Dos Incidentes, Pareceres e Vicissitudes várias. Porque "Quando a ralé se põe a pensar, está tudo perdido", lá dizia Voltaire...
sábado, 21 de junho de 2008
Cheiras Tão Bem...
Para que o interregno não seja tão grande.
O espaço entre a dimensão dos exames e o resto do mundo, que gira sempre sem parar.
AS
domingo, 15 de junho de 2008
No rescaldo...
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Pequim 2008
Para além de todas as modalidades olímpicas, existem algumas que, por mérito próprio, deviam ser elevadas a tão bem afamada categoria.
Por exemplo, o atiramento de supostas verdades à cara dos cidadãos nas imediações deveria ser considerado desporto com honrarias olímpicas.
Várias gentes têm formação especializada na área.
Devia formar-se um clube desportivo da modalidade.
Era giro e tal.
AS
Por exemplo, o atiramento de supostas verdades à cara dos cidadãos nas imediações deveria ser considerado desporto com honrarias olímpicas.
Várias gentes têm formação especializada na área.
Devia formar-se um clube desportivo da modalidade.
Era giro e tal.
AS
Insónia
Se não estivesses comigo, estarias com outra pessoa, que te faria ainda mais feliz. Gostarias dele tanto ou mais do que gostas de mim. Se não fosse eu seria outro.
Lembro-me vagamente de umas lições que se tomam no primeiro ano de Economia Política que fazem lembrar isto. Creio que se falava de bens ou produtos sucedâneos, produtos que mesmo que não sejam iguais ao original, tem as mesmas características e são aptos a satisfazerem as mesmas necessidades dos outros. Dão a mesma serventia, por assim dizer, servem para o mesmo, só que com nomes diferentes.
E ainda há quem se lembre de aplicar este princípio a coisas que nada têm a ver com Economia. Ainda há quem se arrogue a aplicar, que é como quem diz a dizer nas ventas vizinhas, este preceito àquilo que menos preceitos e regras segue.
Como se explica pelas vias racionais e sem entrar em caminhos duvidosos que vão inevitavelmente parar à lamechice barata e a alguma coisa que soe a falso romantismo, que existem coisas que nascem que não se explicam, existem, vivem, impõem a sua presença, porque ao fim e ao cabo, já pertenciam ao lugar que ocupam, só que nunca se tinham lá ido sentar antes?
Como se explica que o lugar encontrado era o que era procurado em demandas e demandas sem fim, até ser reduzido a uma mera lenda, uma mera utopia, apenas lembrada como uma relíquia bolorenta, mentirosa, inexistente, sem fundo de verdade por quem a procurava sem sucesso na busca?
Como se explica que não existiria mais nada que chegasse onde nunca ninguém chegou, que afinal que queria tanto como nunca antes alguém quis outro alguém, que afinal, quem diria!, o príncipe não foge com o cavalo e a princesa não fica agarrada à bainha do lenço, a trocê-lo da água das mágoas?
Como se explica a quem não acredita que não haveria nada, nem nada valeria o esforço se não houvesse pessoa, se não existisse o conforto nem o calor que a realidade transmite? Como é que se faz acreditar que o vê não podia ser mais real a quem, no fundo, não crê em quem lho diz?
Como se explica afinal que se não se estivesse como se está, não haveria sequer verbo estar? Haveria, no seu lugar, verbo arrastar, que combinaria com pelos cantos, sem onde ir, que era o que se fazia antes. E não haveria felicidade coisa alguma, porque não haveria de onde emana a felicidade.
Mas isso também não é facilmente perceptível porque quem ouve pensa que deve ser mentira ou coisa que o valha.
Como se há-de dizer, porra, que não há sentimento igual, não há nem houve, e não haverá, sem que tal pareça uma parvoíce quando se passa para escrita? Não se diz, porque nunca ninguém acredita de facto.
Não, não seria outro, não seria nenhum, não seria mais ninguém. Nem será. Mas também não há maneira de se ser credível o suficiente para se acreditar.
