terça-feira, 19 de agosto de 2014

Wedding Arrangements - Parte 17

Porra bem grande onde pendurar os nomes das mesas e das pessoas que lá sentarão seus ilustres cus - check!

Apetece-me Grandemente Ser Porca # 49

Uma das grandes vantagens de se ser superior hierárquico é, sem dúvida, poder delegar. Principalmente as tarefas chatas. Nada há de melhor e, diga-se, mais português, do que mandar os outros fazer trabalhos de merda enquanto que se fica com a parte boa, que é, normalmente, coçar a micose enquanto se espera que a coisa apareça feita.

Porém, e porque esta espelunca está muito longe de ser uma grande sociedade, ao estilo de Liberdade XXI, em tempo de férias, o trabalho é redistribuído e quando o subalterno vai de férias e o superior arrota com os costados no escritório, é a este último que retomam os trabalhos de sapa que foram delegados.

Ao verificar o expediente de hoje, observo no meu estendal um processo que deleguei, cujo trabalho consistia em, basicamente, contactar um ilustre colega que é, vá, na pureza dos conceitos, podre de giro e bom nas horas. Já se encontrando a minha pessoa extremamente bem fornecida nessa sede, alegremente entreguei o trabalho à ilustre estagiária, moça mui prendada e em idade casadoira, na esperança que dali saísse um belo de um romance, do qual poderia, mais tarde, recolher os louros por ter dado um empurrão a tamanha felicidade. A dita moça, em vez de fazer o trabalho indicado, protela a tarefa até à altura de ir ela própria de férias, para, depois, remeter-me novamente o processo. Tradução: a badalhoca, porque teve vergonha de falar com o gajo, não quis fazer o contacto. Merda mais a isto.

De má vontade, lá pego na porra dos papéis, à procura do número de telefone da besta. Qual não é o meu espanto quando, no meio da balbúrdia de papéis, encontro uma folha com as trombas do colega, que de facto, é um belo exemplar masculino, não restem dúvidas quanto a isso, mas essa não é a questão em cima da mesa.

Quem, senhores, quem é que sabe perder tempo a imprimir uma puta de uma folha com a fotografia do gajo, mas não pega no telefone para falar com ele e fechar o acordo?! Quase que podia ouvir o risinho parvo daquela gaja, a buzinar no meu ouvido.

Moral da história: nunca se armem em casamenteiros. Só arranjam sarna para se coçarem.

Continuo Sozinha na Casinha de Monstros Civilistas

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Sozinha Na Casinha de Monstros Civilistas

A Importância de uma Pinça na Vida de uma Mulher

A palavra é dada a trocadilhos, especialmente se lhe tirarmos aquele 'n' que paira ali entre o 'i' e o 'ç'; no entanto, este esboço nada tem a ver com objectos fálicos.

Aqui há coisa de um ano e meio / dois anos, que já nem sei a quantas ando, qual velha que só recorda o que aconteceu antes da Revolução, perdi a minha pinça de estimação. A pinça que me permitia ter sempre as pilosidades das sobrancelhas alinhadas, simétricas e arrumadas desapareceu e deixou em mim um vazio tremendo. Desde então, a minha existência tem sido uma constante demanda pela pinça perfeita, sem grande resultado. Perdi a conta às pinças que entretanto fui adquirindo, na vã esperança que as novas aquisições estivessem à altura da primogénita, que durante anos me acompanhou e que deu às minhas trombas um ar minimamente decente. As substitutas deram apenas um pequeno contributo para manter a celha mais ou menos alinhada, mais ou menos simétrica, mais ou menos arrumada. Nada que se comparasse à velha pinça, esse colosso da história da depilação, comprada numa loja de produtos superiores e que me custou os olhos da cara, ou não fossem as lojas chinesas o arquétipo do luxo em todos os produtos que vendem.
Dei muitas voltas à cabeça a pensar onde poderei ter deixado semelhante artefacto, voltando constantemente aos lugares onde a poderei ter perdido. Nada. Imaginei que alguém, vendo tanta riqueza num objecto tão magnifico, se tivesse abotoado com ela. Cheguei, inclusive, a raptar elementos familiares, torturando-os sem piedade, tudo com o intuito de recuperar a minha menina dos milagres pilosos. Rien de rien. Por fim, resignei-me à perda definitiva e encerrei-me num luto pesado e sem retorno.
Ontem, arrumando as tralhas do regresso, colocando inadvertidamente a mão num bolso escondido de uma qualquer maleta que levei comigo, apalpei uma saliência metálica e, qual não é o espanto da minha pessoa, quando, na palma da minha mão, surge, brilhante e fulgurante, a minha adorada pinça.
Lágrimas assomaram meus olhos, alegria palpitou em meu peito, felicidade suprema atingida no meu ser!
De volta a filha pródiga, posso finalmente ter uma aparência novamente decente.
A demanda chegou ao fim. Encontrei o meu graal. Já posso ir lá para fora brincar.




Agora que penso nisso, tirai, de facto aquele 'n' que paira ali entre o 'i' e o 'ç' e tendes uma bela alegoria.

Leituras ... Qualquer Coisa Serve

Bolas, que este estava difícil de acabar...
Não deixando, de forma alguma, de ser fã de Scarrow, confesso que este livro não me entusiasmou por aí além. Mesmo com acção com fartura, não cativa, é aborrecido amiúde e o personagem do vilão é tão parvo que se torna previsível e idiótico.
Pode ser que o próximo volume de Cato e Macro seja melhor.
Peço desculpa, mas fui ali ao bailarico.
Já voltei.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Amostra de Gato X

Gato que se preze também dorme ao sol, todo esticado, todo aberto, como se fosse uma reles pessoa.

