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Mais Uma ...
Esta a verdadeira, a essencial.
São 15.
Que seja o dobro, o triplo, o infinito. Em anos. Em vidas.
AS
São 15.
Que seja o dobro, o triplo, o infinito. Em anos. Em vidas.
AS
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
E Vivam as Medalhas II
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
E Vivam as Medalhas
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Para lá dos Montes ... Literalmente
Em quantos momentos estiveram presentes?
Quantas vezes trauteei estas músicas, dias e dias a fio?
Quantas vezes me lembro da genialidade implícita?
Não tem conta.
Boas Férias.
AS
Live To Tell The Tale
Sectores da vida humana os há que contabilizam a passagem e a contagem dos anos não pelo método dito normal de começar o ano a 1 de Janeiro e terminar a 31 de Dezembro. Para alguns, o ano começa em meados de Setembro, mesmo Outubro, e acaba lá para o verão com paragens a meio para as festividades próprias. Há um buraco entre o verão e os meados de Setembro em que se tenta esquecer o que se passou no que não é o ano civil, mas outra forma de ano qualquer. E em Setembro volta-se para um início que só se deseja que acabe. E assim se vai passando o tempo, entre os anos que não terminam com o reveillon.
Hoje é o último dia do ano.
Acabam-se todas as tormentas, todos os invernos, todas as primaveras chuvosas. Começa o fosso do descanso que dura até ao outono e que vale por tudo, para esquecer as alturas invernosas. Este foi um ano, ou um semi ano, ou o que quer que seja, atípico. Encontros e desencontros, desilusões, traições, desenganos. Ficou o essencial, o melhor, a chuva lavou o que sobrava de ruínas que se foram amontoando, de outras épocas, de outros anos atípicos. Do que partiu não há saudade, dos amargos de boca só sobram um ligeiro travo desagradável. Não há saudades.
Hoje é o ultimo dia do ano.
E o ano que acaba não tem 12 meses, só 9 ou 10. o que cá estava foi-se embora, sem deixar rasto, sem deixar memória, sem história. Mas ficou o que era importante. Realmente importante.
Passou mais um ano. Chega a altura do fosso temporal ; fora com as filosofias e conclusões profundas.
Sobreviveu-se.
AS
Hoje é o último dia do ano.
Acabam-se todas as tormentas, todos os invernos, todas as primaveras chuvosas. Começa o fosso do descanso que dura até ao outono e que vale por tudo, para esquecer as alturas invernosas. Este foi um ano, ou um semi ano, ou o que quer que seja, atípico. Encontros e desencontros, desilusões, traições, desenganos. Ficou o essencial, o melhor, a chuva lavou o que sobrava de ruínas que se foram amontoando, de outras épocas, de outros anos atípicos. Do que partiu não há saudade, dos amargos de boca só sobram um ligeiro travo desagradável. Não há saudades.
Hoje é o ultimo dia do ano.
E o ano que acaba não tem 12 meses, só 9 ou 10. o que cá estava foi-se embora, sem deixar rasto, sem deixar memória, sem história. Mas ficou o que era importante. Realmente importante.
Passou mais um ano. Chega a altura do fosso temporal ; fora com as filosofias e conclusões profundas.
Sobreviveu-se.
AS
sábado, 26 de julho de 2008
A Falta do Dito
Os problemas da humanidade são vários e de vária ordem. Porém, e mesmo que todos fossem enumerados por ordem de importância e gravidade, o que sempre sobressairia seria a falta de chá. E com isto não se quer dizer que faltam as saquetazinhas com ervas, ou os potes coloridos com ervinhas migadas, ou mesmo que há falta de cafetarias a servir a dita beberagem.
A falta de chá, como conceito abstracto e, quem sabe, também indeterminado, pode ser preenchido com todo o universo de características que tornam o ser humano completamente execrável, como a mesquinhez, o egoísmo, a vontade de esborrachar semelhantes, a surdez, a estupidez crónica, a eterna mania de sabedoria inalcançável, a vontade de não fazer nenhum e esperar que caia do céu, a incongruência, a violência, a chico-espertice, a imundice, a sacanice, a filha-da-putice e tudo o que termine em –ice que queira significar o mesmo que vontade de esborrachar semelhantes.
Talvez a tal vontade de esborrachar semelhantes fosse o que melhor define a humanidade e o seu carácter com falta de originalidade, de tão estúpido que é. Mas, a bem da verdade, se se for a ver bem, ter vontade de partir o próximo em pecas nada é comparado com despedaçar, de facto, e seja de que maneira for, o gajo do lado ; ter vontade, ainda é como o outro, pensamentos pouco cor de rosa, por assim dizer, assassinos todos temos e não será por isso que tudo vai parar ao inferno com um letreiro na testa com os dizeres “Eu tenho falta de chá” – e daí, talvez seria uma boa hipótese a colocar ...
O fazer já tem o seu que de actividade superior em relação ao pensar ; já requer um pensamento e subsequentes actos de execução mais refinados. Não deixa de ser uma falta de chá. Andar aqui por andar e, não contente com semelhante façanha, ainda há que arquitectar qualquer coisinha para ver se o outro tropeça e cai numa ramagem de urtigas.
Assim, caminha a humanidade, triste e prisioneira da sua própria natureza infame. A falta de chá acompanha-a sempre, para onde quer que se desloque, juntamente com tudo o que falta de chá quer dizer. No fundo, a falta de chá, associada, entre outros, à vontade de apertar o gasganete a alguém vem do comportamento infantil de querer o que os outros querem e têm. As crianças fazem isso a toda a hora, porque querem o chupa que o puto ranhoso do lado tem, porque querem a boneca que não sei quem tem, porque o fulano tem mais manteiga no pão que eu, porque ele tem e eu não, porque ele tem e não tem nada que ter. A falta de chá começa em tenra idade ; prolonga-se ao longo da vida marcando com as suas tenazes quentes tudo o que se faz, nunca desaparecendo com a velhice e o aproximar da morte.
Já se tem falta de chá em criança, nunca mais se vai deixar de a ter. A maior e pior das maleitas afecta o ser humano desde a idade petiz. Sem cura possível.
Até porque as crianças não gostam, normalmente, de chá.
AS
A falta de chá, como conceito abstracto e, quem sabe, também indeterminado, pode ser preenchido com todo o universo de características que tornam o ser humano completamente execrável, como a mesquinhez, o egoísmo, a vontade de esborrachar semelhantes, a surdez, a estupidez crónica, a eterna mania de sabedoria inalcançável, a vontade de não fazer nenhum e esperar que caia do céu, a incongruência, a violência, a chico-espertice, a imundice, a sacanice, a filha-da-putice e tudo o que termine em –ice que queira significar o mesmo que vontade de esborrachar semelhantes.