Nada a fazer. Mais uma vez, a existência.
AS
Lembro-me vagamente de umas lições que se tomam no primeiro ano de Economia Política que fazem lembrar isto. Creio que se falava de bens ou produtos sucedâneos, produtos que mesmo que não sejam iguais ao original, tem as mesmas características e são aptos a satisfazerem as mesmas necessidades dos outros. Dão a mesma serventia, por assim dizer, servem para o mesmo, só que com nomes diferentes.
E ainda há quem se lembre de aplicar este princípio a coisas que nada têm a ver com Economia. Ainda há quem se arrogue a aplicar, que é como quem diz a dizer nas ventas vizinhas, este preceito àquilo que menos preceitos e regras segue.
Como se explica pelas vias racionais e sem entrar em caminhos duvidosos que vão inevitavelmente parar à lamechice barata e a alguma coisa que soe a falso romantismo, que existem coisas que nascem que não se explicam, existem, vivem, impõem a sua presença, porque ao fim e ao cabo, já pertenciam ao lugar que ocupam, só que nunca se tinham lá ido sentar antes?
Como se explica que o lugar encontrado era o que era procurado em demandas e demandas sem fim, até ser reduzido a uma mera lenda, uma mera utopia, apenas lembrada como uma relíquia bolorenta, mentirosa, inexistente, sem fundo de verdade por quem a procurava sem sucesso na busca?
Como se explica que não existiria mais nada que chegasse onde nunca ninguém chegou, que afinal que queria tanto como nunca antes alguém quis outro alguém, que afinal, quem diria!, o príncipe não foge com o cavalo e a princesa não fica agarrada à bainha do lenço, a trocê-lo da água das mágoas?
Como se explica a quem não acredita que não haveria nada, nem nada valeria o esforço se não houvesse pessoa, se não existisse o conforto nem o calor que a realidade transmite? Como é que se faz acreditar que o vê não podia ser mais real a quem, no fundo, não crê em quem lho diz?
Como se explica afinal que se não se estivesse como se está, não haveria sequer verbo estar? Haveria, no seu lugar, verbo arrastar, que combinaria com pelos cantos, sem onde ir, que era o que se fazia antes. E não haveria felicidade coisa alguma, porque não haveria de onde emana a felicidade.
Mas isso também não é facilmente perceptível porque quem ouve pensa que deve ser mentira ou coisa que o valha.
Como se há-de dizer, porra, que não há sentimento igual, não há nem houve, e não haverá, sem que tal pareça uma parvoíce quando se passa para escrita? Não se diz, porque nunca ninguém acredita de facto.
Não, não seria outro, não seria nenhum, não seria mais ninguém. Nem será. Mas também não há maneira de se ser credível o suficiente para se acreditar.
Nada a fazer. Mais uma vez, a existência.
AS
Alucinações
terça-feira, 10 de junho de 2008
Novas
Alguma coisa mudou. Trocou de sítio, foi-se embora, deixou tudo para trás.
E eu que não dei por nada...
Devia estar a dormir.
Coisas de gente que passa demasiado tempo de molho enquanto os outros vivem a vida.
AS
E eu que não dei por nada...
Devia estar a dormir.
Coisas de gente que passa demasiado tempo de molho enquanto os outros vivem a vida.
AS
quinta-feira, 5 de junho de 2008
V for Victory
Within Temptation, Deceiver of Fools
Esta música sempre me fez lembrar vitória, mesmo que sobre isso não verse directamente.
Hoje é dia de vitoria, mesmo que pequena, mesmo que insignificante, mesmo que queira dizer que vem por aí mais tormentos, mais sacrifícios, mais calvários, mais tortura. Porém, nada há que tire o que o dia de hoje significa. Venha o que vier, nada do que hoje se passou pode ser apagado.
E mesmo que a tal melodia nada tenha a ver com o significado, lembra sempre resistência, preserverança, luta constante contra opressões. É o que se espera do amanhã, que nunca morre afinal.
