sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Já que insistem ...





Este senhor é sexy. Pelo menos, na fotografia, parece. Ou será que quer parecer?
Não há certeza nesta matéria, mas o facto é que dá vontade de dizer que ele é, de facto, sexy. O olhar, a expressão facial, a pose, tudo respira sensualidade.

Afinal, o Orçamento de Estado para 2009 é maravilhoso, bem pensado, forte para combater a crise internacional, cheio de aspectos fantásticos, com tantos rebuçadinhos para todos os quadrantes da sociedade, principalmente para os habituais pagadores das crises, com tantos afagos à carteira do contribuinte e do pobre cidadão comum, com medidas espectaculares para que ninguém se esqueça em quem votar nas próximas eleições. Perdão, isto não era para dizer, era suposto ser a mensagem subliminar. Estragou-se a surpresa.

Por isso é que este senhor é sexy. Consegue fazer uma obra orçamental, defendê-la como se não houvesse amanhã um vendaval de crise que pudesse arruinar as suas previsões e o seu trabalho tão precioso e bem feito, e ainda manter a pose, sem nunca resvalar para as politiquices que aí vêm com as eleições vindouras.

Sexy, não?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A melhor banda do Mundo




Shine on you crazy diamond, Pink Floyd

Porque hoje começa o mundo a girar de novo.

Burn After Reading




Aconselha-se seriamente a irem ver.
Genial.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Quem Quer Fotocópias?

Diz-se por aí que uma entidade toda poderosa de fiscalização e zelo pelas condições de segurança, higiene e legalidade para protecção do cidadão comum, veio numa fúria e fechou uma casinha de copiar folhas, num estabelecimento de ensino superior em Lisboa.
Diz-se, ninguém tem a certeza, podem ser apenas boatos ; mas é muito mais fixe chegar a casa e dizer : “ A coisa das fotocópias foi fechada pela ASAE “, dá um ar de importância e transmite a ideia de que se passam grandes coisas, do que praguejar “ Sorte a minha, que está fechado por motivos de força maior ”, que era o que dizia no aviso improvisado na porta.

Já para não falar na comicidade e ironia da situação, uma escola onde se ensinam valores que regem o ordenamento, onde se ensina o funcionamento da judicatura que se quer livre de corrompimentos e fraudes, é exactamente a mesma escola que tem nas suas entranhas um poço de fazer asneiras e defraudar os direitos de autor .

Obviamente, a legalidade e a sua defesa têm que ser assegurados e tal, defende-se o consumidor, o cidadão e também contribuinte, que não deve ser lesado, nem lesado pode ser também o Estado. Pois claro. Esqueceu-se ainda dos pobres estudantes, que recorrem as fraudes para não irem morar para baixo da ponte porque gastaram tudo em livros dos quais só precisam de saber 20 ou 30 páginas no seu todo. Havia que proteger quem precisa de poupar e por isso manda fotocopiar livros ; disso ninguém se lembra. Mas, enfim, há que defender a legalidade.

Onde está a legalidade? Deve ter fugido com a ironia, que jorra ilegalidade a potes no local onde se ensina o basilar das pretensões do amanhã.

Uma Teoria Qualquer ...

Quem chora porque é traído, magoado, trapaceado, alvo de intrigas, deslealdades, perfídias e aleivosias, vai fazer o mesmo aos outros?

Aparentemente. Porque a susceptibilidade de sofrer desaires só serve quando o vendaval vem de fora. Dentro, as coisas são substancialmente diferentes.
Faz-se tudo e quem vem atrás que feche a porta, que importa, não será?

É a velha ( ou nem por isso, mas não por isso menos verdadeira ) teoria do umbigo ; quando são os outros a fazer, quem leva com as consequências é pobrezinho, desgraçado, miserável. Quando é o próprio a exercitar as mesmas actividades no próximo, pode-se porque se ascendeu ao nível da burguesia, arrogante e cheia de vento.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Anátema

O coração é um músculo, situado no peito do ser humano, ladeado pelos pulmões e protegido por um conjunto de ossos, que serve para bombear o sangue para todo o corpo.
É associado a uma espécie de central de produção de sentimentos, depósito de emoções e fábrica de pensamentos, mesmo sabendo que tudo se passa num outro órgão, situado na extremidade superior do corpo humano que, esse sim, é o centro de tudo.