Talvez a tal vontade de esborrachar semelhantes fosse o que melhor define a humanidade e o seu carácter com falta de originalidade, de tão estúpido que é. Mas, a bem da verdade, se se for a ver bem, ter vontade de partir o próximo em pecas nada é comparado com despedaçar, de facto, e seja de que maneira for, o gajo do lado ; ter vontade, ainda é como o outro, pensamentos pouco cor de rosa, por assim dizer, assassinos todos temos e não será por isso que tudo vai parar ao inferno com um letreiro na testa com os dizeres “Eu tenho falta de chá” – e daí, talvez seria uma boa hipótese a colocar ...
O fazer já tem o seu que de actividade superior em relação ao pensar ; já requer um pensamento e subsequentes actos de execução mais refinados. Não deixa de ser uma falta de chá. Andar aqui por andar e, não contente com semelhante façanha, ainda há que arquitectar qualquer coisinha para ver se o outro tropeça e cai numa ramagem de urtigas.
Assim, caminha a humanidade, triste e prisioneira da sua própria natureza infame. A falta de chá acompanha-a sempre, para onde quer que se desloque, juntamente com tudo o que falta de chá quer dizer. No fundo, a falta de chá, associada, entre outros, à vontade de apertar o gasganete a alguém vem do comportamento infantil de querer o que os outros querem e têm. As crianças fazem isso a toda a hora, porque querem o chupa que o puto ranhoso do lado tem, porque querem a boneca que não sei quem tem, porque o fulano tem mais manteiga no pão que eu, porque ele tem e eu não, porque ele tem e não tem nada que ter. A falta de chá começa em tenra idade ; prolonga-se ao longo da vida marcando com as suas tenazes quentes tudo o que se faz, nunca desaparecendo com a velhice e o aproximar da morte.
Já se tem falta de chá em criança, nunca mais se vai deixar de a ter. A maior e pior das maleitas afecta o ser humano desde a idade petiz. Sem cura possível.
Até porque as crianças não gostam, normalmente, de chá.
AS
sexta-feira, 25 de julho de 2008
XIV
Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sómente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,
Está no pensamento como ideia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.
Luís de Camões
Em tanto já se disse uma imensidão. Nunca se diz tudo, mas para quem nunca soube bem descrever o que tinha dentro, por falta de palavras que signifiquem tão grande acontecimento, tão grande sentimento, tão grande existência, alguma coisa haverá. Mais que não seja citar alguém que seja verdadeiramente genial.
Porque é essa a verdadeira essência de se ser genial, é ter sempre o mais indicado escrito e sempre adaptado ao que se vive. É o caso.
Porque o que existe já é de tal forma esplendoroso que só descrito por quem é genial.
AS
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sómente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,
Está no pensamento como ideia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.
Luís de Camões
Em tanto já se disse uma imensidão. Nunca se diz tudo, mas para quem nunca soube bem descrever o que tinha dentro, por falta de palavras que signifiquem tão grande acontecimento, tão grande sentimento, tão grande existência, alguma coisa haverá. Mais que não seja citar alguém que seja verdadeiramente genial.
Porque é essa a verdadeira essência de se ser genial, é ter sempre o mais indicado escrito e sempre adaptado ao que se vive. É o caso.
Porque o que existe já é de tal forma esplendoroso que só descrito por quem é genial.
AS
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Incontornável
Na terra das gentes que têm a mania de dar notinhas a quem os avalia, à laia de tomem lá para ver o que dói, ui que somos todos tão maus, há fenómenos, no verdadeiro sentido da palavra.
Como, senhores, pode um monstro aterrorizador de criancinhas inocentes, que nunca na sua vida soube o que era ser acarinhado por uma mãe, nem amado por um humano que tome banho, pode ter tanta cotação no meio de quem trucida e vilipendia todos os dias???????????????
Ah e tal, chumbou-me, as aulas deles são uma autêntica inquisição, e acho que ele quer que toda a gente baixe a cabeça quando passa no corredor, e ainda disse que eu era reaccionário porque acho que o nascituro não tem tutela, mas até é fixe, e coiso...
Parece que é típico das avós dizerem que o mundo se encontra perdido. A minha diria o mesmo.
Não é possível discordar.
AS
Como, senhores, pode um monstro aterrorizador de criancinhas inocentes, que nunca na sua vida soube o que era ser acarinhado por uma mãe, nem amado por um humano que tome banho, pode ter tanta cotação no meio de quem trucida e vilipendia todos os dias???????????????
Ah e tal, chumbou-me, as aulas deles são uma autêntica inquisição, e acho que ele quer que toda a gente baixe a cabeça quando passa no corredor, e ainda disse que eu era reaccionário porque acho que o nascituro não tem tutela, mas até é fixe, e coiso...
Parece que é típico das avós dizerem que o mundo se encontra perdido. A minha diria o mesmo.
Não é possível discordar.
AS
Quando o mundo vai ver Morcegos ...
quarta-feira, 23 de julho de 2008
quarta-feira, 16 de julho de 2008
O Nada de Coisa Nenhuma
- Porquê?
- Não sei responder.
- Se calhar merecia.
- É possível.
- Não sei dizer o que fiz mal.
- É normal, ninguém sabe.
- Queria saber.
- Mas não podes. Contenta-te com o que podes e sabes. Talvez se te tivesses mantido fiel a esta premissa, não estarias assim.
- Assim como?
- Com angústias sobre os porquês. Saberias logo.
- Saberia logo o quê?
- Que não se deve dar um passo maior que a perna.
- Que quer isso dizer?
- Se não tinhas condições, para que te foste propôr a um desafio maior que tu?
- Queria tentar.
- Mas tentar o quê? Tentavas coisas que podias fazer, e não utopias, já não tens idade para as ter.
- Pensei que podia.
- Pensaste mal. Não há tentativas para a normalidade, nem superação do que é medíocre.
- Eu sou medíocre?
- Creio já ter respondido a isso, mesmo que não directamente.
- Sou medíocre, portanto.
- Só de capacidade, de aspirações estás muito acima desse nível.
- Achei que conseguia, pensei que podia dar resultado, dar frutos. Parecia tão fácil...