AS
segunda-feira, 2 de junho de 2008
E Terminou Assim ...
Continuou Assim ...

( À parte dos desmaios, dos vómitos, dos gritos e de cabelos arrancados, parece que para se ter um cabelo desta forma tão ... original é preciso não pentear muito nem lavar, para que o cabelo apanhe toda a porcaria que anda pelo ar, não dispensando a boa da laca. Isto é arte. Ou qualquer coisa ... )
Tokio Hotel
AS
Lá Para os Lados da Bela Vista
sábado, 31 de maio de 2008
O que está por vir
Chega ao fim uma etapa. Começa outra.
Pelo meio, fica o que nem sempre pode ser dito, todavia, é sempre pensado, sempre sentido, que fica sempre presente.
O que falta dizer lembra-me sempre esta música, nem sei bem explicar porquê. Simplesmente acontece a reminiscência.
Within Temptation, All I Need.
AS
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Winehouse
Marca presença hoje no Rock in Rio Lisboa.
Grande voz, e apesar de tudo, grande estilo na performance.
Fica a mais ouvida.
AS
terça-feira, 27 de maio de 2008
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Coisas da Existência - A arte de ser Carroceiro
Existem palavras que são consideradas como calão, ou menos, por serem menos apropriadas a ser utilizadas num diálogo de gente civilizada e não carroceira, que, de origem, não se usam. Todos sabem que existem, quando se era pequeno até se tinha direito a pimenta na língua quando tais vocábulos eram pronunciados, ou sequer pensados pelas inocentes cabecinhas ; simplesmente, ninguém as diz ( enfim ... ) por sistema, e fica mal exprimir-se de forma tão grosseira.
Mas o que é certo é que estes vocábulos existem mesmo assim, e sejamos francos, são para ser usados, sob pena da pobre língua mãe morrer sem evolução.
Merda para quem aposta numa vida com sucesso e vai a contar, não com facilidades, pelo menos com a honestidade alheia.
Fodeu-se o Zé Ingénuo que achava que ser justo era o mote que guiava o mundo.- Alguma vez foi??
Rai's partam mais a gentes que pisam a terra que mais valia nem terem sido paridos, como aqueles que apostam tudo em trafulhices e perfídias, que são capazes de dizer um alegre bom dia, com a maior das delicadezas, já perfeitamente conscientes e sabedores que acabou de se entalar mais alguém.
Vivam os desonestos, porque o mundo é deles.
Haja carroçarias por aqui, que hoje é o dia de cairem dilúvios, apenas daquilo que não se consegue aproveitar.
AS
Mas o que é certo é que estes vocábulos existem mesmo assim, e sejamos francos, são para ser usados, sob pena da pobre língua mãe morrer sem evolução.
Merda para quem aposta numa vida com sucesso e vai a contar, não com facilidades, pelo menos com a honestidade alheia.
Fodeu-se o Zé Ingénuo que achava que ser justo era o mote que guiava o mundo.- Alguma vez foi??
Rai's partam mais a gentes que pisam a terra que mais valia nem terem sido paridos, como aqueles que apostam tudo em trafulhices e perfídias, que são capazes de dizer um alegre bom dia, com a maior das delicadezas, já perfeitamente conscientes e sabedores que acabou de se entalar mais alguém.
Vivam os desonestos, porque o mundo é deles.
Haja carroçarias por aqui, que hoje é o dia de cairem dilúvios, apenas daquilo que não se consegue aproveitar.
AS
XII
Diz que a esperança é a última a morrer. Tudo será diferente quando a dita esperança nunca existiu, quando nunca dela se ouviu falar, quando tal expressão não passa de mera ilusão e de conto de encantar para inocentes.