Porém, e seguindo uma lógica romântica, a imagem de que o coração é o centro da actividade emocional mantém-se. Até porque ajuda a manter a aura de mistério à volta de aspectos que nem sempre se compreendem ; assim, quando as emoções vindas do cérebro são mal entendidas, mal explicadas ou vem tomar um rumo inexplicável e inesperado, para o qual não se encontram motivos, é tão mais fácil chutar a explicação para o campo do coração, que tem razões que a razão desconhece, do que estar a perder horas de sono, tão precioso, a tentar descortinar a essência da coisa. Fica, então, explicado porque se continua a falar em coração como processador único de emoções, acções e pensamentos, como se a ciência não tivesse evoluído e descoberto as reacções químicas e eléctrodos dos neurónios no cérebro.

É compreensível que ainda se associe ao coração a centralidade emocional ; afinal, ele é o primeiro a dar de si quando alguma coisa sucede, ele é o primeiro a sentir o que o cérebro constrói, ele é o primeiro a bater mais depressa nalgum facto acontecente mais agudo, seja de que natureza for. Pode não ser a origem do sentimento, do pensamento, do arrepio, mas é o alvo, o epicentro, o local do acidente quando os factos acontecem. E por tudo lá se dar, o coração é um órgão sensível.
Sensível às mudanças, às palavras, aos gestos e comportamentos, às pessoas, aos factos, à historia, ao futuro, às mentiras, às omissões, às trapaças e faltas de chá, alheias e próprias. Sensível a todas estas circunstâncias, e as que mais existirem, é o órgão, que mesmo passados 1000 anos da idade medieval, continua a ser de alguma forma responsável por tudo o que vem do cérebro e não pode ou não consegue ser racionalizado.

Porém, o estúpido, sensível a tudo o que lhe possam fazer, e que chora anos a fio por coisas que passariam melhor se fossem relativizadas, e que precisa de milhares de curativos para se refazer de arranhões que deixarão, inevitavelmente, cicatrizes, mesmo assim, dá-se ao luxo de, de quando em vez, mudar a rota sem dar cavaco ao portador, deixando-o miserável com as indicações contraditórias recebidas.
De repente, dá-se uma ventania e acaba-se a paz ; vá de mudar o caminho, a perspectiva, os gostos, as pessoas, as vistas, e segue como se nada fosse, como se ainda não há dois segundos tivesse vindo de outro sitio a milhares de km de distancia. Dá-lhe uma inspiração e lá vai, contente da vida, andar por caminhos de cabras quando tem uma auto-estrada disponível, a preferir correr atras do porco quando tem costeletas no supermercado, a andar descalço quando tem sapatos.

E segue o seu rumo sem mais olhar para trás, danando-se o dono, que tem um cérebro funcionante que sabe os perigos que têm os caminhos íngremes e secundários, que tem consciência de que o porco pode não ter sido sujeito a controlo sanitário, que tem conhecimento que andar descalço na rua é doloroso.
No entanto, nada pode fazer ; assim é e assim caminha, sem justificações.

Traidor.

domingo, 12 de outubro de 2008

Swanheart

All those beautiful people
I want to have them all
All those porcelain models
If only I could make them fall

Be my heart a well of love
Flowing free so far above

A wintry eve
Once upon a tale
An Ugly Duckling
Lost in a verse
Of a sparrow's carol
Dreaming the stars

Be my heart a well of love
Flowing free so far above

In my world
Love is for poets
Never the famous balcony scene
Just a dying faith
On a heaven's gate

Crystal pond awaits the lorn
Tonight another morn for the lonely one is born



Tuomas Holopainen, Nightwish

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Will Walk Alone






Fare thee well, little broken heart
Downcast eyes, lifetime loneliness

Whatever walks in my heart will walk alone

Constant longing for the perfect soul
Unwashed scenery forever gone

No love left in me
No eyes to see the heaven beside me
My time is yet to come
So I'll be forever yours




Porque é que tudo o que a música lembra faz sentido? Todo o sentido do mundo?

A salientar mesmo a melodia e todo o travo a desespero que emana dela. Perdoe-se a fraca qualidade do video ( é o que há ).

Mein Herz schlägt nicht mehr weiter

Uma força para-popular tem o costume de dizer que existem 3 coisas na vida de uma mulher : a mala, os sapatos e a melhor amiga.