- Mas já viste que não é, e já devias ter aprendido essa lição anteriormente. Não há facilidades ; ou sabes, e logo, podes, ou simplesmente, podes e não precisas de saber. E tu, nem uma coisa nem outra. Não tens o que é preciso.
- E que sabes tu do que tenho ou deixo de ter?
- Sei mais do que julgas.
- Pois eu acho que não sabes.
- Pois eu acho que sei. Vejo-te todos os dias, há muitos anos. Conheço-te.
- Não sei se conheces.
- Sei que não estás à altura, é só.
- E que sabes tu, afinal? És só um espelho.
- Enganas-te. Não sou só um espelho. Sou mais que isso, sou um reflexo, de ti. Sou o que tu és, o que fazes, ao fim e ao cabo, sou tu.
- Um eu que está convencido que sabe muito, e se afinal eu sou medíocre e nada sei, para nada sirvo, diz-me lá como pode um eu que nada sabe saber tanto afinal.
- Não disse que sabia tudo. Isso não sei.
- Para que serves, afinal? Só para maldizer?
- Se quiseres ver dessa perspectiva ...
- Não és grande ajuda. De facto, não és ajuda de todo.
- Tenho varias aplicações, mas parece-me que ajudar não é uma delas. Mas há mais coisas para fazer do que ficar um dia inteiro a falar com o reflexo no espelho.
- Vai-te foder.
- Como queiras. Mas não querias saber porquê?
- Porquê o quê?
- Não perguntaste porquê ainda há minutos?
- Sim, perguntei. Já me sabes responder?
- Não. Afinal sou só um espelho.
AS
- Não sei responder.
- Se calhar merecia.
- É possível.
- Não sei dizer o que fiz mal.
- É normal, ninguém sabe.
- Queria saber.
- Mas não podes. Contenta-te com o que podes e sabes. Talvez se te tivesses mantido fiel a esta premissa, não estarias assim.
- Assim como?
- Com angústias sobre os porquês. Saberias logo.
- Saberia logo o quê?
- Que não se deve dar um passo maior que a perna.
- Que quer isso dizer?
- Se não tinhas condições, para que te foste propôr a um desafio maior que tu?
- Queria tentar.
- Mas tentar o quê? Tentavas coisas que podias fazer, e não utopias, já não tens idade para as ter.
- Pensei que podia.
- Pensaste mal. Não há tentativas para a normalidade, nem superação do que é medíocre.
- Eu sou medíocre?
- Creio já ter respondido a isso, mesmo que não directamente.
- Sou medíocre, portanto.
- Só de capacidade, de aspirações estás muito acima desse nível.
- Achei que conseguia, pensei que podia dar resultado, dar frutos. Parecia tão fácil...
- Mas já viste que não é, e já devias ter aprendido essa lição anteriormente. Não há facilidades ; ou sabes, e logo, podes, ou simplesmente, podes e não precisas de saber. E tu, nem uma coisa nem outra. Não tens o que é preciso.
- E que sabes tu do que tenho ou deixo de ter?
- Sei mais do que julgas.
- Pois eu acho que não sabes.
- Pois eu acho que sei. Vejo-te todos os dias, há muitos anos. Conheço-te.
- Não sei se conheces.
- Sei que não estás à altura, é só.
- E que sabes tu, afinal? És só um espelho.
- Enganas-te. Não sou só um espelho. Sou mais que isso, sou um reflexo, de ti. Sou o que tu és, o que fazes, ao fim e ao cabo, sou tu.
- Um eu que está convencido que sabe muito, e se afinal eu sou medíocre e nada sei, para nada sirvo, diz-me lá como pode um eu que nada sabe saber tanto afinal.
- Não disse que sabia tudo. Isso não sei.
- Para que serves, afinal? Só para maldizer?
- Se quiseres ver dessa perspectiva ...
- Não és grande ajuda. De facto, não és ajuda de todo.
- Tenho varias aplicações, mas parece-me que ajudar não é uma delas. Mas há mais coisas para fazer do que ficar um dia inteiro a falar com o reflexo no espelho.
- Vai-te foder.
- Como queiras. Mas não querias saber porquê?
- Porquê o quê?
- Não perguntaste porquê ainda há minutos?
- Sim, perguntei. Já me sabes responder?
- Não. Afinal sou só um espelho.
AS
Etiquetas:
Lado Contrário do Espelho
Na Mesma
E chega um homem, apressado pelas escadas acima, de pasta na mão. Tem na mão uma folha com nomes, que vai lendo, como se anunciasse os números dos porquinhos que vão ser abatidos no matadouro para fazerem deles todas as espécies de iguarias.
É feio, o homem, mirrado, pequeno, de olhos deformados, encaixados atrás de uns óculos ridículos que tentam mostrar alguma modernidade e espirito fashion a quem não o tem.
É pequeno, o homem, as calças compridas demais fazem foles à volta dos tornozelos antes de caírem em cima dos sapatos. E aqueles óculos ... Por detrás deles, estão olhos que só vêem, nem observam, nem vislumbram nada, apenas limitam-se a derramar as suas enormes e demoníacas pestanas nas linhas do papel. Sem nunca as ver, de facto.
E os leitõezinhos entram, um a um. Saem como se nada fosse, iguais ao que eram antes de entrar. Só não sabem é que já não levam as entranhas, foi-lhes tudo extraído, indolor e suavemente. Sem darem conta.
Lá dentro, na sala da matança, um calor infernal. Uma cadeira e uma mesa, umas folhas de papel, livros de pontas gastas. E o homem com uma faca castanha, que não é faca, mas sim caneta, vai fazendo perguntas sem pestanejar os olhos demoníacos. E aqueles óculos ...
E no fim, vai o homem com o mesmo papel, falar do que fez aos leitõezinhos. No fim é que se percebe como a caneta se transformou em foice e esventrou os estômago cor de rosa, e fez o sangue escorrer mesa abaixo, formando um rio de quilómetros.
E os porquinhos saem de lá, cor de rosa como sempre. Mas sem nada lá dentro.
Aqueles olhos, aqueles óculos, ficam como se nada fosse. O vermelho do sangue reflectem-se neles, ou então talvez não seja isso, talvez o brilho vermelho lá tenha estado sempre, só que ninguem o viu antes, até àquela hora.
E vai-se embora o homem.
Ficam os leitões a olharem estupidamente uns para os outros, cor de rosa e com os focinhos estúpidos a farejarem em volta.
Mas o homem já lá não está. Foi subir a bainha das calças.
É feio, o homem, mirrado, pequeno, de olhos deformados, encaixados atrás de uns óculos ridículos que tentam mostrar alguma modernidade e espirito fashion a quem não o tem.