Amostra de Gato IX

Gato que se preze enfia-se logo no saco dos sapatos que acabaram de chegar.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Nonsense Talking Nº ... Qualquer Coisa

 - Bom dia.
 - Bom dia. Faça favor?
 - Tenho um apontamento marcado com o Dr. X.
 - Com certeza. Aguarde um pouco na sala, por favor.


Nem preciso de perguntar de onde veio a senhora.
Afinal, não é só o direito que deixa as pessoas inimputáveis; as Franças também.

Amostra de Gato VIII

Novo poiso do bicho.
Não há nada a fazer, a inimputabilidade pega-se.

Robin Williams

Partem todos cedo demais.

Cinema Nº ... Coiso

Tremendo.
Interpretação extraordinária de Hoffman. Como tudo o que ele fazia, aliás.
Frustração gigante no final que não tira o encanto.
Muito, muito bom.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Wedding Arrangements - Parte 16

A verdade é que tenho muito pouca experiência na área, confesso.
Não percebo nada disto, não sei o que é suposto fazer, nem como reagir, nem sequer o que esperar.
Talvez esteja a lidar com as coisas dando-lhes demasiada importância, transformando-as em camiões quando têm o tamanho de formigas, talvez esteja a agir com uma ligeireza absurda, assobiando para o lado para não ver o cogumelo nuclear mesmo ali à frente. Não sei. Nem quero saber, a bem da verdade.

Porém, fico um pouco aturdida com a atitude das pessoas face aos convites que lhes são entregues.

Não sei dizer, que hoje também não sei nada, rai's ma partam, se é da confiança que têm com quem os convida, se é da parvoíce intrínseca, se é da falta de vergonha, de educação ou se outro nutriente qualquer, mas a verdade é que ocorrem fenómenos deveras estranhos, e atentai que já tenho ouvido falar em paranormalidades no que a casamentos diz respeito, parece que a ocasião pede estranheza e não há nada melhor que um casório para espalhar toneladas de surrealidade.

Tomando umas notas mentais, tenho que perguntar aos que já casaram se também lhes ocorreram estes fenómenos aquando da sua data... Será que é normal e eu, feita ursa empalhada, é que acho estúpido? Será que o erro é de quem convida que não se precaveu devidamente para estes acontecimentos? Será que não é assim tão estranho? Casados deste mundo, ajudai uma alma quebrada!

Posto isto, deixando a conversa da treta, que já vai longa e há quem tenha mais que fazer e sítios para onde ir, não é claramente o meu caso, que estando no local de trabalho, trabalho é coisa que não me assiste neste momento, ficou a minha pessoa positivamente fodida, estava a tentar escapar ao verbo foder, embora relativamente adequado no que a casamentos diz respeito, mas pouco educado no que concerne a linguagem, olha que se foda, vai mesmo assim, com o fenómeno (recente, que sou novata nestas andanças) de entregar o convitezinho, todo bonitinho, todo paneleiro, devidamente identificado, com os destinatários todos discriminados e, do outro lado, à velocidade de TGV, salta de lá a pergunta do 'e o meu namorado/marido/gajo-que-ando-a-comer-há-3-meses/filho/enteado/gato/cão/whatever, também pode ir?'

Oi?!
Pode ir?
Mas ir onde, à fonte buscar água?
Então mas ... Mas, mas ... está no convite o nome dos destinatários, é preciso ser mais explícito que isto?

Não? Sou eu que sou palhaça? Encontro-me demasiado aturdida para articular um discurso mais coerente.
Já me deparei com esta situação por duas vezes.
Julguei que estavam a brincar comigo.
Depois percebi que era a sério e fiquei sem saber o que dizer.

Acho só ligeiramente mal-educado e fiquei um bocadinho chateada. Que é como quem diz, mas qu'éssa merda, caralho?

Digam-me só se é normal ou não, por favor. E expliquem-me se a normalidade consiste na pergunta por parte dos convidados, que é legitima e vem em tempo, e a minha pessoa é que é das beiras e lá estas coisas não se usam, ou se, por outro lado, estou a ser vítima da falta de porrada que os outros deveriam ter tido em crianças.

Críptico

Alturas existiram em que percebia e gostava.
Depois, comecei a deixar de perceber, mas não comecei a deixar de gostar.
Após isso, deixei de perceber completamente e, mesmo assim, não deixei de gostar.
Agora deixei de perceber e de gostar.

Mais do que isto também não vale a pena.

Do Existêncialismo - V

Nas terras normais, costumam dizer 'frei nabiça, tudo o que vê cobiça' (ou com a variante Maria em vez do frei).

Em terras anglo-saxónicas, aplica-se o monkey see, monkey do.

Minha ilustre Mãe não tem tempo para provérbios, por isso chama logo garganeiro/a (mesmo sem ter muito a ver, há que desculpar, é do ar da serra), e está o assunto arrumado.

Porém, na Margem Sul, têm uma expressão muito melhor: não podem ver uma camisa lavada a um pobre.

E era só isto.

Cinema Nº ... Coiso

Não podia deixar de ir ver este filme.
Confesso que pensei que ia levar uma banhada de todo o tamanho, mas fui surpreendida.
O argumento é muito vivido, inteligente e cru, mostrando uma realidade que não passa nas televisões ocidentais.
As interpretações são magníficas, ainda para mais feitas por não profissionais.
A história que serve de base ao filme já toda a gente conhece; os pormenores desta realidade, que ficam habitualmente de fora, dão-lhe uma cor extraordinária.


Excelente.

Imagem Viva Daquele Penico que Vive Lá em Casa

Palavras não descreveriam melhor.

Cinema Nº ... Coiso


Ao mesmo tempo, tocante e leve, divertido e sério, cómico e triste.
Excelente argumento adaptado, boas interpretações.

Mesmo, mesmo muito bom.