Conclusões sobre a futilidade plantada na frase à parte, apetece dizer que para além da estupidez crónica estampada, não só em quem em inventou, como também a mesma estupidez de quem pega nela e a comenta para o povo e as crianças verem, apetece mesmo mandar vir.

Apetece dizer que, assim como os chapéus, malas há muitas e são verdadeiramente importantes quando se tem alguma coisa para lá guardar, senão um saco de compras serve muito bem.

Apetece dizer que sapatos são uma perdição, um vício, investimento enorme em objectos que têm como objectivo primordial serem arrastados pelo chão, pisando toda a espécie de porcaria. Gasta-se uma fortuna em coisinhas tão giras, que encaixam perfeitamente nas extremidades inferiores do corpo, como se nunca de lá tivessem saído, para depois levá-los por caminhos sinuosos e estradas de terra batida, cheios de lama e lixo, gastar a sua linda cor e formato em andanças de todos os dias, sem nada para contar a não ser os riscos no verniz, que ficam como cicatrizes, para lembrar ao dono os trambolhões que já deu. Ou então, sapatos que se compram para usar uma vez na vida e ficam a encher-se de pó numa caixa que nunca mais verá a luz do dia, no fundo do armário, desperdiçando o dinheiro gasto e o tempo bom que poderiam ter passado nos pés de quem, por uma vez, corria o trilho do sol.

Apetece ainda dizer que a melhor amiga é fraude eufemística. Se algum dia existiu, morreu algures, não se sabe bem onde. E quem veio para lhe tomar o lugar, também se esqueceu de qualquer coisa num sítio longínquo e voltou atrás para a ir buscar.
De maneira que o caminho que se trilha é com saco de compras sem nada lá dentro, com uns sapatos lindos no meio do entulho e sem ninguém para fazer companhia, porque antes andar contra o vento sozinho do que passear alegremente entre plantas carnívoras.

Os acessórios de moda e a pessoa amiga não fazem a vida de mulher alguma. Quer dizer, em alguma medida, até podem fazer, mas mesmo existindo e tendo a importância que se lhe quiser dar, não contam como existência fulcral.
Falta o essencial que não cabe na mala, nem ajudam a estrada a ser menos acidentada, nem fazem conversa de confidencia e confiança com ninguem. Ou é suposto estes 3 elementos trazerem o essencial? Não seria isso reduzir a vida de uma pessoa a um espectro de futilidade? Onde fica o resto, no meio desta premissa descabida, em que nada mais cabe senão o que se tem na mão, nos pés e ao lado? E para quem caminha num trilho que não este, qual é a alternativa para a estacão?

Sem querer ocupar o lugar de quem se entretenha a pensar longamente sobre as circunstâncias da vida feminina e a parir frases tão eruditas como esta, diria que as 3 coisas na vida de uma mulher se resumem a uma só : paz de espírito.

Porque a paz de espírito enche uma mala inteira e nunca pesa no ombro.
Porque a paz de espírito permite manter os sapatos limpos durante a travessia dolorosa e desgastante.
Porque a paz de espírito substitui por milhões de vezes a presença de outra pessoa.
E porque, depois de chegar a paz de espirito, há mais tempo e disposição para apreciar a mala, sapatos e a conversa com amigos.

O que diz a Avózinha

Verdades inelutáveis e absolutas, incontornáveis e fiéis a si mesmas, dogmas e frases feitas relativamente à natureza dos homens, no sentido global, claro está, são o tipo de coisas que toda a vida se ouvem dizer sem nunca verdadeiramente se fazerem fé nelas. O que quer que se lhe queira chamar a estas verdades, premissas, frases feitas, bojardas, filosofias, o que é certo é que existem. Assim como a língua mãe é rica em provérbios e dizeres afins carregados de sabedoria, mesmo que ninguem os use, desgraçadamente seriamos todos muito mais felizes se seguíssemos as popularidade, ninguem roubava, matava ou espirrava para cima do vizinho sem partir uma quantidade de bilhas que vão à fonte e lá ficam e infortúnios semelhantes que o disparate comanda, proliferam as ditas verdades sem que ninguem se lembre delas.