É pequeno, o homem, as calças compridas demais fazem foles à volta dos tornozelos antes de caírem em cima dos sapatos. E aqueles óculos ... Por detrás deles, estão olhos que só vêem, nem observam, nem vislumbram nada, apenas limitam-se a derramar as suas enormes e demoníacas pestanas nas linhas do papel. Sem nunca as ver, de facto.
E os leitõezinhos entram, um a um. Saem como se nada fosse, iguais ao que eram antes de entrar. Só não sabem é que já não levam as entranhas, foi-lhes tudo extraído, indolor e suavemente. Sem darem conta.
Lá dentro, na sala da matança, um calor infernal. Uma cadeira e uma mesa, umas folhas de papel, livros de pontas gastas. E o homem com uma faca castanha, que não é faca, mas sim caneta, vai fazendo perguntas sem pestanejar os olhos demoníacos. E aqueles óculos ...
E no fim, vai o homem com o mesmo papel, falar do que fez aos leitõezinhos. No fim é que se percebe como a caneta se transformou em foice e esventrou os estômago cor de rosa, e fez o sangue escorrer mesa abaixo, formando um rio de quilómetros.
E os porquinhos saem de lá, cor de rosa como sempre. Mas sem nada lá dentro.
Aqueles olhos, aqueles óculos, ficam como se nada fosse. O vermelho do sangue reflectem-se neles, ou então talvez não seja isso, talvez o brilho vermelho lá tenha estado sempre, só que ninguem o viu antes, até àquela hora.
E vai-se embora o homem.
Ficam os leitões a olharem estupidamente uns para os outros, cor de rosa e com os focinhos estúpidos a farejarem em volta.
Mas o homem já lá não está. Foi subir a bainha das calças.
AS
sábado, 12 de julho de 2008
O que diz a Perfeição
Nem tudo é perfeito, mas ...
Por mais que se tente nem sempre existem videos condicentes com a música que se quer ouvir, ou pelo menos, videos "originais", por assim dizer, feitos pela banda para a música... da banda.
Andei com esta música no ouvido tantos dias, não podia deixar de a colocar em destaque, tinha de ser, tinha, de alguma forma, de lhe dar relevo.
Interessa, acima de tudo, a melodia.
Porque é perfeita.
Who's there knocking at my window?
The owl and the Dead Boy
This night whispers my name
All the dying children
Virgin snow beneath my feet
Painting the world in white
I tread the way and lose myself into a tale
Come hell or high water
My search will go on
Clayborn Voyage without an end
A nightingale in a golden cage
That's me locked inside reality's maze
Come someone make my heavy heart light
Come undone, bring me back to life
It all starts with a lullaby
Journey homeward bound
A sound of a dolphin calling
Tearing off the mask of man
The tower, my sole guide
This is who I am
Escapist, paradise seeker
Farewell, now time to fly
Out of sight, out of time, away from all lies
A nightingale in a golden cage
That's me locked inside reality's maze
Come someone make my heavy heart light
Come undone, bring me back to life
It all starts with a lullaby
Nightwish, The Escapist
AS
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Pratinho Meu
Há gente que nunca abandona quem lhe é fiel. É o caso, aplica-se plena e completamente.
Porque se há dias difíceis, há músicas inesquecéveis, que fazem tudo ir com o vento.
AS
O Dano
Justificar a violência domestica como efeito dramático de estado alucinogénio provocado pelo vinho, ou como frustração porque o Benfica perde, é coisa que já vai passando de moda.
Primeiro, porque quem anda bêbedo anda na sua, quem é curtir a telha que leva, quer lá saber de quem vive na mesma casa. Depois, porque o futebol avermelhado anda mal de saúde há alguns anos a esta parte, infelizmente, se me perguntarem.
Mas, e deixando de comentários pouco idóneos, nem por isso o problema desaparece da realidade de muita gente. Não se trata apenas de umas ligeiras bofas que vão e vêm, que é o cúmulo de tudo, mas haverá outras formas de violência, outras formas de magoar, sem ser preciso levantar a mão. Agressões existem que doem mais com o olhar que as acompanham do que se fossem traduzidas em duas ou três costelas partidas.
E se de repente alguém de lembrasse de simplesmente desandar porta fora, sem dar justificação, um porquê, um já volto não te preocupes, um até já, ou mesmo um adeus até ao meu regresso? E se alguém pegasse nas malas, enquanto o outro está no duche, e saisse à socapa?
Não será também isso uma forma de violência? Não será essa das piores lanças que se espetam na carne, e lá ficam até que apodreça?
E se alguém, tal como as crianças, simples e puramente diz, não quero mais brincar contigo, és uma chata, agora vou à minha vida, e tu toma lá trocos para comprares um chupa? É suposto aceitar o chupa ( não que os miúdos de facto façam isto...) e ficar a assistir, serenamente, enquanto o mundo se desmorona?
Não será isto uma forma de violência que nada tem a ver com o álcool, ou mesmo com o futebol, com a natureza do indivíduo? Ou será explicado pela sacanice no seu estado mais puro?
Quantas feridas destas não existirão? Quantas mossas destas nunca foram parar as urgências do hospital da zona? Quantas lágrimas vertidas à conta de feridas tantas vezes mais profundas que um golpe de mão fechada?
Pode alguém chegar à policia e dizer, olhe faz favor, fui traída na minha confiança, na minha auto-estima, nos meus sentimentos mais profundos, não se importa de prender o cabrão, sr. guarda?
Pode alguém queixar-se e levar a tribunal uma causa de feridas psicológicas causadas pela inconstância de quem não bebe, mas é como se o fizesse?
Poderia enveredar por caminhos pouco interessantes que acabariam necessariamente na noção de danos morais e outras estirpes de danos não patrimoniais, sem nunca conseguir dar uma resposta concreta.
Que espécie de corpo, que espécie de alma aguenta semelhante impacto? Quem suporta ser violentado desta maneira? Que gente suporta tanta bofetada invisível sem nunca poder dizer, acudam, estão a magoar-me? Que gente aguenta um golpe sem mão?
E quando se julgava que não podia ser pior, quando não havia esperança de salvação, quando tudo se julgava perdido e que nada existiria que pudesse vir piorar a situação, que pudesse esfregar mais sal na ferida, eis senão quando se ouve uma chave a girar na fechadura, uma figura surge no limiar da porta, de mala na mão e cara de cão mal comido, a implorar por guarida e um par de braços que o recebam no seu calor. Chega quem se foi embora por já não gostar do que se comia em casa e foi em busca de novos sabores, deixando um troco para chupas. Chega, vindo dos infernos e renascido das cinzas o agressor, mesmo que passivo, o monstro, o violador de almas inocentes, o destruidor de corações puros.