Até que um dia, finalmente acontece, a esperança nasce das mãos que tocam, da boca que beija, dos olhos que chegam fundo. Descobre-se que esperança é apenas um vértice de algo muito maior, mais colorido, mais brilhante, mais denso, verdadeiro. O que nunca se julgou possível existe, é verdade, é real. Acabam-se os anos de negritude, de apatia, de morte interior. Brilha o sol, finalmente, ilumina o espirito inundado de nada, enche-o, preenche-o, inventa-o, cria-o de raiz. Existe porque há quem o faça nascer de novo, nascer e ver luz. A luz.
O tempo corre veloz. Para trás ficam todas as memórias que nem chegam a sê-lo ; vivem e batem juntamente com o coração, acompanham o diafragma a cada expiração feita. São vividas todos os dias, como se nunca tivessem sido vistas. E nunca são suficientes para matar a sede, a saudade, a falta que existe, mesmo que haja contacto directo e constante.
Descobre-se que a esperança, a luz, a forca, o fulgor, a vida, a paixão, existem, afinal, não são frutos da imaginação. Existem concentrados numa só pessoa.
Existe.
Eterno.
Perpétuo.
Perene.
Imortal.
AS
Até que um dia, finalmente acontece, a esperança nasce das mãos que tocam, da boca que beija, dos olhos que chegam fundo. Descobre-se que esperança é apenas um vértice de algo muito maior, mais colorido, mais brilhante, mais denso, verdadeiro. O que nunca se julgou possível existe, é verdade, é real. Acabam-se os anos de negritude, de apatia, de morte interior. Brilha o sol, finalmente, ilumina o espirito inundado de nada, enche-o, preenche-o, inventa-o, cria-o de raiz. Existe porque há quem o faça nascer de novo, nascer e ver luz. A luz.
O tempo corre veloz. Para trás ficam todas as memórias que nem chegam a sê-lo ; vivem e batem juntamente com o coração, acompanham o diafragma a cada expiração feita. São vividas todos os dias, como se nunca tivessem sido vistas. E nunca são suficientes para matar a sede, a saudade, a falta que existe, mesmo que haja contacto directo e constante.
Descobre-se que a esperança, a luz, a forca, o fulgor, a vida, a paixão, existem, afinal, não são frutos da imaginação. Existem concentrados numa só pessoa.
Existe.
Eterno.
Perpétuo.
Perene.
Imortal.
AS
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Coisas da Existência - A arte de Bem Mandar Vir
As notas são papelinhos amorosos e coloridos que circulam de mão em mão para que as pessoínhas possam comprar o que mais falta lhes faz. Circulando entre mãos, sofrem alterações à sua forma inicial, que as faz ficar danificadas ; sem cantos, com rasgões, fita cola, assinaturas, com falta de elementos essenciais como sejam as fitas de segurança ou rasuras nas marcas de agua, sem que contudo alguém repare no fenómeno. Afinal, o que se pretende é pagar rapidamente a conta para ir andando, que a pressa é muita, no caso do consumidor, e no caso do comerciante, receber o dinheiro que é para isso que se tem a casa aberta.
Até que se vai, inocentemente, comprar cigarros num qualquer café, e se recebe, de troco uma nota que já deu, no mínimo a volta à península à boleia. E no dia seguinte, compra-se café com a dita nota, armando-se logo um escabeche de primeira. Porque se tem cara de falsária, de quem anda no mundo só com o propósito de enganar honestos trabalhadores e honrosos pais de família, há que gritar insistentemente e recusar aceitação de uma simples nota que provavelmente já correu toda a Europa e foi protagonista de muitas transacções económicas. Mais engraçado ainda quando, rejeitada a pobre nota, se tenta a mesma sorte num outra estabelecimento comercial e, simplesmente e sem aviso prévio, se recebe o troco e o talão, sem mais delongas.
Diz-se do típico português, boa pessoa e defensor dos bons costumes, entre outros, que não reclama nem reivindica com ferocidade os seus direitos. Será verdade. Há que atentar na diferença entre reclamar e mandar vir, num dia de diarreia cerebral, com quem tem cara de falsificante de sabões e coisas similares, que está tão inocente como o café que se pediu.