Ouvir a avózinha dizer para ter cuidado com os velhos que levam os meninos nos sacos não é tão mentira quanto isso. Escutar a mãe falar dos rapazes maus como demónios negros que saltam a cada esquina para maltratar as meninas inocentes também não foge à verdade. Ou mesmo o paizinho que avisa o filhote como as mulheres conseguem ser todas umas grandes mafiosas que guiam os homens à loucura também não deixa nada a faltar aos factos que existem. Quantas vezes foram proferidos estes dizeres? E quantas vezes são ouvidos?

A bem da dita verdade, não são ouvidas de todo. Porque o mundo é um lugar de filha-da-putice, são todos uns bodes e vêm encher a vida dos outros de miséria e desalento. Porque as mães e pais deste mundo, por melhor que tratem os filhos, nunca deixam de os avisar para o pior que a vida traz ; faz parte da educação destruir as ilusões infantis para as substituir por premissas de desilusão.
Ainda se admiram, as almas inocentes, por estar o mundo cheio de trafulhices e gente imprestável. Deviam estar com certeza a comprar pão e bolinhos quando se deram as importantes lições de vida. E ainda se admiram, mesmo depois de crescer.
E qual seria a conclusão a tirar da descoberta negra e destroçadora de corações? Impermeabilizar a alma e a mente para protecção contra tais situações? Contorná-las com a sabedoria de quem aprende e apreende? Evitar pessoas e momentos que possam trazer dissabores futuros?

Assim não será.

Há que ser sacana para tapar a sacanice. Há que ser tão malvado quanta a maldade impressa nas acções do outro. Há que fazer igual, porque somos todos iguais e a igualdade, entre outros, é dos princípios basilares de tudo. Há que sacanear em primeiro lugar antes que o próximo venha com diligencias maldosas. Há que ser mais papista que o papa. Há que ter menos escrúpulos que os resto do mundo.

Assim será.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Eva




Já não me consigo lembrar se postei esta música em tempos idos ou não. Não interessa.
Releva agora que sentia saudades de a ter por perto.
Naqueles dias em que anda tudo virado ao contrário, Mr. Holopainen faz milagres. Nem sei como é possível viver sem isto. Hoje é claramente exemplo disso.

domingo, 5 de outubro de 2008

A Data de Hoje







98 anos.
Não só para não esquecer, como para lembrar todos os dias.

Dinis Machado






1930-2008

sábado, 4 de outubro de 2008

Novidade




Há que atender ao grande regresso dos Metallica. Voltando às raízes, voltam no melhor estilo.

The Day That Never Comes, Metallica

In Nomine Dei

Meus filhos, procriai sem restrições, dizem as mais altas entidades religiosas. A restrição faz mal ao espírito, à mente e ao corpo. Restrições ao que é natural ao ser humano trazem infortúnios pecaminosos, quebram o que é inerente ao ser natural humano, não deixam que as moléculas hormonais, desenfreadas e saltitonas, façam o seu dever de trazer mais gente ao mundo.
Os impedimentos artificiais não permitem que os homens ( na acepção global da palavra, entenda-se ) cumpram a sua função. Não permitem que haja o genuíno desenvolvimento da espécie, não permitem que se cumpram os desígnios para os quais fomos criados, não permitem a criação, desenvolvimento, a evolução do amor.

Sim, porque amor, meus filhos, é não existirem barreiras entre o presente e o futuro, entre o que somos e o que estamos predestinados a fazer.
Amor é não ter cuidado nenhum e deixar proliferar as doenças que nos passaram as aulas de formação cívica a dizer para tomar atenção e tomar precauções. Amor é deixar a natureza à sua vontade e criar bactérias nos corpos alheios para que tomemos o caminho da não restrição à família. Amor é ter criancinhas aos montes, educadas no espírito do segue o caminho do bem e não uses profilácticos. Amor é deixar que as doenças graves, que não terão cura senão daqui a umas gerações, proliferem alegremente nas pessoas, deixando milhares sem qualidade de vida, com estigmas sociais e vidas miseráveis porque seguiram o caminho do natural. Amor é deixar de usar artificialidades e subsequentemente marcar uma geração de mães e pais solteiros. Porque a moralidade e a vida espiritual assim o exigem.