Deixa-me entrar, gosto de ti, gosto tanto de ti.
Que tal, para a estatística de violência no seio das famílias por esse mundo fora? Que dizer desta nova bofetada, deste novo pontapé, do novo golpe que foi infligido sem dó nem piedade?
Problema quando se gosta de quem nos bate todos os dias, ainda com mais força no dia em que se foi embora, muito mais ainda nos dias em que esteve fora, viajando pelo mundo, quando a presença de quem bate se impõe porque ainda sobra algum sentimento.
Mas na verdade, do chupa colorido e saboroso não sobra mais do que o pauzinho, roído e sem sabor.
Gostas. Por isso te foste embora.
AS
Primeiro, porque quem anda bêbedo anda na sua, quem é curtir a telha que leva, quer lá saber de quem vive na mesma casa. Depois, porque o futebol avermelhado anda mal de saúde há alguns anos a esta parte, infelizmente, se me perguntarem.
Mas, e deixando de comentários pouco idóneos, nem por isso o problema desaparece da realidade de muita gente. Não se trata apenas de umas ligeiras bofas que vão e vêm, que é o cúmulo de tudo, mas haverá outras formas de violência, outras formas de magoar, sem ser preciso levantar a mão. Agressões existem que doem mais com o olhar que as acompanham do que se fossem traduzidas em duas ou três costelas partidas.
E se de repente alguém de lembrasse de simplesmente desandar porta fora, sem dar justificação, um porquê, um já volto não te preocupes, um até já, ou mesmo um adeus até ao meu regresso? E se alguém pegasse nas malas, enquanto o outro está no duche, e saisse à socapa?
Não será também isso uma forma de violência? Não será essa das piores lanças que se espetam na carne, e lá ficam até que apodreça?
E se alguém, tal como as crianças, simples e puramente diz, não quero mais brincar contigo, és uma chata, agora vou à minha vida, e tu toma lá trocos para comprares um chupa? É suposto aceitar o chupa ( não que os miúdos de facto façam isto...) e ficar a assistir, serenamente, enquanto o mundo se desmorona?
Não será isto uma forma de violência que nada tem a ver com o álcool, ou mesmo com o futebol, com a natureza do indivíduo? Ou será explicado pela sacanice no seu estado mais puro?
Quantas feridas destas não existirão? Quantas mossas destas nunca foram parar as urgências do hospital da zona? Quantas lágrimas vertidas à conta de feridas tantas vezes mais profundas que um golpe de mão fechada?
Pode alguém chegar à policia e dizer, olhe faz favor, fui traída na minha confiança, na minha auto-estima, nos meus sentimentos mais profundos, não se importa de prender o cabrão, sr. guarda?
Pode alguém queixar-se e levar a tribunal uma causa de feridas psicológicas causadas pela inconstância de quem não bebe, mas é como se o fizesse?
Poderia enveredar por caminhos pouco interessantes que acabariam necessariamente na noção de danos morais e outras estirpes de danos não patrimoniais, sem nunca conseguir dar uma resposta concreta.
Que espécie de corpo, que espécie de alma aguenta semelhante impacto? Quem suporta ser violentado desta maneira? Que gente suporta tanta bofetada invisível sem nunca poder dizer, acudam, estão a magoar-me? Que gente aguenta um golpe sem mão?
E quando se julgava que não podia ser pior, quando não havia esperança de salvação, quando tudo se julgava perdido e que nada existiria que pudesse vir piorar a situação, que pudesse esfregar mais sal na ferida, eis senão quando se ouve uma chave a girar na fechadura, uma figura surge no limiar da porta, de mala na mão e cara de cão mal comido, a implorar por guarida e um par de braços que o recebam no seu calor. Chega quem se foi embora por já não gostar do que se comia em casa e foi em busca de novos sabores, deixando um troco para chupas. Chega, vindo dos infernos e renascido das cinzas o agressor, mesmo que passivo, o monstro, o violador de almas inocentes, o destruidor de corações puros.
Deixa-me entrar, gosto de ti, gosto tanto de ti.
Que tal, para a estatística de violência no seio das famílias por esse mundo fora? Que dizer desta nova bofetada, deste novo pontapé, do novo golpe que foi infligido sem dó nem piedade?
Problema quando se gosta de quem nos bate todos os dias, ainda com mais força no dia em que se foi embora, muito mais ainda nos dias em que esteve fora, viajando pelo mundo, quando a presença de quem bate se impõe porque ainda sobra algum sentimento.
Mas na verdade, do chupa colorido e saboroso não sobra mais do que o pauzinho, roído e sem sabor.
Gostas. Por isso te foste embora.
AS
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Oração
Bem aventurados os que acreditam porque todos os seu sonhos serão realizados.
Bem aventurados os que crêem piamente em quem merece confiança porque daí virá um troféu de maior idiota de sempre.
Bem aventurados os pobres de espirito porque deles não é o reino dos céus, de facto, mas a realidade de quem se deixa pisar e ainda pede desculpa.
Bem vindos os que vêm em nome do cinismo ; há sempre alguém que há-de achar que é verdade.
Benditos sejam os que não conseguem dizer a verdade, porque serão eles que se ficam a rir.
AS
Bem aventurados os que crêem piamente em quem merece confiança porque daí virá um troféu de maior idiota de sempre.
Bem aventurados os pobres de espirito porque deles não é o reino dos céus, de facto, mas a realidade de quem se deixa pisar e ainda pede desculpa.
Bem vindos os que vêm em nome do cinismo ; há sempre alguém que há-de achar que é verdade.
Benditos sejam os que não conseguem dizer a verdade, porque serão eles que se ficam a rir.
AS
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Self Made Man
O egoísmo é uma coisa terrível. Devia ser considerado pecado capital – agora que está na moda inventar novas formas de prevaricação, deviam pensar em incluir este – se é que não está já no elenco pretendido.
É o mesmo que ter só um olho, um olho que vê para dentro. Juntamente com o egoísmo vem sempre alegremente de mãos dadas uma superior moral que a todos faz sombra. Fazer e acontecer sem olhar a meios e no fim ainda levantar a cabeça e discursar fortemente à moral e bons costumes é algo de extraordinário que muito poucos conseguem.