Até que se vai, inocentemente, comprar cigarros num qualquer café, e se recebe, de troco uma nota que já deu, no mínimo a volta à península à boleia. E no dia seguinte, compra-se café com a dita nota, armando-se logo um escabeche de primeira. Porque se tem cara de falsária, de quem anda no mundo só com o propósito de enganar honestos trabalhadores e honrosos pais de família, há que gritar insistentemente e recusar aceitação de uma simples nota que provavelmente já correu toda a Europa e foi protagonista de muitas transacções económicas. Mais engraçado ainda quando, rejeitada a pobre nota, se tenta a mesma sorte num outra estabelecimento comercial e, simplesmente e sem aviso prévio, se recebe o troco e o talão, sem mais delongas.
Diz-se do típico português, boa pessoa e defensor dos bons costumes, entre outros, que não reclama nem reivindica com ferocidade os seus direitos. Será verdade. Há que atentar na diferença entre reclamar e mandar vir, num dia de diarreia cerebral, com quem tem cara de falsificante de sabões e coisas similares, que está tão inocente como o café que se pediu.
AS
sábado, 17 de maio de 2008
As Últimas Palavras
À laia de tentar recuperar o tempo desperdiçado noutras actividades bem menos interessantes, fica uma das preferidas. Um misto de comiseração, conformismo e laivo de esperança. Porque chorar é tempo perdido, olha-se, não em frente, mas para outros lados para distrair.
Now I know,
That I can't make you stay.
But where's your heart?
But where's your heart?
But where's your,
And I know.
There's nothing I can say.
To change that part.
To change that part.
To change.
So many,
Bright lights they cast a shadow,
But can I speak?
Well is it hard understanding,
I'm incomplete?
A life that's so demanding,
I get so weak.
A love that's so demanding,
I can't speak.
I am not afraid to keep on living,
I am not afraid to walk this world alone
Tell me if you stay I'll be forgiven,
Nothing you can say can stop me going home.
Can you see?
My eyes are shining bright,
'Cause I'm out here, on the other side,
Of a jet black hotel mirror,
And I'm so weak.
Is it hard understanding?
I'm incomplete.
A love that's so demanding,
I get weak.
I am not afraid to keep on living,
I am not afraid to walk this world alone
Tell me if you stay I'll be forgiven,
Nothing you can say can stop me going home.
I am not afraid to keep on living,
I am not afraid to walk this world alone
Tell me if you stay I'll be forgiven,
Nothing you can say can stop me going home.
These bright lights have always blinded me.
These bright lights have always blinded me.
I say.
I see you lying next to me,
With words I thought I'd never speak,
Awake, and unafraid.
Asleep, or dead.
'Cause I see you lying next to me,
With words I thought I'd never speak,
Awake, and unafraid.
Asleep, or dead.
'Cause I see you lying next to me,
With words I thought I'd never speak,
Awake, and unafraid.
Asleep, or dead.
'Cause I see you lying next to me,
With words I thought I'd never speak,
Awake, and unafraid.
Asleep, or dead...
I am not afraid to keep on living,
I am not afraid to walk this world alone
Tell me if you stay I'll be forgiven,
Nothing you can say can stop me going home.
I am not afraid to keep on living,
I am not afraid to walk this world alone
Honey if you stay I'll be forgiven,
Nothing you can say can stop me going home.
I am not afraid to keep on living,
I am not afraid to walk this world alone
Honey if you stay I'll be forgiven,
Nothing you can say can stop me going home.
Famous Last Words, My Chemical Romance
AS
Era uma Vez
Era uma vez uma velha, andrajosa, suja, feia, que caminhava pelas ruas da cidade. Pedia esmola pelas esquinas, mendigava um pedaço de pão de porta em porta, arrastava-se rua fora, levando atrás de si os seus trapos velhos, imundos, cheios de coisa nenhuma. Os pés, encardidos, pisavam a laje fria, sem nunca conhecerem o calor nem o conforto, viajavam de estrada em estrada, sem parar, sem descansar, sem deixar de caminhar.