Moral da historia : este é o século XXI, real, verdadeiro.
O século em que as preocupações sobre outras coisas que não os cuidados de saúde e vida sexual saudável deixam de ter lugar para abrir caminho para o obscurantismo. Este é o século em que as trevas ainda têm lugar. E qual é a solução para quem não quer quebrar a regra do artificialismo? Abstinência? Moralidade falsa? Sexo por telepatia?
E que tal falar do amor, não como forma de pecado, de desvio ao caminho do que quer que se queira chamar bem, mas como forma universal de linguagem? Uma linguagem responsável, em que todos têm um papel a cumprir, em que todos terão o dever de zelar pela saúde de cada um, de todos? Que tal falar no amor natural, ele sim, mas amor naturalmente protegido, responsável, cuidado? Porque não falar abertamente do amor já com a componente protecção incluído, que num mundo perfeito, uma coisa não seria separada da outra?
Que tal falar da família, que tanto se quer proteger e estimar, que tanto se pretende valorizar e estimular, com o incentivo da vontade própria, do que é espontâneo, mas informado, esclarecido, iluminado para a realidade?

Era bom, não?

Por Outro Lado ...

Justiça seja feita, não é tão mau assim.
Afinal, o país de fascistas camuflados, que vão vivendo de alegres recordações de vidas honestas e asseadas num outro tempo em que tudo era delicioso porque ninguém abria a boca sem ir parar ao Tarrafal, ainda acorda para a vida e julga as acções de meninos maus que gostam de brincar às confrarias de violência e intolerância.
Para quem está por dentro das andanças da Judicatura, confessa-se um pouquinho mais interessado pelo direito penal que faz maravilhas a defender os valores democráticos e de uma sociedade que se quer livre e esclarecida em todas as circunstâncias. Obviamente que os visados não podiam deixar de se considerar perseguidos por uma corja dita maçónica que os persegue com um pau pela rua fora e lhes chama nomes feios.
Por estes lados, crê-se que se ensinou hoje uma lição de enorme valor, em que as palavras bonitas da Lei Fundamental deixaram de ser enfeite para serem trazidas ao palco da actividade real.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O Tempo da Outra Senhora

Levanta-se uma criança inocente cedo da sua caminha, nos confins do mundo, para se dirigir ao Antro que tantas vezes a desgostou, pensado que nada mais a surpreenderia num universo atroz e velhaco.

E convicta de que mais nada estaria para vir num espaço em que o tudo pode acontecer é uma verdade absoluta, eis que surge no horizonte um aglomerado de artefactos,mesmo no meio de uma instituição, de si propícia a desaires políticos, pedagógicos e emocionais para os que o frequentam, objectos esses alvo da curiosidade da dita inocente infante.

Qual não seria o espanto, mesmo de quem tudo espera debaixo do tecto que a abriga, quando, chegando mais próximo do conjunto para melhor reparar no que os seus olhos míopes lhe diziam, se depara com um singelo mas não menos digno altar de adoração à figura do último Presidente do Conselho do Estado Novo.
E nada lhe faltava. Um velho lenço bordado, gasto pelo tempo e pelas mãos que o tocaram cobre uma cadeira, onde repousa um quadro com a fotografia do senhor dos óculos de aros de tartaruga, que deve ter ficado bem presente na memória daqueles que tinham idade para assistir ao Conversas em Família, aos domingos à noite, num tempo em que a televisão não conhecia filmes de ficção cientifica ou programas de entretenimento dedicados à dança. Junto à fotografia do professor, uma pequeno texto de agradecimento e louvor ao mesmo, feito pelo simples mas de boa memória, pelos vistos, senhor idoso que se arruma a um canto a vender fotocópias de um tempo há muito ido, onde se enaltece todas as qualidades do tirano, perdão, estadista, sem nunca deixar de fora as imagens imensas de santos, mártires e outros da mesma espécie, como que a iluminar o caminho no além de tão conhecida figura.