Ter o telhado da própria propriedade todo em vidro brilhante e, mesmo assim, fazer batalhas de calhaus é de uma atroz inteligência. Seria a conclusão a retirar à primeira vista.
Talvez não. Pode ver-se de outro prisma. Aqui não impera a mania da superioridade moral ou, em português como é falado todos os dias, a grande lata de andar a pregar aos peixinhos tudo o que afinal, não se faz nem tão pouco se respeita o que se diz. O egoísmo leva a uma atitude assim. Porque? Como o único olho disponível é o que se encontra voltado para dentro, não há grande coisa que se possa ver para além da própria magnitude, valor e virtude. Não há que sobressaia para além do que é próprio, não há nada que sobreviva ao olhar atento do mérito do mesmo, e nada mais sobressai. Engraçado ...
O egoísmo também provoca, quanto mais não seja, surdez. Temporariamente incapacitado para usar o pavilhão auditivo, tanto o que se diz como o que é dito, e logo incapacitado de se perceber se o que se diz não é , afinal, a maior das barbaridades.
Não dá para perceber porque se é surdo. E para quem já é cego, ser surdo ou não ser, qual é a diferença?
AS
É o mesmo que ter só um olho, um olho que vê para dentro. Juntamente com o egoísmo vem sempre alegremente de mãos dadas uma superior moral que a todos faz sombra. Fazer e acontecer sem olhar a meios e no fim ainda levantar a cabeça e discursar fortemente à moral e bons costumes é algo de extraordinário que muito poucos conseguem.
Ter o telhado da própria propriedade todo em vidro brilhante e, mesmo assim, fazer batalhas de calhaus é de uma atroz inteligência. Seria a conclusão a retirar à primeira vista.
Talvez não. Pode ver-se de outro prisma. Aqui não impera a mania da superioridade moral ou, em português como é falado todos os dias, a grande lata de andar a pregar aos peixinhos tudo o que afinal, não se faz nem tão pouco se respeita o que se diz. O egoísmo leva a uma atitude assim. Porque? Como o único olho disponível é o que se encontra voltado para dentro, não há grande coisa que se possa ver para além da própria magnitude, valor e virtude. Não há que sobressaia para além do que é próprio, não há nada que sobreviva ao olhar atento do mérito do mesmo, e nada mais sobressai. Engraçado ...
O egoísmo também provoca, quanto mais não seja, surdez. Temporariamente incapacitado para usar o pavilhão auditivo, tanto o que se diz como o que é dito, e logo incapacitado de se perceber se o que se diz não é , afinal, a maior das barbaridades.
Não dá para perceber porque se é surdo. E para quem já é cego, ser surdo ou não ser, qual é a diferença?
AS
Da Boa Fé
Os inocentes são os que mais sofrem. Crédulos, acreditam na primeira bagatela e enfiam o primeiro barrete que vêem na montra. Sofrem porque confiam, porque acreditam, porque crêem e nada pedem em troca senão um mísero troco, em sinal de reciprocidade. Confiam que tudo há de correr bem, que todos são santos e imaculados, incapazes de fazer mal a quem quer que seja, porque a cara de anjo diz tudo sobre quem está à frente dos olhos.
E porque todos os santos são feitos não só de barro ou gesso, mas também de pau, que de vez em quando apanha caruncho e nos saem, afinal, umas boas prendas. Ou, como quem diz, uns belos santinhos, que atendem as promessas todas mas apagam a vela que se acendeu e fazem corninhos ao pedinte assim que ele vira costas. Já que se pode ser santo e ter poderes milagrosos, também de nada custa ser um bocadinho falacioso e mentir, simplesmente, ao pobre, que tão inocentemente crê que vai cair uma moeda no seu chapéu em troca de tão devota peregrinação.
Mas o santo não é parvo, não quer perder dinheiro, e já que se cansou a ouvir a ladaínha do pedinchas ; com a aureola a luzir mais do que a luz do sol, vá de mostrar o céu, as divinas paisagens, as divinas melodias e ser convincente, com a divina cara de pau. E com cantos gregorianos e música de câmara se endromina o pobre, que fica convencido que leva um gigantesco milagre, e afinal, não leva mais que um plácido olhar, de madeira colorida, inerte, vazio, morto.
E o pedinte que acreditou que a face milagrosa seria a verdadeira face do santo, a verdadeira essência, o verdadeiro âmago. Mas, obviamente, não convém nada ao santo mostrar o caruncho por baixo das ricas vestes, ou perderia a clientela de um dia para o outro , e o segredo é a alma do negócio.
E os inocentes são sempre os que mais sofrem. Tudo devido à dita boa fé, nos seus dois grandes e belos pressupostos. O da tutela da confiança está mais que preenchido , é o mesmo que dizer que o pobretanas acreditou na cura milagrosa para o seu problema de pobreza e idiotice conjunta, e ainda se encantou pelo caruncho escondido do dito santo. O problema será preencher a materialidade subjacente, se só há promessas e nada de coisas feitas ; como dar corpo àquilo em que se acreditou? Como transformar em viável, em palpável, como fazer matéria de promessas, que não passam de palavras, de espírito, sem consistência?
O jurista avisado responderia : depende. Se o pobre não sabia do caruncho nas entranhas do santo e por isso não pôde prever a armadilha antes de lá por o pé, há que pensar nalguma forma de o compensar ; chá, bolinhos e uma noite bem dormida é capaz de ajudar. Agora, se o pedinte tinha obrigação de saber que o caruncho come a madeira e que o santo afinal era de pau oco e milagres que é bom, nem vê-los, então, há que ter muita pena na mesma, tente-se pelo chá e pelos biscoitos, pode ser que de resultado.
Também não sabe que o pedinte foi enganado duas vezes. Enganado quando acendeu a vela e pediu milagre ao santo do caruncho, e enganado quando olhou para a cara alva do santo e nela viu santidade.
Há que expiar pecados, alguns dirão.
E porque todos os santos são feitos não só de barro ou gesso, mas também de pau, que de vez em quando apanha caruncho e nos saem, afinal, umas boas prendas. Ou, como quem diz, uns belos santinhos, que atendem as promessas todas mas apagam a vela que se acendeu e fazem corninhos ao pedinte assim que ele vira costas. Já que se pode ser santo e ter poderes milagrosos, também de nada custa ser um bocadinho falacioso e mentir, simplesmente, ao pobre, que tão inocentemente crê que vai cair uma moeda no seu chapéu em troca de tão devota peregrinação.