Era uma vez uma velha mendiga que caminhava pelas ruas de todas as cidades do mundo sem pertencer a nenhuma delas. Rastejava, gritando pragas e profecias aos quatro ventos, sem que ninguém a ouvisse ou olhasse duas vezes para ela. Era uma pedra no meio de tanta gente apressada, multidão sem rosto, que se desviava para não esbarrar nela, que praguejava entredentes quando se lhes atravessava no caminho, pedindo dinheiro, chorando a sua loucura e a sua fome.
Dizia-se que, em tempos, tinha sido bela, e jovem, e cheia de vida, e de sonhos e de ilusões, mas que as perdeu todas num rasgo de insanidade e precipitação. Farta de uma vida rodeada de obsessão, gente obcecada, trabalhos árduos que não levavam a lado algum, sem propósito e sem cadencia lógica, cansou-se de tudo e partiu, não se sabe muito bem para onde. Vagueou, correu mundo à procura de coisas novas para ver, para experimentar, para saborear e tocar, correu todas as cidades do mundo à procura da sua, à procura de alguma cura milagrosa para a insatisfação, à procura de um raio de luz que iluminasse o seu mundo escurecido pelas traças e pela treva. Largou tudo e partiu. Ninguem a seguiu.
Um dia, deu por si, sozinha, sem nada, sem ninguém, com a fome e saudades de casa, com a angustia que a tinha levado a partir transformada em arrependimento e nostalgia. O que eu perdi, o que deixei para trás, o que agora não é meu.
E voltou. Mas já ninguém a conhecia, ninguém a queria, ninguém a reconheceu. Continuava todo o seu mundo antigo, cheio de formigas atarefadas a volta da obsessão de sempre, à volta das futilidade habituais. Ninguém se lembrou dela. No seu lugar, havia um outro alguém que tinha de facto gosto pelo que havia fazer, alguém que não questionava, nem lamentava, nem chorava. Porque queixar-se, verter lágrimas é perda de tempo.
Foi-se embora, para nunca mais voltar. Enlouquecida pelo tempo, pelo esquecimento, dos outros e de si, vagueou de cidade em cidade, de rua em rua, à procura não sabe bem de quê, do que ganhou, que foi nada, e do que perdeu, que foi tudo. Deambula pelas ruas escuras, enegrecidas pelo fumo, e pelas frustrações de milhares que a pisavam, sem deixarem qualquer marca. Ela, a velha, conhecia-as todas, de cor. Carregava-as todos os dias.
Era uma vez uma velha, descalça, moribunda, coberta de farrapos. Sentada na esquina, estica a mão, carcomida pelas voltas da terra, escurecida pela existência sem tecto, pede a bondade alheia de lhe deitarem umas migalhas.
Não. Pede ajuda, mas não a quem passa, mas a quem observa, de lá de cima, quem passa na rua. Pede ajuda como último laivo de desespero, de angústia, de tristeza, de quem não tem mais nada.
Era uma vez uma velha, andrajosa, suja, feia, que caminhava pelas ruas da cidade. E um dia nunca mais ninguém a viu. Porque ninguém lhe sentiu a falta.
Era uma vez uma velha mendiga que caminhava pelas ruas de todas as cidades do mundo sem pertencer a nenhuma delas. Rastejava, gritando pragas e profecias aos quatro ventos, sem que ninguém a ouvisse ou olhasse duas vezes para ela. Era uma pedra no meio de tanta gente apressada, multidão sem rosto, que se desviava para não esbarrar nela, que praguejava entredentes quando se lhes atravessava no caminho, pedindo dinheiro, chorando a sua loucura e a sua fome.