Criança tola, que confiara nas glórias da Democracia moderna e no Estado de Direito do seu país nos últimos 34 anos para fazer esquecer os negros anos de obscurantismo e atentados ao livre pensamento, sente-se aturdida e precisa rapidamente de um balde de café e uns quantos pauzinhos daqueles que se acendem na extremidade e se puxa o ar, carregado de substancias bronzeadoras de pulmões, para recuperar.
Então, e as maravilhas do mundo de pensamento livre, do sistema jurídico tão bem organizado e estruturado, que tanto trabalho dá a estudar e a perceber, das leis justas e iguais, o livrinho azul, tão bonito e com ideias brilhantes, que seria suposto ser perfeito e superior a todos os outros actos normativos, onde fica, se há gente que, afinal, sente a falta do tempo da outra senhora, em que tudo era limpo, pobre, honesto, trabalhador? Onde fica a ideologia e a vontade de ser melhor com um novo sistema? Julgarão que a confusão que existiu na madrugada de dia 25 de Abril foi uma grande festa porque nesse dia ninguém queria ir trabalhar? Miudinha insolente, a censurar as ideias os outros, afinal quem é que não deixa expressar quem?

Não é questão de liberdade de expressão, ou de ideias próprias de cada um, ou a quem queiram agradecer por uma vida submissa e triste. Não é censura, o Estado de Direito é como o deus de alguns, tudo permite e tudo perdoa, porque é superior a tudo, a todos ama, e na diversidade reside a riqueza.
É porque é assim que se acaba com a inocência de alguém. E ninguem vê. Passam pelo templo improvisado e nem reparam no que realmente lá está. E ninguem se mostra surpreendido.

Deve ser normal sentir falta de quem nos bate.







Res Nullius

Nada de novo se passa no reino da humilde mas honesta humanidade.
A estagnação veio para ficar, e exceptuando as oscilações do mercado de valores e o colapso ( pelo menos aparente ) do sistema financeiro americano, as formigas agitam-se na sua azáfama diária, também designada rotina, sem levantar a cabeça do chão, sem aliviarem o peso das costas. O sol faz companhia, entrecortado por farrapos de nuvem que passam depressa ao sabor do vento.
E nada se passa no mundinho pobre mas honrado dos homens.

E o que sucede, quando, de facto, nada há de novo?

Inventa-se, claro está.

Não há mais nada para fazer, constatação repetitiva.
As mentes fervilhantes de imaginação e brilhantismo arranjam ocupações igualmente belas para as mãozinhas e o cérebro com actividades também elas nobres e engraçadas como tudo. Isto porque andar por aí a fazer a vida negra aos outros, a ser cínico, sacana e mesquinho já está muito visto. Importa inovar, criar e usar a imaginação. Ter ideias giras e espalhá-las ao redor é notável. Espalhar a inteligência, mostrar que se é brilhante em tudo o que se toca, mostrar que se vai mais longe que a maioria é extraordinário, sendo uma capacidade rara.
Mas isso de ser fora de série também já vai sendo corriqueiro. Há que ser estrondoso e estúpido simultaneamente.
Estúpido não, que tira a piada toda ao sentido das palavras, as já escritas e as por escrever. Manhoso. Irritante. Pedante. Maniento. Ser brilhante não chega ; há que estar envolvido em inúmeras façanhas e actividades diversas, não só para mostrar habilidade e versatilidade. Há que passear alegremente pelas ruas do saber mostrando aos restantes mortais que se há alguém capaz de ter um cérebro suficientemente prodigioso para abarcar tanta informação, não será com certeza o Terceiro Estado da intelectualidade. Estúpido, agora sim.
E assim se volta à velha, mas sempre fiel máxima da mesquinhez e vida de cão que se dá ao próximo, que nunca deixa de ser verdade.

Andará o mundo, afinal, tão estagnado? Tão adormecido das maleitas provocadas por quem nele habita?
Na parte financeira, ninguém dorme há já vários dias.
No resto, nasceram a dormir.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Requiem



Paul Newman, eternamente jovem.

Hollywood fica definitivamente mais pobre.

Uma grande estrela que se estingiu.



AS

Siegfried

Há que salientar a noite de ontem, que jamais sairá da mente de quem a viveu.

Teatro Nacional de S.Carlos, com a continuação da tetralogia de Richard Wagner, apresentou em estreia Siegfried.

Extraordinário.

A originalidade do encenador, Graham Vick, já conhecida superou-se mais uma vez. Em todas as vezes.

Incrível.
Refrescantemente original.
Resplandecente.

E a música, bailando ao som dos gestos sábios do maestro, junta-se às vozes, poderosas, possantes, infinitas, que atravessam a sala, enchendo todo o espaço de uma luz sem nome.

A voz ...




Susan Bullock


AS