Mas o santo não é parvo, não quer perder dinheiro, e já que se cansou a ouvir a ladaínha do pedinchas ; com a aureola a luzir mais do que a luz do sol, vá de mostrar o céu, as divinas paisagens, as divinas melodias e ser convincente, com a divina cara de pau. E com cantos gregorianos e música de câmara se endromina o pobre, que fica convencido que leva um gigantesco milagre, e afinal, não leva mais que um plácido olhar, de madeira colorida, inerte, vazio, morto.
E o pedinte que acreditou que a face milagrosa seria a verdadeira face do santo, a verdadeira essência, o verdadeiro âmago. Mas, obviamente, não convém nada ao santo mostrar o caruncho por baixo das ricas vestes, ou perderia a clientela de um dia para o outro , e o segredo é a alma do negócio.
E os inocentes são sempre os que mais sofrem. Tudo devido à dita boa fé, nos seus dois grandes e belos pressupostos. O da tutela da confiança está mais que preenchido , é o mesmo que dizer que o pobretanas acreditou na cura milagrosa para o seu problema de pobreza e idiotice conjunta, e ainda se encantou pelo caruncho escondido do dito santo. O problema será preencher a materialidade subjacente, se só há promessas e nada de coisas feitas ; como dar corpo àquilo em que se acreditou? Como transformar em viável, em palpável, como fazer matéria de promessas, que não passam de palavras, de espírito, sem consistência?
O jurista avisado responderia : depende. Se o pobre não sabia do caruncho nas entranhas do santo e por isso não pôde prever a armadilha antes de lá por o pé, há que pensar nalguma forma de o compensar ; chá, bolinhos e uma noite bem dormida é capaz de ajudar. Agora, se o pedinte tinha obrigação de saber que o caruncho come a madeira e que o santo afinal era de pau oco e milagres que é bom, nem vê-los, então, há que ter muita pena na mesma, tente-se pelo chá e pelos biscoitos, pode ser que de resultado.
Também não sabe que o pedinte foi enganado duas vezes. Enganado quando acendeu a vela e pediu milagre ao santo do caruncho, e enganado quando olhou para a cara alva do santo e nela viu santidade.
Há que expiar pecados, alguns dirão.
AS
sábado, 28 de junho de 2008
Estação Terminal
Fecha-se um ciclo que se iniciou há pecisamente 9 meses atrás.
A bem da verdade, não será bem um ciclo, porque ciclo deve pressupor fase, círculo, logo fechado, sem qualquer tipo de interrupção ou abertura.
Este é um ciclo sui generis. Não é como comummente se conhece um ciclo, com um fim determinadado, com bloqueios fechados sem transposição de uns para os outros, sem comunicação entre eles. Este é um ciclo diferente, que se prolonga no tempo, que conta com duração dos ditos 9 meses, com o seu tempo supostamente áureo no seu término. Mas que continua depois de um buraco no tempo de um mês e meio, e que avança sem parar até chegar ao fim, para depois começar de novo.
Este ciclo sui generis chega ao fim. Mas já se vê o seu início por aí algures.
A estupidez reside, essencialmente, naqueles que passam a vida a queixar-se da existência do dito ciclo, mas que de alguma maneira fazem sempre por prolongá-lo. Depois arrependem-se, claro está, e queixam-se novamente. Com a diferença de que agora não dá mais para sacudir a água da culpa para a capa do destino e do infortúnio, porque a sina é escrita com a própria pena.
Longa vida à ironia.
Porém, de assinalar o fim do ciclo. Temporário, perecível. Mas por enquanto, terminado.
A bem da verdade, não será bem um ciclo, porque ciclo deve pressupor fase, círculo, logo fechado, sem qualquer tipo de interrupção ou abertura.
Este é um ciclo sui generis. Não é como comummente se conhece um ciclo, com um fim determinadado, com bloqueios fechados sem transposição de uns para os outros, sem comunicação entre eles. Este é um ciclo diferente, que se prolonga no tempo, que conta com duração dos ditos 9 meses, com o seu tempo supostamente áureo no seu término. Mas que continua depois de um buraco no tempo de um mês e meio, e que avança sem parar até chegar ao fim, para depois começar de novo.
Este ciclo sui generis chega ao fim. Mas já se vê o seu início por aí algures.
A estupidez reside, essencialmente, naqueles que passam a vida a queixar-se da existência do dito ciclo, mas que de alguma maneira fazem sempre por prolongá-lo. Depois arrependem-se, claro está, e queixam-se novamente. Com a diferença de que agora não dá mais para sacudir a água da culpa para a capa do destino e do infortúnio, porque a sina é escrita com a própria pena.
Longa vida à ironia.
Porém, de assinalar o fim do ciclo. Temporário, perecível. Mas por enquanto, terminado.
AS
sábado, 21 de junho de 2008
Cheiras Tão Bem...
Para que o interregno não seja tão grande.
O espaço entre a dimensão dos exames e o resto do mundo, que gira sempre sem parar.
AS
domingo, 15 de junho de 2008
No rescaldo...
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Pequim 2008
Para além de todas as modalidades olímpicas, existem algumas que, por mérito próprio, deviam ser elevadas a tão bem afamada categoria.
Por exemplo, o atiramento de supostas verdades à cara dos cidadãos nas imediações deveria ser considerado desporto com honrarias olímpicas.
Várias gentes têm formação especializada na área.
Devia formar-se um clube desportivo da modalidade.
Era giro e tal.
AS
Por exemplo, o atiramento de supostas verdades à cara dos cidadãos nas imediações deveria ser considerado desporto com honrarias olímpicas.
Várias gentes têm formação especializada na área.
Devia formar-se um clube desportivo da modalidade.
Era giro e tal.
AS
Insónia
Se não estivesses comigo, estarias com outra pessoa, que te faria ainda mais feliz. Gostarias dele tanto ou mais do que gostas de mim. Se não fosse eu seria outro.
Lembro-me vagamente de umas lições que se tomam no primeiro ano de Economia Política que fazem lembrar isto. Creio que se falava de bens ou produtos sucedâneos, produtos que mesmo que não sejam iguais ao original, tem as mesmas características e são aptos a satisfazerem as mesmas necessidades dos outros. Dão a mesma serventia, por assim dizer, servem para o mesmo, só que com nomes diferentes.
E ainda há quem se lembre de aplicar este princípio a coisas que nada têm a ver com Economia. Ainda há quem se arrogue a aplicar, que é como quem diz a dizer nas ventas vizinhas, este preceito àquilo que menos preceitos e regras segue.