Dizia-se que, em tempos, tinha sido bela, e jovem, e cheia de vida, e de sonhos e de ilusões, mas que as perdeu todas num rasgo de insanidade e precipitação. Farta de uma vida rodeada de obsessão, gente obcecada, trabalhos árduos que não levavam a lado algum, sem propósito e sem cadencia lógica, cansou-se de tudo e partiu, não se sabe muito bem para onde. Vagueou, correu mundo à procura de coisas novas para ver, para experimentar, para saborear e tocar, correu todas as cidades do mundo à procura da sua, à procura de alguma cura milagrosa para a insatisfação, à procura de um raio de luz que iluminasse o seu mundo escurecido pelas traças e pela treva. Largou tudo e partiu. Ninguem a seguiu.
Um dia, deu por si, sozinha, sem nada, sem ninguém, com a fome e saudades de casa, com a angustia que a tinha levado a partir transformada em arrependimento e nostalgia. O que eu perdi, o que deixei para trás, o que agora não é meu.
E voltou. Mas já ninguém a conhecia, ninguém a queria, ninguém a reconheceu. Continuava todo o seu mundo antigo, cheio de formigas atarefadas a volta da obsessão de sempre, à volta das futilidade habituais. Ninguém se lembrou dela. No seu lugar, havia um outro alguém que tinha de facto gosto pelo que havia fazer, alguém que não questionava, nem lamentava, nem chorava. Porque queixar-se, verter lágrimas é perda de tempo.
Foi-se embora, para nunca mais voltar. Enlouquecida pelo tempo, pelo esquecimento, dos outros e de si, vagueou de cidade em cidade, de rua em rua, à procura não sabe bem de quê, do que ganhou, que foi nada, e do que perdeu, que foi tudo. Deambula pelas ruas escuras, enegrecidas pelo fumo, e pelas frustrações de milhares que a pisavam, sem deixarem qualquer marca. Ela, a velha, conhecia-as todas, de cor. Carregava-as todos os dias.
Era uma vez uma velha, descalça, moribunda, coberta de farrapos. Sentada na esquina, estica a mão, carcomida pelas voltas da terra, escurecida pela existência sem tecto, pede a bondade alheia de lhe deitarem umas migalhas.
Não. Pede ajuda, mas não a quem passa, mas a quem observa, de lá de cima, quem passa na rua. Pede ajuda como último laivo de desespero, de angústia, de tristeza, de quem não tem mais nada.
Era uma vez uma velha, andrajosa, suja, feia, que caminhava pelas ruas da cidade. E um dia nunca mais ninguém a viu. Porque ninguém lhe sentiu a falta.
AS
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Reborn
Longa vai a noite e o tempo corre veloz.
Perde-se tempo em coisas que o tempo esconde, e quando se dá por isso, não há tempo para nada.
Folhas de papel por preencher, durante 90 minutos, numa sala cheia de gente sentada e só um ou dois de pé, a olhar para o infinto sem estar a ver coisa alguma, é daquelas coisas que roubam tempo, muito tempo. Para depois produzir nada de resultados praticos. Mas isso já é o mais que conhecido.
Reencontra-se o lugar a que nunca se pertenceu, no mesmo sitio, cheia de pó, e dá vontade de ir lá experimentar, para ver se já serve, para ver se já la se cabe.
Nada muda, continua-se demasiado pequeno para lá ter lugar ; mas as marcas de pó parecem ja mais esbatidas quando se olha mais de perto. Alguma coisa deve querer dizer.
Ou não.
AS
Perde-se tempo em coisas que o tempo esconde, e quando se dá por isso, não há tempo para nada.
Folhas de papel por preencher, durante 90 minutos, numa sala cheia de gente sentada e só um ou dois de pé, a olhar para o infinto sem estar a ver coisa alguma, é daquelas coisas que roubam tempo, muito tempo. Para depois produzir nada de resultados praticos. Mas isso já é o mais que conhecido.
Reencontra-se o lugar a que nunca se pertenceu, no mesmo sitio, cheia de pó, e dá vontade de ir lá experimentar, para ver se já serve, para ver se já la se cabe.
Nada muda, continua-se demasiado pequeno para lá ter lugar ; mas as marcas de pó parecem ja mais esbatidas quando se olha mais de perto. Alguma coisa deve querer dizer.
Ou não.
AS
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