Como se explica pelas vias racionais e sem entrar em caminhos duvidosos que vão inevitavelmente parar à lamechice barata e a alguma coisa que soe a falso romantismo, que existem coisas que nascem que não se explicam, existem, vivem, impõem a sua presença, porque ao fim e ao cabo, já pertenciam ao lugar que ocupam, só que nunca se tinham lá ido sentar antes?
Como se explica que o lugar encontrado era o que era procurado em demandas e demandas sem fim, até ser reduzido a uma mera lenda, uma mera utopia, apenas lembrada como uma relíquia bolorenta, mentirosa, inexistente, sem fundo de verdade por quem a procurava sem sucesso na busca?
Como se explica que não existiria mais nada que chegasse onde nunca ninguém chegou, que afinal que queria tanto como nunca antes alguém quis outro alguém, que afinal, quem diria!, o príncipe não foge com o cavalo e a princesa não fica agarrada à bainha do lenço, a trocê-lo da água das mágoas?
Como se explica a quem não acredita que não haveria nada, nem nada valeria o esforço se não houvesse pessoa, se não existisse o conforto nem o calor que a realidade transmite? Como é que se faz acreditar que o vê não podia ser mais real a quem, no fundo, não crê em quem lho diz?
Como se explica afinal que se não se estivesse como se está, não haveria sequer verbo estar? Haveria, no seu lugar, verbo arrastar, que combinaria com pelos cantos, sem onde ir, que era o que se fazia antes. E não haveria felicidade coisa alguma, porque não haveria de onde emana a felicidade.
Mas isso também não é facilmente perceptível porque quem ouve pensa que deve ser mentira ou coisa que o valha.
Como se há-de dizer, porra, que não há sentimento igual, não há nem houve, e não haverá, sem que tal pareça uma parvoíce quando se passa para escrita? Não se diz, porque nunca ninguém acredita de facto.
Não, não seria outro, não seria nenhum, não seria mais ninguém. Nem será. Mas também não há maneira de se ser credível o suficiente para se acreditar.
Nada a fazer. Mais uma vez, a existência.
AS
Lembro-me vagamente de umas lições que se tomam no primeiro ano de Economia Política que fazem lembrar isto. Creio que se falava de bens ou produtos sucedâneos, produtos que mesmo que não sejam iguais ao original, tem as mesmas características e são aptos a satisfazerem as mesmas necessidades dos outros. Dão a mesma serventia, por assim dizer, servem para o mesmo, só que com nomes diferentes.
E ainda há quem se lembre de aplicar este princípio a coisas que nada têm a ver com Economia. Ainda há quem se arrogue a aplicar, que é como quem diz a dizer nas ventas vizinhas, este preceito àquilo que menos preceitos e regras segue.
Como se explica pelas vias racionais e sem entrar em caminhos duvidosos que vão inevitavelmente parar à lamechice barata e a alguma coisa que soe a falso romantismo, que existem coisas que nascem que não se explicam, existem, vivem, impõem a sua presença, porque ao fim e ao cabo, já pertenciam ao lugar que ocupam, só que nunca se tinham lá ido sentar antes?
Como se explica que o lugar encontrado era o que era procurado em demandas e demandas sem fim, até ser reduzido a uma mera lenda, uma mera utopia, apenas lembrada como uma relíquia bolorenta, mentirosa, inexistente, sem fundo de verdade por quem a procurava sem sucesso na busca?
Como se explica que não existiria mais nada que chegasse onde nunca ninguém chegou, que afinal que queria tanto como nunca antes alguém quis outro alguém, que afinal, quem diria!, o príncipe não foge com o cavalo e a princesa não fica agarrada à bainha do lenço, a trocê-lo da água das mágoas?
Como se explica a quem não acredita que não haveria nada, nem nada valeria o esforço se não houvesse pessoa, se não existisse o conforto nem o calor que a realidade transmite? Como é que se faz acreditar que o vê não podia ser mais real a quem, no fundo, não crê em quem lho diz?
Como se explica afinal que se não se estivesse como se está, não haveria sequer verbo estar? Haveria, no seu lugar, verbo arrastar, que combinaria com pelos cantos, sem onde ir, que era o que se fazia antes. E não haveria felicidade coisa alguma, porque não haveria de onde emana a felicidade.
Mas isso também não é facilmente perceptível porque quem ouve pensa que deve ser mentira ou coisa que o valha.
Como se há-de dizer, porra, que não há sentimento igual, não há nem houve, e não haverá, sem que tal pareça uma parvoíce quando se passa para escrita? Não se diz, porque nunca ninguém acredita de facto.
Não, não seria outro, não seria nenhum, não seria mais ninguém. Nem será. Mas também não há maneira de se ser credível o suficiente para se acreditar.
Nada a fazer. Mais uma vez, a existência.
AS
Alucinações
terça-feira, 10 de junho de 2008
Novas
Alguma coisa mudou. Trocou de sítio, foi-se embora, deixou tudo para trás.
E eu que não dei por nada...
Devia estar a dormir.
Coisas de gente que passa demasiado tempo de molho enquanto os outros vivem a vida.
AS
E eu que não dei por nada...
Devia estar a dormir.
Coisas de gente que passa demasiado tempo de molho enquanto os outros vivem a vida.
AS
quinta-feira, 5 de junho de 2008
V for Victory
Within Temptation, Deceiver of Fools
Esta música sempre me fez lembrar vitória, mesmo que sobre isso não verse directamente.
Hoje é dia de vitoria, mesmo que pequena, mesmo que insignificante, mesmo que queira dizer que vem por aí mais tormentos, mais sacrifícios, mais calvários, mais tortura. Porém, nada há que tire o que o dia de hoje significa. Venha o que vier, nada do que hoje se passou pode ser apagado.
E mesmo que a tal melodia nada tenha a ver com o significado, lembra sempre resistência, preserverança, luta constante contra opressões. É o que se espera do amanhã, que nunca morre afinal.
AS
segunda-feira, 2 de junho de 2008
E Terminou Assim ...
Continuou Assim ...

( À parte dos desmaios, dos vómitos, dos gritos e de cabelos arrancados, parece que para se ter um cabelo desta forma tão ... original é preciso não pentear muito nem lavar, para que o cabelo apanhe toda a porcaria que anda pelo ar, não dispensando a boa da laca. Isto é arte. Ou qualquer coisa ... )
Tokio Hotel
AS
Lá Para os Lados da Bela Vista
Subscrever:
Mensagens (Atom)














